domingo, 14 de junho de 2015

A Opressão Russa

As mudanças no mundo atual são evidentes e mais do que isso, estão em constante processo de transformação. Se em algumas décadas atrás, hoje tão distantes, via-se a repercussão da transmissão do primeiro homem na Lua com fascínio, atualmente é banal assistir qualquer guerra ao vivo e a cores. A cada clique, uma nova informação.            
Homens e mulheres, gordos, magros, altos e baixos, de todos os tipos, foram exterminados enquanto uma ingênua população, talvez não tão ingênua assim, acreditava em uma falsa ideia de utopia. Se na década de 40, Adolf Hitler manipulava a massa com simples mentiras, hoje tais falácias não teriam tanto efeito. Será?
           
Crianças imundas vagueiam por uma cidade destruída. Ainda jovens, perderam os pais em uma guerra ao qual nem se quer sabem por que aconteceu. Cachorros, quando não são ferozes e mortais, podem ser alimento; porém, é preciso tomar cuidado com pequenas gangues, principalmente dos garotos mais velhos. Furtar é inevitável, praticamente o suado trabalho que traz o pão de cada dia. Escola é aprender como sobreviver.           
O menino sujo, encontra uma televisão e olha para seus heróis: terroristas. Para o mundo, aquele lugar desolado não existe, muito menos a ideia de haver uma guerra. O garoto acha estranho assistir tudo aquilo - os vilões são os mocinhos e os mocinhos são os vilões.


           
A situação acima, poderia facilmente ser enquadrada na segunda guerra mundial. Ano? 1996. Local? Grozny, na Chechênia. Talvez apenas um nome estranho de país para a maior parte dos ocidentais. A guerra na Chechênia, local anexado à Rússia ainda no século XVII, é uma das mais emblemáticas e esquecidas do mundo. Em resumo, a região que fica no Cáucaso, sempre foi diferente. De cultura islâmica, a Chechênia tem em suas raízes um forte nacionalismo, desenvolvido principalmente pelas dominações que sofreu durante várias décadas – aliás, sofre. Foi em 1994, quando se iniciou a primeira guerra chechena, que seguiu-se uma constante dominação acompanhada de mudanças.
            
Em um primeiro momento, até 1995, as tropas russas destruíram a capital Grozny, em um conflito brutal buscando o controle da então autodeclarada república Chechena. Cerca de 80.000 civis foram mortos em pouco tempo. Basicamente, a via direta, pela força física, foi inútil para a Rússia; o mundo caiu horrorizado com tamanha brutalidade. Boris Yeltsin, primeiro presidente da democracia russa, considerado por muitos apenas um bêbado controlado por outros, se viu em uma crise gigantesca em seu governo. Estranhamente renunciou para que Vladimir Putin, antigo agente secreto da KGB, assumisse em 2000.
            
O combate então, mudou de vez. Putin, ao invés de assumidamente invadir a tal república da Chechênia, se limitou à alguns embates e claro, colocou alguém de sua confiança na presidência do outro país, Akhmad Kadirov, que foi eleito em um pleito questionável. A repressão foi inevitável e a revolta também. Só que desta vez não era uma guerra; a população chechena estava atacando contra a Rússia e isso se chama terrorismo. Sem vias para a revolta, os militantes chechenos viram nos atentados o único modo de chamarem a atenção do mundo, Vladimir Putin, por sua vez, usou e usa isso até hoje a seu favor.
           
Na Chechênia há uma grande quantidade de petróleo, ao qual a Rússia jamais irá abrir mão, não importa se é um país praticamente formado, com uma cultura e até mesmo língua diferentes. A guerra continua até hoje, atentados ainda ocorrem na Rússia, por conta dos rebeldes, mas cada vez menos. A batalha, enfim, se tornou um massacre e, dessa vez, totalmente controlado e aceito pelo o povo. Na mídia Russa, os chechenos são demônios e Vladimir um salvador. A aprovação popular do presidente é extremamente alta.
           
Em junho de 2004, Leonid Parfyonov, um dos rostos mais conhecidos da tv russa, se demitiu. Motivo? A alta censura aos meios de comunicação do país.
           
Recentemente, em abril, a Rússia fechou basicamente todos os meios de comunicação da Crimeia, após a anexação da região que antigamente fazia parte da Ucrânia.
"Vivemos tempos ruins. Nosso povo sobreviveu a Stalin. Como não vai superar os problemas atuais? Vai superar e sobreviverá", disse Lilia Budzhurova, diretora geral do canal de televisão ATR, ao se despedir de seus telespectadores.

Enquanto isso, Vladimir Putin é visto como um forte político, que fez finalmente a Rússia crescer após o declínio da União Soviética. Aventureiro, admirador de artes maciais e acima de tudo, sábio. Quase como um pai para essa importante nação. Hitler também foi considerado um guardião, para a então vulnerável Alemanha, em 1934.
Sim, tudo isso acontece no hoje; no agora. Não foi em um distante período histórico caracterizado pela brutalidade de reis ou ditadores. Sucede-se no perfeito mundo atual, que parece, de acordo com a grande mídia, ter apenas uma ressalva de guerrinhas no oriente médio. E o pior, é isso ser chamado de democracia, sendo claramente aceito pelo o povo. A ditadura de Hitler, ao qual o mesmo nunca matou um único ser humano e apenas plantou ideias, não ficou na Alemanha de 1945. Enfim, a Rússia aprendeu com os erros de Stálin.
Seja o primeiro a comentar.

Postar um comentário