Pular para o conteúdo principal

Destaques

A religião, a indústria cultural e a introversão na arte sul-coreana [Especial]

Do cinema ao kpop. Do budismo ao cristianismo. Um dorama pode dizer mais do que imaginamos

Som a Quadro: j-hope, Daydream

Entenda os significados de cada simbolismo do MV

Depois de uma longa espera, finalmente J-Hope nos presenteou com a sua mixtape, um trabalho um tanto quanto diferente de seus colegas, Suga e RM, mas igualmente com uma qualidade acima da média. Neste post, iniciando uma nova coluna onde analiso clipe, música e letra, vou apenas falar de Daydream. Ainda estou degustando a mixtape com calma e interpretando as letras, mas logo deve sair a minha análise.
Pois bem, do que será que J-Hope está falando em Daydream? É simplesmente uma loucura colorida aleatória? Quem diabos é Arthur?
Pegue um café e relaxe aí que temos muito pra conversar. Let's go analisar cada quadro, cada som e cada linha da música:
A primeira observação que posso fazer é sobre o título: Daydream. Em uma tradução ao pé da letra, significaria "devaneio", mas na verdade é uma expressão que quer dizer algo como "sonhar acordado"; ou viajar na maionese mesmo. Ou seja, já temos por aqui a temática delimitada da faixa: falar sobre esse momento entre o real e o imaginário, onde muitas vezes viajamos para universos incríveis, mas... Ainda estamos no mundo real, pelo menos em corpo.

Acho interessante delimitar a diferença entre o sonho e o sonhar acordado: o sonho em si é um amontado de percepções que podem ou não formar uma história. O sonhar acordado é esse amontado de percepções colocados em uma regrinha de acordo com os nossos desejos conscientes. Para ser mais didático vou dar o exemplo de uma situação: você encontra um gato na rua e decide acariciá-lo. Quando for dormir, no sonho não só o fato de você ter encontrado o gato é motivo de reprodução, mas a percepção em si do acariciar e como isso se liga a outras coisas: se você, sei lá, tiver assistido um filme de terror, pode ser que o gato possa se transmutar em um monstro ou qualquer coisa desse tipo - as possibilidades são infinitas. Já quando se está sonhando acordado, apesar da pessoa estar em um estado de devaneio, seu cérebro ainda funciona normalmente, cheio de filtros que barram algumas ideias e percepções: o gato não irá se transformar em um monstro pois obviamente aquele filme de terror lhe assustou, mas pode resultar em uma história de amor, onde você conhece o dono ou  a dona do gato.

Eu não diria que o sonhar acordado é limitado, mas tem certas amarras morais e de contexto. É justamente nesse limiar que a música e o clipe de J-Hope trabalham: hora estamos vislumbrando uma concepção planejada de mundo, hora estamos vislumbrando uma concepção instintiva e natural de mundo; os anseios e os desejos de um idol na forma mais colorida possível. Obviamente essas cores não são a toa: o visual remete à uma concepção dadaísta.

Uma das obras mais famosas de Salvador Dalí, A Persistência da Memória

Para quem não sabe, o dadaísmo foi um movimento artístico que buscava ir além do superficial. A ideia era que estávamos muito presos a certas limitações e a arte poderia entrar em contato direto com o inconsciente humano, lugar de ideias únicas e originais. O maior expoente desse movimento era o famoso Salvador Dalí e, portanto, parece que J-Hope, pelo menos em um nível intermediário, tem afinidade com esse movimento para apresentar as suas ideias "malucas".

Dito tudo isto, é a partir dessa ideia de "sonho" que somos apresentados ao Hope World. Percebe como no inicio cada movimento, como a batida de mãos ou a indicação com o dedo, levam à aparição do nome da mixtape e da música? Isso é como se o artista dissesse: "Olá, seja bem vinda ao meu mundo, vamos conhecê-lo melhor?". Pois o conceito aqui é justamente tentar mostrar o verdadeiro artista, indo talvez ao seu inconsciente, enquanto conhecemos suas perspectivas a respeito de si e do mundo.
Outra cena interessante logo de cara é a mão no rosto:
A primeira pergunta que fazemos é: de quem é essa mão? Há inúmeras possibilidades (e é bom se acostumarem com possibilidades. O dadaísmo é totalmente subjetivo e relativo, então não há como delimitar certeiramente o significado das coisas, apenas o que talvez podem ser), mas a mais provável é que seja do próprio J-Hope, pois como veremos mais adiante, há um exercício de linguagem entre o rapaz dos sonhos e o rapaz da "vida real".

