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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Analisando Jogos]Final Fantasy VII, o clássico


O jogo mais amado de toda a série e para muitos o melhor, mas será que é mesmo?

Enredo

Um dos pontos mais positivos do jogo. O tema é a destruição do meio-ambiente pela ambição humana, a sociedade de FF VII nunca descobriu como construir usinas elétricas iguais as nossas, por causa disso os cientistas de uma empresa chamada Shinra acabaram se voltando para a energia mako, essa energia na verdade se chama lifestream e mako é um nome criado para enganar as massas. O lifestream é a fonte de toda a vida, o sangue do planeta. A mensagem ecológica é sempre igual, só vivemos por causa do planeta, mas nossa tecnologia consome a vida dele.

A energia da vida.

Assim como existem diversos ciclos na ciência, em FFVII existe o ciclo do lifestream. O planeta gera essa energia, ela vem pra superfície em forma de vida e quando os seres morrem sua energia volta para o planeta para assim gerar mais vida, nada se perde pois tudo se transforma. Fora isso, ainda existe o contexto político que também é semelhante ao nosso.

A Shinra era originalmente uma empresa militar que ao descobrir uma super energia e estabelecer um monopólio, praticamente conseguiu o controle da sociedade. Existem sim políticos, mas eles são só figuras representativas, quem manda no governo é a Shinra, ela faz o que quer e não é tão diferente assim no mundo real: você acha que a eletricidade está a sua disposição por que os políticos e as empresas são boazinhas? Ela foi produzida originalmente para ser usada na indústria e depois as pessoas normais se beneficiaram com ela, o mesmo serve para estradas asfaltadas, você acha que aquele asfalto é pra você? Ele foi colocado ali para os carros e caminhões transportarem produtos. Você realmente acha que quem manda no país são os políticos? Quem financia suas campanhas, paga propina e muitas vezes quem "manda" neles são empresas multimilionárias, a maior parte do dinheiro na sociedade está na mão delas e não nas mãos do governo.


Voltando ao jogo, a Shinra estabeleceu uma ditadura. Alguns se rebelaram, mas nenhum movimento obteve sucesso. Eles destroem cidades de acordo com o bel-prazer dos diretores da empresa.

Você encarna Cloud, um ex Soldier (uma espécie de super soldado da Shinra). Depois de deixar a empresa, amiga de infância dele, Tifa, consegue trabalho em um grupo de resistência que conduz atos terroristas contra a Shinra. Sendo parte deste grupo, você tenta lutar contra a destruição do planeta e a ditadura da empresa, enquanto descobre sobre outros problemas do mundo e seu próprio passado, enfrentando o enigma de seu nêmesis, um dos personagens mais carismáticos dos video-games, o vilão Sephiroth.

A mensagem do jogo é bem simples, e isso é ótimo, pois não necessita de leituras externas para ser compreendida. Somos só fantoches no mundo do dinheiro, a Shinra é um exemplo extremo de tudo que existe de ruim em nosso mundo capitalista. Desigualdade social (afinal Cloud vive em uma das áreas mais pobres), guerras travadas para se ganhar recursos econômicos, lavagem cerebral por parte da mídia e uma cultura de "está tudo bem" enquanto a natureza é destruída. Como enfrentar esses males? Cloud virou um terrorista, o que você faria?


Ambientação

É preciso considerar que FF VII foi um dos primeiros jogos do Playstation original, toda a parte técnica do jogo era experimental na época, por isso o 3D é um dos piores que você pode achar. Em decorrência disso, a maioria dos cenários são rabiscados e confusos, existe até uma opção para você ligar setas no cenário, estas indicando onde se encontram as portas! Porque algumas simplesmente não são visíveis.

Acredito que até a ideia do mundo não foi muito bem representada na época - é uma mistura de cyber punk se infiltrando em um mundo era do vapor. Existem cidades muitos avançadas em tecnologia, enquanto outras parecem que pararam no século 19. Existem obras depois desta que retrataram esse mundo muito melhor que o original, como o jogo Final Fantasy VII:Crisis Core e o filme Final Fantasy VII:Advent Children. A cidade de Midgard e a Ancient City no Advent Children são alguns dos cenários mais detalhados que eu já vi na minha vida, enquanto no jogo de 1997, para os padrões de hoje, é um cenário só interessante e legal. É injusto comparar obras de épocas totalmente diferentes, mas o estou fazendo para evidenciar o quanto a tecnologia da época não deixou o jogo ser melhor.

