quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O rap irônico e existencialista de Flower Boy (Tyler, The Creator)


Apesar de tratar de questões sensíveis, como a marginalidade e as causas sociais, o rap sempre ostentou uma postura durona. Mesmo com artistas mais poéticos, como Tupac, ainda sim externamente a postura era de "poder". Vimos isso até meados dos anos 2000, onde mesmo com a mudança de temática do mainstreim, abordando questões mais pessoais, continuava aquela ideia de ser fodão frente as câmeras.

Daí que Tyler The Creator já destoa dos padrões enquanto parece justamente fazer parte deles. Ao invés de falar sobre a sociedade, a sua trilogia inicial de álbuns (Bastard, Goblin e Wolf) é uma conversa entre ele e seu terapeuta fictício, Dr. TC, sobre... si mesmo. Nada mais nada menos, apenas sobre ele e o mundo que o rodeia. Yonkers, hit que o catapultou ao estrelato, inclusive é um aglomerado de referências internas. Uma mistura de esquizofrenia com críticas sociais; um trabalho até mais apurado, nesse quesito, que o de Kanye West.

Nesse redemoinho de palavras do Tyler, fica então difícil saber o que é real ou apenas ficção. O que é sério ou apenas uma piada. Imagine se um dia South Park começasse a falar sério, você conseguiria identificar isso? Claro que não. Tyler é a mesma coisa. Por brincar com tantos temas de forma tão extrema, alguns claramente jocosos outros de gostos duvidosos, ninguém sabe exatamente quem é ele (inclua nesse combinação os diversos personagens criados nos álbuns). Para uns (eu incluso) ele sempre foi alguém com um grande potencial, incompreendido pela maioria das pessoas, que brinca justamente com a concepção "durona" do rap. Para outros, ele era apenas um menino querendo atenção, fazendo parte justamente da ala mais casca-grossa do rap, eu diria até preconceituosa, que não tem medo de atacar minorias.
Tendo, portanto, todo esse contexto, é aí que Flower Boy se torna mais genial por surpreender os dois lados da moeda.

Análise Geral

Após uma incursão um tanto quanto duvidosa (Cherry Bomb), Tyler The Creator volta - e mais introspectivo do que nunca. Inicialmente, o principal na sua produção sempre foram as rimas envoltas de um beat simples e pesado. Depois, para ser mais exato em Wolf, as coisas começam a mudar e as produções tomam a atenção, ofuscando muitas vezes o rap. Cherry Bomb é bem produzido e tem lá seus acertos, mas parece faltar um cuidado especial no "texto", por assim dizer. Sendo assim, Flower Boy é a junção das melhores qualidades do rapper: há uma produção primorosa, cheia de referências e bastante nostálgica calcada no jazz, soul e R&B, enquanto as rimas são certeiras. Se antes o principal era a conversa do rapaz com o Dr. TC, resultando em jatos e mais jatos de palavras, agora o rap é bastante contido, porém com muito a acrescentar.

O humor continua ali, permeando cada linha, mas há uma preocupação maior, se voltando para os sentimentos, principalmente a solidão e o tédio. É como se todos os Tylers e todos os seus personagens finalmente se juntassem para criar uma obra só. Há aqui a rebeldia desmedida de Bastard, uma alegria jocosa de Wolf e uma produção cheia de experimentações minimalistas de Cherry Bomb - e o melhor, tudo é extremamente coeso e único.
Não posso dizer certeiramente que há uma sinceridade maior, pois, como já dito, há muitas camadas e nuances em sua obra que nos fazem ficar com um pé atrás, entretanto, mesmo sabendo disso, acabei pensando "este é o Tyler". Não que ele não fosse antes, mas há mais verdade nas linhas, sem tentar atingir ninguém. Maturidade.

Não vou dizer que as produções anteriores eram inferiores, mas de fato, ela foram feitas em sua maioria por um adolescente e até por isso que Cherry Bomb soou estranho, pois parecia um Tyler entre a adolescência e a idade adulta, se apegando a um estilo que não parecia caber mais, tornando-o prolixo e confuso. Aqui ele dá adeus à muitas coisas do passado, sem perder a essência, mas finalmente amadurecendo. O sentimento principal quando ouço este álbum é de liberdade; liberdade para ser jazz; liberdade para ser R&B; liberdade para ser soul; liberdade para ser irônico; liberdade para falar de sexualidade.

