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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

Quem é Anita Sarkeesian, a feminista que está causando polêmica no mundo dos games


Continuando a resposta à BBC, vamos falar de Anita Sarkeesian. Ela é uma blogueira feminista e também uma oradora assídua, sendo convidada para falar em painéis de diversos eventos, porém é mais conhecida por ser a fundadora do Femnist Frequency, um site dedicado a analisar a representação de mulheres na cultura pop, onde apresenta a série Tropes vs Women in Video Games. Vamos agora desconstruir alguns de seus argumentos e analisar se ela está de fato certa.

A respeito dos comentários da BBC sobre assédio, sim, mulheres sofrem assédio em vários lugares, inclusive jogos, porém esse não vai ser o foco do texto e tenho ressalvas de discutir isso, pois pouco se fala ao mencionar este fato que na verdade quase todo mundo sofre assédio nesse meio, uma vez que a comunidade online sofre com o problema sério da toxicidade nos jogadores. Por exemplo: eu tenho uma experiência de anos com jogos online e era bem difícil passar um dia sem ver ninguém xingando ninguém, independente do sexo. Aliás, vi pessoas com nick feminino fazendo uso dessa prática infame também enquanto eu jogava LoL.

O problema que vejo é reduzirem esse problema só às mulheres, sendo que elas são parte de algo que afeta todo mundo. Sim, concordo que por serem mulheres talvez sejam mais suscetíveis a assédio, como cantadas e coisas do tipo, mas e as mulheres que usam nicks masculinos? Ao fazerem isso elas se tornaram isentas desse tipo de coisa por um acaso? Provavelmente implicam mais se veem um nome feminino, mas dizer que é uma perseguição focada só nas mulheres é, como eu disse no outro post em resposta ao artigo da BBC, uma distorção desonesta do contexto, afinal, no texto eles dão a impressão que esse tipo de coisa só acontece porque elas são mulheres e com mulheres. O tipo de construção de frase que a BBC usou dá a entender que a grande maioria do público masculino é misógino e retrógrado, sendo que a porcentagem dos que jogam online não é necessariamente todo o público. Nem todo jogo online tem o mesmo nível de toxicidade também. Não estou dizendo para não falarem desse assunto, porque ele é importante, mas façam isso com uma pesquisa decente e honestidade por favor.


O caso da Anita é um pouco diferente. Ela sofre injustiças sim, mas o assunto não acaba aí. O negócio da Anita é que ela para muitos virou o símbolo feminista nos jogos ao lançar tantos vídeos sobre o assunto em que ela se apresenta como uma expert. Essa é a imagem pública dela, uma inovadora num meio que não dá voz às mulheres, tanto que a grande mídia reconhece ela assim, chama ela para ir em programas e dão atenção ao que ela fala. Porém, o grande problema é que o trabalho da Anita tem um cunho diferente do que os leigos acreditam ter. Ela é uma justiceira social extremamente hardcore, suas análises tendem a distorcer as coisas para servir às suas premissas, e isso é propaganda ideológica. Para os leigos e justiceiros sociais, ela parece a imagem de progresso na indústria no tema de igualdade de gêneros, tanto que a própria BBC parece ver ela dessa forma, mas para quem conhece seu trabalho a fundo, ela geralmente é a imagem de tudo que tem de errado nesse meio.


Em nenhum momento apoio as ameaças feitas, pois não é assim que se derruba ideias ou se estabelece uma discussão, porém entender a partir daí os seus discursos como certos por conta de uma retaliação exagerada de algumas pessoas também é errado. Não é porque ela sofre assédio que não deve ser criticada, aliás, deve ser criticada e muito. Seus vídeos são lotados de contradições e manipulações de dados. Ela tem vários discursos absurdos e incoerentes gravados em vídeo, e mesmo assim as pessoas insistem em levá-la a sério. Sendo um dos mais famosos um que ela diz que TUDO é sexista e TUDO é homofóbico. Anita, o que caralhos é tudo para você?


Vocês não precisam nem confiar em mim, confiem em Troy Leavitt, desenvolvedor profissional de jogos há mais de 20 anos. Em 2016 ele postou três vídeos no youtube comentando da forma correta, sem ameaças nem nada do tipo, o que há de errado com a Anita. Eu nem conhecia a Anita direito até entrar em contato com as críticas à sua pessoa, então me apoio bastante em vários vídeos, porém sim, eu assisti vídeos dela posteriormente.