Talvez o maior problema dos cenários seja o medo de entrar totalmente em um mundo de tecnologia. Existem cidades que nem são século 19, elas são medievais mesmo, como se os designers do jogo tivessem medo de mudar totalmente o clima, afinal Final Fantasy por anos foi uma série medieval com elementos de steam punk.

Gostei muito dessa pintura inserida no cenário. Gostaria de ter visto mais coisas assim. Afinal, no nosso mundo propaganda está em todo lugar.

A história é sim muito boa, mas não tiraram 100% dela. Por ser um jogo de início da geração, a parte cinematográfica também ficou bem abaixo da média do PS1.

"CARALHO, VOCÊ QUER VER COISAS DE CINEMA NO PS1? SE TA LOKO DE BALA OU SE TA NO TUIN?"

Ué, os outros JRPGs do PS1 conseguiram apresentar uma parte cinematográfica muito mais desenvolvida que FF VII. Além disso, no final da geração, foi lançado Metal Gear Solid, um jogo que prova que não é preciso gráficos para se fazer um bom filme, afinal até hoje ele tem uma experiência consistente graças a direção de Kojima.

A cada FF a Square tornou o jogo mais próximo de um filme, sempre se preocupando em refinar os gráficos e melhorar a direção de fotografia.




Certas questões poderiam ter sido abordadas de forma mais profunda. A mensagem ficou clara, mas não é uma análise complexa de como a sociedade funciona. Muitas partes da sociedade relevantes ao mundo moderno tiveram uma aparição rápida e depois sumiram. A mídia não foi bem trabalhada, a reação da população à Shinra também e as ações da empresa poderiam ser mais complexas do que simplesmente "Essa cidade se rebelou, ta na hora do pau" e "Vamos fazer experimentos com lifestream", pois é praticamente isso que acontece durante o jogo todo. Pelo menos a TV poderia ter sido melhor utilizada, tendo em vista que existem várias pelo jogo todo. FF VII é uma análise da sociedade moderna, infelizmente uma que não abrange a mesma por inteiro.



Personagens

Existem alguns personagens que me trouxeram pensamentos relevantes sobre a interpretação do jogo:


Tifa

É uma das responsáveis por popularizar um dos maiores clichês do Japão, o da amiga de infância gostosa que é apaixonada pelo protagonista. Só que aqui a coisa não é tão semelhante a esse clichê onde tudo é tão dócil - a relação de Cloud e Tifa é tempestuosa, eles podem se dar muito bem como podem discordar muitas vezes. Ela lembra muito a personalidade da mulher moderna, o que tem tudo a ver com a ambientação do jogo, tendo que se virar sozinha e muitas vezes sendo tão ou mais forte que os homens. Entretanto, geralmente o que fica em evidência nela é seu visual sexy, pois é um dos maiores sex simbol de toda a franquia e provavelmente do mundo dos video-games.

"Mas ela era toda quadrada cacete, como isso é sex appeal" Meu rapaz, na época era legal(Hehe) E com o tempo ela foi deixando a imagem quadrada para trás.

Essa é a Tifa de hoje em dia.

Aeris

A personagem mais conhecida desse jogo. A sua morte foi um choque para a época, pois matar um protagonista da história que você conviveu por tanto tempo era uma prática inédita para muitos, mais uma das inovações do jogo e não, isso não é spoiler, em todo lugar está escrito que ela morre, quando falam em FF VII já falam de sua morte. Até existem easter eggs homenageando ela em tudo que é lugar, tipo essa pichação em Detona Ralph.

"Aerith Lives!"

