sexta-feira, 19 de junho de 2015

[Impressões] Tomb Raider (2013)

Tomb Raider é um jogo produzido pela a Crystal Dynamics e publicado no ano de 2013. A ideia principal é clara: reconstruir a história da icônica Lara Croft. Quem não se lembra da deusa quadradona dos anos 90? Infelizmente, parece que ela não soube se adaptar, com jogos cada vez mais diferentes, cada qual apostando em uma nova proposta. O problema da série foi não ter conseguido fôlego suficiente para adentrar a nova geração - os jogos mais novos foram bem recebidos pela a crítica, porém sem nenhum impacto significativo na figura de Lara, que antes era tão importante. Sendo objetivo, a série Raider havia se tornado casual. E com tanto outros concorrentes, o fim parecia próximo.
Quando anunciaram um novo Tomb Raider, dessa vez um reboot, minha reação foi de incerteza e esperança: Lara Croft sempre foi badass, porém, contar suas origens, buscando a transformação de uma garota em mulher, me parecia algo que combinaria perfeitamente. Mas o medo ainda perdurava, já me deparara com coisas assim: Zombie Island me fez chorar com seu trailer e na hora H me broxou completamente. O jogo era totalmente diferente daquele apresentado.
Por sorte, a fragilidade de Croft é abordada, indo além das expectativas: são horas de choros, urros e gritos de dor. Cada vez que algo parece bom, tudo fica pior e mais sofrível. É agoniante até mesmo ver essas mutilações, que fazem com que a protagonista se desenvolva de um modo humano.
Porém, é estranho observar esse jogo sob alguns pontos: é clara a tentativa de tornar Lara mais crível, no entanto, a jogabilidade torna rapidamente ela numa feroz assassina. Devo começar essa impressão com uma critica - esperava um pouco mais de dificuldade. Mas não digo isso em torno dos puzzles e resolução do enredo, mesmo que também deva acrescentar isso, mas da história. Ainda que tenha certas habilidades, Lara é uma total leiga na sobrevivência: poderiam ter criado um sistema mais cauteloso e paciente, de modo que em poucas horas a personagem não seja uma total perita na matança. Eu não prestaria atenção nisso, se no inicio do jogo ele não fosse preocupado com essa tal cautela que eu mencionei e de repente, no decorrer dos acontecimentos, esquecesse tudo isso.
Bom, já falado a parte negativa, vamos para todo o resto: exaltações.
Primeiramente, o jogo é muito bonito. Desde os cenários até o design das personagens, tudo é muito bem pensado. As texturas, as sombras, cores e etc, são meticulosamente arquitetadas. Isso acaba criando um mundo belo de se explorar, com uma mitologia muito rica: estátuas, tumbas e até mesmo as armadilhas, parecem levar de algum jeito uma história. Não há do que reclamar, mas sim o que acrescentar - poderiam haver mais lugares a se adentrar. Por mais que a história seja interessante, e os combates dinâmicos, o grande prazer é explorar as cavernas e tumbas, algumas escondidas no cenário.
A movimentação de Lara é fluída e condizente com seu aspecto. Se ela se machuca, teremos que lidar com uma personagem manca - o problema é isso acontecer de modo determinado, de acordo com a história. Essa falta de liberdade tira um pouco do brilho da exploração, mas tem um lado benéfico: quick time events. Esses momentos são bem escolhidos, de modo que surpreendem o jogador. Nada de botões aleatórios para vencer um chefão (sim, essa foi minha maior experiência com esse modo de jogo). Aqui, esses momentos pré determinados se unem incrivelmente com a história e com a liberdade de escolha - novamente, uma ideia: acrescentar ação e consequência seria algo interessante (exemplo: se Lara escolher A acontece isso. Se escolher B, acontece aquilo).
Enfim, mesmo com a liberdade suprimida, é confortante ficar horas explorando o cenário, enquanto seguimos um ótimo enredo e confrontamos inimigos críveis e inteligentes. A mescla de dinâmicas vindas de diversos jogos (cofcofcof Uncharted), beneficia Tomb Raider, criando nesse reboot, um game que em muitos momentos se foca no combate: para os fãs mais ardorosos, pode ser um pouco decepcionante o foco menor nas tumbas (o próprio nome do game), mas me parece plausível dentro do próprio universo e desenvolvimento da personagem (ainda mais visto a situação. Lara não está ali para buscar um artefato ou explorar as ruínas de uma civilização. Tudo é ao acaso, o principal é a sobrevivência). Sendo assim, temos uma mescla de ação, com rpg (coisa a qual adorei. Toda a ideia de experiência e montar armas é muito boa) e puzzles. A introdução de Croft é dramática, tendo o em torno na criação do ícone, ou seja, ela por enquanto está longe de ser quem conhecemos nos jogos antigos. Apesar do jogo em si ser sobre sobrevivência, ele nunca esquece o aspecto de exploração, aliás, este é o charme: Croft está perdida e começa a se surpreender com tudo que encontra. É ali que ela se apaixona pelo o perigo e pela beleza do passado, assim como nós enquanto controladores de suas ações. Me fascinou adentrar as tumbas e isso não tira mérito nenhum da ação frenética, é tudo totalmente válido - só espero que aos poucos seja melhor trabalhado nos próximos jogos.
O jogo refaz a origem de Lara Croft, mas ainda preso em duas questões: drama e tragédia. Ao sair em uma expedição, junto de uma equipe, em busca do antigo reino de Yamatai, Croft naufraga em uma ilha, em algum lugar na costa do Japão. É uma espécie de triângulo das bermudas oriental, só que muito pior. Nisso, nos deparamos com um lugar desolado, um museu de diversos épocas e tragédias, ao mesmo tempo que leva consigo suas raízes e tradições - coisa a qual conhecemos pela a parte visual e também na história. Junte um religioso louco, diversos imbecis desesperados e armas e, assim teremos o povo da ilha, que não mede esforços para matar Lara. E isso sem contar a parte sobrenatural, ao qual eu devo enfatizar: é muito interessante, pois não é algo clichê ou simplesmente fantasioso, é bem crível do próprio jeito.

Toda a superação da personagem principal enquanto busca sobreviver é deveras interessante, junto de toda uma nova cultura e vilões originais. Não existe grande foco nos personagens secundários e estes são bem fracos, mas servem de acordo com a necessidade do enredo, sendo suas participações satisfatórias.
Novamente ressalto os puzzles, muito inteligentes, pois unem a história com a jogabilidade - sem um, o outro não existe.

Mas e aí, Lara realmente está de volta?

Definitivamente sim. E para melhor.
Ainda há alguns acertos a se fazer, como o tão criticado multiplayer (nem sei por que existe) e todos os pontos que observei nessa impressão, mas tirando isso, é uma das melhores experiências que já tive com jogos. Mesmo com os erros, no final prevalece um jogo único que conta uma história envolvente, surpreendendo o jogador, que fica ávido por mais. Estou ansioso para acompanhar as demais aventuras de Lara, e fazer parte do seu desenvolvimento, explorando mais tumbas e cavernas. Enfim, fico feliz que uma personagem tão forte tenha dado tão certo. O jogo em si é nostálgico sem deixar de ser atual; é quase uma celebração dos games antigos, morte para estes e por fim, renascimento.

El Psy Congroo.

Imagens Aleatórias:

















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