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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Game of Thrones S6E09 - Se a batalha é dos bastardos, a guerra é das rainhas

Capítulo previsível surpreende pela ótima direção, resultando em um dos episódios mais memoráveis de toda a série

Comentários Gerais

Minha teoria de que os produtores estavam economizando tudo para os dois últimos episódios se concretizou. Ficou perceptível o exorbitante nível de qualidade, seja nos efeitos ou na engenhosa direção. Não tem o que se comentar muito sobre o roteiro: não houve necessariamente fatos, mas apenas desenvolvimento do que já se esperava. Minha surpresa foi o foco ser em apenas dois núcleos, algo que é dificil de acontecer: ou seja, de um jeito ou de outro, a fragmentação da história atrapalha. Aqui não houve isso e nem sei como vai influenciar no próximo episódio, mas falando apenas desse capítulo, ficou muito bom. Arrisco a dizer que foi um dos melhores episódios de toda a série. Minha surpresa caiu um pouco, pois li spoilers na internet (foi mal, achei que eram falsos, mas enfim, não eram), entretanto, isso não foi um problema - realmente, o principal ponto positivo foi o modo como contaram o enredo. Fazia tempo que Game of Thrones não trabalhava tão bem sua execução. Em quase todos os episódios, sempre havia algum probleminha, como por exemplo o tão  famoso ritmo (que tanto falo). Porém, dessa vez, tudo se juntou formidavelmente bem, em um episódio frenético, que mesmo em seu momento mais confuso, foi extremamente gostoso de assistir. Se o capítulo anterior foi quase uma tortura, tamanha a chatice e encheção de linguiça, esse aqui passou muito rápido; quando me dei conta, já tinha acabado.
É uma merda perceber que sacrificaram grande núcleos, como o da Arya, apenas para dar esse final? (ou no caso, pré-final) Sim, mas não to aqui pra analisar o todo, mas cada capítulo unicamente. Então let's go falar dos momentos. Sim, apenas momentos, pois mais uma vez (olha só...), não houve arcos ruins.

COMENTANDO GAME OF THRONES

A situação de Meereen

Daenerys "dracariza" o exército dos mestres
E mais uma vez acertei - sacrificaram o protagonismo do Tyrion para tornar Daenerys em messias. Que merda, sério. Calma galera, já comentarei as partes boas (e incríveis) desse núcleo, mas tenho que começar pelo o que ficou estranho: o tal maniqueísmo. Me sinto até um velho chatão, batendo sempre na mesma tecla, mas é isso: a série tem seu maior defeito quando assume um lado, e putz, isso ficou muito claro no enredo da Danny. Não que eu seja contra ela ser badass e foder com a porra toda, mas é deveras ridículo essa aura messiânica que estão dando para ela. E o pior foi o "semi esporro" que ela deu no Tyrion pela "merda que ele fez" - sério isso? Ela conquista, faz cagada, o cara tenta arrumar do melhor jeito possível, consegue dentro do tempo que tinha e ainda sai como culpado. PQP VSF
Não sou fanboy do Tyrion, mas me recuso a acreditar que estão usando um personagem tão profundo como escada para uma rainha imatura. Pois puta que pariu, ela percebeu o problema que as ações "santas" dela geraram e prefere continuar com isso? Único jeito de eu ver qualidade e sentido no desenvolvimento da personagem, é ela subverter as expectativas e começar a ficar louca, como pai (do jeito que o anão insinuou). Do contrário, vai virar uma histórinha da grande heroína Khaleesi.


Bom, já desabafei o que tinha que desabafar, agora vamos para a parte boa:
ORRA QUE EFEITOS. Seriously, não é ironia. Realmente, economizaram cada centavo. Finalmente a Danny voando no dragão não ficou parecendo uma montagem feita no movie maker. O desenrolar do enredo foi épico demais.
Deixando de ser chato e excluindo o todo para analisar só o núcleo isoladamente - foi muito foda! Fanservice demais? Mas caralho, muito bem executado. O roteiro não estava lá essas coisas, mas a direção desse episódio tava tão foda, que conseguiu deixar tudo incrível. Até momentos banais, como quando Verme Cinzento mata os dois mestres, se tornaram marcantes. A história não teve nenhum preparo ou base, foi tudo corrido e talvez, se fosse com a mesma produção do episódio anterior, ficaria estranha - mas, ressalto de novo, OLHA ESSA DIREÇÃO! 
Vamos ser sinceros, tirando a fuga do estádio do corinthians, agora sim os dragões tiveram alguma função - e porran, que função! Foi um deleite visual ver a Danny mandando ver (DRACARYS) e acabando com tudo.

