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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Album Review] Love Yourself, de Chainsmokers à Banda Uó, BTS está mais pop do que nunca

Veremos se esse mini é incrível como as armys estão dizendo

Depois de Wings, eu não esperava grandes coisas do BTS. Não me entendam mal, mas é que mesmo com os seus defeitos, WIngs foi uma produção bastante original com uma alta qualidade – repetir o mesmo feito em tão pouco tempo seria uma tarefa dificílima; se não impossível. Geralmente, para quem acompanha além de BTS a cena pop coreana, mini-álbuns tem a função de promover determinado single e se existe mesmo uma tentativa autoral de produção, é a oportunidade perfeita para experimentação. Love Yourself não está na primeira categoria, ainda bem, tendo uma preocupação com cada música e soando exatamente como o segundo tipo, uma viagem para ritmos que a boyband já flerta há algum tempo. Mas experimentação não está atrelada necessariamente à qualidade – muitas vezes é justamente o contrário. Será que o Beyond The Scene conseguiu manter a mesma qualidade e coerência musical do Wings, um feito quase impossível (veja bem, não estou dizendo que Wings é genial, mas manter um certo nivelamento musical em tão pouco tempo é difícil), ou a coisa descambou de vez para a domesticação ocidental do KPOP?
BTS prova que estamos todos errados e não vai para nem um ou nem outro lado.

Análise Geral

Se ao acompanhar cada comeback anterior do BTS, o grupo soava como um ser metamorfo que se transmuta em diferentes influências, Love Yourself deixa essa noção mais nítida, concluindo (ou recomeçando?) a trajetória no pop.

Na trilogia escolar 2 Cool 4 Skool temos a rebeldia juvenil em foco, aproveitando essa fase única e curta para criar uma identificação com os jovens. Ironicamente, indo contra essa vibe adolescente, Dark & Wild é um disco de Hip-Hop maduro com uns flertes R&B e letras profundas; mas, acima de tudo, o projeto inicial de uma boyband a la Epik High a qual havia sido proposto. Young Forever mais uma vez já muda a sonoridade totalmente, mas sem ser aleatório – o que era flerte em Dark & Wild se torna ponto principal. O R&B é o gênero predominante, criando um equilíbrio entre rap line e vocal line (em minha opinião, o melhor trabalho do grupo). Wings é uma exceção de continuidade nesse meio, por principalmente se constituir dos atos individuais de cada – ou seja, não há exatamente o BTS como unidade. Então aqui há a reunião do hip-hop pesado de Dark & Wild (First Love, Cypher Pt 4, First Love), a aura etérea de Young Forever (Stigma, Lost, Lie) e a diversão escolar de 2Cool 4 Skool (21 Century Girls, Am I Wrong). Entretanto, se pensa que essa variação é bem equilibrada, se engana: predominantemente o tom ainda é do disco anterior, dessa vez flertando com o EDM/House music/Tropical (em suma, a moda eletrônica no ocidente).

Portanto, com todo esse trajeto em mente, Love Yourself leva o grupo de vez para o pop, colocando o R&B e o Hip-Hop em segundo, até terceiro plano, para dar foco no eletrônico. Esse eletrônico por vezes soa genérico por causa da exaustão causada pelo tanto de vezes que já ouvimos o mesmo tipo de música aqui no ocidente e, em outras vezes, soa um casamento interessante entre o kpop e o que há de novo.

Eu não diria que o álbum continua no mesmo nivelamento de qualidade, como eu disse, seria impossível, mas a coisa também não descamba para a domesticação do Kpop. Essa domesticação existe? Sim, mas na indústria como um todo. Porém, há ideias certamente interessantes de um grupo que se propõe a arriscar em uma área nova para eles. Fazem isso com maestria? Não mesmo. Mas bom o bastante para termos músicas ótimas e mesmo as medianas, serem chicletes.

