Pular para o conteúdo principal

Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Análise Inusitada] MasterChef Brasil, 2° Temporada

Masterchef é um game show de culinária, produzido em mais de 40 países. É uma das maiores atrações do mundo e para ser sincero, acredito que tenha demorado para chegar ao Brasil: nosso país é bem chegado na culinária e tem muito a se contar. Mas, o problema principal era - como adaptar um game show tão característico para a nossa cultura?
Com toda a certeza, afirmo que a primeira temporada maestralmente conseguiu. Era uma coisa nova e diferente; uma mistura de novela, com trama emocionante, competição no melhor jeitinho brasileiro, provas malucas totalmente imprevisíveis e personagens cativantes. Ao fim, todos pensavam: a segunda temporada será melhor, certo?
Errado.


Pontos positivos


Geralmente começo as análises explicando o que é a obra e o enredo principal, mas como isso não é exatamente uma obra (apenas um produto), explicarei mais ou menos como funciona:
Diversos participantes são selecionados para a dita cozinha mais famosa do Brasil. Lá, eles devem passar por diversas provas, que consistem basicamente em uma competição inicial, para decidir quem será imune, ou seja, vai direto para o próximo episódio, ou quem irá para a prova eliminatória, uma segunda fase que decide quem sairá. O resto é sujeito a plot twists (como fulano pegar carta mágica e tirar os poderes culinários de beltrano)

A primeira coisa a se notar é a produção. A primeira season já fora muito bem produzida, mas essa superou - até mesmo as produções americanas. Os cortes, trilha sonora, momentos de fala e etc, foram muito bem encaixadas, em um aspecto visual lindo, que valoriza a comida. Antes de tudo, um programa sobre gastronomia tem que fazer as pessoas sentirem fome. Podemos notar um orçamento maior, com novos patrocinadores e ferramentas.
Toda a dinâmica construída, desde a cobrança dos jurados aos momentos finais de entrega dos pratos, é bem desenvolvida. Vamos acompanhando passo a passo as emoções daqueles personagens tão humanos, mas tão característicos, com suas particularidades. A grande sacada do Masterchef é adentrar no psicológico de cada um e criar expectativas.

Ainda falando de produção, a inovação é perceptível. Estão sempre querendo criar momentos imprevisíveis de forma criativa. Agora não basta fazerem arroz com feijão, os competidores tem que fazer arroz com feijão usando um braço só. A cobrança é maior e consequentemente o nível (?).

Pontos Negativos


Ana Paula Padrão define quase tudo o que é de ruim no programa. A apresentadora não combina com o game show e muito menos consegue seguir a dinâmica criada. É algo que claramente destoa do resto.
A produção realmente evoluiu, mas pena que o roteiro enfraqueceu. Buscando uma audiência maior, vimos fanservices por todo lado: os momentos engraçadinhos e constrangedores ganharam 90% da atenção na primeira parte da seleção. Os jurados claramente encarnam um personagem, tão caricatos e desnecessários, que chega a ser bizarro. Gordon Ramsey quando pega um prato e joga no lixo, claro que está fazendo showzinho, mas o cara realmente é assim; é apenas uma exaltação da sua própria personalidade. Aqui fica um misto de, por exemplo, Fogaça atencioso e Fogaça preciso gritar com alguém.
Jacquin já era conhecido pelo jeitão pimpão, mas Paola também entra nessa vibe e encarna outra pessoa. Apesar das emoções, que muitas vezes me surpreenderam, o foco acaba se dando somente nisso, formando um programa teatral que intercala a todo momento.
As provas também não ajudaram. Em sua maioria foram menos criativas e com menos locações interessantes, apesar da verba claramente maior. As provas em equipe foram desinteressantes, valendo mais pelo o clímax e atrito entre os participantes - de novo, a tal emoção.
É importante focar nos sentimentos, mas unir isso à parte técnica. Tentando buscar um público maior, Masterchef força situações que não existem para criar divergências ou momentos caricatos bem preparadinhos. Os pratos em si ficam um pouco de lado; o clima descompromissado da primeira temporada não existe, seguindo-se uma ideia de competição ferrenha. O que aqui no Brasil se torna uma santa novela das oito.

É aquela coisa da tv aberta: começa interessante, mas aos poucos se torna apelativo para poder agradar a massa. Achava que esse programa seria uma exceção - espero estar enganado na terceira temporada.
"Raul olhando a Paola acima"
Frente a tudo isso, o vazamento dos finalistas muitas semanas antes da final, direcionou para uma queda na expectativa e digo mais, até desconfiança. Talvez possa ser favoritismo de alguns, mas quando você olha a cada 5 minutos Jiang levando puxão de orelha e os jurados escolhendo massa para Izabel e mandando Raul pra eliminatória com bife Wellington, há de surgir uma pulga atrás da orelha. 


Considerações finais

Masterchef continua sendo um bom programa, mas não ótimo. A apelação acaba por tornar as coisas por deveras previsíveis. Em suma, ainda é um produto cultural para as massas, mas que poderia agregar mais conteúdo e menos novelismo.
Houveram diversos pontos altos, como a emocionante saída de quase todos os participantes, mas em torno de situações questionáveis; não importa, ninguém pode falar nada, já que não está lá para provar os pratos, não é mesmo?
O último episódio prova a pressão apelativa da qual eu falo. Videos engraçadinhos e Preta Gil apresentando, não valem nem  a metade de um pai abrindo um pote para ajudar a filha - sem a necessidade de ser demasiadamente exagerado. Parece que os produtores analisaram e notaram que o público prestava atenção e envolvia-se mais nesses momentos  - a ironia está aí; criar toda uma situação para agradar o telespectador e entregarem o contrário, por isso a grande decepção. Esse é o problema de se lidar com grande audiência: ou você aprende a manipular ou se torna refém.


Vale ressaltar e elogiar a inovação da Band em direcionar-se para a internet. Dou meus parabéns, pois finalmente alguém está percebendo que as redes sociais não são inimigas, mas aliadas.

Torço para que o programa não se prenda em um formato e tente sempre seguir em frente. Do contrário, se tornará como Big Brother: um frankenstein bizarro de dispositivos para agradar e emocionar o público.

El Psy Congroo.

*esse post não deve ser levado a sério. É uma brincadeira descompromissada com o modo que analisamos obras. Quem sabe o que podemos extrair até mesmo de um programa de massa? ~trocadilho~


Postagens Relacionadas

Comentários

Postagens mais visitadas