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5 pontos para entender o sucesso de Harry Potter

Um breve guia para compreender profundamente o sucesso do mundo bruxo

Harry Potter é a série de livros mais famosa do mundo, com um alcance de público inimaginável na história da literatura. Por isso, muitas pessoas se perguntam: por que de todo esse sucesso?
Separamos 5 pontos relevantes para responder a essa pergunta, mostrando que a obra-prima de J.K. Rowling é um exemplo perfeito de história, narrativa, uso de referências e claro, marketing bem feitos.

1- Escrita complexamente simples
Um dos grandes atrativos de Harry Potter é justamente a escrita.  Obviamente muita coisa se perde na tradução, mas mesmo na versão brasileira é possível perceber a complexidade da simplicidade de J.K. Rowling. Os livros da série vão progressivamente nos apresentando o mundo dos bruxos sob o olhar de Harry, inicialmente um garoto de 11 anos. É fato que o gênero de Harry Potter é infanto-juvenil, um tipo de livro feito para crianças, mas é tendo essa noção que surge uma das maiores qualidades: cada livro pode ser lido para crianças, assim como para adultos. Qualquer pessoa pode entender do que JK está falando nas páginas, entretanto existe um subtexto mais complexo que aborda questões como preconceito, violência, família e amor.

Ter uma escrita simples é fácil, existem centenas de livros infantis por aí, mas ter uma escrita simples que consegue dialogar com crianças e adultos, é uma tarefa árdua que Rowling realiza com maestria. Ler a série de livros quando criança e depois quando adulto é uma dupla experiência memorável. Por isso tanta gente se apaixona pelo mundo dos bruxos.

2- RPG
Harry Potter se utiliza do arquétipo do aprendiz de mago, um arquétipo bastante conhecido para os fãs de rpg. Não a toa, Rowling já foi acusada de plágio quando, por exemplo, notaram semelhanças de sua série de livros com Os Livros da Magia, de Neil Gaiman. Acontece que ambos bebem da mesma fonte: os livros de rpg populares dos anos 80 e as mitologias europeias (e especificamente britânicas). O sistema Storyteller, por exemplo, foi muito popular antes do lançamento de Harry Potter. Nesse sistema, o foco não é tanto o jogo, mas em criar histórias e contos com base na aventura mestrada - sendo assim, temos diversos tipos de jogos, todos interligados, incluindo, olha só, um focado no mundo dos magos (Mago: Ascensão). Se voltarmos mais ainda em termos de referências, vamos acabar parando nas obras de Tolkien, a base para o rpg e claro, para todo o gênero de fantasia literária.

Por isso Harry Potter é tão diferente e imersivo. Não estamos apenas lendo uma história, mas participando dela. Harry é como se fosse um avatar de rpg, deveras vazio para que o leitor simpatize com ele e assim se coloque em sua pele. Por meio dele, vamos conhecendo cada aspecto desse lugar que é o mundo dos bruxos. Conhecemos os NPCs, os companheiros jogáveis do protagonista e missões que explicam sobre o lugar e histórias de outras personagens, contribuindo para um enredo maior.

3- A Jornada do Herói
Outro ponto extremamente relevante para o sucesso de HP é a boa execução da jornada do herói. A série de livros é um exemplo perfeito de como construir boas histórias usando desse sistema como ponto de partida. A genialidade de JK está em cada livro encaixar os acontecimentos perfeitamente na jornada do herói e todos os livros, ao serem analisados juntos, formarem uma jornada maior.

Dentro da jornada acabam por entrar justamente o arquétipo de aprendiz de mago e a progressão de evolução dos rpgs. Sendo assim, é um tipo de história facilmente identificável e simpatizável para o público geral, mas também com doses relevantes de originalidade. Rowling se foca apenas na jornada, nos dando as ferramentas para construirmos o mundo por conta própria e assim, ele cresce quase como se fosse real.

Para saber o que é a jornada do herói, recomendo este vídeo:


4- Crescimento gradual
Esse aspecto foi decisivo para firmar Harry Potter como um marco de uma geração. A cada livro acompanhamos o crescimento de Harry, assim como de sua história - o que começa como simples vai se tornando mais complexo e sombrio, abordando novos temas de acordo com a idade do garoto.
Ou seja, já é um enredo palatável pelo processo de ir gradualmente tocando em temas mais pesados, mas a cereja do bolo está no fato de que muitas pessoas cresceram com Harry Potter - diversas crianças ganharam o livro quando tinham 11 ou 12 anos e assim, acompanharam ano a ano o lançamento de uma nova aventura, estando na mesma fase que Harry.

Do ponto de vista de conteúdo puro, é um ótimo meio de conversar com seu público, mas do ponto de vista do marketing, também é um ótimo meio de fidelização. A adolescência e a infância são fases importantes na vida do ser humano e por isso, Harry Potter estará atrelado à memória afetiva de quem cresceu com a série de livros.

Isso fica melhor se levarmos em conta que os antigos fãs viraram adultos e ser adulto, do ponto de vista econômico, é ser consumidor. Eles irão consumir qualquer coisa do universo mágico, passando isso para os seus filhos, que também crescerão com os livros de JK. Um ciclo que perseverá por muito tempo, atestando a importância desse universo.

Se pensarmos então que HP surgiu numa era onde a internet estava se popularizando no mundo todo, a receita do sucesso se faz mais memorável. Em suma, as pessoas ainda estavam a conhecer o meio online e portanto, junto dele a popularidade de Harry se desenvolveu desde os primórdios dos portais, ajudando a criar as chamadas fanfics. Harry Potter também está na base da relação de muitas pessoas com a internet.

5- Franquia fiel de filmes
Por fim, mas não menos importante, é a franquia de filmes. Claro, Harry Potter continuaria a ser famoso sem os filmes ou mesmo tendo uma série de filmes ruins. Entretanto, o que tivemos foi uma série, que mesmo com seus erros e diferenças, prezou pela fidelidade ao material fonte. Essa importância é crucial, pois os filmes deram encorpamento ao imaginário popular - a trilha sonora, o visual, as criaturas, as lutas, tudo se tornou icônico usando por base as descrições de J.K. Rowling. Nos livros, as descrições de JK não são extremamente detalhadas, mas são pontuais no necessário para imaginarmos de forma coerente. Os filmes pegaram tudo isso e deram uma complexidade visual maior. O foco foi sempre valorizar o que já existia nos livros, por sua vez valorizando o universo bruxo como um todo.

Sendo assim, ocorreu a massificação da história. Você agora não precisava ter lido os livros para conhecer a história de Harry Potter. E aí, todo um outro grupo de crianças e adolescentes cresceram também com os filmes. Os filmes, tamanha a popularidade, aumentaram também as vendas dos livros e vice-versa. As crianças viam na tela a sua leitura personificada e as que não liam, acabavam por ir atrás dos livros para ter mais contato com o que conheceram inicialmente apenas no cinema.

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