Tá, mas o que essa mão significa? Certamente o despertar. Sair do sonho (de novo, não meramente o sonho, mas a idealização da realidade), é como um tapa. Este é o próprio rapper se colocando de volta ao mundo real ou a realidade batendo a sua porta (segue a perspectiva pessoal do tio Maeister: por mais que as pessoas tenham papel fundamental nas nossas atitudes, ainda quem decide isso ou aquilo somos nós. Acordar de um sonho, se colocar em um sonho, tentar focar nisso ou aquilo, é algo realizado por você).
É aí que o "personagem" acorda. Perceba, visivelmente ele não está só acordando, mas está apático. Quando dormimos, a ideia é que este seja o momento de "recarregar as baterias". J-Hope ao invés de descansado, parece justamente o contrário: cansado; sem vontade de estar de olhos abertos. Isso se transmite na sua voz, que tem uma entonação mais grave e linear, quase sem emoção. Eis a metade da primeira estrofe da música:

"O meu personagem está tipo meio a meio. Quem sabe?
As batalhas da vida de uma figura pública. Quem sabe?
Abstenção de grandes desejos. Quem sabe?
Sempre sem fôlego para sonhar acordado. Quem sabe?

Observação que não sei onde colocar no post: para fins de informação, estou usando como guia para tradução a versão em inglês deste site e a versão em português do Drama Kpop. O ideal seria usar o original em coreano, mas como eu só sei falar "olá" na língua dos idols, usarei a tradução de terceiros e irei comparar. Caso você aí esteja querendo algum dia fazer análise de algo que não está em ingreis ou, obviamente, em português, compare sempre diferentes traduções, pois assim você consegue chegar o mais próximo da real mensagem da música. Acredite, há diferenças bruscas, inclusive neste trecho, que eu vou explicar já já.

Logo notamos que J-Hope não está falando "Eu", mas "personagem". Personagem então, neste sentido, é como ele se apresenta para as pessoas. Conhece a ideia de máscara social? É um conceito usado por diversos psicólogos, que sugere que "usamos" facetas diferentes em cada contexto. Você não é o mesmo quando está com seus pais e com seus amigos -  ou melhor, é a mesma pessoa, mas com aspectos diferentes ressaltados. Sendo assim, o "personagem" do rapaz está dividido; em dúvida - voltamos de novo para a batalha entre o real e o imaginário: o "meio a meio" pode se aplicar a inúmeras situações, mas provavelmente quer dizer que há uma constante dualidade entre o J-Hope com desejos e fantasias, e quem de fato ele apresenta para o mundo. A linha se complementa com "Quem sabe?", ou seja, quem é o verdadeiro J-Hope? O que ele passa? O quanto do eu dele não está nos holofotes? Quem sabe?

A segunda linha confirma esta minha análise: "As batalhas da vida de uma figura pública. Quem sabe?"
A versão do DramaKpop simplificou para "A vida de uma figura pública. Quem sabe?". No contexto geral parece não ter muita diferença, mas eu vou dizer por que é importante cada palavra: a vida de uma figura pública em algum ponto, mesmo que superficial, todo mundo sabe. O artista está ressaltando justamente outro lado, um lado que não há como colocar nos holofotes: as batalhas do cotidiano.
Quem sabe o que o Jhope passa? Talvez nem mesmo sua família saiba. Somente ele sente suas dúvidas e problemas. Agora aplique esse contexto no mundo da fama, ou melhor ainda, dos idols: uma indústria focada na imagem irreal de perfeição. Ninguém sabe o que o outro passa e nunca saberemos (a não ser que algum dia inventem compartilhamento de consciência), mas J-Hope quer, talvez, dar um alerta, como se dissesse: "olhe, eu não sou perfeito e o mundo também não é. Eu tenho meus problemas".

Essa coisa de "indústria idol", se ressalta mais ainda na próxima linha:
"Abstenção de grandes desejos. Quem sabe?"
Por quê eu digo especificamente indústria idol? Pois por mais que haja sim uma pressão social nas figuras públicas no ocidente, a noção de abstenção se torna deveras proeminente no oriente, mostrando-se de fato uma questão relevante a ser debatida. Como bem sabemos, idols seguem uma série de restrições para que possam demonstrar a tão utópica perfeição artística coreana. E bom, mesmo o BTS, uma boyband com diversas liberdades, vive sob esse contexto. Ou você acha que nenhum deles namora/falou explicitamente sobre casos de namoro, por que eles estão ocupados trabalhando? Por favor minha querida Army, não seja tão ingênua. Há diversos problemas que um caso desses geraria no fandom e automaticamente na popularidade.

Bom, todas essas questões, sejam elas conscientes ou inconscientes, permeiam a cabeça de J-Hope, fazendo-o estagnar criativamente. Ele não tem "fôlego para sonhar acordado". Seus desejos são colocados de lado em prol da sua imagem; o criar, o ato de imaginar perspectivas futuras, começa a morrer frente a realidade cheia de responsabilidades.

É nesse momento que a câmera se afasta, o rapaz olha ao redor sem expressão e vemos duas cores em destaque: o verde e o laranja/vermelho (desculpa, não consegui diferenciar).