Ela é famosa por morrer, poucas vezes falam do fato de que ela é uma das melhores personagens do jogo, se não a melhor. Ela é bonita, usa vestidos, é meiga, gentil e tem um semblante inocente. Mas apesar desse visual ela é um dos personagens mais sábios do jogo. Após crescer em um ambiente difícil e viver no lixão, ela aprendeu a se virar e a compreender as pessoas. Ela também nota a crise de identidade de Cloud com seus problemas de memória, e diferente de Tifa ela tenta ajudá-lo a se reencontrar de uma forma que não prejudique seu estado atual. Enquanto viva, ela foi o interesse romântico mais forte de Cloud e provavelmente a queridinha do jogador.

Não tirem ela do grupo pensando "Ah, ela vai morrer", porque Aeris é uma personagem extremamente carismática e muito fora do estereótipo. Ela tem muitas características clichê, mas não se deixa ser presa por elas, assim como Tifa ela é forte, não quer ser tratada como um peso e faz de tudo para se manter em pé de igualdade com qualquer um. Mas diferente de Tifa, ela nunca é reduzida a um sex simbol, todos que gostam da personagem lembram dela como um personagem que merece carinho, pois seu visual inocente não da espaço para uma interpretação exageradamente sexual.

Aeris e Cloud durante o festival.

Aeris também é muito mais sábia que praticamente todos os personagens homens do jogo. Ela é como aquela figura materna que sempre compreende o seu sofrimento e consegue ajudar você a superá-lo - é isso que ela tenta ser para Cloud.

Arrisco dizer que ela é até o melhor personagem de todo o jogo, é raro uma personagem de JRPG que age de forma tão ativa com seu interesse romântico, e essa é uma das melhores, o enredo andava para o caminho de uma relação aberta entre os dois, até que ela morreu. Sua morte abalou profundamente Cloud, dando espaço para sua relação com Tifa se desenvolver mais. O que em questão de roteiro seria ainda melhor, pois mostraria a superação da perda e que você tem que seguir em frente. Após a morte dela, a relação deles se desenvolve muito, porém eles nunca dão o próximo passo. Uma justificativa pode ser o fato de que tudo aconteceu muito rápido e eles não tiveram tempo, afinal o mundo estava acabando no momento.


Aeris foi feita para morrer, Tetsuya Nomura disse que na fase beta do jogo já pensavam em como matar ela e, que toda a surpresa, raiva e tristeza que sua morte causou, mostram que ela foi um personagem muito bem sucedido. Se ela tivesse morrido e ninguém ligado, quer dizer que ela era uma personagem ruim.


Vincent

Vincent tem um plano de fundo muito foda, mas me decepcionei com a forma que foi mostrado no jogo. Sua postura em relação a história é tão indiferente que até o Cloud acreditou que ele não ligava para nada.
Vincent era um turk, uma espécie de agente de forças especiais da Shinra. Por causa de alguns acontecimentos ele foi capturado por um cientista e sofreu diversas experiências. Essas experiencias o transformaram em algo que não é totalmente humano, tem gente que diz que Vincent é vampiro, mas ele está mais para um mutante.



Vincent é um dos personagens mais populares do jogo, e não é por menos, o seu design é muito mas muito bom, você não sabe porra nenhuma sobre ele, mas ainda é muito legal ter ele no grupo só pra ver aquele cara vermelhão se transformando em monstros. Não da pra adivinhar o quanto Vincent está ligado ao plano de fundo da história, o quanto ele deveria se importar com o que acontece, mas em vez disso ele não demonstra emoção, ele é muito indiferente.

Menosprezaram tanto ele durante o jogo que depois lançaram Dirge of Cerberus, um jogo em que ele é o protagonista.

Cait Sith
Este é com certeza o personagem mais underrated de todos. Culpa dos desenvolvedores, afinal só da pra compreender bem o personagem lá pelo final.

Cait Sith primeiramente aparece como um boneco de um parque que alega ter vida, mas na verdade ele é uma maquina controlada remotamente pela Shinra para se infiltrar entre os terroristas.



