COMO É A FACULDADE DE JORNALISMO? [TAG]

Eu não costumo fazer posts pessoais por aqui, mas depois de me deparar com essa tag e refletir que tenho algum conhecimento interessante sobre faculdade, achei que seria legal escrever algo do tipo. Sai um pouco do perfil do site, porém, não tenho paciência e nem vontade nenhuma de fazer um blog pessoal, então vai aqui mesmo já que o público daqui é um público universitário/adulto que vai captar a mensagem.

Bom, vamos lá:

1- Qual o seu curso de graduação?
Comunicação social - Jornalismo (acho importante colocar o "comunicação social" na frente, por que diferente de muitos cursos por aí, pelo menos o meu, não é feito puramente para formar jornalistas. O foco é jornalismo, mas a pessoa está sendo formada para ser uma comunicadora social e nisso entram diversas vertentes e possibilidades, desde estudo acadêmico à trabalhar em agências de publicidade).

2- Quantos períodos ele tem? Em qual você está?
O curso tem 8 fucking semestres, 4 anos (sério gente, precisa de tanto tempo assim?). Atualmente estou no 7 semestre, ou seja, quase me formando.

3- Porque você escolheu esse curso?
Ih, resposta complicada. Eu poderia dizer o clássico e clichê "por que eu gosto de escrever", mas é mais complicado do que isso. Bom, vamos lá:
Eu queria algo que me desse a oportunidade de desenvolver a minha escrita, estar próximo de livros e conhecer o mundo. Eu tinha três opções: Letras, Produção Editorial e Jornalismo. Letras eu descartei logo por que conhecia histórias de pessoas que se arrependiam muito do curso, entretanto, logo eu descobriria que essas histórias são recorrentes em QUALQUER curso. Sério, não liguem para história de fulano ou sicrano, se possível converse com pessoas que trabalham na área de seu interesse.

Produção editorial era o meu grande sonho, mas eu não tinha chance na única faculdade que oferecia o curso (e o preço era muito caro). E jornalismo eu descartei pelo motivo de que eu tinha a imagem que muitas pessoas têm, de que é uma área feita para quem gosta de falar, apresentar, etc. E eu estou longe desse perfil.
Aí você pergunta:
"Ué, como assim você não escolheu nenhum?"
Bom, eu consegui uma bolsa para a vaga de Comunicação Social. Ingênuo que eu era, achei que comunicação social era uma área própria, não percebendo que eu estava confundindo com ciências sociais. Na hora de me matricular, o cara perguntou qual habilitação eu queria e a minha cara ficou tipo, "tem que escolher habilitação?". As opções eram: Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e claro, o nosso glorioso Jornalismo. Eu já tinha uma noção de que jornalismo era uma área bem ampla e que poderia abarcar aquele meu sonho de trabalhar em uma editora, visto que a graduação de produção editorial era bem nova e muitos jornalistas trabalhavam como editores. Fui no jornalismo sem pensar duas vezes.

4- Antes de escolher esse curso, você pesquisou sobre o mercado e piso salarial?
Sim, pesquisei. Sobre piso salarial não me importei muito, ganhar dinheiro nunca foi o meu foco. Quem é meu amigo sabe disso, por que eu costumo dizer que meu objetivo de vida é ganhar o suficiente para sobreviver e fazer algo que eu me sinta a vontade/gosto; bem simples mesmo. 
Agora sobre o mercado, não sei se foi por conta da época, mas não tinha muitas informações claras sobre. Até hoje ainda acho meio nebuloso, mas você já encontra coisas bacanas no google. Como eu disse, acabei indo mais por esse caráter da área de abarcar tantas outras áreas. Pensamento estratégico: se eu não desse certo com editoração, tinha outras coisas para escolher, tudo relacionado a comunicação.

5- Como foi o seu primeiro dia de aula? Tem dicas para os calouros?
Acredita que eu não estava nervoso? Minha vida passa constantemente por ciclos expressivos: uma hora estou MUITO sociável, outra hora estou MUITO antissocial. Nessa época eu estava em uma vertente sociável (sociável pro meu padrão introvertido, né caralho). Cheguei no primeiro dia super animado, com o material arrumadinho, sentei na primeira carteira. Virei para os meus colegas (olha só heim, que loucura) e puxei conversa. Sempre tem aquela dúvida né: será que estou na sala certa? Pelo menos me assegurei que mais pessoas estavam ali por jornalismo, se não fosse a sala certa eu não estaria sozinho. Deu tudo certo, mas depois de um tempo, ao longo das semanas, essa minha faceta foi se dissipando e eu me tornei o misantropo de sempre. Nessa época eu também ainda tinha concepções bem antiquadas sobre introversão e achava que tinha que socializar, que falar, isso e aquilo. Não fazia ideia do quanto isso me fazia mal

