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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

The Eaters of Light é uma aventura com o DNA do primeiro Doutor, mas sem deixar de ser moderna

Doctor Who encontra o próprio ritmo com um episódio deveras simples, mas muito interessante 

Fico me perguntando como quem começou a assistir Doctor Who pelo Matt Smith deve estar encarando essa season. Para esses, talvez seja a pior temporada de todas. Mas para mim, está sendo muito boa. Okay, não é ótima e, como eu já disse, tem lá os seus fillers. Porém, no geral, os episódios se sustentam por si só e mesmo remetendo à série clássica (manda mais referência que tá pouco), todos tem propostas interessantes. Alguns são melhor desenvolvidos, outros nem tanto, mas todos, até agora, tem um conceito distinto a ser explorado (na maioria das vezes envolta do terror).
The Eaters of Light (ou em português Os Devoradores de Luz) não é diferente. Tem lá, mais uma vez, outra trama com portal (Moffazão adora um portal né) misturado com uma treta histórica junto de alienígenas - algo bem estilo do primeiro Doutor (me lembrou até o primeiro arco, An Unearthly Child). Mesmo assim, com essa caixa de referências, há um desenvolvimento muito interessante e atual, principalmente se analisarmos os diálogos da Bill com os romanos e o Doutor com os bárbaros. Sendo assim, elaborei uma simples teoria de como funciona a estrutura desse episódio e consequentemente, dessa temporada (no final apontarei o ponto fora da curva):


Se anteriormente tínhamos em Doctor Who uma construção diferenciada e moderna na narrativa, agora este lado "mais criativo" é deixado de lado. Veja o que eu quero dizer: com Matt Smith tínhamos flashbacks, grandes plot twists  e formas diferentes de apresentar os vilões. Não que isso não tenha aqui, mas é uma forma bem mais contida.
Portanto, se atentarmos para os contextos de cada aventura da décima temporada, perceberemos que o cenário é criado com elementos clássicos da própria série, se autoreferenciando e retomando diversos conceitos do passado. Então aqui há: o ambiente similar ao passado, com até locais conhecidos. Depois, personagens também semelhantes - nesse caso, temos a típica guerra "entre tribos" que não conseguem dialogar entre si. Por fim, a apresentação do típico vilão bizarro, que tem lá suas intenções, soando mais como um monstro (Os Devoradores de Luz cumprem esse papel).
Nisso tudo, a diferença, portanto, está nos protagonistas: Doutor e Bill. Eles carregam os tempos atuais, mas, além de tudo, toda a transformação do show. É aí que a série brilha: ocasiona-se um embate entre a comum estrutura narrativa antiga e o novo, resultando em diálogos sensacionais. Há muitos defeitos nessa temporada, que já apontei nos posts anteriores, mas algo a ser ressaltado são os diálogos - eles são sensacionais, me fazendo repetir sempre: Doutor e Bill é o que sustenta essas histórias.


Em The Eaters of Light temos um estranho portal que guarda criaturas misteriosas na Escócia romana (desculpa, não me lembro o século). O episódio começa com Bill falando que sabe mais que o Doutor sobre o que aconteceu com a nona legião Romana e o Doutor, obviamente, rindo dela. No final, os dois estão errados.
Logo de cara, temos o embate entre bárbaros e romanos, no mínimo interessante para qualquer pessoa que goste de história. Eu achei uma ótima representação. Quase sempre os bárbaros são representados como "homens das cavernas", quando não é bem assim. Não vou falar que eles eram tão "evoluídos" quanto os romanos, mas nem de longe eram burros ou selvagens. Culturas diferentes em contato e assim começa mais uma guerra humana.


Daí que pegar esse ponto, tão negligenciado ao longo do tempo, mas que ganhou atenção mesmo a partir do final do século 20 e começo do 21, é um ótimo objetivo de resolução. É original? Claro que não. Dois inimigos se odeiam, um inimigo maior aparece, os dois se unem e felizes para sempre :) É o básico que um roteirista deve saber. Mas, de novo, Bill e Capaldão dão um tempero incrível a essa aventura.
Existe até uma tentativa de tornar isso maior do que deveria ser, tipo mais uma trama de portais eternos. Mas aí, como se os roteiristas dissessem "estamos cientes disso", vem um bárbaro que dá um soco no Doutor e Bill fala "você não pode resolver tudo". Isso define essa história, que apesar de ser simples, é uma ótima construção de personagens fragéis pela situação em que se encontram, sem ser uma trama altamente presunçosa. O Doutor é apenas o explorador tentando ajudar - como sempre foi e deveria ser. O próprio Moffat já disse que Doctor Who não é sobre o Doutor, mas sobre quem pergunta quem ele é (e mesmo dizendo isto, é irônico que ele seja responsável por histórias megalomaníacas sobre a origem dos timelordas e blábláblá).


Concluindo: acho que a décima temporada de DW conseguiu encontrar o próprio ritmo, pena isso ser no final. Falo a mesma coisa sobre o Capaldi, que está incrível em todos os episódios.
Ah, e o ponto fora de curva que eu falei é: Missy. Essa história está muito estranha pro meu gosto e eu estou com medo do que pode acontecer. Até agora não tivemos ainda uma explosão de plot twists, mas fico a espreita preparado, com receio do que pode acontecer. Sinceramente nem estou ligando muito para a Missy, porém devo admitir que a aparição do Master no próximo epsiódio me fez criar expectativas - que elas não sejam derrubadas. A nona temporada foi a melhor do Capaldi, mas essa está indo bem e é um bom final para o Moffat na série (claro, se continuar nesse ritmo). Que venha a season finale e o novo Doutor (e o novo Showrunner)!

El Psy Congroo.

Nota: ★ ★ ★ ★  (90/100)

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