Jon versus Ramsey (parte 1)


Segue outro ponto extremamente positivo: optaram pelo realismo, ao invés do heroísmo exacerbado. Inicialmente, eu estava receoso sobre os rumos que dariam para o Jon Snow. Nos primeiros episódios, decidiram seguir aquela fanfic besta e tentaram dar uma aura messiânica para ele (assim como acontece agora com a Danny...). Minhas suspeitas eram que, ou seguiriam o desejo dos fanboys, ou usariam isso como trampolim para uma reviravolta. No final, aconteceu nem um nem outro. Snow foi ficando apagado e foi deixado de lado aos poucos, para outros personagens crescerem - o que foi muito bom. Agora, ao voltar como "protagonista", segue mais como questionador do que alguém decisivo. É ele quem une diversos núcleos, para juntos, enfrentarem o mesmo inimigo.
Ramsey poderia muito bem virar o monstrão maligno, mas segue apenas como o psicopata que sempre foi. Louco? Sim, mas extremamente inteligente. O diálogo entre ele e Jon Snow, foi um dos melhores momentos da temporada inteira. Os dois ali, frente a frente, blefando e induzindo o ódio no outro.
Havia elogiado uma vez o planejamento da guerra, no episódio The Broken Man, e volto a elogiar de novo: mesmo sem ter o embate físico, as conjecturas, ideias e suposições, acerca da batalha que se aproxima, são incríveis! Por mais que eu adore a fantasia do seriado, quando a história volta para o realismo fantástico, com o foco no jogo de tronos, a qualidade se revela.
Nisso tudo, o prêmio de melhor personagem vai para... Sansa Stark. Realmente, eu não esperava vê-la evoluir tanto. A garota passou por muita coisa e foi aprendiz do maior manipulador (e teleporter) de Westeros. Entretanto, mesmo assim, eu não imaginava tanta maturidade. Ficou óbvio que o episódio em si foi totalmente "girlpower", mas enquanto Daenerys não sabe lidar com a política, Sansa deixou a Targaryen no chinelo.
O mais interessante é que dentro da tenda, discutindo com o Jon Snow, a garota previu tudo! O rapazote fala do irmão, no que ela afirma, usando da pura lógica, que não tem grande esperança de resgatar Rickon vivo e alerta para os joguinhos de Ramsey. A discussão segue acalorada, onde no final, Jon promete veementemente proteger a irmã. Nesse momento, me veio a cabeça quantas vezes foi dito isso para a Sansa - quantas pessoas juraram protegê-la e ela, sempre como refém, chorando pelos cantos. Já estava conformado e entenderia uma posição passiva. Entretanto, para minha surpresa, ela logo rebate, mostrando por meio dessa fala todo seu amadurecimento: "Ninguém pode me proteger. Ninguém pode proteger ninguém".


Pra completar, tivemos tempo até para um leve desenvolvimento do Davos. Eu queria saber mais sobre ele e vê-lo agindo com mais protagonismo (digo no sentido de ter foco na história). Porém, visto o tanto de coisa que tinham para falar, fiquei feliz por não esqueceram de sua presença e nem o desmerecerem.

E voltamos para Meereen


De repente, depois da resolução da treta toda, os irmãos Greyjoys estão diante da Khalessi. Tyrion fica todo tristinho por antigamente ter sido zuado pelo Theon e fala coisas totalmente desnecessárias, dignas de um adolescente nervosinho. Yara fica paralisada e Danny faz duckface badass. Achei a negociação meio bosta. Foi mais algo do tipo: "tenho um tio e ele tá vindo aqui". A Daenerys até dá uma questionada na moça, mas basta ela dizer que é mulher e quer ocupar o trono, para a Khalessi se encantar. Okay, bacana, legal, Danny é feminista - mas mano, onde isso é critério pra julgar alguém como melhor ou pior? Ela não conhece Yara nem Theon, nunca teve contato nenhum com eles, mas em 5 minutos, forma uma aliança. E os Greyjoys? Entendo que estão em uma situação dificíl, mas nem pensam em negociar - aliás, isso nem pode ser chamado de negociação. A Danny vem com aquele papo utópico de mundo perfeito e eles aceitam. TIPO, VÉI, é o modo de vida de vocês! Yara até retruca, mas tá tão coitada, que só fala "ta bom moça, a gente aceita. aperta minha mão ae pra gente dar uns pega (vou fingir que depois elas foram se conhecer mais. ME DEIXEM COM MEU SHIPP).

