4 motivos que fazem do live-action de Bleach uma ótima adaptação

Filme live-action da icônica obra japonesa consegue transpor a estética do anime de forma excepcional para as telas

Ao longo dos anos temos visto mais e mais live-actions surgirem, porém quantidade não significa qualidade. Seja uma produção ocidental ou uma produção oriental, parece que o limite que separa a animação de um filme com pessoas reais é difícil de se adaptar. Atuação ruim? Efeitos medíocres? História totalmente diferente? A lista de reclamações vai longe. Por isso, muita gente torceu o nariz ao ficar sabendo que Bleach seria mais um mangá/anime que ganharia uma adaptação. Se um enredo mais pé no chão como Death Note não conseguiu  nenhuma adaptação que fizesse jus a obra original, o que seria de Bleach, um anime fantasioso cheio de monstros e lutas?
É aí que para a surpresa de todos, o live-action lançado no dia 20 de julho no Japão e agora no dia 14 de setembro na Netflix, conseguiu fazer o que poucos conseguiram: adaptar muito bem.

A pergunta imediata é: como? A resposta não é simples, mas seguem alguns pontos abaixo que giram em torno do ótimo uso da estética de anime.
1- Boa caracterização e atuações

Um dos grandes problemas em se fazer uma adaptação baseada em um mangá ou anime é a caracterização e as atuações. Os animes, essencialmente, são representações caricatas e exageradas da realidade. Basta observar: costumeiramente personagens de animes têm o cabelo colorido, olhos grandes, mulheres  têm seios imensos (e corpo bem definido) e as personagens agem de forma expressiva. Todo esse exagero não coincide com o mundo real, por isso acaba sendo uma grande dificuldade de uma adaptação live-action: como recriar todas essas características sendo que são irreais?
É aí que o live-action de Bleach se sobressai.

A obra opta por um meio termo: há ali elementos identificáveis, mas de forma realista. Por exemplo: Ichigo no anime tem o cabelo laranja, no filme opta-se por uma coloração que é um laranja mais ameno,não tão forte a ponto de soar artificial. Orihime seria o estereótipo da garota formosa, na adaptação ela é uma colegial comum, porém há grandes semelhanças do seu rosto com a personagem original e os trejeitos estão todos lá.
Em suma, há uma preocupação não só em ser fiel ao estilo do anime, mas também em encaixá-lo de modo funcional na história. Lembre-se, um filme é outra mídia, precisa acrescentar ou retirar coisas.




Somando ao estilo, temos as atuações que importam perfeitamente o modo de ser das personagens. Ichigo a todo momento caminha entre o sujeito durão que não liga para as coisas e o sujeito que quer salvar todo mundo. A Orihime, como dito, expressa todos os trejeitos ingênuos e alegres. Chad tem sua presença soturna, misteriosa, mas impactante. Rukia é esquentada, preocupada com os detalhes e com uma curiosidade a respeito da humanidade (que ela nega sempre). Enfim, a essência das personagens está lá, mas tudo adaptado com cuidado para caber no plano da realidade; no "plano 3D".

2- História concisa

Sendo assim, além do carisma das personagens, nós temos uma história concisa e bem amarrada. Um mangá ou um anime tem o "luxo" de possuir vários capítulos, que podem assim desenvolver detalhadamente seu enredo. Um filme comercial é diferente: geralmente tem apenas duas horas, e essas duas horas precisam ter começo, meio e fim, com todos os aspectos se interligando sem deixar pontas soltas.

A trama de Bleach conta a história de Kurosaki Ichigo, um estudante do ensino médio que recebe em seu quarto a shinigami Rukia. Acontece que Ichigo tem uma energia espiritual enorme, atraindo espíritos malignos que são chamados de Hollows. Por complicações do destino, Ichigo assume o lugar de Rukia como shinigami, resultando em problemas tanto para a vida do garoto quanto para a existência da moça.