O verde simboliza a esperança (o nome do artista né), a liberdade e a juventude. Há outros significados para o verde, como dinheiro e natureza, mas acredito que esses três sintetizam a proposta a ser passada. O quarto não é só um quarto, é como se fosse o próprio J-Hope. Talvez seja ali onde ele possa ser ele mesmo plenamente. 

Ao fundo e na porta ao lado, vemos a cor vermelho/laranja. Estou mais inclinado a acreditar que seja laranja, pois o vermelho ainda que tenha alguma relação por significar energia e paixão, o laranja significa alegria, vitalidade e sucesso - exatamente o que espera o garoto ao sair de casa. Ao abrir a porta, ele com certeza se depara com essa sua vida dual de artista público. 
O laranja ao fundo, ali naquele quadrado, está contornando duas coisas: o despertador e uma planta. O despertador tem papel de acordá-lo para o mundo real, ou seja, para esse mundo de "alegria e sucesso". Enquanto temos ali crescendo uma planta, de tamanho médio. Plantas geralmente têm relação direta com a vida. Aqui é mais difícil delimitar a real intenção, mas eu diria que a vida fora do "quarto" está crescendo também dentro deste. Ela é verde, assim como o próprio J-Hope, mas no meio do laranja.

E por último, temos o cobertor, todo colorido. Como já disse, o sonho é a junção de todas as coisas, seja com filtro ou não. Então é ali que ficam todas as facetas do rapaz - na sua cama.

Na próxima estrofe há uma certa ironia, pois há uma resposta para o "Quem sabe?":

Quero chorar em paz? Eu sei
Quero festejar como um louco? Eu sei
Quero estar apaixonado? Eu sei
Sim, eu sei, eu sei, eu sei

Mais uma vez, o rapper confirma a sua proposta de dualidade. Ninguém sabe o que ele passa, mas ele mesmo sabe e resolve contar. Todas as linhas com palavras como chorar, festejar e apaixonar, estão ligadas a desejos - desejos reprimidos pelo estilo de vida de J-Hope. O sentido de abstenção do mundo idol me parece mais nítido ainda: o rapaz não pode chorar em paz, pois isso pode demonstrar uma imagem fraca. Não pode festejar como um louco, pois pode demonstrar uma imagem de delinquente ou irresponsável. E não pode se apaixonar, pois... Bom, vocês já sabem.
Quando ele diz, "Quero chorar em paz. Eu sei", a cena mostra justamente o seu rosto, apático, sem a vontade de chorar. É como se dissesse: "esta é a minha cara, mas na verdade por dentro eu quero derramar lágrimas". E também me parece como se ele estivesse cansado dessas dúvidas, como se já tivesse se questionado centenas de vezes.
Eu não sei delimitar direito o que o vislumbrar do sol pode significar nesta cena (se tiver alguma ideia, diz aí nos comentários), mas quero ressaltar o fato de estarmos do lado de fora do quarto, do outro lado da porta. Sim, por mais que J-Hope seja sincero, ainda o estamos vendo sob a perspectiva da sua faceta de sucesso.
Ele fala sobre festejar ainda com a mesma expressão apática, mas dessa vez parece de certo modo mais irônico, algo como "eu quero fazer essas coisas, você já parou pra pensar nisso? Aposto que não".
Depois estamos de volta para fora do quarto, onde o sol foi embora. Junto desta cena, talvez aquele vislumbre de sol anterior signifique os tais desejos do artista, pois ele aparece justamente quando o rapaz começa a falar destas coisas. No final, depois de pensar sobre tudo o que quer fazer, sobra apenas o comum J-Hope na cama, sem sol para lhe iluminar.
E aí ele repete: "eu sei, eu sei, eu sei". Ou seja, "já pensei muito nisso, estou cansado". E então, as paredes do quarto diminuem, se tornando mais escuras e consequentemente opressivas - ele pensa tanto nisso, que o seu eu se reprime.

Logo após temos...
Um peixe gigante? WTF, o que é isso?
Calma, vamos entender melhor:
O peixe pode ter vários significados, sendo o mais conhecido talvez o da cultura cristã: Jesus realizou o milagre da multiplicação dos peixes e portanto, esse animal passou a ser visto como sinal de prosperidade. Esse sentido se aplica na maioria das interpretações, principalmente na simbologia dos sonhos, significando também sorte e sucesso. Porém, há mais um aspecto que acho interessante ressaltar: peixes grandes podem significar explicitamente objetivos e desejos; e bom, isso combina perfeitamente com o que J-Hope está falando até aqui.
O azul é o símbolo da tranquilidade e harmonia. Ao entrar no mundo dos sonhos, o rapper se vê em um mundo harmonioso com os seus desejos e objetivos.
Na outra cena, o imaginário finalmente invade o real. Basta somar 2 + 2: se os peixes são a simbolização dos desejos e objetivos de J-Hope, ao entrarem no mundo real, é como ideias rodeando-o, quase o enfeitiçando e surpreendendo-o.
O roxo ganha destaque, concretizando a junção do real com o imaginário: essa cor é ligada ao mundo místico, espiritualidade e mistério. 
Pois veja bem: primeiro somos apresentados à realidade do artista, para logo irmos em uma transição para o mundo místico interno - ainda não estamos lá, mas aos poucos os devaneios invadem o concreto.

