Destaques

5 filmes que poderiam ter o novo disco do Arctic Monkeys como trilha sonora

Confira obras cinematográficas diferentes que combinam perfeitamente com a nova produção da banda

Tranquility Base Hotel & Casino já está entre nós e não só isso, já dividiu a opinião de muitos fãs. Alguns acharam o disco incrível, outros nem tanto assim, mas independente disso, o importante é que na obra existe um conceito. E esse conceito é tão imersivo que é quase como se estivéssemos ouvindo um filme. O próprio Alex Turner, vocalista e letrista da banda, falou sobre as referências cinematográficas para a produção do álbum e claro, isso fica explícito durante a execução de cada faixa, que contém uma narrativa própria e críticas à sociedade tecnológica em que vivemos.
Sendo assim, elaboramos uma lista com 5 filmes que poderiam ter TBHC como trilha sonora.

Ps: os critérios de escolha foram por temática, ambientação e influências claras ditas em entrevistas

5 FILMES QUE PODERIAM TER TRANQUILITY BASE HOTEL & CASINO COMO TRILHA SONORA

1- Blade Runner
 
Em TBHC a narrativa é sobre um hotel resort na lua, obviamente em um futuro incerto. Já podemos então traçar um paralelo com Blade Runner, clássico da ficção científica lançado em 1982, dirigido por Ridley Scott. Na trama do filme, acompanhamos o ex-policial Rick Deckard (Harrison Ford), um blade runner em 2019. Blade Runners são responsáveis por "aposentar" (ou seja, matar mesmo) replicantes, que são androids criados por biogenética que desenvolveram algum "defeito".

Além da relação por conta da ficção científica (e inclusive citação na primeira música Star Treatment, "What do you mean you've never seen Blade Runner?/ O que você quer dizer com você nunca viu Blade Runner?"), há a relação pelo clima noir. Blade Runner não é só um filme sobre um futuro onde a Terra está em decadência, mas também uma produção que usa do arquétipo noir, com um clima policial único para questionar a existência humana e seus valores. E é exatamente o que Alex Turner usa para tornar a "narrativa" do álbum tão seduzente: o clima noir jazz de uma humanidade distópica.
  • Faixa que poderia estar no filme:

2 e 3- Stanley Kubrick
Turner, em entrevista para a EW, contou que para a arte visual do disco um grande diretor também o inspirou fortemente:

"Eu acho que com a arte de capa do disco também, há uma fotografia em um livro de Stanley Kubrick que eu comprei, de um senhor sentado no chão com uma lata de tinta em suas mãos, decorando o set da Hilton Space Station V no filme 2001 [Uma Odisseia no Espaço], e ele tem tipo, um martelo ao seu lado. Isso foi realmente inspirador."

Porém, eu diria que Kubrick não está só na arte do disco, está no conteúdo mesmo. Cito aqui dois filmes extremamente relevantes do diretor, que provavelmente você conhece: O Iluminado e 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Por que O Iluminado?
Pois temos também um hotel (durr). Mas não é apenas um hotel qualquer, no filme conhecemos o Overlook, um lugar com bastante classe e ao mesmo tempo bastante sombrio.

Na história, dirigida por Stanley Kubrick e baseada na obra de Stephen King, Jack Torrance (Jack Nicholson) resolve aceitar um emprego como zelador em um hotel isolado. Entretanto, presenças sobrenaturais habitam o lugar, o que influencia Jack a entrar em um estado progressivo de loucura, percorrendo o presente e o passado.

Sendo assim, em sintonia a todo momento temos os ecos de uma vida passada, que parece se interligar com a atual. O presente está em decadência, mas o passado parece ter um aspecto glorioso, enquanto demonstra as consequências de tragédias. Em temática há diferenças entre TBHC, mas em atmosfera, existe uma semelhança enorme. Na cena do bar e do baile dá até para imaginar o Arctic Monkeys tocando.


  • Faixa que poderia estar no filme:

Por que 2001: Uma Odisseia no Espaço?
Agora sim vamos para a ficção científica de Kubrick. O diretor tem um estilo perfeccionista próprio, cheio de sutilezas. É o que vemos em 2001, um filme que faz um retrato da humanidade de um modo totalmente singular e interpretativo. É quase difícil decifrar exatamente o que a obra quer dizer, mas com esforço vamos pegando os simbolismos.

