domingo, 11 de setembro de 2016

RM, uma visão intimista sobre o ser humano

Mixtape do líder da boyband sul-coreana BTS se destaca por sua sinceridade, existencialismo e mistura de diferentes estilos de rap e hip-hop

Os Bangtan Boys, mais conhecidos como BTS, debutaram em 13 de junho de 2013 e aos poucos, conforme lançavam novas músicas, ficaram mais e mais famosos. O BTS faz parte da Hallyu (Onda Coreana), que vem arrebatando o mundo todo. Para entender o que estou dizendo, basta jogar no youtube qualquer música da banda + a palavra "React" para se deparar com reações de fãs do mundo todo. E quando digo o mundo todo, realmente são diversos lugares, alguns até inusitados - passando desde França, a Tailândia e África do Sul. Entretanto, o grupo não é só isso - diferente de muitas boybands, ele tem uma liberdade enorme, criando suas próprias músicas e conceitos. Deste modo, é perceptível que há dentro da banda pessoas com talentos preciosíssimos, que estão além da alcunha de simplesmente "idols".
Inicialmente, a ideia do grupo era debutar como um conjunto de rap, com, claro, somente rappers. Aos poucos isso mudou, adicionando o talento de outros membros que agregaram no quesito canto e dança; porém, fica claro a forte influência do hip-hop, sendo a rap line (que seria a linha de membros que fazem rap) responsável pela maior parte das produções. Essa rap line, diferente, mais uma vez, da maioria das boybands, não foi fabricada em estúdio - ela veio do underground, passando assim um sentimento legítimo. Portanto, quando Rap Monster, líder do BTS, lançou sua mixtape, provavelmente a expectativa era grande. Longe dos holofotes massivos, ali ele poderia mostrar todo o seu talento, tratando apenas do próprio rap - sem danças, dubstep e cantorias. Somente Rap Monster conversando e formando seu público.
Querendo ou não, existia uma enorme pressão, principalmente depois de algumas controvérsias envolvendo o rapper: logo no início da carreira, quando debutou em 2013, surgiu uma "briga" entre ele e seu companheiro de banda, Suga, contra o também rapper B-Free. Os garotos haviam acabado de debutar, ou seja, saíram do underground para o mercado comum da música pop coreana e B-Free, um artista, digamos, de "raiz", jogou questões pertinentes sobre o fato de usarem maquiagem, deixarem de lado o verdadeiro rap para se venderem e para completar, por terem, aparentemente, plagiado a música Black Skinhead, do Kanye West. Ficou claro - ele tocou em uma ferida.

Então, fazer uma mixtape foi uma boa alternativa. Não seria um album, mas apenas uma produção intimista para Rap Monster demonstrar livremente suas influências e ideias. Assim ficaria claro quem ele se tornou: apenas uma máquina de sucessos pop ou um rapper verdadeiro, que cresceu e não esquece suas origens?
B-Free, ao atacar Rap Monster, provavelmente procurava alguma polêmica em torno de si, mas não só isso, deveria ter seus motivos de ódio contra toda a indústria. E bem, estava ali, diante dele, dois garotos, bastante novos, que abandonaram o rap tradicional para vestirem roupas descoladas e cantarem para "menininhas". Ele achou que essa seria sua oportunidade para questionar muitas coisas e desbancar, por meio de argumentos, dois rapazotes que deveriam estar se achando por estarem ganhando muito dinheiro sendo falsos. Esse "ataque" funcionaria com, digamos, 70% da indústria, onde a todo momento estão sendo lançados lixos musicais para serem consumidos rapidamente. Entretanto, B-Free não teve sorte e não poderia estar mais errado.


RM, uma visão intimista sobre o ser humano

O rap, antes de qualquer coisa, é uma forma de expressão, caracterizada principalmente pelo protesto. Ao ouvir qualquer música do gênero, o que vem direto é uma paulada, rimas sendo recitadas em uma batida viciante. Ou seja, o rap se trata de ser sincero e compartilhar com os outros o que lhe acontece. Não importa se você é um adolescente de classe média alta ou baixa - o que diferencia o que é bom ou ruim, é como e por que faz aquilo. Falar sobre crime, drogas, sexo e violência, é um estilo; uma característica de protesto de determinadas vertentes - não quer dizer que o rap seja só isso. Sendo assim, por mais fútil que possa parecer, Rap Monster decide falar sobre sua vida, seus anseios e desejos, alguns comuns de qualquer adolescente, outros fruto de sua repentina ascensão.