A próxima estrofe é a seguinte:

Todos foram pegos como peixe
Em uma rede chamada desejo com sede de vida
Fujo desse psicológico comum
Mesmo que eu não possa nadar fora daqui
Não, uma rejeição da realidade
descontentamento, inadimplência
Não é nada disso
Amo minhas regras
Por uma vez, eu quero ter uma imagem diferente na minha vida
Que eu quero desenhar, um sonho feito em uma tela de pintura
Durma

Por "todos" podemos supor que ele está falando da maioria das pessoas; a noção comum de perspectiva individual sobre sonhos. O que é ser pego como peixe? O peixe é um dos alimentos primordiais do homem. Ser pego como um peixe é ser pego como um qualquer, apenas mais um preso numa rede.
Mas que rede é essa "chamada desejo com sede de vida"?
Sintetizando toda a mensagem, J-Hope está falando de percepções populares sobre o querer. O desejo é a rede que prende as pessoas à diversas situações, tudo por causa dessa tal sede de vida. Que vida? Pode ser a que você não tem e quer ter, ou a que você tem mas não percebe. Em suma, as pessoas se colocam em diversas situações por conta de perspectivas ilusórias. Muitas vezes ganância.
Na linha seguinte o rapper vai se contrapor a isso: "Fujo desse psicológico comum; Mesmo que eu não possa nadar fora daqui".
Ou seja, ele tenta não ser escravo dos próprios desejos, ainda que não haja como se desprender totalmente. Um pouco confuso não? Mas calma lá: J-Hope vislumbra desejos que ele não pode concretizar por conta de seu estilo de vida, mas é justamente o seu estilo de vida um de seus desejos. Ele é refém desse desejo (de ter sucesso, fazer música, etc), enquanto desfruta dele e sonha com outras coisas. Para a maioria das pessoas, dinheiro e sucesso é o suficiente para estarem satisfeitas, mas não para J-Hope - por isso ele tenta fugir desse "psicológico comum", ainda que ele não possa nadar fora disso. Ele ainda depende de sua imagem ilusória (como figura pública) para sobreviver e realizar outros tantos sonhos. Mas, de novo, no máximo do possível, afirma não se prender a isso.

Depois ele cita coisas como rejeição da realidade, descontentamento e inadimplência. Esse é o modo que provavelmente pode ser visto pelos outros esse desapego dele em relação ao próprio sucesso. Mas, imediatamente complementa:"Não é nada disso". Ele não está insatisfeito, não é esse o ponto; simplesmente ele só quer algumas coisas a mais; coisas as quais tem que se abster.
Em "Amo minhas regras" podemos supor que ele está contente com a própria construção de mundo para si. O problema de J-Hope não é consigo mesmo, ele está bem com isso, e sim com o externo (diga-se de passagem, uma perspectiva deveras diferente da mixtape do RM).

Enquanto rima isso, vemos sua imagem comum; caseira, no quarto pequeno (de novo, opressivo; desconfortável), sob a luz mística do roxo.
Ps: vale ressaltar que na era Wings, o roxo simbolizava os desejos de cada um, mas de forma maléfica. Em Boy Meets Evil, J-Hope dança sob essa cor e canta sobre sucumbir a seus desejos. E em Love Yourself Highlight Reel, Jin perde o seu amor. 

O trecho, "por uma vez, eu quero ter uma imagem diferente da minha vida", acredito que seja autoexplicativo, ainda mais visto tudo isso que falei.

Em "Eu quero desenhar, um sonho feito em uma tela de pintura; Durma", já fica nítido do que ele está falando, mas tem um aspecto novo interessante: o da criação de uma obra. Lembra o que eu disse lá no começo sobre o dadaísmo? Além de J-Hope querer ter o controle dos próprios desejos e como eles vão se realizar (desenhar é poder ter o controle e imaginar do próprio jeito), ele quer desenhar um sonho em uma tela de pintura. Ou seja, o seu anseio, ou sonho, é desenhar um sonho em uma tela. Por tela podemos associar com criação artística e por criação artística podemos associar com... Sua música. Exatamente o que ele está fazendo aqui.
E aí ele diz: "Durma". Em outras palavras, "venha comigo sonhar também".

Nesse momento, ele aparece com uma roupa sofisticada, diferente da sua camiseta listrada azul e bermuda simples. Sua expressão está deveras diferente:
 Ele não só tem uma expressão alegre e mais expressiva, mas assim como imaginativa e ambiciosa. É aí que as paredes opressoras de seu quarto caem, revelando um novo ambiente, sem limites para a paisagem.
Sendo redundante, é ao imaginar que J-Hope se vê finalmente livre. Ele ainda está em seu quarto, mas agora não há paredes delimitando o limite. A paisagem não está lá fora, está dentro. Ele pode ser quem quiser e ir para onde quiser.

