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Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

Por quê escrever? (blogs)


Bom, este é um post que venho cogitando fazer há muito tempo. MUITO MESMO. Caso você não esteja ligado (ninguém tá), eu blogo há 7 anos e... Enfim, nessa curta jornada, surgem questões e mais questões sobre o ato de escrever em si, que sempre pensei em compartilhar, mas nunca achei que deveria. Porém, raciocinei com os meus botões, isso aqui é um blog, não é mesmo? Qual a função inicial de um blog, se não ser um diário de qualquer coisa? (nesse caso, seria mais ou menos um diário de reviews). Então, antes de dar um passo, provavelmente insignificante externamente mas poderoso internamente, rumo a uma mudança de organização nas postagens, resolvi me abrir.
Caso você não queira ler sobre as divagações a respeito da escrita, dúvidas e planos, simplesmente ignore isso aqui. É apenas um desabafo em busca de me entender; uma autoanálise sobre passado, presente e futuro.

Capítulo 1: Não seja um otaco

Pois vamos começar logo com a refeição principal: por quê caralhos escrever?
Essa é uma pergunta que eu realmente não sei responder, mas ela sempre me vem a tona. Seria ego? Necessidade? Uma mistura de ambos? Não sei, mas vamos voltar para o M de 2010/2011 para procurar as raízes do problema. Sim, M, não ainda o Maeister, mas um otaco que usava um codinome em referência ao L de Death Note (melhor que referenciar Aleister Crowley, né).
Vou ser sincero logo de cara: eu queria ser ~famoso~. Claro, nem de longe pensava no que as crianças de hoje em dia pensam ("vou ser youtuber e ganhar muito dinheiro", até por que eu nem sabia que dava pra ganhar dinheiro com isso), mas queria atrair um certo público por meio de uma persona e ser reconhecido. Bem idiota, eu sei, porém era apenas a minha pequena mente pré-adolescente funcionando. Eu não tinha nada definido, simplesmente queria escrever, me divertir e ser ~famoso~.
Foi aí nessa ideia, influenciado por uma mistura de Jovem Nerd, Não Salvo e Mais de Oito Mil, que surgiu o Otaku Louco. Uma amiga minha, que conheci por conta desse blog, costuma falar: "o Otaku Louco era a prima pobre do Mais de Oito Mil", e de fato era isso mesmo. Não havia estrutura nos textos, os posts não tinham sentido lógico, nada tinha graça e... Resumindo, não era algo que acrescentaria conhecimento a vida de alguém.

Com o tempo, felizmente fui amadurecendo e certas ideias foram mudando. A persona se misturou ao criador e me trouxe muitos problemas. Assim, cansei de simplesmente me divertir e ser idiota. Meu foco se voltou para transformar o Otaku Louco  no que o Jovem Nerd era para os nerds, só que para os otacos. Seria mais ou menos o que o IntoxiAnime faz hoje ou qualquer outro conglomerado otaco.
Só que eu esbarrei em um pequeno probleminha: além de ser jovem e não ter paciência (crescimento é algo que vem com o tempo), eu não tinha bagagem cultural suficiente e nem noção de organização. Se você pegasse a minha primeira review, aquilo não seria referência nem para uma criança, quanto mais um adulto. Eu percebi isso? CLARO QUE NÃO. E de certo modo essa "cegueira" foi boa, pois me fez percorrer algo (inalcançável talvez) que me tornou mais crítico. A cada texto eu notava um defeito e ia me corrigindo. Realmente, foi algo que me tornou melhor.