Faixa por Faixa


O disco abre com Foreword, uma produção simples, mas com um rap "seco" e direto ao ponto, com os vocais de Orange para amenizar o tom pesado, natural da voz grossa de Tyler. Há uma noção de "viagem", misturado a uma reflexão enigmática, bastante diáfana. Nem preciso delimitar qual é o tema, o próprio rapper faz isso nos primeiros versos:

"How many cars can I buy 'til I run out of drive?
How much drive can I have 'til I run out of road?
How much road can they pave 'til they run out of land?
How much land can there be until I run in the ocean?"
(Quantos carros posso comprar até cansar de dirigir?
Quanto eu posso dirigir até ficar sem estrada?
Quanta estrada eles podem pavimentar até eu ficar sem terra?
Quanta terra pode ter até eu alcançar o oceano?)

Caso você não tenha pegado a ideia, é a noção materialista de existência. Como assim? O tal copo meio cheio e meio vazio. Sempre terá algo além do ponto que estamos e nossa corrida pelo mundo parece apenas uma andança em círculos atrás de objetivos maiores. Tyler toca justamente nesse ponto, calcado principalmente no fato de que talvez ele já tenha alcançado o seu sonho. E aí, o que vem depois do topo? Se vivemos em um mundo onde o materialismo tem grande valor, até onde isso vai? Aqui o assunto é sobre o parecer, e o quanto o "parecer" vem munido de hipocrisias e ironias na sociedade. Se trata sobre o próprio artista e tudo o que ele vê no mundo. Inclusive já temos a primeira abordagem sobre sexualidade em, 

"Shout out to the girls that I lead on
For occasional head and always keeping my bed warm
And trying their hardest to keep my head on straight"
 (Um salve para as garotas que eu enganei
por boquete ocasional e sempre mantendo a minha cama quente
e tentando o máximo delas para manter a minha cabeça "correta")

O trocadilho se faz com straight, que tanto pode significar "correto" (no caso, seria de seguir as normas certas), quanto pode significar heterossexual.

A próxima música é Where This Flower Blooms junto de Frank Ocean. Fica claro como mais ou menos as colaborações trabalham: elas fazem o que Tyler não pode, cantando partes melódicas que se equilibram bem com o rap. Apesar de ser um rap comum, há um certo ar nostálgico, que vai permear todo o disco. E vou ser sincero: ver Tyler tão "otimista" é bastante estranho (longe de ser ruim). Aqui ele evidencia que chegou ao topo, mas tem como o foco lançar uma mensagem para os outros, algo como: "seja você mesmo, mesmo que você seja estranho". Voltamos para aquele papo da conduta durona rígida do rap - isso se estende não só para a música, mas para as pessoas. Há diferença no modo como as pessoas, por exemplo, olham um homossexual negro e um homossexual branco, podendo aplicar isso para tantas outras coisas, relacionadas também ao sucesso. Tyler é explícito e, ao contrário de tantas vezes que tentou sufocar o seu ouvinte, aqui pega em sua mão de forma confortadora.

"Tell these black kids they could be who they are
Dye your hair blue, shit, I'll do it too
Look, I smell like Chanel
I never mall gup with my manicured nails
I coconut oil the skin
I keep the top low 'cause the follicles thinnin'
But other than that, man, it feels like I'm winning
Went from statistic to millionaire
CNN doubted 'cause my skin is dark
But they forget when I get in my car"

(Diga a essas crianças que elas podem ser elas mesmas
Pinte o seu cabelo de azul, merda, eu vou fazer isso também
Veja, eu cheiro a Chanel
 Eu nunca pego o skate com as minhas unhas bem cuidadas
Eu passo óleo de coco na pele. Passo pouco no topo, porque os folículos são finos
Fui das estatísticas para milionário
CNN duvidou porque a minha pele é escura
Então eles esquecem quando entro no meu carro)

E ainda cabe referências ao tão (re)falado caso do século: OJ Simpson, confirmando que a música fala sobre a juventude negra e como ela pode ser livre, ao invés de necessariamente ser só sobre o cantor.