RM começa com Voice, uma música com tom melódico. Ao som de piano, Namjoon (esse é o nome verdadeiro de Rap Monster) vai jogando as palavras e formando assim, a música. Sem mais nem menos, apenas sua voz - assim como diz o título. Interessante notar que há uma produção melódica minimalista, mas ainda sim simples, sem a necessidade de ser algo maior. Com isso, o sentimento de proximidade entre nós e o cantor fica grande; ele não está apenas apresentando sua canção, mas conversando. Confessando seus medos e perspectivas.
Na letra ele fala um pouco sobre o que passou, de forma aberta e interpretativa, focado em seus sentimentos - o que eu quero dizer com isso? Em nenhum momento Rap Monster fala explicitamente sobre isso ou aquilo, sobre o fato de inicialmente ter sido ridicularizado como idol ou de ter passado pela pobreza. Apenas fala sobre seus sentimentos e atitudes perante o que acontecia.

"Meus sonhos são o que dão minha voz a tudo. 
Não importa qual aparência eu tenha com a minha música e minhas letras. 
Eu não sei como você vai ficar enquanto escuta isso, mas mesmo que você me crucifique, é bom, porque no final você vai me achar de novo. 
Sim, mesmo que 7 anos se passem, vou continuar fazendo minha mixtape sozinho em um canto do meu quarto com um microfone de 44 dólares. 
Alguns dizem que sou falso, ok, eu admito isso, meu passado é obscuro. 
Eu posso justificar isso, mas não vou… 
Então esse tipo de problema não irá acontecer novamente. 
Sou verdadeiro, este é o momento das coisas que eu mais quero.
 O pedal que eu pisei por sete anos foi finalmente lubrificado. 
Você não pode matar, venha me pegar se deseja ter um pedaço de mim. 
Apenas diga com música, eu não preciso de outro meio. 
Se você acha que está realmente preparado para voar com meu poder, isso é o que o R significa, bro a hora é agora. 
Desconhecido para os outros, aumente o volume da minha voz. Assim você pode saber, assim eu posso alcançar você"

Fica claro então, logo na primeira faixa, a intenção de Namjoon: realizar seu sonho, propagando sua música para o maior número de pessoas, sem ego em demasia - claro, ele existe, mas não para ser o "melhor" estando acima dos outros, mas em ser o "melhor" comunicando; acima de tudo, quer ser verdadeiro.
Vejam só como o mundo é curioso - histórias e países completamente diferentes, mas essa perspectiva me lembra ninguém menos que Criolo. Em sua música Ainda Há Tempo, canta os emblemáticos versos: "Não quero ver, Você triste assim não, Que a minha música possa, Te levar amor"

Após, somos introduzidos a Do You. Rap Monster já pediu licença para adentrar seus ouvidos, agora ele destila sua mensagem. A produção claramente é diferente da anterior, mais elaborada, mas sempre prezando pelo rap. A batida é primitiva e forte, enquanto o flow segue calmo e frenético. Para quem não sabe, o flow seria o ritmo da fala, algo bastante importante ao se fazer rap - o encaixe certo das rimas e o tom de voz, define como será a música. Nessa, em especial, o artista trabalha de forma dual: é rápido, mas paciente. Como se fosse um velho reclamando das mazelas do mundo, sentado em sua cadeira enquanto observa. Não à toa, o clipe complementa essa noção, mostrando-o ora tranquilo, ora raivoso, conversando com a câmera, e depois cenas de uma segunda pessoa - uma garota - ameaçando fazer algo, seja tirar a camisa ou suprimir aos desejos que a sociedade lhe impõe.

"Eu odeio livros de autoajuda mais do que qualquer coisa no mundo 
Besteiras nos dizendo para fazer isso ou aquilo 
Eles não possuem caráter e acreditam nas palavras dos outros
Então que besteira é um best seller?
O que esses caras sabem sobre você? 
Seus sonhos, seus hobbies, eles podem entender? 
Se você se julgar menos, verá um monte de coisas que mudam 
Você nasceu como um herói, por que está tentando se tornar um escravo?"

