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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Impressões] Tsukimonogatari; Monogatari em geral


Nisio Isin é um autor que de certo modo admiro, o cara chupa tanto crack que nem sei como consegue manter coerência em suas histórias.
Estava assistindo Tsukimonogatari e logo de cara já percebi porque gosto dessa franquia, a direção de arte e fotografia são ótimas.


​Nos primeiros minutos já aparece uma das características que permeiam em todos os Monogatari, o sobrenatural ou sobre-humano. A aparição mencionada é o nome dado para seres além da realidade, youkais, demônios, anjos, vampiros. Para Isin é tudo a mesma merda, são todos seres que se moldam de acordo com a crença humana, eles não dependem dela pra existir, mas a fé neles sempre influência sua aparência.

 

E aí começa o crack, Monogatari não é nada mais que conversas, conversas muito loucas sendo representadas na forma mais maluca no contexto mais bizarro.

Adaptar essa história é um desafio enorme, afinal nos livros você lê páginas e páginas de diálogos, isto é normal pra este tipo de mídia, porém em animação você pode botar pessoas conversando por horas a fio? Não da certo. Pra embelezar os diálogos fizeram algo que combina muito com o autor, usaram mais crack: todo tipo de referência ou alteração na arte é comum, além de que ninguém nunca fica parado, existe uma enorme exaltação nas palavras mais comuns, nem a câmera para de se mexer nesse anime, em uma cena de diálogo é possível ter uma sensação de movimento e mudança como em nenhuma outra - palmas pro estúdio Shaft.

ASTRO ARARAGI!

 Araragi monstrão.

E logo mais outra característica desse autor é apresentada, a putaria. O que afasta muita gente, afinal aqui ela é muito explícita. Eu vejo ela mais como uma das várias piadas da história - para o Nisio Isin, tudo é objeto de ridículo. Nessa cena, Koyomi toma banho com sua irmã, o que por si só já é muito sugestivo, mas em vez deles ficarem "AH!ONI-CHAN! OLHA MINHA BUNDA!",  eles começam a falar sobre o rumo da vida, discutindo vestibular e o futuro na porra de um banho, não consigo assistir com seriedade depois de me apresentarem esse tipo de situação. E o mais irônico ainda é que nessa discussão, com os dois pelados, as características mais fortes da personalidade deles ficam claras. Araragi mostra o quanto é protetor com as pessoas que se importa, e Tsukihi deixa bem claro que, apesar de todas as suas atitudes infantis, ela não é uma criança. È possível ver que ela é muito mais madura que sua irmã, muito mais que as pessoas conseguem perceber. Tudo isso... em um banho.


"Araragi enquanto observa a cena abaixo."

"Você disse incesto?"
LANNISTER, Jaime.

Todo tipo de estereótipo de cunho sexual vira piada,  seja loli, menina peituda, yandere, roupa esportiva, complexo de senpai, siscom, tsundere, loli legal perante a lei pois tecnicamente tem mais de 18, nekomimi, brother complex, além das coisas que não lembro agora. E o mais impressionante é que, mesmo reunindo esse circo dos horrores, cada um dos personagens é bem construído, eles nunca são reduzidos a SÓ o arquétipo que o compõe, você acha que eles ficam dialogando sobre o quê? Sobre seus problemas, medos, anseios, preferências, ódios, amores, gostos (as vezes até sexuais), amizade, futuro, complexos e de vez em quando eles falam nada com nada pra criar uma situação cômica.

Geralmente as pessoas não conseguem filtrar a parte sexual e empacam de vez, parando de assistir ou tachando de merda pornográfica. O primeiro posicionamento é totalmente válido, já o segundo não. Menosprezar toda a qualidade técnica só porque tem pornô não me parece certo, assista o vídeo abaixo e me diga que não parece legal!


 
Por último, queria falar do protagonista e como gosto desse cara. Assim como todos os arquétipos de anime estão presentes, ele também tem um, ele seria o típico protagonista de harém bobalhão shounen. Porém, Araragi Koyomi não é típico em nenhum sentido- o que você faria se tivesse um monte de mina se esfregando em você? Arararagi se aproveita de cada uma delas pelo menos uma vez, e não é um contexto de analogia a estupro, nem em uma situação estilo "tropecei e caí nas suas tetas", é tudo em meio a mais pura zuera, por mais que ele faça muita coisa duvidosa as meninas não são inocentes também, elas vivem se insinuando pra ele, elas gostam dele de uma forma ou de outra, homem não é o único ser safado do mundo, e por mais que o publico alvo sejam homens, gostei dessa retratação das mulheres fora do arquétipo de inocência, esse que permeia muito as obras provenientes do Japão. Existem animes em que os personagens são tão inocentes que viram retardados, o que não condiz em nada com Monogatari.
Para balancear um pouco o fan-service, quando ele aparece pelado da pra ver que Araragi é todo musculoso. O que é até legal porque, eu nunca entendi esses harém no qual um milhão de mulheres sempre gostam de um cara magrelo e sem graça.

 

Araragi também tem complexo de herói, por mais que ele se mostre um homem com moral duvidosa, dando uma de pervertido em cima de uma criança ou "masturbando" sua irmã, por mais que ele seja tão estranho, ele nunca fez algo que pode ser considerado realmente maligno ou prejudicial para as pessoas a sua volta. É muito difícil explicar como isso acontece, pois explicar o contexto dele com cada personagem renderia outro texto bem maior que esse aqui. Mas o fato é que suas ações sempre são voltadas para o bem comum, e ele nunca pede nada em troca, as vezes ele ajuda pessoas que estão arrancando suas tripas, ou espancando ele até um estado de quase morte, o cara virou meio-vampiro pra ajudar uma vampira ancestral que, não tinha nada a ver com a vida dele - ele a viu desmembrada em um beco e se ofereceu pra ajudar. Em outra situação ele seria um personagem utópico, mas quando alguém que ajuda todo mundo é cheio de perversões, erros, piadas e ações casuais, não fica em um pedestal de perfeição, de auto-sacrifício se fazendo de mártir. Não consigo odiar um cara que, por mais que seja sortudo e azarado ao mesmo tempo, sempre tenta fazer o bem para quem está próximo dele. Provavelmente ele seja assim, para mais uma vez brincar com estereótipos, afinal todo protagonista de shounen é fodão, sempre luta pelo bem, se sacrifica pelos outros e tem uma sorte inacreditável com as mulheres.

Monogatari provavelmente é o melhor enredo em forma de piada que você pode encontrar, ou talvez a melhor junção de drama e cômico. Não conheço nenhum anime que casa tão bem o humor, história, tema, fan-service e direção artística. Tudo isso SEMPRE anda junto, até no fan-service. Em um anime normal, aquela cena do banho nem teria um cenário, nas minhas prints você percebeu que existe um mosaico enorme no banheiro? E que existem diversas bolhas e quadrados espalhados pelo cenário? Que tudo brilha, tem cores vivas e é feito de forma a realçar tudo que está na tela? Um anime que consegue fazer isso não pode ser ruim.






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