O negócio é que Cait Sith não é um filho da puta da Shinra, ele é uma das pessoas mais realistas de todo o jogo. Dentro da Shinra ele tenta sempre fazer coisas que não prejudiquem as pessoas, como parar ou amenizar conflitos, mas nunca consegue por que a hierarquia da empresa não permite.
Cait Sith é um pacifista. Apesar de inicialmente ser um espião, ele continua ajudando o grupo de Cloud pois acredita que assim pode restaurar uma paz maior. Para mudar o sistema você tem que fazer parte dele, é por isso que Cait Sith está na Shinra. Interessante, não? O problema é que, pelo menos eu, só consegui ver a personalidade dele claramente no finalzinho do jogo. Durante todo o enredo ninguém joga com ele, ele não aparece tanto pra se provar como pacifista, fica como uma maquina que te acompanha e é só isso. Sua ideia não fica clara até você estar quase terminando o jogo.

Advent Children

Um longa metragem dirigido por Tetsuya Nomura. No primeiro Kingdom Hearts, ele fez uma animação com lutas muito boas e a recepção desta foi ótima. Então ele apresentou sua ideia sobre um filme de 30 minutos cheio de lutas muito bem animadas. O projeto cresceu e foi aí que nasceu Advent Children. Por que esse filme é relevante? Porque ele é o verdadeiro final da história.

Como dito antes, muitas coisas na parte de representação não atingiram o seu máximo no jogo original. Além disso, o final do jogo foi um dos mais preguiçosos que eu já vi. Não concluíram nada ali, só botaram um The End grosseiro na sua cara.

OLHA ESSA MIDGARD. O encontro de Denzel e Cloud.

O filme se passa dois anos após o final do jogo. O enredo é bem aleatório, os produtores queriam reviver Sephiroth e pra isso criam um trio de vilões que são cópias chapadas do tio Seph. Mas felizmente essa história fraca não gera incoerência com a história antiga, diferente do desastre que foi o roteiro de Dirge of Cerberus.

Apesar do filme ser a conclusão da história, não é errado dizer que ele é a conclusão de Cloud. A relação dele com a Tifa se tornou tão profunda que em Advent ele até mora com ela, os dois adotaram um órfão chamado Denzel. Tifa gerencia um bar, enquanto Cloud é um tipo de super moto-boy. No jogo ficava muio claro o quanto a Tifa amava ele, eles finalmente ficaram juntos! Só que não. A relação deles é mostrada como amizade mesmo. Como eu disse nesse texto aqui, japonês é muito cagão para aproximar os sexos. Existe material pra caramba no jogo antigo e no filme, eles até moram juntos, porém eles tem medo de mostrar uma cena de afeto entre os dois. A Square AMA deixar a conclusão de certas coisas para a mente do jogador.

Essa cena aqui não conta, eles não estão dormindo juntos, eles desmaiaram perto do outro lol.

Umas das melhores coisas desse filme é ter um vislumbre de como está o mundo após os eventos do jogo. O filme é totalmente focado em Cloud, mas os outros personagens fazem aparição, alguns até dão a entender o que estão fazendo da vida. Por exemplo, os funcionários remanescentes da Shinra estão trabalhando para ajudar o mundo que eles prejudicaram. A animação é muito bonita, se fizessem uma remake do FF VII com esses gráficos, se aprofundando mais no enredo e reestruturando o gameplay, meu filho, este remake imaginário poderia até virar o melhor FF já feito.


Minha maior ressalva com o filme, fora o medo de colocar um romance decente, é o estado do Cloud. Ele está diferente de como era no final do jogo, na verdade ele regrediu, o protagonista era uma pessoa fechada que ao longo da história ia se abrindo, o fazendo principalmente com a ajuda de Tifa. Aqui ele está bem diferente dessa conclusão que tiramos dele, ele voltou a se fechar totalmente e começou a evitar a Tifa e Denzel! Ele ainda se culpa muito pela morte da Aeris, o que é incoerente, pois a Tifa o ajudou a superar isso durante o jogo. Não estou dizendo pra ele esquecer ela, nunca devemos esquecer aqueles que foram importantes para nós, mas devemos prestar mais atenção em quem está do nosso lado!