A próxima estrofe é a seguinte:

Mais além dessa linha, para lá
Vamos sentir isso
Como o buraco que Alice caiu
Como a estada que leva para Hogwarts
Será um mundo de miragens
E será tudo meu
Exatamente como eu imaginei
Mas não será para sempre
Merda

Em "Mais além dessa linha, para lá" é obvio que ele está falando justamente do que eu disse ali em cima, sobre essa sensação de estar livre e não ter limite. Mas, isso se completa com "vamos sentir isso". Esse vamos sentir não é só de ser livre, mas da perdição mesmo. Qual o sentimento que Alice sentiu ao cair no buraco? Qual o sentimento que Harry sentiu ao ir para Hogwarts? De total surpresa e perdição. Eles não sabiam o que ia acontecer, mas estavam prontos para conhecerem lugares novos; lugares grandes e maravilhosos. 
Também é interessante notar que J-Hope usa como metáfora a história de dois personagens que são seres humanos comuns entrando em contato com a fantasia. Podemos então colocar como paralelo o próprio artista: ao inicio do vídeo ele se apresenta como um ser comum cheio de problemas e cansado das responsabilidades da vida, depois ele é "enfeitiçado" pelo sabor dos desejos e do sonhar (a tal transição que eu falei), para finalmente ser jogado de vez em seu próprio mundo fantástico. Só que, diferente de Harry e Alice, J-Hope é personagem e autor. Ele cria enquanto vive as próprias aventuras dentro de sua mente.
As próximas três linhas confirmam isso: "Será um mundo de miragens; E será tudo meu; Exatamente como eu imaginei".

E o que ele quer dizer com "Mas não será para sempre"? Bom, essa onipotência toda só dura enquanto ele sonha (seja acordado ou dormindo mesmo). A realidade, como já salientei, sempre bate à porta. Ao abrir os olhos, tudo acaba. Daí vem a inevitável conclusão: "Merda".
Obs: perceba como a voz dele aqui está rouca como num sussurro, como se ele estivesse tentando te enfeitiçar. Bom, é justamente essa noção que ele quer passar. De encanto com as possibilidades.

É aí que então vem o refrão e tudo se torna deveras psicodélico. Não ao ponto de ser uma loucura, mas há uma vibe anos 60 hippie. Isso fica nítido já na fonte usada para escrever "Hope"
Não é só um visual "brega" para ser engraçadinho. Agora estamos de fato na mente do artista (ou a representação desta), vendo de perto suas referências. E bom, como podemos ver nas produções de J-Hope, tanto em sua mixtape quanto em MAMA, há uma influência oldschool, bastante funky e jazzy. 

O rapper aparece mais uma vez, mas agora está totalmente alegre e feliz, descontraído dançando e cantando, enquanto passa por fundos de diversas cores.
Não vou ficar aqui explicando o significado de cada cor por que se não esse post vai ficar mais gigante do que já está, mas como podemos ver, por tudo já analisado, cores representam ideias e sentimentos. Sendo assim, J-Hope transita agora tranquilamente por diferentes cores, diferentes perspectivas, diferentes sonhos, diferentes emoções, plenamente alegre e feliz.

No refrão ele diz o seguinte:

Desejando no céu
Desejando em uma cicatriz
Se houver sol
Eu gostaria de sonhar
Desejando no céu
Desejando em uma cicatriz
Se tiver o luar
Eu não gostaria de acordar
Meu 
Daydream, Daydream* (3x)
Último 
Daydream, Daydream

* Vou deixar como Daydream mesmo por que me parece estranho traduzir como "sonhando acordado", sendo que Daydream tem significado de devaneio também. Vocês já entenderam o sentido do termo, então não vou ficar traduzindo.

Sobre essa parte, devo começar dizendo que pode ter dois sentidos: desejar um céu e desejar uma cicatriz; ou desejar no céu e desejar em uma cicatriz. De novo, parece simples, mas há grandes diferenças: desejar um céu é desejar por algo melhor e desejar uma cicatriz é desejar por uma dor ou uma experiência; enquanto desejar no céu é desejar mesmo estando bem, e desejar em uma cicatriz é desejar mesmo em algo ruim ou algo que te machucou/marcou profundamente. Dos dois sentidos, acredito que seja "no" e não "um", pois como podemos ver nas outras linhas, J-Hope confirma que não importa o momento, "se houver sol" ele gostaria de sonhar; "se tiver lua" ele não gostaria de acordar. Em suma, faça dia ou noite, bem ou mal, ele vai continuar sonhando.