O live-action, portanto, ao invés de tentar ser grande demais (ou seja enfiar elementos que não podem se desenvolver direito) ou ser detalhado demais (em suma, perder tempo com coisas inúteis), opta por fazer um recorte redondo da história e assim construí-lo em um ritmo paciente. Na tela, a grande maioria dos elementos expostos tem algum propósito. Assim, o foco acaba por ser quatro elementos: o desenvolvimento do relacionamento de Ichigo e Rukia, o treinamento do garoto como shinigami, a trama que envolve a quebra de regras da Soul Society e por fim, o arco emocional de Ichigo a respeito de sua falecida mãe. Tudo tem seu espaço com começo, meio e fim. Eu diria até que há certa esperteza no roteiro, pois ele funciona muito bem como filme único, enquanto indica questões em aberto para continuações.

E claro, o filme adapta. Isso é importante: fica visível que os roteiristas não só leram Bleach, mas estudaram como funciona seus arcos narrativos e assim, decidiram pegar seus pontos importantes e criar um enredo novo.

3- Lutas estilosas

As lutas desse live-action são extremamente estilosas, bebendo diretamente da fonte dos animes enquanto direção. Basta observar os enquadramentos, o estilo rápido de ataque, a trilha sonora, os diálogos emotivos entre cada golpe - está tudo lá. O diretor conseguiu captar a essência do que faz um anime ser tão diferente e assim, o transpôs para a tela.

Uma cena que exemplifica bem o que estou dizendo: antes de virar shinigami, Ichigo debate com Rukia, pois ele não quer assumir o posto enquanto ao mesmo tempo precisa. Atrás dele, o Hollow se levanta prestes a atacar. Quando o monstro está indo direto para os dois, Ichigo toma sua decisão e vira um shinigami. Imediatamente ele voa dando um golpe no bicho, parando em uma pose cool. Ao fundo, começa a soar riffs de guitarra e assim, durante a luta toca um rock eletrizante.


Esse foi só um exemplo, mas as cenas de ação são todas assim: captam a essência do que faz um anime ser tão estiloso. E para completar isso, o CGI dos monstros está muito bom. Nada de Ryuuku de massinha de modelar, os monstros de Bleach têm textura e apresentam perigo real.

4- Mescla de tons de gênero

Bleach live-action sabe mesclar bem diferentes gêneros sem parecer forçado. Ao inicio, seja na abertura ou na pequena história da morte da mãe de Ichigo, temos um tom de terror. Esse tom é essencial para dar credibilidade e peso aos Hollows. É importante o sobrenatural ser visto com estranheza para envolver o espectador e portanto, entendermos a intensidade dos problemas enfrentados.

Ao mesmo tempo, há também comédia. A comédia é importante para acompanharmos a vida cotidiana das personagens e nos conectarmos com elas. Eu costumo dizer que você só passa a conhecer um personagem quando é exposto algum diálogo comum dele, falando sobre problemas mundanos. E é exatamente o que temos na relação de Rukia com Ichigo, que conversam sobre os Hollows, mas ao tempo trocam farpas como seres humanos. Aliás, umas das temáticas é justamente essa: o fato de Rukia se envolver demais e acabar por aos poucos tornar-se humana; o humano, nesse sentido, é de sentir; de sorrir e amar. Só entendemos o peso que a garota tem para o rapaz por conta dos momentos que eles compartilham ao longo da trama.




Por fim, há o drama. Filmes japoneses tendem a perderem a mão no drama, exagerando tanto no roteiro quanto na atuação. Bleach consegue se equilibrar bem, com Ichigo passeando entre o desdém e a tentativa desesperada de salvar a todos. O momento final, quando Byakuya derrota Ichigo inúmeras vezes, é emblemático pois é a síntese da estrutura de um shounen: o personagem principal, pela força de vontade, vai atrás de seus objetivos e não desiste até que consiga. Uni-se a isso toda a trama, como já dito, da mãe do garoto e talvez a perca de mais uma pessoa em sua vida. Nesse aspecto, o ponto central de Bleach torna-se proteger e a aceitação de ser protegido.



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