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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Recomendação] Gleipnir


Eu leio um monte de mangás que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar, e dentre eles Gleipnir é um dos mais bizarros, malucos e interessantes. Usando de uma premissa incompreensível e uma abordagem singular, esse mangá conseguiu marcar seu espaço na minha mente.


A premissa inicial é bastante clichê: Shuichi é o protagonista solitário que tem algum poder e Claire, a menina sombria com problemas. Porém, a aplicação disso é muito diferente. Não há nenhum boost de coragem, nenhum super momento shounen, as características básicas do gênero estão presentas, mas a forma como são apresentadas é muito submersiva. Shuichi, por exemplo, se sente um monstro por causa do seu poder, que é se transformar num fantasia grande de uma espécie de lobo, e não tenta ser um herói após isso, enquanto a Claire após seu trauma perde alguns parafusos.


Sinceramente eu esperava que essa história fosse clichê total, que os dois fossem um casalsinho - ah como eu estava enganado. A relação dos dois é muito conturbada e bizarra, Shuichi tem a habilidade de virar monstro, mas não tem garra pra usar seu poder direito, porém ele é uma fantasia, então a Claire simplesmente abre o zipper e entra nele o controlando por dentro, numa espécie de interação que as vezes é até descrita como algo sexual. A parte interessante é que os dois não poderiam ser mais diferentes - enquanto o Shuichi tenta ser uma pessoa normal e fazer "o que é certo", a Claire já perdeu essa noção social e possui tendências muito violentas, logo eles acabam em situações que a Claire faz ele matar alguém enquanto por dentro ele se sente enojado e extremamente culpado pelo que está acontecendo, o que gera conflito entre eles. Apesar de Shuichi sentir certa atração pela Claire, ele também sente uma repulsa por causa da forma como ela age.


A premissa geral é totalmente maluca e sem sentido: caiu uma nave alienígena na terra e várias moedas foram espalhadas por aí, um único alien vivo assumiu forma humana, oferecendo recompensas para quem lhe trouxer as moedas. É ele que dá a habilidade de transformação a essas pessoas. Gleipnir é o tipo de história em que o contexto em si não é coerente, mas que os personagens são. Essa maluquice toda do ET quase nunca entra em foco, a história é sobre uma cidade em que mais e mais pessoas acabam ganhando habilidades de transformação e cria-se um medo em volta do que elas podem fazer com esses poderes. Vale ressaltar que a forma monstro da pessoa acaba sendo um reflexo do seu ego, ou seja, pessoas com fortes tendências violentas tornam-se criaturas melhores para matar. O objetivo dos protagonistas não é salvar o mundo, é impedir que mais pessoas tornem-se monstros assassinos e destruam tudo.


O foco principal acaba sendo a natureza humana desses monstros e o psicológico conturbado dos dois protagonistas, o que fica ainda mais intensificado com a arte grotesca da obra. Ela é violenta, mas não é aquele tipo de violência pastelão shounen: as lutas são feias. Logo na primeira luta a oponente dos dois começa a chorar, agonizar e gritar. É criado um senso de que mexer com poderes e lutas não é algo bonito a que alguém deveria aspirar, mas sim algo amedrontador.


Gleipnir é uma obra criativa e muito impressível, o potencial das ideias é imenso e até agora eu acertei nas minhas suposições que a história iria ficar mais e mais bizarra com o tempo. Uma leitura muito interessante para quem procura uma visão diferente de histórias de luta.

Only Darkness Will Remain.

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