Eu já pensava em muitas coisas, tais como ter um podcast, um canal no youtube (essa coisa de canal era algo secundário, até terciário) e ter um público que me acompanhasse. Lembro que o Elfen Lied Brasil era uma grande referência e que de certa forma me mudou. Eu via a Beta (dona do ELBR e alguém que hoje arrisco a dizer que é minha amiga) como uma rival (mente de criança, ah...) e pessoa que me inspirava. Falávamos sobre as mesmas coisas, mas ela estava anos luz a minha frente, seja na escrita, nos temas e na popularidade. Isso me incomodava; a famosa inveja. Me fez sair da minha zona de conforto e tentar ser "melhor".
Você poderia resumir isso como: SENPAI POR FAVOR ME NOTA!
Aliás, a maior parte dessa minha fase era algo do tipo; um menino buscando ser notado. Lembro que alcancei grandes números de acessos, que achava que nunca iria bater de novo, e muitos comentários. Conheci uma galera legal, fiz algumas amizades, o tal personagem M foi ruindo e aí, meu amigo, aconteceu o que acontece com quem prova da maçã do conhecimento: fui expulso do paraíso.

Capítulo 2: Popularidade x Qualidade

Logo a popularidade começou a importar pouco, principalmente quando eu percebi que não era exatamente qualidade que dava acessos, mas o mero sensacionalismo e buzz envolta de um assunto. Some a isso o fato de que eu deixei de ser "otaco" e comecei a me interessar por muitas outras coisas, tais como séries, filmes, games e etc. Aqui, acredito eu, que o mote para escrever não mais era a atenção, mas a qualidade, ou melhor dizendo, a busca por ela. Junte a isso mudanças na minha vida pessoal e depressão, e teremos... O fim do Otaku Louco.

Eu poderia continuar escrevendo ali? Poderia. Mas eu simplesmente não queria mais. Foi uma fase conturbada da minha adolescência. Me orgulho muito do que fiz, o site era muito criativo, mas era só isso. Em pouco tempo ingressei em outra empreitada, dessa vez não minha, mas de um conhecido que virou amigo, chamada Sempre Nerds. O site, obviamente, falava sobre a cultura pop nerd (talvez um protótipo do que é isso aqui hoje), abordando notícias (coisa que eu não faço mais hahaha) e reviews. Ali, meu tom totalmente mudou, fiquei mais sério e decidi ir em busca de melhorias. O que começou no fim do Otaku Louco, continuou no inicio deste novo site.
E então, sabe o que aconteceu? Não havia nem metade da popularidade do Otaku Louco. As pessoas pareciam não se importar e todo o nosso esforço, meu e do meu parça Allan Ramos, não resultava em grandes coisas. Foi uma época bem divertida e de autoconhecimento, mas nesse quesito, frustrante.

Não vou declamar toda a minha história na interwebs pois ficaria um post muito longo e não sou tão egocêntrico assim. Cheguei no ponto que eu queria: esses dois exemplos são a amostra básica da minha experiência e de muito que me questiono até hoje. Fazer sucesso, mas ter uma qualidade ruim, ou ter uma qualidade boa e fazer pouco sucesso? Obviamente quero ser lido, mas o quanto disso é importante?

Capítulo 3: O trabalho de um post

Para quem é de fora e nunca blogou, pode não parecer, mas escrever uma postagem, mesmo a mais ruinzinha, exige tempo. Sendo assim, linkando com o que falei agora pouco, vale a pena tanto trabalho? Claro, se você coloca certa expectativa em ter retorno, obviamente vai fracassar, mas mesmo assim... Quem acompanha o blog, sabe qual o caminho que eu resolvi seguir: o da qualidade mesmo tendo pouco sucesso. Até quando faço uma postagem de ~zueira~ têm diversas preocupações: o título está bom? É chamativo sem ser clickbait? As imagens complementam ou atrapalham a postagem? A análise está coerente? Isso é uma dissertação, impressão ou análise? A linguagem está muito séria? E por fim, há muita, mas muita revisão. Ninguém escreve apenas por inspiração, isso é um mito bem idiota até. 
Sem contar no principal: a pauta. Qual aspecto e visão dar aos temas? Qual o sentido de escrever algo que todos já falam? Quer dizer, se eu quisesse poderia abrir um site com "nerd" no nome, publicar diariamente mil notícias traduzidas e escrever review daquilo que está bombando. Com certeza eu teria muitos acessos. Mas e aí, o que importa? Onde está o diferencial?
Ao meu ver, vivemos uma dualidade estranha na imprensa cibernética. De um lado há uma facilidade para adquirir informações, mas do outro é tudo muito superficial. Há com certeza espaço para um bom conteúdo sobre os assuntos nerds, mas... Retomando o ciclo: quem vai ler? Será que para se dar bem é preciso se vender?

