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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

Premiações não devem ser levadas a sério

É difícil analisarmos a relevância de uma obra neste exato momento. Geralmente, pelo fato de estarmos tão próximos, fica turbulento dizer se aquilo realmente vale a pena ou não. É até por isso que simplesmente desconsidero premiações, principalmente de filmes - naquele exato momento aquela obra pode funcionar, mas quem dirá daqui cinco, dez ou quinze anos?

Vamos pegar como o exemplo O Regresso: um ótimo filme, com uma ótima temática, mas que tem uma proposta tão megalomaníaca e posso até dizer pseudo-intelectual, que faz com que simplesmente seja um filme pacato - na melhor das palavras, chato. Provavelmente daqui uns anos ninguém irá se lembrar dele. Por que? Por que a comunicação parte da ideia de necessidade. Qual necessidade o Regresso atende? Da para notarmos a sua grandiosidade em ser uma espécie de épico natural sobre vingança, mas ele é seletivo quanto ao seu público. O que eu quero dizer é, não adianta você usar de mil ferramentas, e ter uma bela aparência, se ninguém te entende.
Entretanto, O Regresso trabalha com a concepção individual de cada um. Se você não gostou, é por que simplesmente não entendeu. Vejam bem, não estou falando da parte técnica (que é ótima. Realmente é um filme lindo), mas na exaltação do longa como obra em si.

Agora irei usar de exemplo A Montanha dos Sete Abutres. Conhece? É um filme clássico de jornalismo. A história em si é bem simples: Charles Tatum é um jornalista em busca de uma oportunidade para brilhar. Cansado da sua entediante vida em Albuquerque, ele acaba arrumando um jeito de ganhar atenção. Em síntese, o longa trata sobre manipulação da mídia, alienação, a cultura do pão e circo, corrupção e etc. Esse filme é de 1951, mas continua sendo referência, conseguindo dialogar com a atualidade. Na época de seu lançamento, A Montanha dos Sete Abutres não ganhou grande reconhecimento do público e nem dos críticos, sua recepção em premiações foi morna (ganhou apenas o Oscar de melhor roteiro original) e a bilheteria foi um fiasco. Veja bem, em 1951 a indústria midiática (tema principal do longa) já estava bem estabelecida e sendo assim, havia base para questionamentos - o público se identificaria. Mas por que ninguém deu o devido valor a este filme? Pois mesmo a consolidação de algo se firmando na necessidade, o querer vem antes.
As pessoas QUEREM que Leonardo DiCaprio ganhe o Oscar. As pessoas QUEREM que O Regresso ganhe o Oscar. Há alguma necessidade nisso? Não. Como bem sabemos, muitos atores foram "injustiçados" pelo Oscar e não houve frissom nenhum. Muitos filmes não ganharam dezenas de prêmios, mas eles têm mais relevância em nossas vidas do que tantos outros que levaram mil estatuetas.


A Montanha dos Sete Abutres devia ter ganho mais reconhecimento em seu lançamento? Olhando hoje em dia bate uma certa incredulidade, mas sinceramente não sei. Eu não estava lá e sendo assim, não posso identificar qual era o "querer" dos críticos, da mídia e do público. E tendo isso em mente, eu defendo que premiações só são válidas posteriormente. Na parte técnica até concordo, você tem material para comparar qual filme deu mais trabalho, qual usou determinada ferramenta e etc. Mas como dizer qual o melhor filme? Qual o melhor ator? Qual o melhor roteiro? É tudo uma aposta.
Pessoas qualificadas são selecionadas para eleger os melhor dos melhores, sim eu sei disso, mas mesmo assim: por que Chaplin nunca ganhou um único Oscar?  Ou seja, é tudo uma mera formalidade; deve ser encarado como uma brincadeira - mas não é. Essas "apostas", podem criar dezenas de oportunidades.
DiCaprio não ganhou pelo O Regresso, mas pelo conjunto da obra. O Regresso será apenas o filme que o levou a ganhar o prêmio, mas ninguém vai se lembrar dele. Lembrarão do Lobo de Wall Street, O Aviador, Django, Ilha do Medo, até Titanic. Por que esses filmes atendem alguma necessidade do público e acrescentam algo em suas vidas - e não só agora, como amanhã, depois, depois, e depois...


 "Ah mas existe gente qualificada para julgar" - será mesmo? Acredito que podemos chegar o mais próximo possível da análise "correta", mas teremos certeza? Não!
É como estudar história: geralmente conflitos que estão acontecendo ou aconteceram recentemente, não podem ser avaliados, pois há feridas e envolvimento emocional, direta ou indiretamente, de todos que viveram determinada época. Com o tempo, as análises vão se tornando mais apuradas e imparciais, dando uma dimensão melhor do que realmente aconteceu. Acredito que seja a mesma coisa com premiações. Um critico vivido, um cara que participou da criação de diversos filmes e viu de perto as mudanças da indústria, talvez possa indicar qual o melhor caminho. Mas de novo, ele estará certo? Não, é tudo uma aposta.
Sendo assim, eu me contradigo não é mesmo? Estou usando de exemplo O Regresso, mas daqui quinze anos ele pode realmente sobreviver ao tempo e ser aclamado. Há indícios para isso? Sinceramente não vejo nenhum. Mas temos por base os filmes que ganharam premiações e hoje em dia nem são lembrados.
Estou falando de filmes, mas isso se aplica a quase tudo, desde séries à livros.
Prêmios não devem ser levados a sério. A Montanha dos Sete Abutres vai continuar dialogando com a nossa sociedade daqui dez, vinte, trinta anos... Só sobrevive aquele que se adapta, não o mais forte.

El Psy Congroo.

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