Obviamente, Alex Turner não é Kubrick, mas se esforça em criar uma porção de simbolismos interessantes que misturam sua perspectiva pessoal com críticas à tecnologia. A história do álbum se passa no futuro, mas certamente ele está se referindo ao presente. Sendo assim, o instrumental por vezes lembra não só um hotel, mas o próprio espaço; o vazio e a solidão na Lua.
  • Faixa que poderia estar no filme:

4- Ela (Her)

Aqui temos um filme um pouco diferente desta lista. Sim, é uma ficção científica, mas não uma distopia; é um romance extremamente agridoce.
O novo álbum do Arctic Monkeys toca também em um ponto muito relevante para a atualidade: como as relações sociais são líquidas e artificiais. Com um tom de ironia, é cantado sobre como as pessoas interagem entre si enquanto um simples "bater de portas", ou fotos reais, são coisas completamente do passado.

É aqui que "ELA", ou em inglês "Her", se encaixa. A obra, dirigida por Spike Jonze, conta a história de Theodore (Joaquin Phoenix), um sujeito especializado em criar cartões com mensagens importantes para as pessoas. É assim que o mundo funciona, com tudo pronto e embalado para ser consumido (confira a nossa crítica do longa).

Visto a própria carência, o protagonista decide comprar um novo sistema de IA que parece ter consciência própria: Samantha (Scarlett Johansson). Consequentemente, ao longo do filme vemos a relação desses dois seres se intensificando, colocando de forma implícita questões como: o que é amor ou apenas carência? O quanto estamos nos iludindo diante da tecnologia?
O trecho da música The World's First Ever Monster Truck Front Flip exemplifica bem o tema:

Pattern language, in the mood for love 
You push the button and we’ll do the rest
//
Linguagem padrão, no modo para o amor
Você puxa o botão e nós fazemos o resto

Ou seja, talvez o disco dos Monkeys não sirva para o filme como um todo, já que ele é repleto de momentos visivelmente mais alegres, porém, se encaixaria perfeito para pontuar o lado "sombrio" da obra, principalmente os momentos de solidão de Theodore e atritos com Samantha.
  • Faixa que poderia estar no filme:

5- The World On a Wire (O Mundo Por Um Fio)

Por fim, mas não menos importante, O Mundo Por Um Fio. Talvez você não conheça esse filme, mas eu diria que ele é responsável por 70% de tudo o que é Tranquility Base. Repetidas vezes Alex Turner o citou em entrevistas e dando de cara com ele, fica claro por que. A obra alemã, dirigida por Rainer Werner Fassbender, conta a história sobre o assistente de um cientista que começa investigar as causas do suicídio de seu chefe. Por trás disso, então, somos inseridos em uma trama suspense de ficção científica onde uma equipe de cientistas conseguiu um modelo de simulação de como a sociedade se desenvolverá. Antes de Westworld, antes de Matrix, antes de Neuromancer, O Mundo Por Um Fio já debatia a questão sobre realidades virtuais.

Portanto, o clima de perigo iminente, policial noir (talvez o que inspirou Blade Runner) e de críticas ao mundo atual, é o mesmo do álbum. Eu diria apenas que TBHC tem um tom jocoso, meio irônico, enquanto O Mundo Por Um Fio é mais sério, abordando de forma dramática seus eventos. Aqui, do começo ao fim pode tocar esse novo disco.
  • Faixa que poderia estar no filme:

Ps: olha como as referências ficam mais claras neste videoclipe. É basicamente uma versão de O Mundo Por Um Fio adaptada pela banda. E é interessante ver a brincadeira consigo mesmos, colocando suas "versões anteriores" de AM (o álbum mais pop deles), como algo friamente calculado.

Que outros filmes combinam com o novo disco do Arctic Monkeys? Diz aí nos comentários!
- Hey, gostou do post? Compartilhe e nos siga nas redes sociais! Facebook e Twitter

Postagens Relacionadas

Comentários

Postagens mais visitadas