A "música" seguinte é um interlúdio, Sometimes... 
Não há muito o que falar desse interlúdio, apenas que prepara de forma jocosa o ouvinte para a próxima música. Mas eu quero ressaltar como tudo está bem encaixado. Você não sabe necessariamente quando acaba uma música, começa outra e depois um interlúdio. Se você se distrair, com certeza não notará que mudou de faixa. Isso deve ser ressaltado, pois é um trabalho meticuloso. As músicas funcionam sozinhas, mas se complementam muito bem.

Em See You Again, a colombiana Kalis Uchis entra em cena para trazer uma vibe mais nostálgica ainda, algo entre o hip-hop dos anos 2000 e o jazz/soul setentista. De fato, percebemos que as músicas fazem jus ao nome do álbum, Flower Boy. É o lado sensível de Tyler, as vezes quase adolescente, nos fazendo notar como o rapper antes parecia tão adulto e ostentava um som pesado, e aqui fala quase sempre de temas cotidianos e emocionais. No caso dessa música, o tema é amor platônico/fantasioso, na forma mais poética possível. 

"You live in my dream state
Relocate my fantasy
I stay in reality
You live in my dreamstate
Any time I count sheep
That's the only way we make up
You exist behind my eyelids, my eyelids
I don't wanna wake up"

(Você vive no meu estado de sonho
relocando a minha fantasia
eu fico na realidade
Você vive no meu estado de sonho
Toda vez que eu conto carneirinhos
Essa é a única hora que a gente se pega
Você existe por trás das minhas pálpebras
Eu não quero acordar)

Contrapondo totalmente essa vibe romântica, a música seguinte é o single Who Dat Boy. É um bom som, eu não diria ótimo, mas muito bom; quase uma diss de Tyler e A$AP Rocky contra o mundo do rap. O meu problema com essa faixa não é nem ela em si, pois ela tem seus méritos - um beat bastante interessante e um jogo de palavras a respeito das conquistas e ostentação dos dois - o meu problema é o conjunto. Ela acaba soando meio desconexa do disco, um tanto quanto avulsa no meio das outras músicas. O próprio Tyler diz na letra que é o "Young T", ou seja, o jovem Tyler que está falando, e de fato, há uma vibe mais Wolf. Posteriormente, o próprio rapper admitiu que a música começou a ser feita em dezembro de 2015 e inicialmente o beat foi criado para o rapper ScHoolboy Q, que recusou. Claro, Who Dat Boy não compromete a coerência do disco, mas está um pouco abaixo de muitas músicas deste trabalho.



Depois surge... Uma colaboração com Jaden Smith? Sim, a participação do filho de Will Smith é pequena, mas ótima. Se Who Dat Boy opera na certeza, Pothole nos coloca de novo na incerteza, voltando os traços existencialistas de Tyler, com uma analogia a carros (ou o ato de dirigir. Algo eu diria já recorrente e marcante, evidenciado também no clipe de Who Dat Boy).
Aqui, Tyler se compara com os outros ao seu redor e enquanto mostra o seu amadurecimento, principalmente no ato de confiar na mãe e no empresário (assistindo de fora quem “cai no buraco”), ele já aborda o tédio e a solidão, mas centrado em como as pessoas se aproveitam uma das outras – de novo, o “parecer”, dessa vez em torno da falsidade em demasia.

"Don't get it twisted, nigga, I'm still hungry, oh he lonely
All my friends talk about their hoes and tenderonies
But all I can show 'em is a couple cars and more things
That I've made in the couple past month, he's on, please
Everyone is a sheep, me, a lone wolf
Nobody gon' make a peep 'cause everyone wants some wool
Since everyone is a sheep, not everyone here is cool
Man I'd rather drown in a pool by myself than fuck with their fleece"

(Não fique confuso “nigga”, eu continuo com fome, e solitário
Todos os meus amigos falam sobre as suas diversões
Mas eu só posso mostrar carros novos e mais coisas
O que eu fiz nos últimos meses? Nada
Todos são ovelhas, eu, um lobo solitário
Ninguém me dará chances por que todo mundo quer lã
Como aqui todos são ovelhas, nem todo mundo é legal
Cara, eu prefiro me afogar do que fazer parte da sua lã)

