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Destaques

Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

"Amor, estranho, amor..."

[Analisando Filmes] O Profissional
O Profissional, filme de 1994 com o fantástico Jean Reno e nada menos que a estreia da linda Natalie Portman. E eu com a cabeça inclinada e a voz baixa, quase num sussurro, admito que nunca havia conferido o longa.
Nah, mas não se preocupe. Este problema já foi resolvido!
Espera aí: você nem sabe do que eu estou falando? - se respondeu sim para esta questão, se acomode na cadeira que esta review (quase uma recomendação) há de fazer você se interessar pelo filme.

Imagine que você viajou junto da sua família para outro país, para tentarem uma vida melhor. Seu pai, todo entusiasmado com o novo emprego e, a sua mãe toda feliz com a casa nova. Seus irmãos viviam lhe enchendo o saco, mexendo nas suas coisas e mudando de canal quando você assistia o seu programa preferido. Ah... Mas isso vai mudar. A casa nova será maior e terá mais de uma TV.
Em uma noite, sexta-feira, data do teu aniversário, todos querem sair para comemorar. Menos o aniversariante.
De castigo por ter desrespeitado o horário proposto na nova casa e ter matado aula por não estar acomodado no novo país, se sente enraivecido e reluta em sair para jantar junto da família. Depois de muita discussão, pede aos berros: "Sabe qual seria o melhor presente?! TODOS VOCÊS SUMIREM!"
Seu pai, entendendo a situação, decide por pedir uma pizza e deixar-lhe a vontade no seu aniversário, enquanto todos saem para se divertirem.
Sem mais nem menos, você bate a porta do quarto. Com a consciência pesada, acaba por não fazer nada. Apenas deita, depois às duas da manhã se levanta para comer pizza, ligar a tv, se jogar no sofá e dormir por lá mesmo.
Na manhã seguinte, acorda e liga a tv. Sonolento e reclamando ao ventos, senta no sofá. Logo se depara com a principal notícia do dia na cidade:
"Uma família inteira morreu em uma acidente na ponte. Ou quase, já que parece que o filho mais velho não estava junto no carro."

Seu mundo cai. Nada do que foi construído faz sentido.
A partir deste momento você está sozinho na vida e sabe disso. Amigos, pessoas de bom coração e até mesmo parentes distantes, podem vir lhe dar um abraço, mas o vazio sempre será infinito, pois quem realmente deveria estar te abraçando não está - e nunca estará. O papel motivador e de tutor, aquela figura imponente e de respeito - seu pai - não existe mais. Você deve se virar na vida, criar suas próprias relações, estudar sozinho, comer sozinho, dormir sozinho, trabalhar sozinho e colocar uma máscara sozinho perante a sociedade. Por mais que hajam pessoas ao seu redor lhe cercando, você já experimentou o amor antes. E este foi perdido.

É mais ou menos assim que Léon e Mathilda se sentem. E é por esse amor perdido que se unem.

Léon é um matador profissional com certa experiência, com uma vida monótona, que não vê mais sentido nenhum nesta. Mathilda, por outro lado, é uma criança, com uma vida agitada em meio ao pai traficante e os socos e pontapés que leva por todos. A menina quer viver a vida, mas não sabe como é ter que tomar decisões que podem definir o futuro de outros. E como saberia? Ela só tem 11 anos. Por mais que precocemente seja madura, Mathilda continua sendo uma criança sem muitos conhecimentos, que vive em um mundo de fantasia.
Com seu jeito peculiar, o assassino vive modestamente sem muitas considerações do que acontece ao seu redor e do por que faz o que faz - Matar estranhos para ele parece ser tão normal quanto um funcionário entregar o relatório para o chefe.
Antes de tudo, devemos falar de algo polêmico que deve constranger algumas pessoas: o amor.

Mas não o amor qualquer, sim o amor entre pessoas de idades diferentes. É perceptível que a relação de Léon e Mathilda é algo além da amizade, não sendo tão "certinha" como algo entre pai e filha. As tensões sexuais são grande parte do atrativo do filme, que lida muito bem com o psicológico das personagens.
Em uma cena Mathilda se arruma toda para Léon e pede para este lhe tirar a virgindade. Léon não responde algo do tipo: "eu tenho idade para ser seu pai" ou "você é só uma criança". Ele parece ter total noção do que acontece, apenas não está pronto para amar novamente, independente da idade da outra pessoa.
Mathilda, que se mostra uma grande sedutora, quase uma adulta já, tem seu mundo de ilusão despedaçado, voltando à faceta que esteve sempre presente, mas que vez ou outra se esconde: ela é uma menininha. E o passado de Léon é forte demais até mesmo para essa menininha imaginar.

Bom, antes de prontamente se conhecerem, o casalzinho tem um affair. Algo como um amor platônico não confirmado.
Parecem dois adolescentes: a menina revoltada e o cara estranho que nem olha para a pequena.
Mas quando a vida de Mathilda sofre uma reviravolta, ela acaba recorrendo à pessoa mais próxima - Léon.

O enredo acerta ao insistir e bater na tecla dos sentimentos, sem medo de ser lírico e poético. Envolto de cenas épicas, o crescimento das personagens é claro, com um desenvolvimento fascinante.
E não é por ser sentimental que O Profissional esquece do "chamativo" da trama. Muito pelo contrário.
As cenas de ação são bem encaixadas e inteligentes. Cada movimento de Léon é crível o bastante para ser real, independente das forçações do gênero.

As atuações estão demais! Destaque para Jean Reno, Natalie Portman e Gary Oldman. O trio fodástico dá toda uma expressão peculiar e original ao filme, que se sustenta à base deles.
Natalie tem uma atuação assustadora. A menina entra de vez na personagem, nos surpreendendo diversas vezes.
Jean Reno apesar de interpretar um personagem frio, consegue passar todas as suas emoções - desde a ingenuidade, até a raiva e descontentamento.
Gary Oldman por outro lado, interpreta um sujeito expressivo, que pende entre a genialidade e a loucura. Você nunca sabe qual será a sua ação, mesmo quando o comandante da cidade aponta a arma para o próprio parceiro, em um ato descompromissado de conversa.

O que talvez faça o enredo pecar é sua pouca fé em si mesmo, apressando algumas coisas, que se melhores desenvolvidas, poderiam dar um filme épico. O desenvolvimento entre Mathilda e Léon parece ser cortado um pouco depois da metade, como uma ligação defeituosa que fica perceptível, dando luz à forçação de barra, que mesmo sendo visível, ficava escondida e plausível por estar engajada no desenvolvimento.
O fim, mesmo completo, não fica à altura do que foi construído. Mas também não se desmerece.


CONCLUSÃO


O Profissional é um filmaço! Que funciona não só como entretenimento, mas como lição de vida. Uma experiência única de vivência entre dois seres diferentes.
Por pender entre a fantasia e realidade, o acrobata muitas vezes perde o equilíbrio na corda bamba, mas jamais cai. Consegue de algum modo se ajeitar, mesmo que tortamente e, continua o espetáculo louvavelmente.
As cenas de ação são demais, todas muito bem pensadas.
Luc Besson não faz feio e surpreende, pois há muito mais além do sentimentalismo forjado para dar impulso à trama e muito mais além das matanças bonitinhas. Há uma ideia. E ideias bem pensadas são à prova de criticas. Como diz um carismático personagem: "Ideias são a prova de balas".

El Psy Congroo.

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