Awakening, para mim, foi a maior surpresa. Eu não esperava uma música dessas. É um rap tradicional, mas a energia é indescritivel. Dessa vez, Rap Monster deixa de lado a paciência e o jogo inteligente de palavras, para dar ala à mais pura emoção. Ele segue por conceitos e novamente, assim como diz o título, "Despertar", o som soa como o acordar mais íntimo do ser. É profundo e extremamente sincero; um vômito de palavras diretamente do coração. Uma reflexão sobre derrubar barreiras, porém sem refletir demais; um jato de palavras que demonstra o detrás do pensamento, enquanto finalmente ataca aqueles que o acusaram. Namjoon estabelece: a música é sua casa, e é aqui que ele se expressa; não por meio de debates ou brigas. A profundidade deste som é estonteante; toda vez que o ouço fico sem palavas. É o enforcamento do ser diante da realidade, que vai morrendo aos poucos, para no final renascer - dessa vez mais forte.
"No momento da minha queda, alguém vai segurar a minha mão?
No momento em que eu descer do palco, vai ter alguém perto de mim?
Só me diga que eu posso sobreviver nesse mundo frio,
 só sinta minha vibe
Eu sei que o sol vai brilhar um dia de cada vez"
"Tenho que deixar meus olhos assistirem tantos finais.
O lado de fora era um grande campo de batalha então eu mostrei o cutelo
Toda noite, por dentro, eu silenciosamente luto comigo mesmo
Meu coração bate, meus colegas enfiam uma faca em minhas costas
Enquanto digo isso, eu me tornei um idiota depois de me juntar à companhia
Yeah, foda-se, eu sou um ídolo. 
É, eu sou um ídolo
Uma vez eu odiei isso, mas agora eu amo ter esse título
Quando eu saio da gravação, está tudo acabado 
Eu sou diferente daqueles que são corruptos
Agora eu sou completamente reconhecido e eu só faço a mim mesmo
Se eu sou um ídolo ou um artista, pra ser sincero isso não importa
Sua atenção quando você olha pra mim, isso tudo foi só eu"


Bom, não poderia faltar uma letra ostentação, né? Mas a ostentação de Rapmon é diferente: é sobre o próprio ser; aquilo que ele se tornou. Monster é uma música em resposta aqueles que questionaram o fato dele se autodenominar "monstro". Lembra aquilo que falei sobre o rap? Então, a mensagem vai direto para aqueles que rotulam o gênero como isso ou aquilo. O som dessa vez é mais produzido, tendo até mesmo refrão. Se prestar atenção, Namjoon tem outra habilidade, além do flow preciso e rápido: ótima construção melódica. Lógico, em termos de ritmo sua habilidade é notável, até por que fazer rap se trata disso, mas ter melodia já é outros quinhentos. Acredito que isso se deve a sua experiência com as produções do BTS - sendo assim, a mescla de elementos é fator principal. Esse disco é sua casa, e estando em casa, ele pode fazer como quiser, misturando todos os estilos, seja cantado ou não. Isso então nos leva para a próxima música.


Throw Away é outra grande surpresa. As inclinações do rapper para o rock são perceptíveis desde o começo, principalmente nas músicas: Danger e War of Hormone. Ouvindo essa canção, fica claro que aquela mistura, talvez um pouco maluca, cheia de guitarras agressivas ao fundo, foi dedo dele. Aqui, nos é apresentado um rapcore feroz, ao melhor estilo Cypress Hill, Beastie Boys e até Rage Against The Machine. Sendo assim, a música é direta e agressiva, com uma mensagem de ódio, misturada com festividade raivosa. Serve mais como experimentação, principalmente das mesclagens possíveis, em termos musicais, entre o rap e o rock. O ponto principal é o prazer auditivo - isso é ruim? Não, muito pelo contrário, pois traz diversidade à mixtape. Sutilmente, existe o exercício de construção de flow e velocidade, que são personagens principais na canção seguinte.


