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Destaques

Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

O inspirador documentário sobre a Corrida Naruto

Sem medo de parecer infantil, documentário apresenta incrível história de superação

A vida é deveras estranha e difícil, nunca tendo uma resposta exata para as questões existenciais. Vivermos para morrer ou morremos por que um dia vivemos? O que somos diante da ociosidade e da solidão da vida urbana, que nos trás conforto dentro de nossas representações digitais?
Nada disso importa, pois o documentário Naruto: O Menino Homem, nos mostra que há coisas mais relevantes no mundo e que há somente uma questão a ser debatida: o que é ser um ninja?
Com uma direção primorosa, Andre Pilli nos leva a conhecer Naruto, um jovem  que tem por sonho conseguir completar a Corrida Naruto. Claro, Naruto é um pseudônimo, uma espécie de máscara social que o jovem usa para poder se fazer importante - muito mais que um nome, Naruto é um símbolo. E é isso que o curta nos mostra, já que em nenhum momento sabemos exatamente qual o nome do personagem principal, apenas seus medos e anseios, trazendo identificação. Somos nós, meros mortais, em busca de uma vida melhor. A corrida simboliza não só a tentativa de finalizar um trajeto, mas a determinação de um jovem para superar todos os obstáculos, principalmente do preconceito.

A narrativa do documentário tem um interessante contraste, principalmente por conta da trilha sonora. Em um primeiro momento, estamos conhecendo "Naruto" em seu dia-a-dia. O rapaz é uma pessoa comum, assim como nós, mas desde a hora que acorda, o seu foco é sempre o objetivo de se tornar o melhor. Com aspecto diáfano, coerente e linear, essa primeira parte é deveras calma, com diversas cenas mostrando o ao redor. Temos até ligeiras criticas, que podem ser interpretadas abertamente - como a foto do rapaz ao lado de uma bela mulher - seria sua Hinata? Ou apenas alguém que passou por sua vida e não soube aceitar seus sonhos? O local é belo; Naruto é bem de vida. Percebemos pela representação de diferentes culturas nas paredes. Mas nada disso importa, essas coisas vem e vão, mas o que resta é somente a corrida. Ou seja, fica implícito que você pode ter tudo, mas a vontade de fogo de Konoha sempre falará mais forte.


Logo após, acompanhamos seu trajeto até a Liberdade, a mecca para os otakus brasileiros. Ali, diferente da sua casa, mesmo que esta tenha sua estilização animística, seja nos adesivos do Notebook ou no fato de comer lámen no café da manhã, ele se sente completo - parece feliz e totalmente confortável. Mais uma vez, o garoto poderia se contentar com pouco - mas ele quer muito mais. Sendo assim, somos transportados para uma nova realidade: a da superação. Fortemente presente, a dualidade está em todo lado, tornando o clima pacato e focado nos diálogos com o entrevistador, em um alucinante e árduo preparo.


É difícil não se comover e sentir-se inspirado por Naruto. Ele consegue passar toda sua emoção e determinação em cada movimento perfeito ao correr com as mãos para trás. O que se vê é uma direção sublime que não mede esforços em usar da simbologia - se estamos falando de sonho, que tudo tenha esse aspecto. Portanto, o rapaz de repente acorda assustado e não sabe o que fazer. Todo esse preparo foi uma ilusão? Seria o seu sonho inútil? Ou ele viu outra coisa, talvez uma premonição do que está por vir? Não sabemos, fica tudo nas entrelinhas e assim, o menino, que a qualquer momento pode desistir, decide seguir firme e forte, sem medo do amanhã.

Voltamos então para a normalidade e acompanhamos os diálogos. Naruto fala de seus temores. Que outros ninjas podem estar na corrida? Mas é com um sorriso no rosto e a força de um delicioso lámen, que ele dá uma lição de humildade, ansioso por aprender mais.



No final, temos uma frenética sequência de tomadas que culminam em um grandioso clímax na corrida. O mais incrível, é tudo isso não ser uma ficção - mas a pura e sincera realidade. Quando Naruto anda na rua e o reconhecem, encorajando-o, nos sentimos alegre por ele. Seu humilde sorriso de dentes separados, provoca uma ansiedade pelo o que está por vir. Talvez, o chakra possa transcender os limites do corpo e atingir até mesmo o espectador.
Com uma fantástica trilha sonora, a corrida começa e vemos a multidão de competidores. Fica claro que ganhar não é o foco, mas sim aprender o máximo possível - e é isso que nosso herói faz, se superando com seus belos movimentos. Os braços e as pernas magras, balançam em perfeita sincronia, lembrando muitas vezes um pássaro pronto para alçar voo - voo este que vai além das expectativas, levando-o a superar seus limites. Mais uma vez, as cenas tem uma boa dose de simbologia: a luz do Sol representa a esperança de um dia melhor e a realização de um sonho, que está acontecendo bem ali, na nossa frente. Incrível como os idealizadores conseguiram captar esse momento.


A determinação do ninja é tanta, que mesmo após não haver ninguém, ele continua correndo, em frente ao sucesso, mudando todos os paradigmas. No túnel, não existem competidores, apenas Naruto com todo seu poder das nove caudas. Sendo assim, quando menos esperamos, ele vai embora - voltando a surgir no céu a gloriosa iluminação de fim de tarde, representando, como já dito, a esperança, e Naruto correndo diretamente para ela. Novos rumos, além da Corrida, vem aí na vida do otaku. O futuro fica aberto a interpretações, mas a emoção e a mensagem ficam cravadas no nosso kokoro. Ele não precisou dizer com todas as letras, porém pude ouvir durante todo o filme um glorioso grito para o mundo: "Esse é meu jeito ninja de ser!"

El Psy Congroo.

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