Durante o refrão, temos duas cenas aparentemente avulsas:
Se notarmos bem, na primeira cena há a junção de três paisagens diferentes: um monte com neve, um coqueiro e um flamingo. Não sei se isoladamente essas coisas têm significados específicos, mas juntas demonstram aquilo que falei de ir além do limite. Não é só uma paisagem infinita na imaginação do rapper, mas a junção de várias. Sem contar que esses objetos também expressam a sua ânsia de viajar; conhecer o mundo.

A segunda cena já é mais difícil de decifrar e confesso que passei um bom tempo tentando entender. Não cheguei a nenhuma conclusão certeira, então segue minhas observações para ajudar quem quiser analisar:
J-Hope dá um sorriso meio sem graça, claramente falso, enquanto segura na mão uma caixa em que está escrito "papel higiênico" e tem uma boca semi aberta com os dentes pintados por letras que formam a palavra "merda". Se analisarmos, parece que ele tenta fazer a mesma expressão da foto.
Ao lado tem uma caixa de Lucky Charms, um famoso cereal americano, e um vaso com flores. Parece ser um vaso semelhante ao da cena inicial, mas agora claramente não só com folhas.

Eu arriscaria dizer que há uma relação entre o florescimento da sua vida, o enorme sucesso do BTS nos Estados Unidos (representado pela caixa de cereal) e os haters. É como se ele estivesse oferecendo a solução para algumas pessoas pararem de falar merda e aí, de forma debochada, ele sorri mostrando seus dentes branquinhos; ou seja, ele é um cara que não sai falando qualquer coisa por aí. 
Mas qual seria a solução para as pessoas pararem de falar merda? Como estamos no refrão, eu diria que é justamente sonhar.
Entretanto, ainda estou bem em dúvida quanto a essa minha interpretação. Se você viu mais coisas, opine nos comentários.
Essa cena aqui é a melhor síntese do que é toda a música e clipe: ao fundo temos J-Hope dormindo, enquanto o seu eu interno está muito bem acordado, em um mundo psicodélico, com cores e sentimentos incríveis. 

Logo após, ele "cai" de volta para a realidade, mas com uma expressão bem humorada, para questionar um pouco mais:

E daí se eu fico bêbado
até ficar louco?
E daí se eu saio?
Não penso no trabalho
Vamos apenas sentir a juventude
Jovem, selvagem e livre
Selvagem e livre
Deixe-me tentar

Esses questionamentos retornam outra vez para o tema da abstenção. Qual o problema dele ficar bêbado e curtir? Ele não tem esse direito? J-Hope não está falando para você ser imprudente, mas para sentir a sua juventude, viver a vida livremente e ele espera compartilhar esse sentimento com a música. O interessante nesse trecho é a parte "Selvagem e livre; Deixe-me tentar". Ser selvagem e livre são nossos estados naturais, mas, outra vez, por ser uma figura pública, o rapper não consegue isso. Então é curioso que ele dialoga com os seus fãs e parece pedir autorização. "Deixe-me tentar".
Olha lá a planta de novo ali atrás. Já sabemos o que representa, não é mesmo?
Aqui temos outra faceta do artista, dessa vez mais classuda. Perceba que até mesmo as flores do fundo mudam para rosas brancas, um símbolo de elegância. Também vemos um prato com comida. Quero salientar que carne na Coréia é uma comida de "luxo", e ter ela como ostentação mostra o poder econômico da pessoa. A cena acontece justamente quando ele questiona "e se eu sair?". O que ele quer dizer com isso? Bom, que ele é grandinho e independente o suficiente para fazer o que bem entender. Ele tem consciência e dinheiro suficientes para arcar com as consequências dos próprios atos.
Ao fundo, há o quadro Almoço na Relva, de Edouard Manet. Dá para perdermos parágrafos e mais parágrafos debatendo o significado do quadro com o vídeo, mas vou ser sucinto e dar uma síntese da minha pesquisa: em sua época, Manet foi um artista polêmico por ser um rebelde que ia contra as convenções sociais. Atualmente esse quadro não tem grande impacto, mas na época em que foi apresentado, a sociedade reagiu de forma negativa pelo fato de ter uma jovem, livre e selvagem (nua), interagindo normalmente com dois homens bem trajados. Em suma, soou como uma total vulgaridade, enquanto na verdade o que Manet tentava expressar era a sua liberdade para criar o que bem entendesse. 
Notou alguma semelhança com o discurso de J-Hope? 