Que dicas eu tenho para os calouros? Bom, se você é uma pessoa extrovertida, vai fundo, socialize, converse, MAS, tenha consciência de aprender a se parar. O grande erro das pessoas, e eu incluso nisso, é achar que o jornalismo é sobre FALAR, mas na verdade é sobre justamente o contrário, OUVIR. Entendo que você, jovem dinâmico que gosta de conversar, esteja sedento por conhecer novas pessoas e tudo mais, porém, lembre-se de que essas pessoas ficam em segundo plano. O primeiro plano é o estudo. Pode parecer meio óbvio, mas acredite, você acaba se esquecendo disso. Então eu diria para deixar de lado um pouco essas novas pessoas, pelo menos na hora da aula, e focar no aprendizado. Tome cuidado com as conhecidas saideiras, é tudo ilusão. Estudante que é estudante nem tem tempo de sair, isso só dura no primeiro semestre.
Agora, se você é introvertido eu recomendaria para você sentar na primeira cadeira de alguma fileira. Por quê? Por que você fica longe do barulho angustiante (e acredite, logo vai ter barulho. Salas em faculdade costumam ser cheias de pessoas no inicio), consegue se concentrar e consegue conversar com o(a) professor(a) diretamente. Tem o perigo de você acabar sendo escolhido para responder algo, mas se você está na frente, é mais fácil por que não precisa levantar a voz para todos, a conversa fica mais direcionada entre você e o(a) professor(a).
Dito isso, não tenha medo de ser introvertido. Não se force a socializar ou ser quem você não é. Acredite, você vai ter muito tempo para conhecer as pessoas de forma profunda já que muitas coisas no jornalismo são feitas em grupos. Seja introvertido, pense complexamente e se não consegue falar suas opiniões na aula, converse com o professor depois da aula. Isso ajuda MUITO. Além de você fazer amizade com o professor, você consegue debater direito o que quer. E NÃO FUJA! O jornalismo precisa justamente dos introvertidos.

AH! Infelizmente existe uma cultura de "apresentação". Isso é MUITO frequente e bom, será um desafio que você terá que encarar. Mais ou menos né, conheço introvertidos que lidam de boas com isso, mas a maioria, principalmente se você também é tímido, já treme só de pensar. Minha dica? Prepare o que vai falar. As perguntas costumam ser o seu nome, sua idade, o que faz e por que escolheu o curso. Escreva numa folha, se quiser decorar decore e pronto, quando for falar, fale do seu jeito, no seu tempo, sem se importar com os outros. Se gaguejar, embolar nas palavras, o que seja, não liga para isso não. Vai do seu jeito. 

6- Sobre o seu TCC, já começou a fazer? Que tema pretende abordar?
Cena real de quando eu estiver escrevendo meu tcc

Sim, já comecei! Como sempre gostei do lado acadêmico (mas ainda assim fiquei em dúvida se escreveria um livro-reportagem), resolvi fazer uma monografia. Não sei como funciona nas outras faculdades, mas na minha você pode criar produtos, se não me engano eles são: Livro-reportagem, Revista, Rádio documentário, Documentário, Aplicativo (esse ninguém faz heuheuehue jornalista odeia exatas né), Jornal, Site/Reportagem multimídia e é claro, a temida monografia.
"Por quê temida?"
Por que a maioria dos alunos tem um medo danado ou tédio de trabalho acadêmico. Mas eu sou um ponto fora da curva, como sempre tem em toda sala, e como podem ver por este site inteiro, eu adoro teorias acadêmicas e analisar coisas. Lembrando que todos os produtos em algum nível ainda precisam de um trabalho acadêmico, mas algo BEM menor e simples. Tipo, digamos que você faça um documentário, precisa fazer o documentário e um trabalhinho de umas 20 páginas explicando qual a importância acadêmica daquela produção. Enquanto a monografia já é a produção em si, com pelo menos 80 páginas.

Cogitei muito fazer documentário pois amo cinema, editar vídeo e gravar (e cada vez amo mais), porém não sou rico o suficiente para ter equipamento e nem tenho paciência para trabalhar com grupos grandes. Eu gosto de trabalhar em grupo, mas com pessoas que saibam o que querem fazer - e infelizmente esse não é o caso de muitos da minha sala.
Ih, quase esqueci de falar do meu tema né. Meu tema é sobre o jornalismo online e o jornalismo de dados. Vou analisar dois portais de mídia independente que usam o jornalismo dados para escrever matérias e aí a minha pretensão é entender as mudanças do jornalismo tradicional para o jornalismo online, qual o futuro do jornalismo e qual a importância dos dados nisso tudo.