Após, entramos no que eu chamo de “ordem de músicas geniais”. Todas as músicas são ótimas, mas você sabe quando tem aquelas que são especiais – esse é o caso, começando por Garden Shed.
Fica difícil dizer certeiramente sobre o que Garden Shed fala, mas estou inclinado a concordar com o que os sites sensacionalistas anunciaram – o tema principal é sexualidade, mais especificamente a homossexualide/bissexualidade de Tyler. Entretanto, apesar de ser algo “claro”, ao mesmo tempo é bastante denso e difícil de interpretar. Essa é a graça da poesia, não é mesmo? A letra tanto pode servir para algum homossexual envergonhado, quanto para algum hetero que, sei lá, gosta secretamente de uma garota. O poder lírico do rapper é incrível, pois trata de um tema tão complexo, mas de forma simples e atemporal.
O instrumental é incrível. Eu digo instrumental mesmo, pois há uma mistura entre a produção artificial com algo mais orgânico. As guitarras adentram os nossos ouvidos, criando, inconscientemente, uma imagem do tal "galpão no jardim". Surreal a atmosfera deste som, como se realmente estivéssemos na mente de Tyler, até mesmo vendo ali a sua história.
E lembra aquilo que eu falei, do artista estar contido, mas certeiro? Essa é a melhor amostra disso. Grande parte da música é a doce voz de Estelle cantando junto do beat psicodélico, até que Tyler dispara palavras rapidamente e... Vai embora.

Truth is, since a youth kid, thought it was a phase
Thought it'd be like the phrase; "poof," gone
But, it's still goin' on
Big fan of the beige tan
Polka dot nose, how it goes
Had to keep it on the subwoofer
A couple butterflies wanna float
But I was always like, "Eh"
Barely interested, but bagged just to brag to my boys like, "Bruh"

(A verdade é que, desde a juventude, pensei que era uma fase
Pensei que seria tipo a frase; “Puff”, acabou
Mas, ainda está acontecendo
Grande fã do bronzeado claro
Nariz de bolinhas, como vai
Tive que mantê-lo debaixo dos panos
Um casal de borboletas queria flutuar
Mas eu estava sempre tipo, “eh”
Mal interessado, mas ensacado só para me gabar com meus camaradas tipo, “mano”)

Em Boredom, Orange volta para entoar os emblemáticos versos "find some time, find some time and do something". Obviamente o tema aqui é o tédio, que é bem representado como angústia existencial, junto de um instrumental imersivo, bastante jazzy e soul, nos dando uma sensação de conforto - enquanto a letra justamente atenta contra esse "conforto" do vazio. Falando de letra, não é a minha preferida, mas falando de produção, é talvez uma das melhores do disco - tornando o conjunto, letra + produção, em algo incrível com alto poder de "repetição" (facilmente ficaria ouvindo Boredom por horas enquanto não faço nada).


I Ain't Got Time trabalha mais uma vez a dualidade, surgindo como um soco após uma música tão calma. É talvez a faixa em que o artista mais "fala", disparando raps agressivos como antigamente, mas ainda dentro das temáticas trabalhadas até aqui - a falsidade dos outros (até mesmo da mídia) e identidade negra. A ironia é ele cantar anteriormente sobre estar entediado por não ter nada para fazer, e aqui gritar como não tem tempo para uns certos "manos". Ou seja, esse manos estão abaixo do tédio, não merecendo nenhum pingo de atenção. Em geral, é uma resposta inteligente aos haters, sem exagerar nos palavrões ou linguagem xula para ser "bonzão".


Então finalmente chegamos na minha música favorita do disco, 911/Mr. Lonely. Sinceramente? Quando ela saiu foi difícil de acreditar que era do Tyler, mas imediatamente entrou na minha playlist e foi a melhor porta de entrada para essa nova fase do artista. É uma mistura perfeita entre hip-hop, jazz e soul, com um instrumental dançante, enquanto o rap forte de Tyler se encaixa perfeitamente. A letra? Obviamente fala sobre solidão, mas, claro, de um modo criativo, fazendo trocadilhos e alusões tanto a vida pessoal do artista, quanto a questões universais. Se quer um exemplo, basta analisar o básico: 911. O rapper brinca com a ideia de precisar receber uma ligação com o nível extremo da solidão ao ponto de querer se matar - e tudo em um tom calmo dançante. Sem contar que é um exercício de metalinguagem musical.
Ps: se você manja alguma coisa de inglês, vale a pena dar uma passada no Genius pra desvendar mais.