"O Almoço na Relva é um testemunho da recusa de Manet em seguir a convenção, iniciando uma nova liberdade de temas tradicionais e modos de representação, talvez essa obra possa ser considerada como o ponto de partida para a Arte Moderna." - Fonte

Após, J-Hope entra em um buraco, possivelmente um paralelo com Alice no País das Maravilhas, e se perde em outro devaneio. Ele sai do mundo "real" para o mundo da fama e sucesso, que mesmo sendo o que limita alguns desejos seus, ainda são seu objetivo pessoal. J-Hope gosta de ser um artista e brilhar.
Sobre o quadro do macaco, não tenho uma análise exata, pode ser que seja só algo aleatório, mas geralmente, em diversas culturas, o macaco é associado à brincadeiras; um lado mais infantil e jocoso. Poderia o rapper estar demonstrando o seu lado maduro e independente, e ao mesmo tempo o seu lado simples e infantil? Possivelmente. Quem já viu algum vídeo de bastidores do BTS, sabe que o Hoseok é conhecido por ser extremamente brincalhão. Essa mudança de facetas deve ser algo bem frequente para ele: uma hora está sendo totalmente crianção e logo após, está em uma mega apresentação mostrando o seu lado artista.
A próxima estrofe é a seguinte:

*Sem andar cuidadosamente todos os dias
Eu faço o que quero com meus sentimentos todos os dias
Um especialista no amor que atira em seu coração quando você se apaixona, todos os dias
Trabalhando com o meu desejo sem uma fórmula, todos os dias
Ignoro meu personagem todos os dias
Quero chorar sem vergonha todos os dias
Lista de sonhos, a primeira prioridade
Sem preocupações com o dinheiro
Durma profundamente

Na primeira linha, sobre "andar cuidadosamente", não é simplesmente de não ter cuidado com as coisas. No termo original, o equivalente em português seria algo como "sem andar pisando em ovos todos os dias". Não sei se esse é um termo nacional, então caso você não saiba o que significa, "pisar em ovos" quer dizer andar por aí com medo do que vão falar de você, do que os outros vão pensar da sua pessoa. Portanto, J-Hope afirma que não liga para nada disso, ele é apenas ele mesmo. Assim começa uma sucessão de afirmações: de que ele faz o que quer com os sentimentos, que é um homem sedutor, que trabalha arduamente sem seguir uma fórmula, e que ignora o próprio "personagem" todos os dias.

Perceba: essas linhas são irônicas. Não tem como J-Hope ignorar a sua "persona" pública, ou fazer o que quer com os sentimentos, ou delimitar como vai ser visto por suas fãs. O que é isso então?
Bom, você já se pegou a imaginar como seria fazer algo na frente de todos? Tipo, você cantando na frente da sua escola e todos embasbacados com a sua voz? Ainda que você não saiba cantar, esses são pensamentos que lhe vem a cabeça. Todos temos isso. Desejos do que queremos ser e do que queremos fazer, mesmo que sejam irreais. É exatamente isso o que está acontecendo, tanto na música quanto no clipe: na música há essa dita ironia, e no clipe há o complemento dessa ironia, com o rapper em todo o seu egocentrismo dançando e cantando completamente sozinho, só ele sob os holofotes.
Entretanto, esses sonhos começam naturalmente a se transmutarem em algo negativo no momento em que ele para pra pensar em seu personagem. Como dito, ele afirma ignorar a sua persona todos os dias (uma contraposição às preocupações do inicio da música) e logo após diz querer chorar todos os dias e que o número um na sua lista de prioridades é viver sem se preocupar com o dinheiro.
É como se o rapper começasse feliz com o seu ego e aos poucos as preocupações da vida real surgissem, contaminando a sua positividade. Antes que tudo transforme-se de uma vez em pessimismo, ele encerra o fluxo de pensamentos e volta a sonhar. "Durma profundamente".

No momento seguinte, o artista passa a cantar versos sedutores em sussurro outra vez, como se não só quisesse encantar o ouvinte, mas a si mesmo. Até que ponto J-Hope está se iludindo? Não sabemos, e talvez nem ele saiba, mas cada vez mais o rapaz está longe do planeta Terra. Longe da realidade.
E aí temos a emblemática cena, que fez muitas Armys ficarem com cara de "WTF". J-Hope pega o seu celular, disca para o contato "Arthur" e de repente aparece a frase "Don't Panic!".




O que é isso? Bom, é uma clara referência ao livro O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não sei se eu que estou ficando velho ou as pessoas que não leem mais boa literatura, mas o Guia do Mochileiro é uma obra alicerce da cultura pop nerd. É difícil pensar o mundo nerd como o conhecemos hoje sem essa série de livros e por isso fiquei surpreso ao ver que a maioria das pessoas não pegou a referência.
"Tá, mas qual a relação com o MV?"
Na trama do primeiro livro, conhecemos Arthur Dent, um inglês extremamente comum e azarado, que descobre que seu amigo, Ford Prefect, é um alienígena. Em um mesmo dia, Arthur perde a casa e seu planeta, a Terra, acabando por se ver em uma nave alienígena que vai lhe proporcionar diversas aventuras. O Guia do Mochileiro das Galáxias é um livro que, obviamente, serve como guia para mochileiros nas galáxias. Em sua capa há a frase "Don't Panic!", de modo a acalmar qualquer nervosismo de quem esteja perdido, pois na obra há a resposta para quase todas as coisas. É esse livro que Arthur e Ford vão usar para tentar se livrar das enrascadas em que caem.