7- Você se considera um bom aluno(a)?
Sim, muito mais por naturalidade do que por vontade própria. Essa coisa de "bom aluno" me faz pensar que talvez eu esteja na área certa.
"Por quê talvez?"
Por que o que não faltam são dúvidas a todo momento do que vou seguir exatamente ( essa coisa de escolher uma área que abarca outras áreas por ter mais opções saiu pela culatra) e já pensei em desistir MUITAS vezes. Mas sempre que eu chego na pontinha do precipício, pronto para cair fora do curso e me mudar para outro estado, um colega ou professor me elogia de forma especial. Não sei se já comentei aqui, mas já comentei no meu twitter, eu tenho depressão e as vezes eu simplesmente não vejo nada de bom na minha pessoa. Por vezes eu não me esforço como gostaria. E mesmo assim, surgiram pessoas, e não foram uma ou duas, que viram o meu potencial e me elogiaram, me aconselharam, viram o que eu não via em mim. Então nesse sentido, mais pela consideração dos outros, eu me considero um bom aluno. Mas eu mesmo não me esforço como deveria por conta da minha constante crise existencial.

8- Você está 100% satisfeito com o curso que escolheu?
Claro, to sim. Rsrsrs

Não mesmo! Além das minhas constantes dúvidas, o mercado em si do jornalismo mudou muito. Mas no geral, pelo menos o da minha faculdade, eu diria que é um ótimo curso que te forma como comunicador. Eu mudaria algumas coisas na forma de ensino e acho que isso vale para muitas faculdades, mas estou satisfeito. Não 100%, mas estou. O problema não é o curso em si, sou eu mesmo. Eu diria que parcialmente só fui me encontrar nesse semestre e ainda com ressalvas. Isso é ruim? Sei lá. Acredito que cada um tem seu tempo e como disse um jornalista em uma palestra que eu fui, você está sendo formado, acima de tudo, como comunicador social. Não precisa necessariamente trabalhar em uma redação ou assessoria de imprensa. Se uma das maiores jornalistas de todos os tempos, Eliane Brum, só foi se encontrar no último semestre da faculdade, acredito que todos temos tempo para achar nosso lugar.

9- O curso tem algum material específico que não tem em outros cursos?
Específico, específico mesmo, como estetoscópio de médico, não tem não. Mas por exemplo: você aprenderá sobre rádio em um estúdio e telejornalismo também. Os tempos estão mudando, então aquela coisa de jornalista só saber escrever, ou só saber apresentar, já não é o mesmo. Eu aconselharia você a se interessar por áreas de produção, como edição de vídeos, edição de áudio, edição gráfica e etc. Você não precisa conhecer profundamente, mas te ajuda MUITO. Eu tive a sorte que sempre me interessei por áreas como essas e consegui me sobressair.

10- Na sua faculdade teve trote? Se sim, como foi?
Bom, mais ou menos. Quando eu fui no primeiro dia, estava tendo aquele trote hard, de raspar cabeça, pintar a pessoa, essas babaquices de gente retardada. Me pararam na rua, perguntaram se eu era calouro, eu falei: "que isso rapaiz, to quase me formando" e saí andando.
Mas também teve aquela outra babaquice de "trote solidário", onde as pessoas juntam calouros e vai todo mundo beber pra se conhecer. Obviamente não participei desse também.
Como trote é proibido por lei, acredito que aquele primeiro tipo está sendo melhor controlado, por que eu nunca mais vi pessoas em frente da faculdade agindo que nem retardadas em começo de semestre. Mas se você tem algum receio, vai pra faculdade uma semana depois. A primeira semana é só apresentação mesmo.

Ps: "ah, o trote solidário ajuda a conhecer os veteranos", não vale a pena conhecer os veteranos. Veteranos são um poço de depressão, boletos pra pagar e dependendo de alguns, vida no bar para afagar as mágoas. Esquece os veteranos, eles são tudo otários.

11- Seu curso tem muita matemática?
Sim e não. Não, pois quem odeia fórmulas e essas coisas aí, pode ficar de boas, não vai ter nada disso. Mas sim, por que é preciso ter pensamento lógico apurado. Ao fazer matérias você vai lidar com números para apuração, seja se você fizer jornalismo de dados ou convencional mesmo.
Portanto, se você escolher jornalismo pensando que vai fugir de cálculo, recomendo que você desista de qualquer curso na vida. Qualquer conhecimento profundo necessita de pensamento lógico e talvez esse seja o grande erro do pessoal que cursa humanas.