"They say the loudest in the room is weak
That's what they assume, but I disagree
I say the loudest in the room
Is prolly the loneliest one in the room (that's me)
Attention seeker, public speaker
Oh my God, that boy there is so fuckin' lonely
Writin' songs about these people
Who do not exist, he's such a fuckin' phony"

(Eles dizem que o mais alto na sala é fraco
Isso é o que eles dizem, mas eu discordo
Eu digo que o mais alto na sala 
é provavelmente o mais solitário (sou eu)
Buscador de atenção, orador público 
Oh meu Deus, esse garoto é tão sozinho
canções sobre pessoas que não existem, ele é tão fudido)



Ah, e antes de passar para a próxima faixa, quero enfatizar o uso de samples. É normal em beats ter samples, mas Tyler usa tão bem em TODO o disco, que não sabemos diferenciar o que é orgânico/original ou sampleado. Se quiser saber mais, veja esse video que mostra todos os samples usados em Flower Boy: clique aqui.

Como se não bastasse a participação surpresa de Jaden Smith, temos... Lil Wayne? Isso mesmo. O rapper de repente aparece nessa faixa interlúdio, Droppin' Seeds, bem curtinha, mas marcante por conta de sua voz.

A nostalgia claramente é tema marcante de Flower Boy, mas isso fica mais explícito em November. Por algum motivo, não sabemos qual, novembro é um mês importante para o rapper, e aqui fica como um catalisador, eu diria, de coisas boas. A partir daí, temos uma música inteira como metalinguagem existencial. Eleva ao máximo esse aspecto, trazendo a tona todas as incertezas de Tyler, desde coisas banais, como paranoias (será que o empresário dele pode estar roubando-o?) à dúvidas sobre a faixa 7 (Garden Shed). E o que dizer do final, com quase todos os feats do disco e membros do Odd Future falando sobre o seu novembro? De arrepiar.

E como se não bastasse tantas mudanças, temos ao final uma música extremamente otimista e alegre: Glitter. Sério, eu não esperava isso do Tyler, essa vibe tão "bonitinha". É ruim? Muito pelo contrário. Só mostra a versatilidade do músico, que claro, se quer ser um artista completo, precisa ter o seu lado feliz registrado (indo além de qualquer estereótipo que tenha criado).

"You light my firework, I feel like glitter
And every time you come around, I feel like glitter
You're the one that I needed in my life
You're the one that I need to give my time"
(Você acendeu meu fogo de artifício, eu me sinto como glitter
e todo vez que você está por perto, eu me sinto glitter
você é o que eu precisava na minha vida
você é o único para qual preciso dar o meu tempo)

Por fim, temos um toque final a essa obra-prima com um instrumental setentista, a la Daft Punk, todo psicodélico, Enjoy Right Now, Today, enfatizando de vez o otimismo que disse anteriormente. Essa faixa só mostra como Tyler é um bom beatmaker e encerra bem a jornada até aqui.

Flower Boy de longe é um dos álbuns mais interessantes de 2017 e merece tamanha atenção. A meu ver, está em nível igual a DAMN., do Kendrick Lamar, ou 4:44 do Jay-Z, com uma diferença primordial: não há pretensão de ser maior, com grandes mensagens sociais; é apenas Tyler sendo ele mesmo e brincando de fazer o que ele mais gosta: música. Simples assim. É um disco para se colocar no carro enquanto viaja e ouvir inteiro, colocando no repeat. E se você discorda, fica a mensagem do próprio rapper:

"ESPERO QUE QUANDO VOCÊ OUVIR ISSO VOCÊ ESTEJA EM UMA LONGA VIAGEM DE CARRO OU DE AVIÃO OU DE BICICLETA, NÃO OLHANDO PARA O SEU TELEFONE OU FALANDO COM ALGUÉM"

El Psy Congroo.

Ouça o álbum (paga noix Spotify!):



>Recomendação de leitura: Flower Boy e o florescer prazeroso de Tyler, The Creator


Nome: Scum Fuck Flower Boy
Artista: Tyler, The Creator
Lançamento: 21 de julho de 2017
Gênero: alternativo hip-hop
Duração: 46:33
Nota: ★ ★ ★ ★ ★ (90/100)

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