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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

Eu odeio Harry Potter

Mas calma lá galerinha, que estou falando do personagem.
Eu vivi o furor do infanto-juvenil. Cresci, assim como tantos outros jovens, lendo as aventuras de Harry e cia, para então me embrenhar por centenas de universos. Este post serve mais como uma análise do saudosismo e uma critica, que caberia melhor ao fim dessa história (para ser exato, lá em 2007).

Harry Potter é uma série ótima, com um universo muito bem construído. Percebe-se em cada livro as influências da autora, mas sem deixar de ser original. Realmente é um mundo mágico, que consegue transportar qualquer pessoa para ele e não só isso, vivenciá-lo. Ou seja, primeiramente temos um plano de fundo bem estruturado e criativo, que atrai o leitor: nós somos parte daquele lugar. Após isso, temos uma linha principal, que é onde a história ocorre e somos apresentados à esse mundo: Harry é um garoto, que sobreviveu diante do ataque do bruxo mais malvado do mundo e logo, aos 11 anos, descobre ser também um bruxo. Diante disto, a maior influência que vejo são os rpg's, o que por sua vez faz os primeiros livros se assemelharem às visual novels japonesas.
Veja bem, Harry é um menino que sofre diversas humilhações, mas se analisarmos sua personalidade a fundo, veremos que ela não existe. Sendo assim, o leitor toma o papel dele e trás para si os sentimentos e emoções. O mundo bruxo de Rowling nada mais é que uma partida mestrada, com o foco em um personagem que em suma, não existe.
Deixe eu explicar melhor: quando o autor cria um personagem, apesar de todas as suas idealizações da história, o mesmo acaba agindo de forma própria - ou seja, cria vida. Para mim Harry nunca criou vida. O que sucede-se é que ele é simplesmente um catalisador para servir de modelo para o leitor. Eu pego o livro, leio, e vivo com Harry essas experiências tão mágicas, onde me relaciono com personagens tão carismáticos. Essa minha observação pode ser comprovada pelo o fato de todos os outros personagens, os coadjuvantes e secundários, agirem de forma própria e serem mais interessantes que o próprio protagonista.
Tente imaginar uma cena: o trio de amigos (Harry, Hermione e Rony) está diante de um monstro gigante. Você consegue imediatamente delinear como Hermione e Rony reagirão. Mas e Harry? Ele simplesmente não tem personalidade, ficando suas ações ao acaso da criatividade do autor.

Para mim, ao inicio isso é uma fórmula louvável e genial: J.K. Rowling está mestrando uma partida de RPG, mas sem deixar isso explicito; ainda é um romance, com uma história a ser narrada. Porém, conforme Harry cresce, surgem problemas, justamente com o fato de ser um livro: o personagem precisa mudar, pois todos mudam, e se ele não crescer, a identificação com o leitor acaba. Mas, diferente de uma criança, crescer implica escolhas - ou seja, Harry precisa de uma personalidade. O resultado dessa necessidade, está no cansativo A Ordem da Fênix.
E o que sucede-se depois? Um Harry transmorfo, com pitacos de personalidade hora aqui hora ali, mas tentando sempre continuar a ser a conexão do leitor com aquele mundo. As deficiências desse personagem começam no Prisioneiro de Azkaban, mas ali, até o Cálice de Fogo, Harry não importa, pois está envolto de acontecimentos surreais que só exigem ação. O melhor momento do personagem, em que ele assume uma postura e finalmente existe, é lá pra metade do Cálice de Fogo até seu final; e só. No livro seguinte surge uma confusão louca e tediosa de uma personalidade forçada, assim como nós outros, pois a história aos poucos começa a se fechar no argumento principal - não temos acontecimentos isolados. Agora se trata puramente do Harry, e aí morre a parte RPG, onde se tratava de um menino genérico e, novamente explicando, nós assumíamos como protagonista e os diversos acontecimentos iam decorrendo ao nosso redor. Assim, viramos observadores do próprio Harry como pessoa (não mais somos ele). E então, a questão pesa: que pessoa? Harry não tem personalidade e nada disso foi construído. Essa é a principal falha de J.K. Rowling.

Basta observar, os momentos em que HP é genial, é quando o ao redor toma foco - a melhor parte do Príncipe Mestiço, pelo menos para mim, foi quando Harry visita as memórias de Dumbledore,
A série tem falhas e isso precisa ser reconhecido, o problema é o saudosismo. Quando olho qualquer livro de Harry Potter, na hora me vem um dia frio de inverno, onde minha mãe chegou com um livro "daquele filme que tava no cinema" e perguntou se eu queria ler. Tudo remete à minha infância e as diversas aventuras que vivi ali, junto com Rony e Hermione. Porém, por mais que eu tenha me emocionado com o final, seja o do livro ou do filme, tenho que deixar de lado minha emoções e usar meu senso critico.
O final de Harry Potter é extremamente fraco. Os acontecimentos em si são incríveis, mas justamente por tudo que disse neste texto, ou seja, a história se fechar em torno de Harry, ele fica forçado e previsível. O epílogo então, soa desconcertante - não vai de acordo com a escrita que a série atingiu e nem o ponto que estava. Em determinados momentos, Rowling decidiu seguir o RPG, indo para o que estava arquitetado, sem considerar o desenvolvimento próprio do universo. O maior exemplo disso é Harry e Gina, um casal sem sal que nunca combinou. Por mais que seja uma série infanto-juvenil, me entristeceu o final "... e viveram felizes para sempre". E digo mais, a falta de continuidade - fica tudo inacabado, como se houvessem dois finais: o que a autora queira fazer e o que os fãs queriam ver. Basicamente, no último capítulo das Relíquias da Morte, me senti lendo uma fanfic.
Em contraparte, exemplifico a série Percy Jackson, onde o autor, por mais que tenha que seguir o felizes para sempre, brinca com isso e termina de modo criativo, explorando ao máximo o próprio universo. Percy tem os problemas básicos de um protagonista de infanto-juvenil, mas que surgem em Os Heróis do Olimpo, já que ele não é mais o narrador; porém, mesmo quando "apagado", suas ações nunca soam demasiadamente forçadas e acima de tudo, ele não segue um modelo - está sempre se questionando sobre aquilo tudo que vive e o que pode acontecer. Percy é um menino cabeça dura e digamos, "burro", mas extremamente perspicaz e esperto. Sua personalidade faz total sentido em suas ações - ele existe.

Enfim, não quis estragar a infância de ninguém, mas Harry nunca existiu, quem foi protagonista em todas as histórias foi você e isso, seja pro bem ou pro mal, teve suas consequências.

El Psy Congroo.

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