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Destaques

Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Análise Inusitada] MasterChef Brasil, 2° Temporada

Masterchef é um game show de culinária, produzido em mais de 40 países. É uma das maiores atrações do mundo e para ser sincero, acredito que tenha demorado para chegar ao Brasil: nosso país é bem chegado na culinária e tem muito a se contar. Mas, o problema principal era - como adaptar um game show tão característico para a nossa cultura?
Com toda a certeza, afirmo que a primeira temporada maestralmente conseguiu. Era uma coisa nova e diferente; uma mistura de novela, com trama emocionante, competição no melhor jeitinho brasileiro, provas malucas totalmente imprevisíveis e personagens cativantes. Ao fim, todos pensavam: a segunda temporada será melhor, certo?
Errado.


Pontos positivos


Geralmente começo as análises explicando o que é a obra e o enredo principal, mas como isso não é exatamente uma obra (apenas um produto), explicarei mais ou menos como funciona:
Diversos participantes são selecionados para a dita cozinha mais famosa do Brasil. Lá, eles devem passar por diversas provas, que consistem basicamente em uma competição inicial, para decidir quem será imune, ou seja, vai direto para o próximo episódio, ou quem irá para a prova eliminatória, uma segunda fase que decide quem sairá. O resto é sujeito a plot twists (como fulano pegar carta mágica e tirar os poderes culinários de beltrano)

A primeira coisa a se notar é a produção. A primeira season já fora muito bem produzida, mas essa superou - até mesmo as produções americanas. Os cortes, trilha sonora, momentos de fala e etc, foram muito bem encaixadas, em um aspecto visual lindo, que valoriza a comida. Antes de tudo, um programa sobre gastronomia tem que fazer as pessoas sentirem fome. Podemos notar um orçamento maior, com novos patrocinadores e ferramentas.
Toda a dinâmica construída, desde a cobrança dos jurados aos momentos finais de entrega dos pratos, é bem desenvolvida. Vamos acompanhando passo a passo as emoções daqueles personagens tão humanos, mas tão característicos, com suas particularidades. A grande sacada do Masterchef é adentrar no psicológico de cada um e criar expectativas.

Ainda falando de produção, a inovação é perceptível. Estão sempre querendo criar momentos imprevisíveis de forma criativa. Agora não basta fazerem arroz com feijão, os competidores tem que fazer arroz com feijão usando um braço só. A cobrança é maior e consequentemente o nível (?).

Pontos Negativos


Ana Paula Padrão define quase tudo o que é de ruim no programa. A apresentadora não combina com o game show e muito menos consegue seguir a dinâmica criada. É algo que claramente destoa do resto.
A produção realmente evoluiu, mas pena que o roteiro enfraqueceu. Buscando uma audiência maior, vimos fanservices por todo lado: os momentos engraçadinhos e constrangedores ganharam 90% da atenção na primeira parte da seleção. Os jurados claramente encarnam um personagem, tão caricatos e desnecessários, que chega a ser bizarro. Gordon Ramsey quando pega um prato e joga no lixo, claro que está fazendo showzinho, mas o cara realmente é assim; é apenas uma exaltação da sua própria personalidade. Aqui fica um misto de, por exemplo, Fogaça atencioso e Fogaça preciso gritar com alguém.
Jacquin já era conhecido pelo jeitão pimpão, mas Paola também entra nessa vibe e encarna outra pessoa. Apesar das emoções, que muitas vezes me surpreenderam, o foco acaba se dando somente nisso, formando um programa teatral que intercala a todo momento.
As provas também não ajudaram. Em sua maioria foram menos criativas e com menos locações interessantes, apesar da verba claramente maior. As provas em equipe foram desinteressantes, valendo mais pelo o clímax e atrito entre os participantes - de novo, a tal emoção.
É importante focar nos sentimentos, mas unir isso à parte técnica. Tentando buscar um público maior, Masterchef força situações que não existem para criar divergências ou momentos caricatos bem preparadinhos. Os pratos em si ficam um pouco de lado; o clima descompromissado da primeira temporada não existe, seguindo-se uma ideia de competição ferrenha. O que aqui no Brasil se torna uma santa novela das oito.

É aquela coisa da tv aberta: começa interessante, mas aos poucos se torna apelativo para poder agradar a massa. Achava que esse programa seria uma exceção - espero estar enganado na terceira temporada.
"Raul olhando a Paola acima"
Frente a tudo isso, o vazamento dos finalistas muitas semanas antes da final, direcionou para uma queda na expectativa e digo mais, até desconfiança. Talvez possa ser favoritismo de alguns, mas quando você olha a cada 5 minutos Jiang levando puxão de orelha e os jurados escolhendo massa para Izabel e mandando Raul pra eliminatória com bife Wellington, há de surgir uma pulga atrás da orelha. 


Considerações finais

Masterchef continua sendo um bom programa, mas não ótimo. A apelação acaba por tornar as coisas por deveras previsíveis. Em suma, ainda é um produto cultural para as massas, mas que poderia agregar mais conteúdo e menos novelismo.
Houveram diversos pontos altos, como a emocionante saída de quase todos os participantes, mas em torno de situações questionáveis; não importa, ninguém pode falar nada, já que não está lá para provar os pratos, não é mesmo?
O último episódio prova a pressão apelativa da qual eu falo. Videos engraçadinhos e Preta Gil apresentando, não valem nem  a metade de um pai abrindo um pote para ajudar a filha - sem a necessidade de ser demasiadamente exagerado. Parece que os produtores analisaram e notaram que o público prestava atenção e envolvia-se mais nesses momentos  - a ironia está aí; criar toda uma situação para agradar o telespectador e entregarem o contrário, por isso a grande decepção. Esse é o problema de se lidar com grande audiência: ou você aprende a manipular ou se torna refém.


Vale ressaltar e elogiar a inovação da Band em direcionar-se para a internet. Dou meus parabéns, pois finalmente alguém está percebendo que as redes sociais não são inimigas, mas aliadas.

Torço para que o programa não se prenda em um formato e tente sempre seguir em frente. Do contrário, se tornará como Big Brother: um frankenstein bizarro de dispositivos para agradar e emocionar o público.

El Psy Congroo.

*esse post não deve ser levado a sério. É uma brincadeira descompromissada com o modo que analisamos obras. Quem sabe o que podemos extrair até mesmo de um programa de massa? ~trocadilho~


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