Joke não me agrada tanto. Enquanto apenas som, tem uma ambientação profunda, munida das rimas frenéticas. Provavelmente, é uma das melhores produções, entretanto, enquanto mensagem, não tem muito o que dizer - é apenas uma junção de palavras aleatórias e ostentativas, que formam uma ideia de "assassino das palavras"; seria o mesmo conceito de Rap God, do Eminem. É uma música boa? Sim. Mas qual sua mensagem? Nenhuma, apenas serve para demonstrar a capacidade de quem a canta. O próprio Rap Monster admitiu, em entrevista, que Joke foi criada apenas como função estilística; uma brincadeira que ele não poderia deixar de fazer:

“Joke é uma música cuja letra foi escrita com um fluxo de consciência. É por isso também que o título é 'Joke'. Não há nada escondido por trás da letra. É 500% para o prazer auditivo das músicas de rap. Como as outras músicas tem mensagens e emoções colocadas nelas, eu senti que era necessário adicionar uma canção agradável e sem muitos pensamentos. Eu coloquei nelas muito do que eu acredito ser 'habilidades' de rap."


Ao fim da música anterior, somos introduzidos ao que seria o "lado b" do disco. Não sei se foi essa a intenção, mas senti esse conceito ao analisar o todo: temos primeiro um lado mais cru e emotivo, focado apenas nas palavras. Depois, vem um lado "melhor produzido", com mais construções nas músicas, adicionando refrões e sonoridades diferentes. O início disso vem com God Rap, onde Namjoon volta mais uma vez para conversar com o ouvinte sobre suas perspectivas, soando as vezes como um mentor. Tirando o nome, God Rap não tem nada a ver com a música do Eminem: a letra é uma crítica irônica ao conceito comum de Deus; sobre o quanto as pessoas se perdem acreditando em outros e não em si mesmas.

"(...) “God Rap” não é algo em que eu estou dizendo que sou o “deus do rap”. A história é totalmente diferente. Ela fala sobre como não existe um deus no mundo, e que os únicos deuses somos nós mesmos. É a ideia de que a única coisa que escolhe o meu destino é o meu próprio eu." - disse o rapper em entrevista, a respeito do conceito da música. Essa entrevista talvez seja a mais completa do Rap Monster, em que ele fala sobre quase o disco todo e mais alguns outros assuntos. Para quem se interessar, no final do post tem o link.

"Você conhece a realidade de que não há sombras no fogo?
 Então, eu me tornarei o fogo ou a luz? Essa é a questão.
 Então se eu me tornar luz, na luz do dia, na escuridão. 
Feche seus olhos quando estiver claro e quando os outros dormirem, abra seus olhos de novo. 
Mesmo que eu esteja sofrendo, eu te agradeço. 
Se é que existe tal coisa como um deus, eu te digo… 
Yo, esse é o deus do rap. 
Eu não tenho nenhuma religião, porque eu sou meu próprio deus.
Qualquer provação que venha, eu vou levá-las com as minhas duas mãos. 
E dizer a mim mesmo, amém."


Rush é a única colaboração do disco e por sinal, uma ótima. Krizz Kaliko consegue acompanhar o flow de Rap Monster e traz uma vibe interessante. A música não é reflexiva, é mais como uma ostentação, mas naquele estilo: apenas do próprio ser. Seria a energia de ambos em simplesmente viver e estarem onde estão. Para que esconder? Eles têm dinheiro e sucesso, e querem compartilhar parte dessa energia com seu público. Sonoramente é uma ótima produção, com um tom de "viagem". Não sei como me expressar em relação a isso, mas quando ouço Rush sinto como se estivesse sendo levado para lugares inimagináveis onde a vida decorre de forma diferente. O interessante é que essa vibe é bastante forte, trazendo boas energias, para na música seguinte ser completamente distorcida. Isso acaba soando, outra vez, como uma total ironia, pois enquanto aqui se fala sobre curtir a vida por meio do ego festivo de Rap Monster, depois, essa vida não parece tão bonita assim.