Faixa a Faixa


Serendipity é uma faixa ótima, para mim uma das melhores, se não a melhor, do disco inteiro. Ela tem ecos existencialistas de Blood Sweat & Tears e uma produção minimalista introspectiva. Não me surpreendi ao saber que tanto a letra quanto a produção da música foram feitas pelo Rap Monster. Em suma, Rapmon carrega a identidade predominante do BTS e podemos ver aqui uma experimentação original entre hip-hop e romântico (R&B) de forma bastante envolvente, lembrando os atos mais recentes de Zico e cia (She's a Baby, Her).
Quero ressaltar como a participação do Rap Monster está contida no disco inteiro - não falo nem em raps, mas na produção. Todas as vezes em que alguma música tinha predominantemente o dedo dele eu pude identificar e fica claro como ele cede espaço para os outros. Há mais pessoas envolvidas no processo de criação em Love Yourself e essa "bagunça" fica nítida. Em suma, a maior parte do disco é sim boa, mas não única. Por sorte, Serendipity não pode ser colocada no lado "genérico".


DNA me causa sensações opostas: a parte boa são as influências oitentistas e o tom contido da faixa, que tem uma melodia boa, calcada na guitarra e no assovio. A parte ruim: é só isso mesmo. Qualquer pessoa que acompanhe o mínimo de kpop (o que não é o caso da maioria das Armys...), já ouviu a mesma faixa só que executada por um grupo menor, que ninguém dá uma foda. Quer dizer que a faixa é ruim? NÃO! Apenas não é essa pica toda e comparada com a própria discografia do grupo, abaixo do esperado. Está acima de farofas feito Fire, Fire 2.0 e baladinhas sem graça como Spring Day, mas não mostra o talento do grupo e que sinceramente, os fez tão famosos. Claro, tem seus acertos e uma parte única que é esse teor mais contido e até ambiente, meio relaxante. Mas no geral, é a Yesterday do BTS (caso você não saiba, Yesterday foi o último single do Block B). Cumpre a sua função e é só isso. Mediana em todos os sentidos, até no MV, porém, com um potencial para algo maior - isso é que é o pior. Ser ruim, beleuza, coisa ruim sai a toda hora. O pior é ser razoavelmente bom, com um potencial contido de ser ótima, principalmente se o grupo mergulhasse de vez na vibe oitentista.


Best of me, a tão aguardada parceira com o Chainsmokers, é ótima. Não digo que é uma canção 10/10, mas tem uma vibe Daft Punk que eu gosto muito; house music bem feita. Talvez eu tenha algum problema com essa ideia de dramaticidade excessiva, preferindo algo mais divertido e funky, mas no geral é uma boa faixa, que me surpreendeu. Eu esperava algo mediano ou ruim mesmo.

dimple tem um beat muito bom, mas desperdiçado como uma faixa romântica de pop ocidental genérico. Mais uma vez, e vocês vão ler isso muito ainda, é ruim? NÃO! Mas está na zona genérica do disco, não acrescentando muito à discografia do BTS. Até gosto do ambiente dela e da melodia com vogal, mas é só isso. Mesmo caso de DNA, porém de uma forma diferente. Pelo menos deram umas linhas pro Jin.

Pied Piper é uma das melhores músicas do disco. Sério, ela é muito boa mesmo. Depois do pop genérico anterior, ela vêm com uma vibe intimista e funky muito boa, com uma pegada anos 80 dançante. 
Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, a faixa é ótima, mas seria uma pena se ela fosse um plágio safado de I Feel It Coming do The Weeknd.
Então.......


Bem que eu senti uma atmosfera Daft Punk nesse disco! Tá bom, você pode dizer que é influência, mas cara..... Tá muito parecido. Eu passei metade de 2016 ouvindo o disco Starboy no repeat e de longe posso identificar esse plágio. Isso tira o mérito da faixa? Lógico que tira, é um copiar e colar. Masss, ainda é uma faixa boa. Já posso me chamar de Army pois vou passar um pano pra isso e dizer que não vi plágio nenhum. É só uma coincidência.

Logo após tem um Skit, um diálogo colocado como transição. Porém, antes de criticar, temos que nos perguntar: qual a função de um Skit ou um sample em um álbum?
A função é trazer certo conteúdo no contexto da produção, de acordo com o necessário. Na mixtape do Suga, por exemplo, temos uma conversa casual dele com o seu irmão, talvez nos revelando uma face mais comum sua. Então, qual a importância disso dentro do álbum, além de atestar o orgulho do BTS? Nenhuma. Não há nenhuma função a não ser como agradecimento aos fãs, coisa que já estamos carecas de saber.
Quer ver um exemplo interessante? Em DAMN Kendrick Lamar usa a fala de um jornalista da Fox News como catalisador tanto para dar forma às suas críticas ao preconceito, quanto como sample na faixa DNA. Esse Skit apenas existe como transição, e só. Apenas para dizer, o BTS ganhou um prêmio que nem é tão relevante assim.

