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Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

[Analisando Mangás] Prison School

Às vezes, durante a vida, nos encontramos em situações que não conseguimos explicar: vemos uma pessoa pelada correndo no meio de uma avenida, descobrimos que jedi é uma religião reconhecida pela Grã-Bretanha, um pastor falou aos seus fiéis que comer grama os aproximariam de Cristo, o pênis de Napoleão foi leiloado por uma quantia considerável de dólares e até que na Papua Nova Guiné as crianças do sexo masculino pagam um boquete místico, feito para se tornarem homens. São coisas que até aquele momento você nem cogitava a possibilidade de acontecerem, absurdos tão estranhos que chegam a fascinar a mente das pessoas, afinal, como diabos alguém pensou em fazer isso?
Prison School nada mais é que uma ideia absurda, assim como todos esses acontecimentos, sendo um exercício do ridículo feito de forma intencional, casando com o humor em forma de aberração.

Do que se trata?
Primeiramente, eu preciso dizer que este mangá possui um teor altíssimo de fan-service* e se você está lendo isso aqui, provavelmente já sabia.
O anime de Prison não é tão velho assim afinal de contas, porém se minha introdução despertou algum interesse em você, leia até o final, avalie meus argumentos e decida se o fan-service é prejudicial.


Prison School é a história de um grupo composto por 5 amigos, transferidos para uma escola que por muitos anos só admitia garotas e justamente por ser uma política recente, a proporção de alunos acaba por ser de um homem para duzentas mulheres. Eles são em suma garotos tímidos, nerds e pervertidos; ao entrar nessa escola, o grande objetivo era melhorar suas relações interpessoais com o sexo oposto, o que obviamente não aconteceu. Tendo noção disso, eles decidem só observar as mulheres de longe.
Até que um dia, cruzam a linha do limite ao tentar espiar a ala feminina dos banhos, sendo facilmente descobertos pelo conselho estudantil secreto, espancados enquanto pelados e dadas duas opções: a expulsão ou passar um mês na prisão, que se encontra no centro da escola.

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Eu tenho noção que essa história não faz sentido nenhum, sua suspensão de descrença tem que ser nível Japão para conseguir aceitar um negócio desses. Peço que vocês não procurem nenhum spoiler desse mangá: por mais sem noção que tudo seja, o desenvolvimento dos acontecimentos merece ser aproveitado de forma nua e crua, sem nenhum conhecimento prévio para maximizar sua reação. Eu digo isso pois Prison é em essência uma comédia - você gosta de ler uma explicação antes de ouvir a piada? Além do que, mesmo sem ter um comprometimento com enredo, o desenvolvimento das situações consegue ser melhor que certas histórias totalmente sérias e dedicadas a isso.
Veja bem, Akira Hiramoto possui uma inegável habilidade como diretor. Não posso avaliá-lo como escritor, pois Prison se trata de uma comédia nonsense, então falhas no roteiro, maluquices e exageros existem em prol da diversão, porém a forma como elas acontecem e o tipo de acontecimento desenvolvido, é de uma criatividade espetacular. Um bom diretor consegue fazer uma ida ao banheiro se transformar numa cena profunda e emocionante. Por Prison ser voltado para o humor, o autor consegue transformar tudo em motivo de riso. Agora junte isso à arte de ótima qualidade de Hiramoto e você terá algumas das melhores reaction face já vistas.


A maconha é tão forte que até o fan-service é exposto de forma mais criativa. O habitual "tropecei e caí nas suas tetas" não existe em Prison, aqui os meninos tropeçam, caem de bunda em uma tora com 10m de largura, rolam de dor no chão e enquanto estão deitados tem um vislumbre de uma calcinha. Aliás, em Prison School os homens são muito mais abusados do que as mulheres, tanto fisicamente quanto psicologicamente, chegando ao ponto de certas pessoas chamarem o mangá de "feminism strikes back", pois afinal são cinco homens pervertidos sendo abusados por mulheres que fazem o que querem, se vestem como querem e são fisicamente mais fortes do que eles.
E elas também são personagens com uma construção melhor, porque muitas delas têm direito a flasbacks para mostrar seu desenvolvimento pessoal. Além disso, o que move a história geralmente são as ações das mulheres, os homens são uns fodidos envolvidos em situações indesejáveis e em sua caracterização não existe essa preocupação com motivação nem nada do tipo. Como eles são o cúmulo do humor, todos os esforços do autor são gastos em definir suas qualidades mais marcantes que podem ser usadas para fazer piada. Por exemplo: André é um gordo enorme que adora ser espancado e Gakuto é um nerd culto que apesar de ter uma inteligência acima da média, sempre é rebaixado ao mesmo nível dos outros devido a sua perversão, e justamente por ser o nerd, acaba sendo ainda mais zuado que o resto do grupo.


A arte é tão boa que uma página fora de contexto quase sempre é incompreensível, duvido você conseguir adivinhar o que está acontecendo na imagem abaixo sem ter lido o mangá. As cenas mais pervertidas que chegam a beirar o sexo, muitas vezes são menos erotizadas do que um acontecimento que teoricamente seria normal. Pode parecer algo fácil, mas conseguir moldar totalmente o clima de uma situação, de um enredo e dos sentimentos dos personagens só através da arte visual, é um feito considerável.



O anime
Geralmente eu não falo sobre, mas nesse caso recomendo fortemente que assistam o anime e leiam o mangá. A adaptação de Prison é extremamente fiel - é praticamente o mangá com movimento, tirando uma página ou outra para manter o dinamismo. Sendo assim, tenho que admitir: certas coisas funcionam melhor no anime. O entendimento delas se torna mais fácil devido a animação, logo fica mais engraçado.
Um dos meus personagens preferidos é o diretor da escola, pois ele consegue a façanha de redigir frases, como se palavras fossem sílabas tônicas. Quando ele o faz com sua cara de protagonista de filme de ação, parece até que é outro mangá.

Eu quero ser esse cara quando eu passar dos 30.

Essas cenas dele ficaram boas no mangá, mas eu consegui entendê-las melhor porque eu assisti o anime primeiro. Então eu me pergunto: como teria sido se eu não o tivesse feito?
Ambos são muito bons, mas o anime é mais dinâmico. Outro fator que influencia isso é a qualidade dos dubladores; a voz do Gakuto, por exemplo, ficou perfeita.

Conclusão
Prison School é uma obra que junta tantas características e situações inesperadas, que é praticamente impossível levar a sério. Ela é semelhante a Monogatari, que também casa vários aspectos aparentemente impossíveis de se misturar, fazendo isso com maestria dado o objetivo da obra: te fazer rir. Apesar de todo o fan-service, duvido você achar um mangá de comédia com uma arte tão esplêndida e piadas tão cheias de baixaria. Devemos valorizar aquilo que é único, e duvido alguém fumar tanto quanto Hiramoto Akira para criar outra obra semelhante a essa.
Se você quiser se divertir, Prison School é para você. Mas lembre-se, nunca leia isso numa sala de estar, imagina o constrangimento se te pegarem lendo as cenas que fazem alusão a yaoi? A menos que você seja realmente gay e queira ser visto como tal, sem problemas se esse for o caso.

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