Não sei se há uma relação direta com Daydream além do fato de J-Hope estar no espaço e "viajar na maionese", mas há uma relação de proposta: o Guia do Mochileiro é uma comédia ácida e irônica, que diverte mas ao mesmo tempo te faz refletir sobre o que é a vida, o universo e tudo mais. Essas reflexões tão existenciais, devem permear a mente de J-Hope, e como podemos ver na letra de sua música, ele sempre está se questionando várias coisas - ao mesmo tempo, Daydream ainda é uma faixa engraçada e animada, com um clipe aparentemente maluco. É exatamente o que vemos no Guia - uma história que parece boba e louca, mas debate coisas muito profundas.

Depois temos várias cenas que já foram explicadas ou não precisam de explicação por serem autoexplicativas, como J-Hope dançando em seu quarto "infinito". Aprecie comigo alguns prints que eu tirei:








A próxima e última estrofe é a seguinte (na verdade são duas, mas a outra é pequenininha, então cabe aqui):

Se você me pede para voltar
Por que eu sonho
Vou soar como se eu estivesse me gabando
Vou sair por um minuto
Para combinar meu mecanismo, espera aí
Eu direi que estou descansando um pouco
O que é isso, o que é isso
mergulhando no devaneio, toda a natação é para mim
Assim, assim
Todos os meus passos e a minha fantasia

Se eu preciso de algo
Se eu preciso de algo, agora
Isso é um Daydream
Eles sonham, eles sonham

Essa parte talvez seja a que soe mais desconexa. Não sei se por causa da tradução ou se J-Hope está sendo hermético mesmo, mas vamos lá tentar entender.
Quando ele fala "se você me pede para voltar", esse voltar é de sair do mundo dos sonhos e retornar ao real. Ao retornar, por ele sonhar tanto, vai soar como se ele se achasse melhor que os outros. De fato, quem tem um sonho transparece isso: confiança. Mas J-Hope simplesmente gosta de sonhar e por isso, afirma que mesmo quando está aqui, na nossa realidade, ele arruma um jeito de estar a devanear.
No final, fica explícito que o jeito dele desestressar é sonhando. Se ele precisa de algo agora, nesse momento, ou talvez em qualquer outro, principalmente se estiver cansado, é criar o próprio mundo. 
Ainda há um trocadilho com "Day" e "They", com ele afirmando que "eles sonham". Por eles, podemos entender que o artista entende que não está sozinho, que muitos outros são como ele e sonham nos momentos bons e nos momentos ruins. 


Nesta cena temos J-Hope de volta ao quarto inicial, mas o quarto não está tão pequeno e opressivo, e o rapaz parece extremamente alegre. Em suma, há uma certa linha temporal na história (como eu já disse, mas não custa completar): começa com o artista apático, há o flerte com os sonhos, o mergulho de vez e por fim a volta à realidade, dessa vez unindo o real com o imaginário. Só sonhando é que ele pode encarar suas responsabilidades.


Nem preciso explicar essa cena né, já disse tudo no parágrafo acima, mas só quero ressaltar que J-Hope agora está muito feliz, pois ELE É UM GLOBO DE FESTA. Sem contar que meu deus, que cena simples e bonita.



Aqui há uma transição super interessante que combina perfeitamente com a letra. Como vimos, J-Hope está falando que a qualquer momento pode sonhar, e aí vemos ele no lugar que representaria o "estado comum" e depois, em um pulo, ele está com suas roupas sofisticadas em uma tela em branco. O significado dele nesta tela é óbvio: é um lugar vazio pronto para imaginar o que bem entender.


Ele dormindo enquanto está perfeitamente acordado ou ele acordado enquanto está perfeitamente dormindo. Suas duas facetas: o comum e o elegante.


Todas as emoções juntas no mesmo eu, alegre e feliz.


Perceba que agora o quarto nem teto tem. J-Hope está cada vez mais livre de qualquer "estrutura".


Ele pronto pra viajar para qualquer lugar.


Um cenário psicodélico com um astronauta e J-Hope de chinelo, bermuda e blusa. Cada vez há menos limites para os seus sonhos (muito menos coerência).

Até que...



Chegou a hora de acordar.

E assim  termina esta análise. Você pode interpretar como a história de um garoto que encontra o sucesso ao sonhar, ou um garoto refém do sucesso que foge da realidade ao sonhar. Há um tom agridoce intencional, ainda que superficialmente seja excessivamente alegre. A escolha é sua.

Notou algo diferente? Discorda de tudo o que eu falei? Tem sugestão de outros clipes para serem analisados? Diz aí nos comentários!

Ah! E antes que eu me esqueça, espalhe a palavra. Compartilhe esse post com os amiguinhos por que deu trabalho. Quando alguém disser que kpop são só coisas bobinhas e coloridas, manda esse texto.
Por fim, fique com a mensagem de uma Army:


Comentários

Postagens mais visitadas