Bom, deixando isso de lado, fica claro como o disco se divide em duas partes. Na primeira temos a aura mais "romântica" e eletrônica, toda popzinha, com a rap line contida ao extremo. Na segunda temos uma aura mais hip-hop, com a rap line dominando e o eletrônico deixado de lado. Nem preciso dizer que a segunda parte me agrada mais.

MIC Drop já é icônica por usar como sample Close To Me do The Cure e ter uma sonoridade claramente pesada, com um baixo (?) dando um tom macabro, junto da presença de JHope. A faixa perde um pouco da força quando a vocal line entra e aí temos uma baile de autotune, quase como se T-Pain fizesse um feat. Mesmo assim, ainda é uma faixa ótima, melhor que Cypher pt. 4. 

Agora vamos para Go Go, que é um... Tecnobrega? MEO DEUS, QUANDO IMAGINEI QUE BTS TERIA BANDA UÓ COMO REFERÊNCIA? É isso mesmo produção, ao fazer uma mistura de rap, eletrônica e reggae, BTS soa como aqueles grupos de rap ostentação do nordeste/Brasília, banda Deja Vu (E DJ Juninho Portugal), além da dita Banda Uó e qualquer artista genérico de tecnobrega do Pará. Isso é ruim? NÃO, ISSO É ÓTIMO! Serião, é uma das melhores faixas do disco. Por mim podia ter um disco inteiro nessa vibe. É bem melhor que Ko Ko lixo e muito abaixo de Why So Lonely.


Ps: e esse sample de melodia do Kaoma? Não basta terem plagiado a coitada da Technotronic em Not Today? BTS É BR GENTE
Ps²: aqui no nosso glorioso brasilzão a gente dança esse tipo de música com aquela rebolada sensual ou agarradinho com alguma morena num roça roça sem igual. Quero ver como os coreanos vão dançar issae.

Por fim, Outro: Her é um rap romântico que poderia estar perfeitamente em Dark & Wild ou no Young Forever - ou seja, é muito bom. Finalmente Rap Monster dá as caras decentemente e a sonoridade etérea é aconchegante, feito as músicas da Heize, só que bom. É rap hipster do Starbucks? Talvez, mas me agrada muito. E bom, o que pesa muito é o final, não é? E sendo assim, Her finalmente faz jus ao conceito e termina Love Yourself de forma ótima. Sinal de que o BTS ainda tem muito a oferecer no Hip-Hop/Rap.


Sei bem que o grupo está experimentando e tem toda razão em aproveitar o momento para buscarem novos horizontes, tentar ser aquilo que eles não foram no começo, etc. Entendo isso, mas ninguém deve negar que quando BTS vai na sua zona de conforto, eles fazem o trabalho muito bem. Sinceramente? Estou ansioso para atos individuais. BTS agora, com toda essa fama, parece se estabelecer como instituição, com os passos bem regrados dentro do pop. Já podemos até prever mais ou menos o que eles farão no futuro (logo menos sai um repeteco com umas faixas novas chamado LOVE alguma coisa). Claro, eu prefiro que eles tirem férias, fiquem pelo menos um ano montando o próximo projeto e depois voltem com algo certeiro. Mas sei que isso não vai acontecer. A Big Hit só tem os meninos como ganha pão e quanto mais dinheiro BTS puder fazer, eles farão. 
Enfim, no final saí satisfeito diante de um álbum que eu não esperava nada. Tem lá seus defeitos, poderia ser muito melhor, mas como mini está ok. É o grupo com os olhos não mais só para a Coréia, mas para o mundo - veremos se esses olhos não serão cegados ou simplesmente vão ser iludidos ao ponto de serem lembrados apenas como outra bizarrice asiática.

El Psy Congroo.

Ouça o álbum:



Nome: LOVE YOURSELF: 承 'Her'
Artista: BTS 
Lançamento: 18 de setembro de 2017
Gênero: kpop, rap, hip-hop, eletrônica
Gravadora: Big Hit
Duração: 30:00
Nota: ★ ★ ★ ★ ★ (60/100)

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