Basicamente ele comenta que ela não tem base teórica para quase nada que fala. Frequentemente ela diz "estudos indicam" mas não posta os estudos para seu público ver. Ela generaliza a indústria toda a partir de poucos jogos, um erro de amostragem terrível. E talvez o pior, ela trata seus próprios exemplos de forma desonesta, emitindo informações ou simplesmente mentindo mesmo.

"... Tropes Vs Women é impreciso a ponto de ser irresponsável... Representando mal o desenvolvimento e a cultura de jogos", disse Troy.


Ele menciona alguns exemplos claros de incoerências que são bem simples.
The Witcher 3: Anita diz que é sexista insultarem a Ciri durante as lutas usando o sexo dela como motivo, mas acha totalmente normal insultarem o Geralt, porque "faz sentido no mundo de The Witcher insultarem ele". Que mundo medieval é esse que mulheres são respeitadas?

Just Cause: Ela tem um vídeo reclamando que você pode matar strippers mulheres e diz que isso é sexista, porém não menciona que no mesmo jogo você pode matar strippers homens, porque matar homens não é um problema.

Mass Effect e Saints Row: Ela diz que em Saints Row a protagonista feminina tem muito rebolado ao andar, o que a torna muito... feminina, como se isso fosse um problema. Não satisfeita, Anita faz outra crítica que contradiz totalmente sua premissa anterior ao falar de Mass Effect, ela diz que nesse jogo a protagonista feminina anda de forma muito... masculina.


Ela está num nível de desonestidade parecido com aquelas reportagens sensacionalistas que colocam a culpa de assassinatos em jogos, afinal ela replica o mesmo discurso só que mudando o foco para as mulheres. Anita diz que a representação de mulheres em jogos influencia a visão que nos temos de mulheres no mundo real. De onde ela tirou isso?
Cristina Sommers no início de seu vídeo sobre sexismo, comenta que as pesquisas que visam relacionar videogame à violência nunca provaram isso, mas não para a Anita, porque ela é uma expert em sexismo nos jogos e conhece melhor do que pesquisadores, ela sabe do que está falando.

Não desmerecendo a questão do assédio na internet, que é séria, coloquei a imagem dela na ONU porque achei engraçada

*Imagine um suspiro longo e frustrado* pois é isso o que sempre passa na minha mente quando mencionam ela como se seu discurso tivesse algum valor. Se eu fosse falar de cada cagada que ela já fez, esse post seria gigantesco, mas acredito que já fiz meu ponto. Anita é uma pessoa desonesta e muito fechada na própria visão extrema de mundo; ela é uma oportunista. Assim como muitos outros, ela aproveita de um contexto em que esse tipo de discurso recebe atenção, pois vivemos num mundo com temas relevantes em relação a questão de gêneros, mas Anita brandindo a bandeira de cumprir essa função se preocupa mais em fazer vídeos sobre a conspiração das bundas femininas nos jogos. Quem ela está ajudando com esses vídeos? Os desenvolvedores já não levam ela a sério, a maioria do público gamer a considera uma piada, mas algumas pessoas muito importantes devido ao contexto de assédio e pouco conhecimento do assunto, a veem como uma militante lutando para fazer valer sua causa, né BBC Brasil.


Reiterando de novo: o assédio que ela sofre é horrível, mas ele também é usado como parte da propaganda, como se sofrer assédio fosse algo que tornasse todos os seus discursos certos na hora. E já aproveitando para falar de quem ataca: são pessoas burras, pois derrubar os argumentos da Anita não é difícil, aliás, eu fico com a impressão que metade dos vloggers do youtube já fizeram isso alguma vez. Os trolls, além de não terem respeito pela condição humana ao dizerem que a estuprariam e matariam, criam combustível na sua cruzada ideológica, a qual ela continua fazendo, pois dá dinheiro para caralho. A Anita deve ser a ativista mais rica que eu já vi na minha vida, o que me faz questionar mais ainda se ela não fica tirando temas do nada para justificar os investimentos do seu público e de empresas que querem parecer "modernas" ao apoiar um projeto feminista.
Ao final do dia ela passa uma imagem distorcida da indústria e do público de games, e através de suas mentiras e omissões acaba passando uma imagem ruim do feminismo no geral também. Muita gente questiona se ela realmente joga os jogos que ela "analisa". Em um vídeo sobre tipos corporais ela usa Life is Strange como exemplo de jogo com representação boa, porém as duas protagonistas de Life is Strange são muito magras, e a personagem gordinha que ela menciona serve como um saco de pancada durante a história toda. Essa mesma gordinha deveria ser seu exemplo de boa representação de tipos corporais, uma personagem que parece mais um acessório (LOL).


