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Destaques

Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

Helck, o One Punch-Man medieval

Conheça um pouco mais desta história cômica, onde um humano se torna herói para destruir a própria espécie

O protagonista Helck é um homem enorme, super poderoso e um herói. Após a morte do Rei Demônio Tooru, ele entra num torneio para decidir quem será o próximo Rei Demônio, gerando aversão a Vamirio, a organizadora do evento, que não confia em humanos. Porém, Helck alega querer destruir os humanos, é extremamente amigável e possui muito carisma, o que acaba conquistando grande parte dos demônios, que o veem como um amigo.

Helck no torneio

"Helck é um equivalente ao Saitama", essa foi a primeira coisa que pensei ao começar a ler. Só que este mangá não é uma cópia barata, ele possui algumas diferenças notáveis, a começar pelo protagonista. O herói é super poderoso e ninguém consegue derrotá-lo; só que diferente de One Punch Man, onde as piadas eram feitas  sob o fato de que ninguém conhece o Saitama, aqui elas existem no fato de um humano estar se enturmando e sendo adorado por demônios. Além dele ser perfeito em muitos sentidos, ter uma estranha habilidade na cozinha, ser super bem humorado e ajudar todo mundo, a coisa mais engraçada é que ele faz tudo isso enquanto Vamirio espera que ele seja um super vilão.


A representação dos demônios nessa história é tipicamente japonesa. A partir de ideias ocidentais eles criaram uma concepção totalmente diferente do que são demônios; japoneses fazem isso com tudo praticamente. Existe um mangá que Buda divide um apartamento com Jesus e outras mil histórias sobre os seres místicos de sua própria cultura, como youkais, deuses e por aí vai.

A história pega muitos dos clichês para construir seu plano de mundo. Temos o mundo dos demônios ou "makai", Reis Demônios ou "maou", e centenas de raças que englobam os demônios, muitas delas com um ar bastante cômico - o que me lembra bastante Disgaea e seu inferno da zuera.

Inicialmente tudo era uma grande palhaçada, entretanto Helck é um mangá sobre história. Ele continua mantendo o caráter descontraído, mas aos poucos vai se tornando algo que lembra mais uma tragédia grega do que uma história de zuera.
O efeito shounen falou mais forte e acabou transformando o enredo. Isso me decepcionou um pouco, pois os primeiros capítulos foram extremamente hilários, entretanto, essa transformação não foi forçada e vazia, como Katekyo Hitman Reborn, por exemplo. Mesmo durante o período de comédia, o enredo é uma folha branca cheia de informações quebradas sendo jogadas para você, e quando todo o mosaico é montado, você consegue entender porquê Helck estava no mundo dos demônios, o que diabos está acontecendo e porque o caráter dessa história deveria ser mais sério. Pelo menos houve base para essa mudança, diferente de Katekyo que virou porrada de uma forma super forçada.

O traço do autor evolui bastante
 
A parte mais séria do enredo é interessante, continua tendo muita coisa infantil e um clima de comédia, mas o conteúdo em si do que acontece é bastante sinistro. Fiquei com um pé atrás porque Helck é muito perfeitinho, se o enredo caísse num abismo de One Piece onde ninguém muda ou pensa direito sobre o mundo, seria uma decepção. Porém, apesar de tudo, Helck surpreendentemente consegue ser um personagem com um certo nível de profundidade, e grande parte desse enredo sério acaba sendo sobre ele conseguir controlar e resolver seu ressentimento com o mundo, o que é um adição ótima para uma história como essa!


Outra coisa que me surpreendeu é a quantidade de personagens apresentados em um período tão curto de tempo. Não posso dizer que todos eles são profundos, mas conseguiram ser bem caracterizados. Por enquanto toda a profundidade do enredo cai sobre Helck, mas não toda a graça da coisa, tem muitos momentos bizarros e cenas engraçadas muito mais pela reação das pessoas do que pelo próprio Helck. Fico com muito receio de dar palpites sobre o elenco, porque a história ainda está engatinhando, não tem nem 100 capítulos; porém, o que vi até agora me mostrou uma história que adora brincar com os clichês, mas não é igual a tudo que eu já havia lido. Esse charme de singularidade é importante, principalmente quando você já viu mil histórias nesse molde.


Conclusão
Helck é um mangá promissor, mas estou incerto quanto ao seu futuro. De tudo que vi até agora, é bem possível que ele caia no abismo da mesmice e vire só mais um One Piece da vida, se afundando por causa de suas próprias escolhas. Mas pessoalmente, acredito que Helck se tornará algo bem mais interessante do que isso, até agora diria que o autor conseguiu evoluir bastante a história de modo satisfatório, e mesmo com tanta seriedade, espero que aquele caráter humorístico que tanto gostei não se perca.

Only darkness will remain.

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