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5 videoclipes recentes que criticam o racismo


This is America tem chamado a atenção do público e da crítica, mas o tema já foi explorado por outros artistas contemporâneos. Confira:

Donald Glover, também conhecido como Childish Gambino, lançou no sábado (5) o videoclipe para a música This Is America. Na produção, vemos uma crítica artística em muitas camadas sobre o racismo na sociedade americana, com diversas referências e analogias a indústria do entretenimento. Entretanto, apesar da forma única de apresentar as suas ideias, Childish não é o primeiro a misturar uma letra ácida com um visual diferente de modo a formar uma mensagem instigante. Pensando nisso, esta lista compila 5 videoclipes recentes, de 5 artistas diferentes, que criticam o racismo nas mais variadas formas.

atenção: essa lista não está em ordem de relevância

5- The Story of O.J. - Jay-Z
Lançado no dia 5 de julho de 2017, The Story of O.J. faz parte do álbum 4:44, do rapper Jay-Z. O álbum não só é uma produção que expõe as opiniões do músico sobre a sociedade americana atual, mas é a sua volta depois de quatro anos sem lançamentos.

O primeiro single, The Story of O.J., é uma interessante narrativa cheia de reflexões sobre o papel do negro na sociedade usando como ponto de partida o polêmico caso do jogador norte-americano condenado por assalto  a mão armada, O.J. Simpson.

No videoclipe, temos uma animação antiga que retrata a América dos anos 30. Em um primeiro momento, pode parecer que é apenas uma história sobre o que aconteceu e foi "superado", mas todas as críticas se interligam perfeitamente com o mundo contemporâneo, mostrando um sistema cíclico de exploração do negro no capitalismo. A produção inteira é cheia de referências e analogias, tanto na letra quanto no visual, que superficialmente podem parecer aleatórias, mas conforme são decifradas, vemos a profundidade. Isso fica claro, por exemplo, quando Jay-Z usa o desenho Dumbo como uma brincadeira de linguagem e mensagem em três modos: para citar o desenho que tem aspectos racistas, falar sobre D.U.M.B.O uma região do Brooklyn antigamente abandonada que foi tomada por galerias de luxo e hoje vale 25 milhões de dólares e por fim, claro, para representar o sentimento do próprio negro ao ver que o seu lar não vale nada enquanto ele é dono, mas ao ser tomado pela alta classe branca, de repente vale muito.

Veja aqui algumas das referências e críticas do clipe.

4- DNA. (menção ELEMENT.) - Kendrick Lamar

Assim como Jay-Z, Kendrick Lamar dispensa apresentações e só a sua carreira daria um post inteiro falando sobre a forma como ele retrata os negros e o racismo. Mas, no quesito audiovisual, eu destaco duas produções: DNA.lançado no dia 18 de abril de 2017, e ELEMENT., lançado no dia 27 de junho de 2017.

DNA. é uma resposta direta à um programa da FOX News em que três comentaristas falavam sobre a apresentação de Kendrick Lamar no BET Awards. Em determinado momento da conversa, em que todos concordam que não gostam do que estão vendo, temos o ápice com a seguinte fala do jornalista Geraldo Rivera: "O hip-hop causou mais danos aos jovens afro-americanos do que o racismo nos últimos anos". Foi o bastante para Kendrick não só se revoltar, mas transformar isso em arte.

Na música, o rapper usa as falas dos comentaristas como sample enquanto discorre sobre o que é o seu "DNA" (no caso, a população negra). Na primeira parte da música ele é mais calmo e apenas retrata o seu meio; na segunda ele surge agressivo, com uma resposta direta aos comentaristas.
A mensagem se completa com o clipe, em que Kendrick é aparentemente preso por um policial, interpretado por Don Cheadle, que age logo de cara de forma prepotente. É só quando o policial compartilha a consciência com o rapper que ele percebe o que é a realidade do outro.

Eu não poderia deixar de citar também ELEMENT.. Para não estender muito esse tópico (ressalto outra vez, analisar a obra de Lamar daria um artigo próprio), apenas cito a referência visual principal: as fotografias do diretor, músico, poeta, jornalista e mil e outras coisas, Gordon Parks. Este post do Nexo resume bem algumas referências e críticas do videoclipe.

3- DON'T TOUCH MY HAIR - Solange Knowles

Quando pensamos em empoderamento feminino negro na música, imediatamente vem a cabeça a imagem da cantora Beyoncé. Mas eu destaco o trabalho de alguém menos conhecida: a sua irmã, Solange.