Life é minha música preferida do disco inteiro, principalmente por seu caráter intimista. Durante o primeiro show apresentando sua mixtape, após gritar em músicas como Joke e Throw Away, Rapmon pega uma cadeira e se senta. As luzes diminuem, tudo fica em silêncio e ao fundo surge uma simples batida, novamente, ao som de piano. Com a voz um pouco baixa e até rouca, ele começa a rimar. Do que fala? Sobre a solidão. Talvez, essa canção seja a melhor síntese de como é se sentir sozinho e dos prós e os contras disso - mesmo no sucesso, a solidão sempre estará ao lado. Pode ser boa, pode ser ruim, mas ela existe e sempre vai existir. Nascemos sozinhos e morremos sozinho, não importa as circunstâncias, o começo, o meio e o fim, sempre serão individuais. 
Dentro dessa perspectiva, ao longo do disco todo, lembrei principalmente de Tyler The Creator. Claro, os dois rappers são bem diferentes, mas notei certa influência - é como se RM fosse o consultório e Namjoon nos contasse suas mazelas. Life me lembrou a música Answer de Tyler; sinceramente, é um grande foda-se para os padrões do rap. Não importa as poses, eles falam apenas sobre o que lhes afligem; existe emoção, fragilidade e drama, coisas que teoricamente um rapper não deveria demonstrar. Ora, se voltarmos no tempo, qual foi o percursor do rap? A poesia. E essa música pode ser qualificada assim: como uma poesia cantada.

"Viver é consecutivamente consciência e solidão 
Se você tem muitas pessoas a sua volta ou não 
O pequeno eu dentro de mim está sempre solitário 
Por que não há uma palavra que é o oposto da solidão? (Por que não há?) 
Seria porque as pessoas, até morrerem 
Não possuem momentos sem ser solitários? 
Mesmo que o nosso entorno seja barulhento 
Nós precisamos encontrar momentos em que possamos ficar sozinhos 
Yeah, essa é a vida"

"Nós nascemos para viver?
Nós nascemos para morrer?
Nós estamos vivendo para morrer
Ou morrendo para viver?
A placa de identificação com o meu nome
É a minha vida?
Ou é a morte?"


O caráter intimista continua na próxima música, Drifiting, mas dessa vez cantada. Isso mesmo! O rap é deixado de lado para o artista deixar fluir o seu lado cantor, vejam só. Complementando Life, a letra fala sobre a perdição da vida. Ou seja, a filosofia segue fortemente, questionando a existência do locutor enquanto ser. O que é viver? Consequente a essas questões, vem a depressão - a melancolia sobre perceber que nada faz sentido. É como uma lágrima caindo diante da perspectiva ao voltar-se para si.

Por fim, mais uma vez ironicamente, surge uma música contrária. I Believe é um rap ao melhor estilo gospel, com uma mensagem positiva sobre a vida. Ué, ele não estava triste por simplesmente viver? Pois é, agora ele está feliz justamente por simplesmente viver (e acreditar em si mesmo). Essa dualidade, como você pode perceber, está presente em toda a mixtape e trás um tom agridoce, sincero e divertido. A vida é cheia de problemas, mas também cheia de surpresas e momentos bons - não há como mensurar somente uma coisa. Tudo isso, ódio e paixão, felicidade e tristeza, solidão e companhia, fazem parte do nosso cotidiano; e são exatamente essas facetas, as vezes tão esquecidas, que Rapmon aborda, usando a si mesmo como catalisador. I Believe termina o album de forma sublime, voltando ao tom de mentor orientador e trazendo novas perspectivas, dessa vez positivas.

Conclusão
RM não é uma mixtape, é um album completo, que poderia ser lançado como tal. Luz e trevas permeiam todo o disco, nos levando para uma doce aventura sonora dentro do quarto de Rap Monster. Conhecemos suas referências, suas ideias sobre o mundo, medos e anseios. Acima de tudo, ele demonstra sua habilidade para criar música, seja um rap feroz, ou apenas uma intimista canção sobre a existência. Namjoon não se provou; ele foi além disso. Mostrou que não só é um rapper, mas um artista completo, que tem capacidade de criar conceitos e diferentes canções, em diferentes estilos, propagando sua mensagem para o mundo. Um artista, em qualquer meio, só é bem sucedido enquanto consegue dialogar com o receptor - e é exatamente isso que ele faz. Fala sobre si mesmo, tocando nossos corações e dialogando conosco; nos identificamos; concordamos e discordamos. Por fim, Rapmon vira quase como se fosse um amigo; parece que o conhecemos há muito tempo. Do melhor jeito possível, nos dá uma chave, e essa chave dá acesso direto a sua alma. RM merece ser ouvida e reouvida várias vezes, pois além de ser uma grande experiência, é a mostra do potencial do garoto à prova de balas. Esse foi só o começo, muitas coisas ainda estão por vir.

Seja o primeiro a comentar.

Postar um comentário