Ah, e podemos entrar em outra eterna questão, muito pertinente: profissão ou hobbie? Com toda a certeza já passou pela minha cabeça transformar isso aqui em profissão, porém, o quanto de esforço seria necessário? E profissionalizar, por assim dizer, exigiria certa obrigação e... Tenho favoritismo pelas coisas que fazemos por hobbie; há mais amor e interesse, sem nenhum fardo. Deveria apostar em uma periodicidade, mesmo sabendo que talvez não tenha retorno, ou apostar em postar apenas quando der na telha? São questões e mais questões, somadas também a outro fator determinante: estou remando contra a maré. Os blogs foram sucesso há mais de 10 anos e já deixaram de serem senhores de seu formato há muito tempo. O que impera, nos assuntos que abordo, é o vídeo. Ainda há espaço para o texto? Digo, não como um postzinho qualquer, mas algo concreto periódico. Existe espaço para isso? Não sei dizer e fico bastante indeciso. Eu penso em ter um podcast e canal no youtube (dessa vez por que acho plataformas interessantes de se trabalhar), mas jamais gostaria de largar o texto ou colocá-lo como secundário, coisa que frequentemente acontece. Os únicos blogs que ainda são relevantes, no quesito texto, geralmente são os de humor. Há exceções como o Plano Crítico ou o Asian Mixtape, que é humor com seriedade, mas a área em si está estagnada. Quem quer ser "profissional" vai juntar diversas mídias, movimento natural de acordo com a sociedade pós-moderna. E eu? Fico nesse limbo de indecisão, levando como hobbie, com a vontade de ser mais. Se é um hobbie, vale a pena gastar tanto tempo? 
Voltamos então para o começo da postagem: por quê caralhos escrever?

Capítulo 4: Conclusão inconclusiva

Esse post deve ter sido frustrante, por que patinou, patinou e não chegou em nenhuma resposta. Sorry, só queria desabafar e deixar as coisas mais claras. E qual foi a minha decisão para o presente (sim, amigo, existe uma ~decisão~)? Que vou tentar ser mais periódico, organizando um pouco mais o site, mas longe de ser "profissional" (não digo esse profissional nem de ganhar dinheiro, mas de compromisso mesmo). As questões ainda permanecem e vão permanecer, porém, seja qual for o problema, ainda amo isso aqui e mesmo quando passo semanas no limbo da morte escrita, surge a necessidade de compartilhar minhas visões. De fato, continua como hobbie, pois do contrário, irei me frustrar e logo tudo irá morrer. Melhor levar na brincadeira, mas com certa responsabilidade.

Ah, devo dizer que não sou de todo pessimista. Recentemente, ao olhar as estatísticas, percebi algo: passei com muita folga o meu primeiro blog de "'''sucesso'''', seja nas views, nos comentários ou no número de postagens. E bom, diferente do outro site, eu me orgulho de todas as postagens daqui. Não existe nada "descartável". Até as minhas experimentações mais mundanas e ruins, tipo a tentativa de fazer uma coluna de humor sobre animes, têm o seu valor.
É isso, não tenho grandes perspectivas para o futuro e nem respostas atuais. Se você chegou até esse ponto, gostaria que compartilhasse o que pensa sobre tudo isso, não só sobre a Divisão Paralela, mas sobre o cenário de blogs em si.
Que o ócio não me consuma e eu não pense demais, apenas escrever sem saber o motivo está bom... Por enquanto.

El Psy Congroo.

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