Gameplay

Você pode andar, interagir com pessoas e objetos, coletar itens e travar batalhas de turno, o básico de um RPG japonês. Não existem classes no jogo, você define a função de um personagem pelas materias que você da a ele. Existem esferas mágicas no jogo que são a fonte dos poderes, elas são a manifestação do lifestream em forma extremamente concentrada chamadas de materia. Os equipamentos possuem slots e nesses slots você equipa elas, se você quiser uma magia de fogo deve equipar a materia fire, bem simples e uma ideia bastante legal, o problema é que ela não foi balanceada.

Depois de FF VII, o sistema de materias até foi colocado em desuso, os FF seguintes preferiram utilizar árvores de skills. O que tornou as materias algo ruim foi: elas tiravam a caracterização dos personagens, não existir classes em um RPG é algo muito ruim, não da um papel para os personagens, quando a situação está assim você simplesmente escolhe seu grupo pensando em quem você acha mais legal, isso empobrece bastante a parte tática do jogo porque, além dos personagens, características específicas das materias são muito fortes e você pode equipar muitas. É claro que muitos FF fazem o mesmo, no X você pode ter todas as skills do jogo com todos os personagens, mas isso só depois de um farm extremamente demorado lá no finalzinho do jogo, até você chegar lá precisa passar por pelo menos 60 horas de gameplay, na qual cada personagem tem sua posição específica.

Não se assuste pelo tempo. Você zera o jogo em 30h, eu tenho 60 pois peguei todos os achievements do Steam.

Final Fantasy VII é um jogo fácil, mesmo se você jogá-lo de qualquer jeito. Agora, se você jogar pegando todas as materias e usando as mais fortes, o jogo se torna mais do que fácil, se torna uma brincadeira de bebê. Batalhas de turno para muitos são tediosas, as melhores que eu vi utilizavam um alto teor estratégico para prender totalmente a cabeça do jogador, mostrando pra você que a formação da equipe é importante, a evolução das skills mais ainda e que você deve saber o uso eficiente de cada uma delas. É assim com Final Fantasy X e XII, no VII você simplesmente pega uma matéria super foda, se a batalha for difícil é só usar ela algumas vezes que facilita. A summon Knights of the Round é o maior exemplo disso. Ela da hit kill na maioria dos bosses do jogo.

Em questão de RPG, FF VII é o básico do básico. Não é ruim, mas não é extraordinário, pois não possui singularidades em seu sistema.

Dirge of Cerberus


Eu disse que fizeram um jogo só pro Vincent. Esse jogo vale a pena?

Na minha análise dele existem dois pontos:

1- O gameplay é legal, não é excepcional, mas é legal.

2-O roteiro é horrível. O jogo não analisa profundamente o Vincent, é algo bem fraco que se foca mais em coisas que já sabemos. Além de que, pra criar um inimigo o Kazuhige Nojima tirou um super exército secreto do rabo! Do rabo! Onde você esconde um exército cara? Onde ele estava quando o mundo quase acabou anteriormente? Além disso, reviveram um certo vilão de uma das maneiras mais escrotas possíveis. Sephiroth pôde ser revivido porque a sua consciência já estava dentro do lifestream, ele está além da humanidade, seu DNA gerou três cópias chapadas de tão poderoso que ele era. Ele corrompe tudo o que toca, ele é a antítese do lifestream. Agora o vilão desse jogo... não quero nem falar sobre isso, só vou dizer que ele não era nenhum ser próximo a Sephiroth, e que ele foi fatiado em mil pedaços no jogo de 1997.

Esse treco é um spin-off irrelevante, o spin-off bom é o Crisis Core.


E então, por que é o melhor Final Fantasy?


Bem, tudo que falei até agora é levando em consideração a média de hoje em dia. Na época, Final Fantasy VII foi responsável por popularizar diversos conceitos pouco usados pela indústria japonesa e ocidental. A maioria dos JRPGs de SNES e NES eram medievais, foi um grande passo ir para um cenário futurista, tanto que no Plasystation 1 os jogos com temas espaciais ou de ficção cientifica explodiram, e parte desse sucesso se deve ao estrondo que Final Fantasy VII fez.



