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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

E quando a representação social está presente nos jogos?

Dragon Age e League of Legends são belos exemplos de que existe representação social relevante nos games

Do jeito que certos extremistas falam, é como se toda as indústrias de cultura fossem padronizadas num molde "OPRESSOR", como algumas pessoas histéricas gostam de gritar. Claro que não é também a viagem de mundo harmônico dos machistas lunáticos, mas existe sim uma parcela considerável de obras disponíveis que levam em consideração estes temas e fazem isso muito bem. O post que fiz sobre Star é um exemplo, mas vamos falar de jogos no caso. Eu gostaria muito de fazer um texto enorme sobre Dragon Age e dizer onde ele acerta e erra, mas infelizmente não joguei os jogos, então só posso dizer que vejo a Bioware como um marco para games: foi a primeira empresa que vi introduzir um cuidado considerável com diferentes tipos de jogadores. Como é um jogo que você cria um personagem e o interpreta, é um ótimo molde para se criar romances para jogadoras mulheres, homens e até homossexuais. Porém, existe um jogo um pouquinho famoso que eu conheço melhor, que é um caso muito pertinente para essa questão. Ele é só o jogo mais jogado do mundo, estou falando de League of Legends.

Não pare de ler agora só porque falei de LoL, deixe esse preconceito de lado. Enfim, existe uma grande quantidade de sexualização no jogo, isso é verdade, mas ano passado mesmo eu vi uma imagem muito estranha falando que o jogo não respeitava as mulheres e não representava bem seu publico. Vamos ver porque isso está errado.
Primeiro queria contar um pouco da história do League. Ele não começou esse hit que é hoje, muito pelo contrário, na verdade ele parecia um jogo muito feio com sérios problemas de design e originalidade no seu início, mas que acredita-se ter conquistado mais publico que a concorrência pela acessibilidade em PCs mais fracos e disponibilidade, afinal Dota ficou anos como um jogo acessível só através de keys ou de compra. Eles decidiram investir em uma abordagem segura em questão de marketing na criação das personagens femininas, fazendo praticamente as aparências genéricas de jogos de fantasia que conheço: mulheres brancas e peitudas.


Porém, LoL já existe há anos e nesse tempo muita coisa mudou dentro e fora do jogo. A Riot Games pode me irritar muito a cada problema de design que eu encontro, porém o que eu tenho que respeitar nele é o investimento no publico, aliás, umas das razões pra LoL fazer mais sucesso que a concorrência é justamente por causa disso - o cenário de eventos, campeonatos e competitividade é muito incentivado pela empresa, temos direito até a time brasileiro no campeonato mundial.

O valor que antes era nulo, há anos vem se tornando muito positivo. Se a memória não falha, de lá pra cá a última campeã lançada com um sex appeal mais avantajado foi a Ahri, e isso foi em 2011. Eles sabem que tem muitas garotas que gostam de LoL e deram uma repaginada no jogo para atender a isso. Depois da Ahri, tivemos personagens como a Jinx e a Kalista, que não são marcadas por uma imagem sensual, mas sim por muito trabalho no desenvolvimento da personalidade, aparência e interação dessas personagens. A Jinx aliás em uma época foi a personagem mais popular em todo o jogo. Ela é basicamente uma versão da Arlequina, só que mais maluca e doida, sem possuir síndrome de estocolmo, ou seja, ela só ama ela mesma, deferente da outra que é praticamente refém do Coringa. Nem preciso dizer que ela faz muito sucesso entre as jogadoras mulheres.

Fizeram até uma animação só pra promover a personalidade dela.



Outra parte importante é a raça: personagens negros começaram a aparecer com mais frequência no jogo. Algo que sempre me perturbou é porque não fazem personagens negros divertidos com um visual criativo e moderno em vários jogos? Me pergunto isso há anos e hoje a tendência é suprir essa necessidade. Criaram praticamente uma versão caça-monstros do Blade, sendo um sucesso como personagem, se tornando o preferido de muitos jogadores. E isso não acontece só no LoL, em jogos como esses que pessoas distintas no mundo inteiro vão jogar é uma ótima ideia pensar na diversidade, como acontece no jogo da Blizzard Overwatch que tem o brasileiro Lucio, a egípcia Pharah  e mais recentemente a mexicana Sombra.

Lucian o Purificador
Como eu sei que se preocupam com isso? A Riot disponibiliza em português muitos textos explicando o processo criativo por trás de suas decisões, eles entendem que certos personagens precisam de uma mudança aqui e ali para se adequarem melhor ao contexto atual e vivem refazendo o enredo deles. E é em uma dessas correções que decidiram também mexer com os personagens mais antigos que vem da época que gosto de chamar de "LoL genérico", quando o jogo ainda não tinha identidade e só tinha personagens femininas em um padrão fixo. Não da pra excluir os personagens que já estão no jogo, então o caminho deles é melhorá-los. Pegaram a Miss Fortune que mostrei lá em cima, que era vista como uma ruiva bonitinha e nada mais, e fizeram a história dela um dos temas centrais em uma série de capítulos em forma de texto contando histórias sobre uma das regiões mais negligenciadas em questão de enredo até aquele momento: a ilha dos piratas, conhecida como Águas de Sentina. Ela que era um rostinho bonito genérico, se tornou uma mulher vingativa e capitão de sua própria tripulação leal ,que apesar de levar seus planos a fundo, não sabe exatamente como enfrentar todos os problemas em sua frente ou o peso total de suas ações em relação ao ambiente instável que é essa ilha povoada pela escória. Virou uma personagem muito mais complexa e profunda, ainda mantendo a aparência bonita pelo qual ela era conhecida.

Perceba a diferença entre ela agora e a imagem que mostrei antes

Fora isso tem um esforço para adicionar personagens não humanos, porém do sexo feminino, ou mulheres fora do padrão. A Illaoi é mais musculosa que metade do elenco masculino do jogo, a Lissandra é praticamente o final boss de toda a história de Frejyord e é provavelmente um dos seres mais poderosos na história do jogo, e a Rek'Sai é uma criatura violenta que parece um zerg de Starcraft, além dos Kindred onde temos dois personagens: a Ovelha e o Lobo. Eles aproveitaram até pra sexualizar um pouco homens no meio do caminho. Eu adorei o que fizeram com o Taric, um personagem que há anos vem sendo questionado quanto a sua sexualidade. Daí decidiram refazer o personagem totalmente com uma postura estilo "Taric é metrosexual mesmo e ele não liga porque ele é fabuloso".

"Eu não preciso da sua aceitação social, eu sou FABULOSO"

Mas sabe, essa é a postura da empresa em relação ao seu publico, eu não estaria mostrando os dois lados da questão se eu não falasse de como mulheres são tratadas dentro de jogos online. Isso é um problema social, pois afeta todo o ambiente dos jogos onlines não só no LoL, como em praticamente todo jogo. Acontece com relativa frequência de mulheres serem julgadas como piores jogadoras por serem mulheres, isso não pode continuar, mas de novo dando um chute na Riot, o sistema de punição deles parece ao todo não ser efetivo, a quantidade de jogadores tóxicos que saem impune estragando a experiência dos outros é imensa, e a solução também não seria dar voz especial a jogadores mulheres por serem mulheres, isso não seria um sistema justo. Talvez um dia eu fale melhor sobre isso quando o tema for "comunidade gamer".

Only Darkness Will Remain.

Leia os outros posts sobre o tema:
Representação social: até que ponto uma obra deve estar comprometida com a diversidade?
Quem são os guerreiros da justiça social e por que eles estão errados?

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