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Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

[Impressões] Jessica Jones

 Finalmente surge na tela uma heroína de respeito
Assim como a maioria das pessoas, eu nunca liguei para Jessica Jones. Já havia ouvido falar sobre, mas nunca tinha me interessado pela personagem  - o universo Marvel é tão grande e complexo, que é dificil acompanhar qualquer coisa ali. Ou seja, fui totalmente desprovido de expectativas e exclui até mesmo os ensandecidos gritos dos fanboys referente ao fato de ser uma série da Marvel: "Demolidor foi foda! Essa série também será!". Qualquer pessoa sensata sabe que isso não é motivo para confiar em alguma empresa, aliás é motivo para desconfiar - nem mesmo com Vingadores a Marvel conseguiu acertar tanto, por que acertaria com séries?

Jessica é uma mulher aparentemente normal (a não ser pela cara de Kurt Cobain drogado), que vive sozinha como investigadora particular. É interessante notar esse primeiro momento, pois ele preza por abordar a personagem enquanto ser humano. Em um primeiro olhar, notamos certas semelhanças com o Demolidor, principalmente por conta do aspecto visual mais realístico e sombrio, e a noção de estabelecer a heroína enquanto pessoa. Sendo assim, a ação demora a acontecer, mas isso pode ser qualificado como algo benéfico.

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Apesar de todos sabermos que Jessica tem superforça e invulnerabilidade, esses poderes não são jogados a torto e a direita para parecer cool, o que difere e muito do universo cinematográfico da Marvel. No mundo real, caso existissem heróis, por mais que eles protegessem a cidade, não ficariam explodindo coisas. Entretanto, já nesse simples começo somos apresentado a outra faceta de Jessica: o trauma.
Eu não entendo como alguém tem trauma do David Tennant, mas tudo bem vamos lá: durante todo o primeiro episódio, vamos aos poucos descobrindo sobre Killgrave ou O Homem Púrpura, um vilão (sofista) bem diferente, pois seu poder tem por base a persuasão.

Deste modo, temos dois paralelos: Jones sarcástica, sozinha e insensível; e Jones melancólica, sozinha e sensível. Essas duas facetas da personagem acabam por lhe dar tridimensionalidade e mesmo havendo muitos momentos, digamos, badass, todos estão em volta de outras problemáticas, como o alcoolismo. Ou seja, o principal não é a heroína em si, mas a personagem como um todo.

Apesar do visual ser semelhante ao de Demolidor, até por que se passa na mesma cidade, podemos notar uma diferença: Demolidor tem um clima sombrio, sujo e mafioso; Jessica Jones segue a ambientação suja e sombria, mas tem uma vibe mais noir - cores chapadas e pautadas no preto e branco, lembrando os filmes da década de 40 e as revistas Pulp. Até mesmo o enredo tem fortes influências disso: em determinado momento me senti assistindo Sherlock. Mas aí entra a mescla com a ideia de heróis da Marvel e o que poderia ser algo desastroso, combina perfeitamente. Assim, temos mais uma vez a dualidade: de um lado a necessidade de ser crível, voltado para o pessimismo e, do outro um mundo de heróis com roupas coloridas, criando um certo realismo fantástico.

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O primeiro episódio, Moça bonita não paga, já nos insere no ambiente de toda a temporada. Inicia-se com o foco em Jessica e decorre deste jeito, descompromissadamente, ainda interessante, mas bem lento. De repente, surge um problema que interfere na personagem principal enquanto heroína e enquanto pessoa - boom! Nos vemos frente a um frenético, acreditem se quiser, terror!
A resolução segue o melhor estilo Sherlock, mas com o já dito tom fantasioso, e um peculiar suspense aterrorizador aumentando a cada minuto.

A Marvel conseguiu acertar mais uma vez, mas justamente por procurar trabalhar cada personagem isoladamente. É por Jessica Jones ser autossuficiente, longe do que foi Matt Murdock, que ela nos cativa com sua personalidade problemática. Como este é um [impressões], não posso dizer como fica o todo, mas desde já devo registrar minha alegria por ver o bom uso de clichês misturado a uma originalidade impactante. Eu diria que o diferencial não necessariamente está na parte sombria, mas no fato de conseguir mesclar harmoniosamente momentos descontraídos, levando elementos de comédia romântica e o classicão dos heróis, com sangue, dor e assassinato; Watchmen mandou um alô.
A série tem todo um clima noir aconchegante, que consegue nos imersar naquele lugar e nos levar a diferentes contextos - você sabe quando uma obra é boa, a partir do momento em que há ansiedade por tudo o que vai vir, sem esperar nada.

El Psy Congroo. 

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