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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Doctor Who, Knock Knock - quem bate à porta?

Casa assombrada do Scooby-Doo, insetos alienígenas, árvores vivas e muito mais

Se alguém esperava que a deixa do episódio anterior fosse continuada (eu), simplesmente ficou com cara de tacho hahaha. Não que tenha sido ruim; é só o nosso querido Moffat de sempre brincando com as expectativas.

Aos poucos, vou entendendo como funciona essa temporada. Eu já sabia que ela seria mais focada em histórias fechadas, porém, mesmo assim, não conseguia visualizar direito como seria feito. Acredito que Knock Knock, ainda que seja um episódio simples, finalmente direcione e anuncie de fato qual o propósito dessa season. Se por tanto tempo tivemos tramas intrincadas, altamente inteligentes, agora a ideia é voltar para uma faceta mais clássica, com tramas descompromissadas. Na verdade, se analisarmos com cuidado, perceberemos que tentaram fazer isso na temporada 8, mas sabe se lá por quê, simplesmente não funcionou, acabando por no final voltar à mesmice da garota impossível. Talvez fosse ela o problema. Com Bill tudo é novo e por isso, as mais pequenas coisas têm ar de aventura – o que seria só um fragmento de uma louca aventura do Doutor com a Clara, aqui se torna objeto principal de desenvolvimento e perigo. 


Gosto muito quando Doctor Who envolve outras personagens, além da estabelecida dupla dinâmica, na resolução do mistério. Mais ainda quando são pessoas comuns, adolescentes então, é engraçado assistir a dinâmica. Se por vezes temos episódios com ótimas premissas, mas que por conta do tempo se desenvolvem pouco, terminando de forma apressada (o episódio dois, Smile, é um bom exemplo), nesse aqui tudo encaixa muito bem. Talvez seja justamente por não ter aspirações a ser algo maior que ele consiga contar tão bem o que se propõe a ser. O foco é a vida da Bill e a prisão nessa misteriosa casa. Ou seja, o objetivo maior é criar uma situação aterradora para as personagens e vê-las tentando se salvar, enquanto o Doutor, como sempre, descobre uma bizarra trama alienígena por trás. Nada mais, nada menos.
Sei muito bem que existem influências de muitas temporadas, mas aqui eu ressalto outra vez: Russel T Davies. Facilmente consigo imaginar David Tennant atuando nesse cenário. Virtualmente você pode até trocar de Doutor e imaginar essa mesma história com o outro. Entretanto, gosto muito da presença de Capaldi – o velho resmungão, meio maluco, ao mesmo tempo cool, que está investigando as coisas. Um ar, como de fato ele é, de pesquisador acadêmico. Algo bem parecido com a primeira encarnação.


Por fim, outro ponto que notei é a infantilidade. Não vamos esquecer que essencialmente Doctor Who é uma série de ficção científica para crianças. Em muitos momentos vimos essa infantilidade ser perdida, mas agora parece voltar a tona. Comparo mais uma vez: tivemos resquícios disso na oitava temporada. Falo dessa infantilidade de forma boa, pois gosto muito desse ar de romance aventuresco, que sinceramente, estava em falta. Portanto, para alguns, fãs da fase mais sombria, o problema e a resolução podem ter soado mais bobinhos, à la manequins ganhando vida no shopping, mas se encaixam perfeitamente com a proposta, mesclando-se de forma interessante com o terror. Sem contar que é uma puta ideia usar a própria casa como monstro, pois não é preciso ficar criando monstros bizarros para dar medo. Em suma, a atmosfera é quem comanda – como um bom terror deve ser.


A direção é no ponto certo. Ainda que seja um “terror” (suspense), mesmo gênero do primeiro episódio, a mão do diretor parece ser mais suave, sem colocar tanto peso no susto. Isso é bom, pois a qualquer momento o visual poderia pender de bizarro para macabro, sem a interessante aura infantil que eu falei. No final, tudo é apenas bizarro; deveras intrigante, como um Goosebumps da vida, só que com alienígenas e claro, o Doutor. Assistiria tranquilamente uma temporada inteira disso aqui.

 ps: minha aposta ainda é que Missy está do outro lado, mas não como mulher, como homem mesmo. Ou seja: MASTER.

ps²: que dono da casa filho da puta! Medo desse cara. Parabéns para o David Suchet, o nosso eterno Poirot. Só a aparição dele me deixava aflito.

El Psy Congroo.

Nota: ★ ★ ★ ★ ★ (77/100)


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