Solange tem um trabalho todo em cima de uma estética visual única que tem os negros como protagonistas. O destaque de sua obra fica para "DON'T TOUCH MY HAIR", lançada em 2 de outubro de 2016, em que temos, diferente dos raps deste post, uma mensagem mais lírica e poética.
A artista crítica o racismo, mas de forma sutil e como forma de esperança a outros negros.

"Não toque o meu cabelo
Quando isso é o sentimento que eu uso
Não toque a minha alma
Quando isso é o ritmo que eu sei
Não toque a minha coroa
Eles dizem ser a visão que eu achei" 
- Solange canta na música

No videoclipe, o visual retrata ambientes que em algum momento foram de segregação, mas dessa vez com os próprios negros como protagonistas. É o caso, por exemplo, da cena na piscina, que faz referência direta a um ponto sensível na questão racial americana: os negros durante a segregação não podiam nadar em qualquer piscina pública e mesmo depois do fim do preconceito legalizado, a sociedade encontrou outras formas de mante-los excluídos (recomendo que leia este post da BBC para entender melhor).

Menção honrosa: Formation da Beyoncé. Não coloquei aqui pois acredito que a maioria deve conhecer, mas fica como indicação caso alguém nunca tenha visto o clipe.

2- Black Eyed Peas - Street Livin'

Lançada no começo do ano, no dia 8 de janeiro, Street Livin' é a volta do Black Eyed Peas sem Fergie e bastante politizado. Em um primeiro momento, o grupo foi acusado de oportunismo, mas logo deixou claro a própria trajetória, ressaltando que por mais que fossem reconhecidos como responsáveis por hits festeiros, sempre tiveram uma responsabilidade social grande, seja em suas letras ou vidas pessoais de cada membro.

Em Street Livin' temos uma música que fala basicamente sobre o sistema judicial americano, a brutalidade policial e o tão polêmico debate sobre imigração. A diferença desta música nesta lista se dá pelo fato de não só falar sobre o racismo, mas também sobre outras formas de segregação a outras minorias - e é aí que o visual e a mensagem se tornam fortes: os três membros do grupo são de minorias diferentes - will.i.am é negro, Apl.de.ap é filipino norte-americano e Taboo tem origens mexicana e indígena. Sendo assim, por meio de fotografias icônicas, eles representam a fala de cada pessoa, geralmente de uma dessas minorias, de acordo com o sofrimento naquele simples frame. O resultado é uma crítica genial com um trabalho de exposição e identificação do racismo. Recomendo que leiam esse post (também do Nexo, olha só) e vejam esse video do Genius, em que o will.i.am explica todo o conceito visual do clipe.

1- Prophets of Rage - Strength In Numbers

O último videoclipe talvez seja o mais diferente e também o único representante do rock. Eu falo de Strength In Numbers, lançado em outubro de 2017, do recente supergrupo Prophets of Rage.
Prophets of Rage surgiu diretamente como uma resposta às eleições de 2016. O Rage Against The Machine, conhecido grupo de rock envolvido com o ativismo social, estava insatisfeito com todo o cenário político. Entretanto, o vocalista, Zack de La Rocha, não demonstrou interesse em voltar do hiato e sendo assim, o restante do grupo se uniu a dois membros do Public Enemy (Dj Lord e Chuck D) e um membro do Cypress Hill (B-Real). O resultado é uma bomba de críticas ácidas que abordam não só a política, mas a sociedade como um todo.

"Somos uma força de elite de músicos revolucionários determinados a confrontar essa montanha de mentiras de ano de eleição, e confrontaremos isso com rajadas de Marshall (famosa marca de amplificadores de som)" - declarou Tom Morello em entrevista para a Rolling Stone.

O clipe faz referência direta ao movimento de jogadores de futebol americano que responderam às críticas de Trump ficando de joelhos durante a execução do hino nacional, para protestar a respeito da violência policial contra a população negra. Sendo assim, ao longo do vídeo vemos comparações dos seres humanos com animais, mostrando de forma simbólica a força da união e quem são os "predadores". Por meio de imagens e gravações, tanto recentes quanto antigas, também percebemos as bases do racismo e como ele se relaciona com a marginalidade e a indústria de armas. Basicamente, é uma mensagem direta de crítica, união, revolta e até, olha só, ironia cômica.

- Gostou da lista? Acha que faltou algum clipe? Tem uma interpretação única de cada vídeo? Diga nos comentários!

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