segunda-feira, 20 de abril de 2015

[Recomendação] Kokou no Hito

Mori Buntarou é um garoto aparentemente estranho. Fechado, o menino não consegue trocar duas palavras com as pessoas e parece ser muito impulsivo, como alguém com sérios problemas psicológicos. A maioria das pessoas lhe olham de modo desprezível e quando param pra conversar, se decepcionam - Mori não está ali, naquele formato. É preciso também ser diferente para entendê-lo. Por mais que todos tentem criar uma relação com este, é quase impossível; o garoto fechou-se tão enraizadamente que nada pode derrubar a barreira dos traumas que o afligem - a não ser a escalada.

Kokou no Hito, ou The Climber, é um mangá lançado no ano de 2007 que tem como tema principal um esporte bem desconhecido no Brasil, a não ser por aqueles filmes americanos totalmente dramáticos de Sessão da Tarde : o alpinismo. A grande diferença de Kokou para outros mangás de esporte é que ele não está entrelaçado na necessidade de ser sobre uma determinada atividade e tudo girar em torno disto: não há campeonatos, vilões fodões da América, time rival competitivo do mal e etc; apenas seres humanos. São esses seres humanos que tornam a história incrível, pois em sua essência, o mangá é sobre problemas, as adversidades que fazem as pessoas caírem ou levantarem-se e as atitudes perante as barreiras - o caminho do bem ou do mal, que na prática não existe; apenas um único caminho cheio de incertezas para se chegar ao objetivo. Mas que objetivo? - o entendimento completo do próprio ser e, não necessariamente, a felicidade.
É tudo isto que permeia a mente de Mori, enquanto alguém lhe pergunta, "como está?". E é no alpinismo, para uma vida cheia de problemáticas, que os caminhos se manifestam. A escalada, é uma válvula de escape, que se mostra mais do que isso: um sentido para a vida. As montanhas são belas, sinceras, não perguntam demais, não tentam te entender demais, elas são as companhias perfeitas.

Ao inicio do mangá, Mori é completamente fechado e chegamos a sentir até mesmo antipatia por ele e sua demasiada falta de sociabilidade. O enredo é simples, muito agradável, mas bem estereotipado: há um menino novo, ele se mostra fodão em algo, todos os admiram, mas aí entra as adversidades da vida; quase uma filosofia narutesca. Mas, logo entra um porém, que diante daquele enredo comum, faz a história inverter-se.
Quando somos crianças ou adolescentes, a escola é tudo. Quem olha para o passado, consegue, além das idiotices, ver o quão pacatas e mundanas era a vida. Ao fim do colegial e pressão para a vida adulta, o mundo parece mudar, estranhezas surgem a todo o momento e a escola, com aquele molde, parece nem perto da realidade. É isso que Kokou Hito soa ao inicio sob um olhar de quem já leu sua trama mais à frente. Enquanto no começo infantil, ele é bom, mas após, se torna uma história extremamente elaborada, filosófica, cheia de sentimentos, que traz mensagens indescritíveis . O alpinismo junta-se em Mori como um só e vemos a todo quadro, seu crescimento como ser humano na difícil escalada que é a vida adulta. Sexo, suicídio, amor, desejos, escolhas e etc, são alguns dos temas abordados de forma dramática e realista; talvez estranha para nós brasileiros.

Então, junte um enredo extremamente profundo, com mensagens claras e ao mesmo tempo relativas, à um traço excepcional. O desenho em Kokou no Hito é incrível! O ilustrador consegue fazer algo deveras difícil: transmitir sentimento por meio de imagens feitas à mão. Sim, por que o mangá não é feito de desenhos, sim imagens - muito bem elaboradas e fieis a cada montanha e a cada perspectiva interna de Mori.
O interessante é que esse mangá não é possível explicar exatamente em palavras ou contar seu enredo - é daqueles que só a pessoa lendo poderá saber.


Por que você deve lê-lo?

Kokou no Hito é a melhor obra que leio em muito tempo, e não falo só dos mangás, falo de tudo que pode ser denominado como "obra". Dificilmente vemos um mangá tão realista, seja nos desenhos ou na história, em um país tão fechado socialmente como o Japão. É um caso a parte, que trata das incertezas mais mundanas, porém não menos importantes do ser humano.
Recomendo ele para você abrir seus horizontes, sua mente, sob uma nova perspectiva do que é a vida. Conheça Mori Buntarou e sinta seus sentimentos, desejos, medos e anseios, em um modo sujo e corrupto, não caricato, mas sim realista, que é a nossa sociedade.

Imagens Aleatórias:


















El Psy Congroo.
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