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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Game of Thrones S06E04 - reencontros impossíveis

Book of The Stranger reúne personagens queridos em encontros inesperados

- O Maeister se acidentou enquanto transava comigo, então eu, Julio, irei escrever o [Acompanhando] dessa semana.

Mais calmo que os outros episódios, porém continuando a construir o terreno para o que está por vir. Talvez a coisa que mais me impressione nessa temporada, é a habilidade da produção de GoT: as vezes não está acontecendo nada, mas a cena fica empolgante. E foi assim durante todo o episódio, mas ao fazer uma análise mais profunda, percebo que nem tudo são rosas.



Primeiro vamos falar sobre o enredo do norte: após o que aconteceu com Jon, eu esperava que ele finalmente abandonasse o clichê do herói honrado. O rapaz parecia estar muito perturbado pelo que aconteceu com ele - voltar dos mortos é uma experiência que muda alguém. Imaginava o Jon Snow se libertando das correntes que ele colocou em si mesmo, renascendo como Jon Stark ou o que quisesse ser; afinal de contas, ele é o coitado que perdeu a família inteira enquanto estava no fim do mundo lutando contra um povo que no final nem é mais seu inimigo.
Mas infelizmente não é o que aconteceu. Jon ainda se sente perturbado e isso fica nítido no quanto ele está hesitando. Sua personalidade parece não ter mudado nada, e o que me chateia é essa sensação de que não vai mudar porque não querem que ele mude - afinal ele não vai começar a agir por conta própria, mas sim porque seu irmãozinho foi capturado pelo vilãozão maligno. Espero que essa chance de ouro de transformar o Jon num personagem tão profundo, não seja desperdiçada empurrando-o para o caminho do herói genérico.


Mereen! É de você que eu estava falando no começo do texto. O enredo em si não está lá essas coisas, porém o carisma do Tyrion dá um tempero muito interessante para tudo que está acontecendo ali. E o que eu disse no começo do post: é legal de se assistir, mas quando você analisa a série percebe diversos defeitos. 
Esse enredo político parece tão chulo em comparação ao que foi a época que o Tyrion era mão do rei, que eu nem vejo mais Meeren como a história de uma cidade; parece mais um capítulo do Tyrion.
Mas falando sobre o que está acontecendo: cada ação do Tyrion me faz perceber como o governo da Dany está despreparado. Ele da um jeito de convencer o casal ex-excravos a tomar as medidas necessárias, entretanto a oposição que fazem a ele, e a forma como eles querem redigir um governo, parece mais do que ingênua - é idiota. O que a Daenerys está fazendo me lembra a abolição da escravidão no Brasil: a vida para os escravos não melhorou, não pensaram introduzir eles de novo na sociedade, estruturar a economia e estabilizar a situação. Quando aparece um cara querendo resolver isso, os miguxos da Dany dizem, “VOCÊ NÃO SABE O QUE É SER ESCRAVO BUÁÁ”.  Um governo não tem que ser emocional, ele tem que ser prático e funcional para o maior número de pessoas.
E fazendo uma ponte com o último assunto - a Daenerys não serve pra solucionar problemas, até agora seu governo parece ter sido um fracasso, e eu continuava me perguntando: porque diabos as pessoas amam tanto essa menina ingênua que fez tanta bosta sem saber? É porque ela tem carisma, tanto para o espectador quanto para os personagens. Fazia tempos que eu não gostava dela, justamente porque quando começou essa fase de domínio, a moça parou com as frases de efeito, de mostrar o caráter dominador e tacar o terror na mente dos outros. A Daenerys governante foi uma incompetente, porém a Daenerys violenta e ambiciosa, possui um carisma dos mais poderosos da série. Ainda vejo ela como uma menina burra que não sabe de política, seu enredo ainda sofre de superficialidade,  mas ela sabe como fazer uma boa cena.


O enredo de King’s Landing parece uma montanha russa: tem momentos que é muito bom e outros que você fica, “que merda esse cara ta falando?”. Uma coisa que me decepciona muito é que, pela primeira vez podemos ter um vislumbre do lado dos camponeses nessa história, mas isso fica superficial e estranho. Essa seita maluca muitas vezes não é retratada com a distorção que merece, aliás, se pegarmos vários dos diálogos do Alto Pardal sem contexto, o velho vai parecer um santo. Não sei se isso é proposital, se é uma forma de tentar representar o fanatismo com realismo, ou se simplesmente não sabem falar de fanatismo religioso e camponeses numa série que nunca tocou nesse assunto direito.


Agora a parte da Cersei já está bem mais interessante, todos sabemos o que ela vai fazer, mas ela age com os outros como se não fosse tomar medidas extremas, como se o bem estar da Margaery importasse. Fica muito claro nos seus olhos que ela quer matar muita gente envolvida nessa história, mas tenho uma ressalva: a parte política parece ser meio falha por aqui. Tipo, lembra daquela vez ao longo da nossa história que, uma seita de camponeses se juntou e conseguiu capturar parte da família real e não sofreu represálias imediatas? Lembra? Nem eu, porque isso não faz sentido. Não consigo acreditar que os velhos nobres que comandam King’s Landing se sentem impotentes em uma situação dessas. Ferir a família real é um dos piores crimes que você pode cometer na monarquia, e eu não estou nem falando de tentar invadir o local pra recuperar eles, mas uma situação mais parecida com reféns no banco - você cerca eles num local e tenta conseguir o que quer, se eles ferirem a família real durante o cerco, eles podem invadir e capturar os membros da seita para serem torturados e executados, mas na série, não aconteceu nada. Game of Thrones, a série sobre política e intrigas, mas que não tem milícias nem exércitos para serem mobilizados quando é a hora.


Não tem nada pra falar sobre o Rickon. Parece que ele vai continuar sendo figurante ou pelo menos um personagem que só tem serventia como ferramenta que move o enredo.
A situação das Ilhas de Ferro está estranha, eu sei que estão querendo criar uma ansiedade em nós, afinal não da pra entender bem o que vai acontecer ali, só que eu fico com esse pensamento me cutucando o cérebro, dizendo que isso poderia ser muito melhor. Por exemplo, as Ilhas de Ferro tiveram menos tempo na tela do que fucking Dorne, o pior plot até então . Talvez esse seja o sacrifício de contar uma história tão global assim, certos lugares do mundo não poderão mostrar tudo que tem a oferecer.


O episódio foi bom no geral, mas quanto a profundidade e construção do enredo, eu tenho minhas dúvidas. GoT está se aproveitando cada vez mais de cenas carismáticas, frases de efeito e boa direção - parece até que isso está melhorando para compensar o enredo superficial e fraco. Enquanto eu assistia gostei muito, mas refletindo depois, comecei a ter várias e várias ressalvas. Espero que todo esse tempo gasto construindo contexto seja bem usado posteriormente.

Only Darkness Will Remain.

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