12- Geralmente nas faculdades existem o "ciclo natural de desistência" a turma começa com 70 alunos e permanecem só 20. Isso aconteceu na sua faculdade?
Sim, totalmente, e eu adorei! É um porre 70 pessoas. Não sei quem achou que professor consegue ensinar 70 pessoas. O melhor são salas pequenas, todo mundo aprende melhor.
MAAASSS, agora no sétimo semestre, saiu tanta gente da minha sala e de outras, que decidiram juntar TRÊS salas em uma. A crise tá mals, pois é. Então voltamos a ter 70 pessoas numa sala.

Não é tão ruim quanto no primeiro semestre, por que já tem pessoas mais conscientes, mas puta que pariu, 70 pessoas num mesmo recinto não é uma coisa de Deus. Tem aulas que o professor consegue se sair bem por que o professor é bom, mas tem outros que parecem travar uma batalha sempre.

13- Quais dicas você daria para quem esta querendo começar a fazer o mesmo curso que você?
Pense bem antes, mas se decidir que quer fazer, faça! Diferente do que dizem por aí, você não está escolhendo a carreira da sua vida. Tudo pode mudar

Acho que já dei muitas dicas até aqui, mas eu recomendaria dois livros: Teorias do Jornalismo, do Felipe Pena, e A Vida que Ninguém Vê, da Eliane Brum. O teorias recomendo já pra ler antes de começar a faculdade para você ter uma noção do que é o jornalismo. E A Vida que Ninguém Vê da Eliane para quebrar qualquer estereótipo que você tenha do que é ser jornalista. 
Se você é tímido, não tem problema. Você vai aprender a se expressar melhor. Eu, um misantropo fudido, consegui, por quê você não conseguiria?
Agora, se você não gosta de ler e nem de escrever, só desiste do curso. Vai fazer publicidade, ou sei lá. Sim, ler e escrever é necessário em qualquer área, mas em jornalismo é MUITO MAIS. 
E bom, se interesse por conhecimento alternativo. A área passa por uma mudança relevante e ainda não sabemos exatamente o que vai se tornar. Então, há coisas que não são explicadas na academia, que são interessantes você saber, como SEO, marketing conteúdo, mídias independentes e etc. 

14- Já ficou em DP? Possui algum método diferente de estudo?
Grasaz a Odin, não. E não tenho nada de diferente, na verdade eu sou uma péssima pessoa para estudar. Eu só estudo aquilo que me interessa profundamente. Então o que eu faço em casos que não tenho interesse? Busco uma faceta do conteúdo que me atrai e aí construo uma relação para tentar gostar daquilo. Depois que dei uma namorada no conteúdo e passei a gostar de verdade, passo a pesquisar profundamente. Mas comunicação no geral sempre me interessou muito, então nunca tive grandes dificuldades.

A minha maior dica? Vá sempre além. Pesquise por conta própria. Alguém me deu uma dica no começo da faculdade que era, se você anotar aquilo que te recomendam e pesquisar, nem que seja um pouco, no final do curso você vai ter adquirido um conhecimento enorme. Eu sou a prova disso. Aos poucos você vai se interessando por determinadas áreas e vai encontrar aquilo que tem maior afinidade. PESQUISE POR CONTA PRÓPRIA. Tenha curiosidade. Faça outros cursos. Sempre é bom conhecer mais.

15- Faça um resumo básico do seu curso pra quem tiver interesse em fazê-lo
Carai, que pergunta redundante, se a pessoa chegou até aqui já deve ter uma boa ideia do que é o curso. Bom, mesmo assim vou tentar resumir: Comunicação social - Jornalismo é sobre entender a comunicação, obviamente, da sociedade e aprender como agir nela. O jornalismo, pelo menos para mim, se trata de dar voz às pessoas e ouvi-las atentamente. Se trata muito mais de ter paciência e compreender para dar relevância ao que não é dito normalmente. É meio pretensioso, mas eu concordo com as palavras de um grande diretor de documentários, Eduardo Coutinho: se trata de dar legitimidade às palavras do outro. Mas quem quer ouvir o outro? As pessoas só querem serem ouvidas. Está aí o seu trabalho: entender as pessoas e situações.

O curso é extremamente importante, mesmo que digam que a área não precisa de diploma. Se você quer ser bom, faça o curso. Claro, que sempre tem as exceções, mas é muito difícil alguém entrar na área de boas sem graduação. Provavelmente vai ter que penar muito.
Se você gosta de entender a sociedade, gosta de histórias e de contá-las, o curso é para você. 

É isso por hoje. E aí, gostou desse formato mais descompromissado de post? Comente aí embaixo. Tem dúvidas? Não se acanhe, pergunta que eu respondo.
Até a próxima, espero ter ajudado :)

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