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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

Gantz:O, a melhor adaptação visual do mangá


Fazia muito tempo que eu não entrava em contato com qualquer coisa de Gantz. Depois do fim do mangá (e da decepção de ter acompanhado aquela joça), assisti as adaptações live-action e só. Não revi; não reli. Sendo assim, ao assistir Gantz:O, me veio um misto de nostalgia com estranhamento: minha memória é muito fraca e por isso, em diversos momentos eu ficava apontando e dizendo "olha, eu lembro disso" e em outros eu dizia "existia isso aqui?". Ou seja, nesse post não esperem nenhuma comparação profunda, vou me limitar a analisar a obra como unidade. Portanto, depois de dois live-actions horrorosos, logo vem a pergunta: será que dessa vez acertaram?

Vou ser direto e dar logo a resposta: sim e não. Obviamente, mesmo para mim, um rapaz com alzheimer, fica perceptível o quanto teve de ser adaptado. Diversas personagens foram cortadas e o enredo comprimido. Até tentam dar alguma noção do que está acontecendo, com alguns flashbacks, mas caso você não tenha lido o mangá, as atitudes das personagens soam deveras forçadas. Entretanto, ao mesmo tempo, o longa consegue fazer o típico feijão com arroz - está lá, a jornada do herói japonesa; sentimentos colocados em demasia, resultando em um final clichê mas que atende bem às expectativa ao que se propõe. Veja bem, Gantz por si só sempre teve problemas quando lidava com o emocional, esse nunca foi o forte da obra, agora tudo isso fica ampliado quando comprimido em apenas um filme. Então é o arco de Osaka, mas não é. Está lá a atmosfera de Big Brother macabro que nos cativou tanto, porém, também tem uma tentativa exagerada de tentar conectar o público com alguma história. Assim, fica tiro pra todo lado: drama do Kato com o irmão, drama da Reika com a morte do Kurono, drama do velho que não quer morrer, drama da mulher que tem um filho, drama do drama de ter um drama. 


Critico, mas entendo perfeitamente essa postura. Já tiveram dois filmes que não foram lá essas coisas, agora você tem que contar de forma diferente uma nova história da mesma franquia. E aí, o que faz? O público massivo não acompanhou essa joça. A solução é um misto de continuidade com introdução. Funciona para apresentar o que é Gantz e o que é essa atmosfera macabra - e nisso o filme é louvável, está tudo lá, desde o humor doentio ao gore em demasia - , só que não existe nada de impactante a longo prazo. Sabe por quê? Por que a graça de Gantz é o descompromisso, nunca foi o drama. Ele sempre existiu, mas era aleatório, assim como os personagens vampiros e mutantes. O que fazia as pessoas acompanharem o mangá, era a tensão de saber quem ia viver ou morrer, e não exatamente o drama pessoal de cada um. Sendo assim, o filme comete o mesmo erro que o autor, Hiroya Oku, ao tentar dar sentido para tudo e se levar a sério demais.


Mesmo assim, achei uma boa adaptação - o verdadeiro problema foi o arco escolhido. Existem tantos arcos de Gantz, mas resolveram adaptar um arco que necessita de todo um contexto para que o espectador se sinta ligado emocionalmente e que, por ter que cortar vários personagens desse contexto, é extremamente parado. Acompanhamos apenas a jornada de Kato, que até o final já se torna um fervoroso justiceiro. 

Então é ruim?

Fica difícil dizer exatamente, por que não sei como vai funcionar para quem não leu o mangá. Posso apenas dizer sob a perspectiva de quem leu: o filme é um puta deleite visual. Reika não faz nada, mas só pelo fato de vê-la ali, tão bem retratada, já vale uma conferida. Se o roteiro precisa fazer concessões por conta dos 96 minutos, a parte visual não faz nenhuma - é o mangá animado em 3D. Tudo é muito bonito, desde os cenários às lutas. E que lutas! Ficamos presos na exibição simplesmente por causa das megalomaníacas batalhas, típicas do Oku. Você nunca sabe o que vai acontecer, e deste modo, é impresso a marca principal da série: o gore. Não é todo dia que você vê um protagonista sem pernas correndo para tentar pegar uma arma e matar um alienígena que outrora fora uma junção bizarra de gostosas. 
Dentro do limite, todas as personagens estão coerentes, o que falta mesmo é mais tempo para simpatizarmos com elas. Na metade o longa perde sua força, conseguindo se recuperar nos momentos de clímax, resultando por fim um gosto agridoce: de fato, é a melhor adaptação de Gantz, mas ao mesmo tempo falta coragem e coerência para assumir certas coisas. Bom, não é fácil apostar em um longa-metragem japonês adulto de ficção científica, portanto, dentro do limite, é compreensível as mudanças; poderia se muito pior. 


Gantz:O ainda não é a adaptação que os fãs querem, e nem sabemos se ela vai acontecer, mas é um bom entretenimento, com roteiro mediano, atendendo às expectativas daquilo que se propõe. Os mais xiitas vão achar horrível, porém, se analisarmos os dois lados, do grande público e de quem leu o mangá, veremos que é uma ótima iniciativa, visualmente marcante como nunca vimos antes, que só não é melhor por falta de coragem. Sinceramente, seria melhor se tivessem escolhido outro arco, ou tivessem refeito o inicio do mangá, mas enfim, melhor do que mais um live-action. 
Assista sem pretensões, apenas pelo entretenimento e tente ignorar o dramatismo típico japonês (vemos um alien de gostosas, cabeças rolando, mas Kato não dá nem um beijinho na guria que gosta dele). Em poucos segundos as personagens necessitam estabelecer relações profundas e esse é um dos grandes problemas, que ainda bem, é ofuscado pelas ótimas batalhas. Vale a pena conferir pelo menos pela estupenda animação, a la Advent Children. Enquanto longa-metragem, o filme não funciona tão bem, mas felizmente, para Horiya Oku, deve servir como instigador para um novo público conhecer o mangá. Sorte a dele. 

El Psy Congroo.

Alguns screenshots:


Nome: Gantz:O

Ano: 2016

Direção: Yasushi Kawamura

Roteiro: Tsutomu Kuroiwa

Gênero: ação, thriller, ficção científica

Produzido por: Digital Frontier

Nota:  ★ ★ ★ ★ ★ (60/100)
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