O texto da BBC possui um tema muito relevante, mas no final das contas me parecia escrito pela própria Anita. Eu não quis abordar a questão do assédio porque não acho que eu tenha nada a acrescentar nela, entretanto é uma questão relevante que deve ser discutida. Mas no estilo mais Anita de ser, aquele texto se preocupa mais em falar como jogos são machistas, no final abordando muito pouco a questão do assédio e do que fazer para melhorar. Isso já vem acontecendo há anos, mas a mídia gosta de atacar tudo que envolve jogos porque eles são alvo fácil, a grande maioria não entende como eles funcionam, é algo novo que gera muitas concepções erradas e eles polemizam - tudo o que um sensacionalista quer. Ironicamente a Anita que diz fazer isso porque também gosta de jogos, acaba desempenhando o mesmo papel que o resto da mídia, com a diferença de que agora pessoas que jogam começaram a ouvir ela também. Uma pena que o jornalismo quando o assunto é games seja tão desonesto e sensacionalista. Se eles realmente se preocupassem em passar informações coerentes, passariam mais tempo conversando e analisando o trabalho dos desenvolvedores em vez de procurar a próxima polêmica.

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Eu disse que ela acha que tudo é sexista?

Percebi que nessa parte eu sempre mando conteúdo em inglês, desculpa aí pessoal mas o Youtube brasileiro é uma decepção pra mim e eu não encontro facilmente esse tipo de conteúdo.

  • Pra não falar que eu nunca mandei nada em português. Tirando o Velbs caindo na armadilha da estatística o resto é bastante interessante.

  • Esse é o primeiro dos três vídeos. O canal do Troy traz uma visão muito madura e interessante sobre jogos, sem apelar para ameaças estúpidas como muitos críticos da Anita fizeram, recomendo muito.

  • Esse vídeo é muito engraçado, pois a Anita fala sobre exotificação e como isso ofende pessoas dessas culturas "exotificadas". No caso, o Appa é descendente da cultura em questão, que se não me engano, é de origem indonésia. Cada vez que ela fala como Far Cry 3 ofende membros dessa cultura, ele diz "não, como membro dessa cultura isso não me ofende". O cana do Appa é lotado de responsas extensas destruindo cada maluquice que a Anita diz. Assim como o Troy, recomendo para quem quiser saber mais sobre o assunto.

  • Apesar de tudo Crafy Ape provavelmente fez as melhores respostas para a Anita no You Tube. Os vídeos dela são cheios de mentiras, esse por exemplo que fala sobre a conspiração das bundas feminas é um ótimo exemplo. Nessas repostas Ape mantém o áudio original mas troca todas as imagens para coisas que contradizem o discurso da Anita, no caso várias bundas masculinas. Ele tem mais de um vídeo assim, recomendo que procurem mais.

  • Pra continuar rindo, esses vídeos do Ape são hilários.

  • Olha só a pérola que eu achei: uma mulher que desenvolve games indies criticando a Anita. Ela reconhece que ela tem alguns pontos bons, mas as declarações da Anita são exageradas e ofensivas, no sentido dela acusar os desenvolvedores de serem misóginos. E o mais interessante, ela fala sobre o tema principal do meu post de estatística, que o interesse maior em jogos ainda recai sobre homens, não por motivo misóginos, pois ela diz que na experiência dela com jogos nenhum desses problemas de discriminação surgiu. Mesmo sendo tratadas muito bem, ela via pouquíssimas mulheres aparecendo na cena indie. Discordo parcialmente da visão dela que a indústria não indie ser dominada por profissionais homens promove necessariamente gostos masculinos, porque isso meio que descarta toda a influência do marketing na produção de um jogo. Esse é o departamento que vai te falar quem é seu público-alvo e por que seu jogo tem que favorecer visão masculina e não feminina nessa franquia.

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