imagina que louco se a Danny pegar a Yara. Jorah vai chorar em algum canto escuro enquanto vira pedra
Isoladamente achei uma merda, mas como tá envolta da aura foda do episódio e foi o encontro da galerinha das Ilhas de Ferro com a rainha do deserto, ficou interessante.

Finalmente começa a treta (Jon versus Ramsey parte 2)


O clímax e atrito já estavam lá na puta que pariu, agora adicione a morte do irmão mais novo e BOOOM! fodeo a porra toda. Acho que ninguém dava uma foda pro Rickon, moleque tava tão sumido que nem sentia mais empatia por ele. Entretanto, mesmo para quem não ligava, sua morte foi impactante e sentida (atenção para o sentida: Game of Thrones tava com uma mania de descartar personagens como se não fosse nada).
Bom, vamos falar de novo da direção? Cara, as cenas de ação foram muito bem dirigidas. O impacto de cada movimento, se concretizava em outro. O combate foi direto e sujo, digno de ser qualificado como uma representação fiel de uma guerra. Ficou claro que o Snow só ficou vivo não por suas proezas, mas pela ajuda dos amigos. A sinergia de cada personagem, seja protagonista ou figurante, ficou visível na tela, principalmente no momento da emboscada dos Bolton. Escolher a simplicidade e desenvolver um poderoso combate em cima disso, foi uma ótima decisão, que coincidiu perfeitamente com o que a série precisava.


Depois, como nós previmos, Mindinho surgiu com a Sansa para salvar a porra toda, no momento mais decisivo. Ramsey é um ótimo jogador, mas não sabe perder. Todos esperavam que o Jon fosse matá-lo ou que a Sansa teria pena - nem um nem outro. O ápice de desenvolvimento não foi para o Jon; o episódio foi da Sansa. Não teria cabimento ele se vingar, por mais puto que estivesse. Somente a Stark, que viu de perto as loucuras e sofreu horrores nas mãos do psicopatinha, teria o melhor poder de decisão.
Gostei muito do final do Ramsey. Lógico que tem aquela alegria psicopata contagiante em finalmente ver um personagem tão odiado morrer, porém, eu percebi algo a mais: foi um final sincero. Não houve uma grande reviravolta e muito menos dramaticidade - simplesmente foi aplicado o princípio do karma: Ramsey sofreu aquilo que causou. A decisão de colocar seus próprios cães para comê-lo, foi emblemática. Vimos como até prestes a morrer, o rapaz continuava tentando afirmar sua autoridade e como a principal ferramenta, de que tanto se orgulhava, o traiu sem dó nem piedade. Senti uma imensa felicidade ao ver a Sansa tão poderosa, ao mesmo tempo que um ligeiro medo - ela ficou MUITO semelhante a Catelyn (calma, isso não me deu medo), mas também, parecida com o próprio Bolton. Por mais que não queira, um pouco da frieza assassina lhe foi passada.


O nono episódio conseguiu fechar muito bem a trama do Norte, ainda que certos sacrifícios desnecessários (em termos de roteiro) tenham sido feitos. Mas ao todo, foi um capítulo otimamente dirigido, com um trabalho incrível de clímaxes, atuações impecáveis e fotografia magnífica. Não só a história evoluiu, mas os próprios atores. Kit Harington finalmente saiu daquela velha expressão "de quem não sabe nada", para uma incorporação carismática do confuso bastardo ressuscitado. Sophie Turner então, conseguiu carregar o peso de interpretar a antiga "Sonsa" matando pela primeira vez. A batalha dos bastardos não foi somente dos dois "snow's", mas do telespectador, que se viu imerso dentro do embate, de forma espetacular e eletrizante.
A sexta temporada, até aqui, teve diversos defeitos, mas desde já, será positivamente lembrada só por esse episódio. Que venham as premiações - dessa vez, Game of Thrones merece.

El Psy Congroo.

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