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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

Eu odeio Harry Potter

Mas calma lá galerinha, que estou falando do personagem.
Eu vivi o furor do infanto-juvenil. Cresci, assim como tantos outros jovens, lendo as aventuras de Harry e cia, para então me embrenhar por centenas de universos. Este post serve mais como uma análise do saudosismo e uma critica, que caberia melhor ao fim dessa história (para ser exato, lá em 2007).

Harry Potter é uma série ótima, com um universo muito bem construído. Percebe-se em cada livro as influências da autora, mas sem deixar de ser original. Realmente é um mundo mágico, que consegue transportar qualquer pessoa para ele e não só isso, vivenciá-lo. Ou seja, primeiramente temos um plano de fundo bem estruturado e criativo, que atrai o leitor: nós somos parte daquele lugar. Após isso, temos uma linha principal, que é onde a história ocorre e somos apresentados à esse mundo: Harry é um garoto, que sobreviveu diante do ataque do bruxo mais malvado do mundo e logo, aos 11 anos, descobre ser também um bruxo. Diante disto, a maior influência que vejo são os rpg's, o que por sua vez faz os primeiros livros se assemelharem às visual novels japonesas.
Veja bem, Harry é um menino que sofre diversas humilhações, mas se analisarmos sua personalidade a fundo, veremos que ela não existe. Sendo assim, o leitor toma o papel dele e trás para si os sentimentos e emoções. O mundo bruxo de Rowling nada mais é que uma partida mestrada, com o foco em um personagem que em suma, não existe.
Deixe eu explicar melhor: quando o autor cria um personagem, apesar de todas as suas idealizações da história, o mesmo acaba agindo de forma própria - ou seja, cria vida. Para mim Harry nunca criou vida. O que sucede-se é que ele é simplesmente um catalisador para servir de modelo para o leitor. Eu pego o livro, leio, e vivo com Harry essas experiências tão mágicas, onde me relaciono com personagens tão carismáticos. Essa minha observação pode ser comprovada pelo o fato de todos os outros personagens, os coadjuvantes e secundários, agirem de forma própria e serem mais interessantes que o próprio protagonista.
Tente imaginar uma cena: o trio de amigos (Harry, Hermione e Rony) está diante de um monstro gigante. Você consegue imediatamente delinear como Hermione e Rony reagirão. Mas e Harry? Ele simplesmente não tem personalidade, ficando suas ações ao acaso da criatividade do autor.

Para mim, ao inicio isso é uma fórmula louvável e genial: J.K. Rowling está mestrando uma partida de RPG, mas sem deixar isso explicito; ainda é um romance, com uma história a ser narrada. Porém, conforme Harry cresce, surgem problemas, justamente com o fato de ser um livro: o personagem precisa mudar, pois todos mudam, e se ele não crescer, a identificação com o leitor acaba. Mas, diferente de uma criança, crescer implica escolhas - ou seja, Harry precisa de uma personalidade. O resultado dessa necessidade, está no cansativo A Ordem da Fênix.
E o que sucede-se depois? Um Harry transmorfo, com pitacos de personalidade hora aqui hora ali, mas tentando sempre continuar a ser a conexão do leitor com aquele mundo. As deficiências desse personagem começam no Prisioneiro de Azkaban, mas ali, até o Cálice de Fogo, Harry não importa, pois está envolto de acontecimentos surreais que só exigem ação. O melhor momento do personagem, em que ele assume uma postura e finalmente existe, é lá pra metade do Cálice de Fogo até seu final; e só. No livro seguinte surge uma confusão louca e tediosa de uma personalidade forçada, assim como nós outros, pois a história aos poucos começa a se fechar no argumento principal - não temos acontecimentos isolados. Agora se trata puramente do Harry, e aí morre a parte RPG, onde se tratava de um menino genérico e, novamente explicando, nós assumíamos como protagonista e os diversos acontecimentos iam decorrendo ao nosso redor. Assim, viramos observadores do próprio Harry como pessoa (não mais somos ele). E então, a questão pesa: que pessoa? Harry não tem personalidade e nada disso foi construído. Essa é a principal falha de J.K. Rowling.

Basta observar, os momentos em que HP é genial, é quando o ao redor toma foco - a melhor parte do Príncipe Mestiço, pelo menos para mim, foi quando Harry visita as memórias de Dumbledore,
A série tem falhas e isso precisa ser reconhecido, o problema é o saudosismo. Quando olho qualquer livro de Harry Potter, na hora me vem um dia frio de inverno, onde minha mãe chegou com um livro "daquele filme que tava no cinema" e perguntou se eu queria ler. Tudo remete à minha infância e as diversas aventuras que vivi ali, junto com Rony e Hermione. Porém, por mais que eu tenha me emocionado com o final, seja o do livro ou do filme, tenho que deixar de lado minha emoções e usar meu senso critico.
O final de Harry Potter é extremamente fraco. Os acontecimentos em si são incríveis, mas justamente por tudo que disse neste texto, ou seja, a história se fechar em torno de Harry, ele fica forçado e previsível. O epílogo então, soa desconcertante - não vai de acordo com a escrita que a série atingiu e nem o ponto que estava. Em determinados momentos, Rowling decidiu seguir o RPG, indo para o que estava arquitetado, sem considerar o desenvolvimento próprio do universo. O maior exemplo disso é Harry e Gina, um casal sem sal que nunca combinou. Por mais que seja uma série infanto-juvenil, me entristeceu o final "... e viveram felizes para sempre". E digo mais, a falta de continuidade - fica tudo inacabado, como se houvessem dois finais: o que a autora queira fazer e o que os fãs queriam ver. Basicamente, no último capítulo das Relíquias da Morte, me senti lendo uma fanfic.
Em contraparte, exemplifico a série Percy Jackson, onde o autor, por mais que tenha que seguir o felizes para sempre, brinca com isso e termina de modo criativo, explorando ao máximo o próprio universo. Percy tem os problemas básicos de um protagonista de infanto-juvenil, mas que surgem em Os Heróis do Olimpo, já que ele não é mais o narrador; porém, mesmo quando "apagado", suas ações nunca soam demasiadamente forçadas e acima de tudo, ele não segue um modelo - está sempre se questionando sobre aquilo tudo que vive e o que pode acontecer. Percy é um menino cabeça dura e digamos, "burro", mas extremamente perspicaz e esperto. Sua personalidade faz total sentido em suas ações - ele existe.

Enfim, não quis estragar a infância de ninguém, mas Harry nunca existiu, quem foi protagonista em todas as histórias foi você e isso, seja pro bem ou pro mal, teve suas consequências.

El Psy Congroo.

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