A revolução no character design, personagens com cabelos malucos, visuais apelativos, espadas gigantes e personalidades mais melancólicas, não era algo comum. Mas depois de FF VII, diversos jogos, animes e até alguns livros, decidiram adotar essas características.
Vocês já viram como eram os personagens dos Final Fantasy antigos? Eles faziam o estilo true knight, usando armaduras, tendo personalidades virtuosas. O Cloud é apresentado como um cara irônico, fechado e que muitas vezes parece ser egoísta.

CG de Final Fantasy VII

Uma das revoluções da época: FF VII foi o primeiro jogo a usar computation graphics para mostrar vídeos muito mais bonitos que os gráficos do jogo. As CGs não rodam em tempo real, elas são vídeos gravados, é incontável o número de jogos que usaram CGs depois de FFVII, God of War sendo um dos mais notáveis.

E não vamos esquecer do Sephiroth - além do protagonista melancólico, o jogo foi responsável por apresentar um tipo diferente de vilão. Um que não é uma criatura como os outros bosses de FF, ele tem uma aparência andrógena, é extremamente poderoso, todos o temem como se ele fosse uma força da natureza, possui um passado trágico e é um tipo de experiência, o tornando algo além da humanidade. Parece familiar? Esse conceito foi usado e esgotado dezenas de vezes na indústria japonesa. Sephiroth é um vilão muito marcante, mas que poderia ser mais. Você vê muito do que ele fez no passado, mas no presente ele não age tanto assim. Se você gosta de um vilão por suas ações, então talvez você ame ou odeie ele. Seph e os outros vilões da série FF até o VII(tirando Kefka), geralmente são seres que pairam sobre a a história, causando motivação ou medo enquanto se mantem ocultos e aparecem no final pra fuder de vez. A construção do Sephroth é muito boa, mas no jogo em si ele não é uma força que te cativa, não é um vilão que quando aparece você pensa "CARALHO ELE VAI FUDER TUDO, FUDEU CARALHO", ele aparece bem rápido e faz algo que você não entende, depois vai pra outro lugar fazer outra coisa que você não compreende. Grande parte da interação com ele é confusa.

Antagonismo.

O sucesso de Sephiroth se deve mais ao carisma que ele impõe por ter bases muito boas como personagem, um carisma que seria colossalmente maior se ele fosse um personagem mais participativo. Quem age como vilão pra se opor ao seu grupo não é ele, mas a Shinra. De vilão famoso, que pode-se dizer que lembra Sephiroth, existe o Orochimaru de Naruto. Esse sim que nos primeiros arcos da série foi um ótimo vilão, sempre mostrando porque ele é mal, fazendo presença e influenciando as ações de diversos personagens através da sua manipulação.

Mas então, tendo todas as inovações, FF VII ainda é incrível hoje em dia como foi na época? Mas é claro que não, todos os conceitos que o jogo apresentou foram desenvolvidos e utilizados de forma muito melhor pelos jogos que vieram depois dele. Os conceitos de FF VII são complexos, mas apresentados de forma simples, os jogos que o sucederam tinham conceitos mais complexos ainda apresentados de foma mais refinada, usando um teor cinematográfico muito mais desenvolvido. E as CGs? Na época foi uma inovação gráfica, mas ainda sim são gráficos usando o 3D experimental do início do Playstation. As CGs de Chrono Cross, jogo feito pela mesma empresa e na mesma geração, superam totalmente as de FF VII.


Além de que a maioria dos conceitos que FF VII popularizou não foram criados por ele - Phantasy Star já fazia jogos futuristas desde o Master System, Gatts do mangá Berserk já usava espadas gigantes muito antes de Cloud e Sephiroth e os cabelos malucos estavam presentes em Yu-gi-oh e Dragon Ball antes de terem sido trazidos aos jogos por Final Fantasy. Talvez o maior mérito do jogo seja a questão biológica mesmo, pois depois dele, poucos jogos de sucesso gigantesco se interessaram sobre o assunto.

O jogo é endeusado mais pelo saudosismo, a arte anda pra frente, nunca ouvi falar de um tipo de entretenimento que nunca evoluiu com o tempo. Ficar simplesmente dizendo que os jogos antigos são melhores e os novos uma merda é errado. Jogos novos tem potencial clássico tão grande quantos os antigos.

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