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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

Quem são os guerreiros da justiça social e por que eles estão errados?

Recentemente tivemos um post no blog sobre falácias do feminismo e conversando com o Maeister sobre as diversas reações ao post pensei: "As pessoas nunca param pra pensar sobre sua posição ideológica". Eu sei que é impossível ser imparcial de verdade, mas eu digo que tento olhar os lados da questão, então está na hora de eu também me posicionar sobre o assunto das causas sociais dentro de obras em geral.

O texto que era um só ficou enorme então o separei em algumas partes. Essa é a introdução e provavelmente a parte do texto que sou mais coerente, o resto é questionável. Confira a parte 2

Qual o problema?

Bem, primeira coisa que tenho a dizer é que geralmente as pessoas não param e pensam sobre as coisas nos dois lados da questão, desde o povo que vê opressão e problema em tudo até na cor da embalagem de sorvete, até no povo que diz que vivemos numa sociedade maravilhosa que todo mundo é igual e não existe problema nenhum. Isso é coisa de lunáticos, são dois tipos de extremistas só que em extremos opostos - esse que é o problema dessa briga, porque em diferentes contextos os dois lados podem estar certos, e como todo extremista eles nunca vão admitir qualquer questionamento coerente da "oposição", porque extremista não tem colega de debate, quem questiona ele é oposição e está automaticamente errado.

O negócio é, o feminismo surgiu por uma boa razão, as mulheres ao longo da história eram sim rebaixadas e não tinham os mesmos direitos. Uma visão mais dura e extrema ajudou sim elas a conseguirem mais direitos e respeito, porém, essa mesma visão falha em ser convincente nos dias de hoje, afinal diferentes contextos necessitam de diferentes abordagens. Digamos que o feminismo extremo seja um remédio tarja preta que surgiu para combater uma doença crítica do passado, mas a maioria dos sintomas e problemas dessa doença já foi resolvida, então você ainda quer continuar se medicando com tarja preta? A vertente que vou mencionar muitas vezes no texto que se alinha com esse tipo de feminismo são os infames guerreiros da justiça social (Social justice warriors), comentaristas de internet que fazem como seu objetivo de vida protestar contra tudo que lhes pareça moralmente errado, mesmo que sua própria moral e argumentos na maioria das vezes não faça sentido nenhum.


No outro lado da questão não tenho nomes mais específicos além de machista, mas digamos que existem pessoas iludidas ou ignorantes a ponto de acreditarem que conversar sobre o papel da mulher na sociedade não é algo relevante, que a mulher nunca sofreu por ser mulher, que o mundo é perfeito, racismo não existe e somos todos uma grande fraternidade amigável. Um dos grupos que se alinha a isso são, por exemplo, os bolsominions , mas estes se preocupam mais em serem ignorantes em relação a assuntos políticos. E o pior é que geralmente quem vai nessa linha de pensamento se considera conservador de direita, logo adora fazer piada da ideologia dos outros tachando tudo de utópico, sendo que a pessoa fala como se a sociedade fosse uma harmonia perfeita sem necessidade de melhorias.

Uma das maiores falácias dos guerreiros da justiça social é dizer que, se uma obra não tiver representação social significativa ela automaticamente é racista, machista, oprime as mulheres e as minorias, e está de acordo com ideologias de conservadores de extrema direita. Mas o que diabos é representação social? É ter em uma obra artística a presença de diversidade étnica e social de acordo com a população, como por exemplo, ter personagens de várias raças, gêneros sexuais e sexualidades diferentes além de idades e tipos de corpo que sejam relevantes para história. Até certo ponto é um argumento que faz sentido, o problema, como quase tudo que vou mencionar neste post, é a forma como essas ideias são interpretadas. Fato é, temos sim uma herança muito forte de domínio masculino, hétero e branco,  realmente é legal ver que hoje em dia temos heróis negros, mulheres fortes em grupos de personagens masculinos, protagonistas mulheres e por aí vai, porém, se não houver representação significativa, como exatamente isso se torna algo SEMPRE ruim? Qual a relação? Do jeito que elas falam é como se a equação branco, homem e hétero sempre significasse racismo, conservadorismo e sexismo para essas pessoas, o que ironicamente constitui preconceito, justamente o que esses defensores da boa moral dizem repudiar.


E esse é um argumento tão comum porém tão errôneo, que me surpreende como as pessoas ainda estão usando ele. Ele está totalmente fora da realidade porque o valor de uma obra não depende da sua expectativa em relação as posições que ela toma. Se for assim, a maioria dos clássicos de todas as artes são reprovados automaticamente como ruins, porque não tem negros, homossexuais ou mulheres sendo representadas da forma que satisfaça seu ego. É isso que os guerreiros da justiça social dão a entender, se você não tem representação social sua obra é ruim, influencia negativamente as pessoas e deve ser evitada. Vamos a um caso hipotético com essa lógica: Tropa de Elite, que é um dos melhores filmes brasileiros já feito, não há nenhuma pessoa de origem indígena presente no elenco, logo nessa linha de pensamento poderíamos dizer que ele menospreza a contribuição social e a presença dos índios em nossa sociedade como brasileiros! Artistas e produtores de entretenimento não são responsáveis por satisfazer todas as expectativas que você tenha com o mundo, se for assim todo o entretenimento vai ficar numa coleira e a arte que sempre disse que necessita de liberdade ficaria extremamente limitada.

Only darkness will remain.

> Confira a parte 2
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Este artigo faz parte da coluna Analisando Argumentos - leia os outros posts

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