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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Analisando Mangás] Fullmetal Alchemist, volume 1

Depois de 5 anos, mangá é republicado no Brasil em edição de "colecionador". Confira nossas impressões sobre o primeiro volume:

Nunca havia entrado em contato com o mangá de Fullmetal Alchemist. Quem acompanha meu Twitter e mesmo o blog, sabe que recentemente terminei o anime, Brotherhood, e claro, fiquei extasiado. Para quem não sabe, Fullmetal tem dois animes, ambos feitos pelo estúdio Bones: Fullmetal Alchemist e Fullmetal Alchemist Brotherhood. O primeiro foi lançado em 2003, com 51 episódios, e rapidamente alcançou a cronologia  do mangá - sendo assim, mudanças significativas aconteceram na trama. Já o segundo, foi uma produção pós-término do mangá, lançada em 2009, contendo 54 episódios e dessa vez com a proposta de ser o mais fiel possível. Então, acabei pegando a obra-prima de Hiromu Arakawa mais com a intenção de acompanhar e analisar sua narrativa por meio dos desenhos - todo mundo sabe que uma mesma história pode ganhar diferentes tons dependendo de quem a conta.



Na trama de Fullmetal Alchemist, acompanhamos os irmãos Edward e Alphonse Elric, ambos alquimistas. Edward, conhecido como o Alquimista de Aço (Fullmetal Alchemist durr), tem uma perna e braço mecânicos, enquanto Alphonse se quer tem corpo - sua alma está selada em uma armadura medieval. Deste modo, os dois percorrem diversos lugares em busca da pedra filosofal, o elixir da vida que poderá trazer seus corpos de volta. 
Grande foi a minha surpresa ao perceber que a maior parte do conteúdo do primeiro volume é praticamente inédito. Está lá a história principal; a coisa toda de tentar alcançar Deus e ser fortemente punido - entretanto, o enredo gira em torno da comédia. 
Claro, são coisas que de certo modo são inúteis para a história em si, sendo posteriormente apenas referenciadas no anime - mas aqui tem um tom mais dinâmico e casual. Fica perceptível o trabalho de Brotherhood em amarrar tudo isso de forma concisa, cortando algumas partes - isso quer dizer que o mangá é ruim? Não, muito pelo contrário. Perceber logo de cara que há diferenças me fez abrir um sorriso, pois, como eu disse, poderei acompanhar a mesma história, com um tom distinto e até mais profundo. Seria aquela velha diferença entre livro e filme (nesse caso, se aplicaria melhor livro e série).


Hiromu, a autora do mangá, disse que sua intenção desde o começo era fazer uma história profunda, mas suavizada pelos momentos de comédia. Existe sim essa profundidade, como já no clássico drama de transmutação humana dos Elric, mas o foco, mesmo em algo que envolve política, é a diversão. Ou seja, o clichê do shounen - há um mundo diferente, poderes e problemas a serem resolvidos; o resto é porrada. Entretanto, desde já, Fullmetal tem como característica principal os diálogos e o sarcasmo em demasia, o que já denota sua diferença. Ele não sabe o que quer ser, soando em um primeiro momento apenas como uma experimentação da autora - e mesmo assim é extremamente ótimo. O enredo envolta do Padre Cornello é mamão com açúcar; um conto juvenil sobre um charlatão malzão - mas é usando desse clichê, comum em milhares de mangás, que a trama "real" vai sendo costurada. Edward é engraçado, mas em nenhum momento é um herói - ele tem sua honra, enquanto muitas vezes a ambição salta aos olhos. É como se fôssemos inseridos em um mundo de fantasia, para essa fantasia aos poucos ser quebrada ao meio.
Então temos três momentos: primeiro, a história superficial e básica; enredos que facilmente formam mangás inteiro de milhares de capítulos. Depois, a comédia exagerada, as vezes característica do gênero, e outras vezes autodepreciativa. E por fim, uma reflexão realista; trazendo aquele shounen para o mundo real; adicionando, deste modo, problemas palpáveis e uma estrutura lógica a ser seguida.

Sobre a edição da JBC 

É uma edição boa, mas não ótima. As folhas são muito finas e a capa, pelo menos para mim, estranha. É diferente da edição americana, porém, eu também não acho essa edição muito bonita, apenas ok. Até aí tudo bem, o problema é ser chamada de edição de colecionador - coisa que não é. A edição brasileira se quer tem orelha. Em comparação, comprei recentemente One Punch Man, da Panini, e a diferença é enorme - as capas de One Punch Man são incríveis, o mangá tem orelhas, é um pouco maior e o acabamento das páginas é ótimo - o papel off-set é o mesmo, mas a gramatura parece ter sido diferente. "tá , são duas editoras e obras completamente distintas", eu sei, tanto que coloco uma ressalva enorme na questão da capa, já que um projeto assim depende de mil fatores e sinceramente, tá até mais bonito que o original (o problema mesmo é da fonte então). Só que em nenhum lugar de One Punch, é dito que aquilo é uma edição de colecionador - por que não é. Se isso é edição de colecionador, o que é a edição normal? Papel higiênico? (Vulgo Conrad) 
Entende, o padrão está bom, mas não é digno de algo especial.
Entretanto, acredito que o problema seja apenas o nome, por que o preço está normal. Será que é especial por que não é meio tankobon? Sei lá, loucuras do mercado editorial brasileiro. 
Fullmetal claramente teve um cuidado atencioso, principalmente no design, mas está um pouco abaixo dos concorrentes (vulgo a Panini). Isso quer dizer que é ruim? Não, apenas não é incrível. É uma edição extremamente satisfatória - não tão frágil ao ponto de ficar toda "distorcida" ao ser colocada com cuidado na bolsa, porém, também não tão resistente ao ponto de aguentar uma queda sem maiores danos.


Conclusão

Fullmetal Alchemist vale ou não a pena? (a questão se aplica no sentido geral, tanto de história, quanto da edição brasileira).
A resposta é: com certeza vale! Mesmo no momento mais confuso, o enredo é ótimo, com uma pegada descompromissada - garanto que você vai dar boas risadas nesse primeiro volume. Só não espere algo profundo logo de cara. E a edição vale a bagatela de 16, 90, sendo que, dependendo do lugar que você for comprar, a encontra por menos (na FNAC, por exemplo, estava 11,90). Quando terminar de ser publicado, vai ficar lindo na minha estante. Agora é só acompanhar.

El Psy Congroo.

- Fique atento para resenhas sobre as próximas edições de Fullmetal Alchemist e possivelmente sobre outros mangás. Acesse nossa seção sobre [Mangás] e principalmente nossa seção de [Animes], para mais análises.

Dados técnicosNome: Fullmetal Alchemist
Autor: Hiromu Arakawa
Ano de lançamento: 2001 a 20010
Gênero: shounen, ação, aventura, comédia, drama, magia
Status: em publicação
Qtde de volumes: 1/27 
Formato: 13,5 x 20,5 cm
Páginas: cerca de 190
Papel: Off-set e laminação fosca na capa
Preço:
 R$ 16,90
Periodicidade: mensal
Distribuição: nacional
Classificação etária: 14 anos



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