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Conversa Paralela #1: O amor e a diversidade de Steven Universo

Olá pessoas, bem-vindos ao primeiro Conversa Paralela!

Uma análise sobre a popularidade no youtube

Na Coréia um fenômeno tem surgido pelas redes sociais, chamado mukbang. Consiste em nada menos que pessoas, numa espécie de sala de bate papo, assistindo outras pessoas comendo. Sim, isso mesmo, comendo. De acordo com a BBC Brasil, cerca de 10 mil pessoas assistem Lee Chang-hyun todos os dias, que faz uma espécie de performance de degustação. O artista se considera um avatar, uma espécie de expressionista para o que o povo quer.
A explicação para toda essa loucura na Coréia, são os padrões de beleza, principalmente nas mulheres, que se satisfazem vendo Lee comer algo que na prática não poderiam, pois engordaria. Do lado de cá, essa atitude por parte dos coreanos soa totalmente bizarra, e entra no hall de doideiras estereótipadas que pensamos do povo asiático. Mas será que somos tão diferentes assim?


Mauro Morizono Filho, mais conhecido como Japa, faz vídeos de humor relativamente pequenos mas que ganham bastante acessos na internet. O porém não está aí, sim na sua intimidade com os fãs - advindo de uma geração já acostumada com a tecnologia, Japa passa quase que o dia todo logado, seja no twitter ou postando daily vlogs. Na rua, é parado na maioria das vezes por jovens, desde crianças à adolescentes. O sucesso é imenso.

Christian Figueiredo é outro youtuber que ganhou grande visibilidade graças à seus videos descompromissados e sinceros, que abordam diversos assuntos ligados ao dia-a-dia. Sua interação com as redes sociais também é viciante, o que claro, seja no youtube, twitter  ou instagram, lhe abriu portas. Recentemente publicou um livro (Eu Fico Loko: as desventuras de um adolescente nada convencional) e em seu canal, podemos ver também Daily Vlogs, postados numa média de 3 vezes por semana ou mais.  O sucesso é imenso.

Usei esses dois exemplos, pois são os principais da nova geração que vem fazendo grande estardalhaço no youtube. Ambos são distintos no seu conteúdo, apesar de levarem a comédia consigo -  porém, há algo que os faz, em essência, serem iguais. Algo que se aprimorou com o tempo, vindo desde o primeiro Vlog brasileiro, o maspoxavida, e anteriormente viajou pela inspiração dos youtubers americanos: a conexão.
Mas calma lá, que não estou falando de wi-fi, sim da conexão pessoal. A bisbilhotice e fofoca são grande atrativos para a humanidade em si, desde os tempos mais remotos da vida  em sociedade, o alheio gera interesse. Não é à toa o boom que houve dos reality shows no ano 2000: havia uma crescente tecnologia, que minimizou um pouco mais a privacidade. Lutamos pela democracia e a liberdade, mas o que nos diverte são desconhecidos presos numa casa.
Por mais que você odeie programas como Big Brother, algum dia deve ter sentado e prestado atenção. Ali, naqueles personagens da vida real, vemos nossos conflitos do dia-a-dia representados, nossos anseios desejos, atitudes e motivações, que fazem com que haja uma identificação. A mesma coisa sucede-se com as novelas, que insistem em abordar diversos personagens: o rico malvado/bonzinho, o pobre trabalhador, o tio engraçado; as confusões familiares comuns de natal, só que expandidas em outro nível, que estarrecem as donas de casa.

A relação entre tudo isso, mais uma vez, é a conexão. Portanto, Japa , Christian e etc, seriam tão diferentes de Lee Chang-hyun? Avatares de seu público, que muitas vezes não podem ter o mesmo estilo de vida seja na parte financeira ou psicológica. E mais ainda, público este que busca incessantemente algo que os represente ou sirva de catalisador - alguém que os entenda.
Então Lee soa estranho para nós ocidentais, enquanto talvez estejamos no mesmo nível ou pior, em necessidade de representação. Enquanto lá eles assistem um desconhecido comendo, aqui vemos toda uma vida ocorrendo, bem ali, frente aos nossos olhos. Atitudes que não conseguiríamos tomar e um ambiente que muitas vezes não faz parte do nosso convívio social.
Por mais engraçado que seja, o grande impulsionador dessa visibilidade toda é a curiosidade. Precisamos saber e saber. Quem é a namorada de quem, onde mora quem, como vive quem, aonde vive quem e etc, etc, etc... Isso, talvez possa explicar uma relativa queda nos acessos de Felipe Neto, que tem um grande boom toda vez que encarna o personagem exaltado nos vídeos do Não Faz Sentido, mas que aparece um pouco apagado em seu modo normal - ali, sendo Felipe da vida comum, ele não é tão avatar quanto o personagem de si mesmo.

Pc Siqueira e Cauê Moura, pioneiros no vlog brasileiro, tiveram seu numero de acessos reduzidos, comparados com os já citados youtubers. Essa explicação poderia ser dada por: não são mais sensação. Mas, como esse é o El Psy Congroo, vamos nos aprofundar um pouquinho.
Seguindo a linha de raciocínio construída até aqui, qualquer comunicador é um catalisador ou um avatar dominador de terra, ar, água e fogo , e a vida diária sempre gerou um grande interesse (a popular fofoca). Como a geração está sempre em rotatividade (z, y e o caramba), seus catalisadores também, então, portanto, se PC algum dia foi um grande avatar, a coisa tende a ir se tornando mais fechada e de nicho - os tais verdadeiros fãs que continuam a se identificar com sua fala.

A vida comum tende a se alterar fortemente e rapidamente quando pautada na atualidade, que é a internet. Então, se o computador já foi artigo principal de nerds, hoje em dia é dominado por crianças e donas de casa. Coisas como nerdices em geral não dão tantos acessos quanto cotidiano, por motivos óbvios.

Então, ao se comprometerem com seu público, os youtubers estão doando parte de suas vidas, ou melhor, suas vidas. O público se utiliza dessa vida e trás para si e, isso pode explicar por que determinados vídeos são criticados por simplesmente serem muito felizes ou muito tristes.

O que acontece na Coréia não é uma bizarrice, pois é contemporâneo ao o que acontece por aqui. Em todos os cantos a vida virtual tem tomado outras proporções e ninguém sabe o que pode acontecer daqui uns anos. Uma nova casa de confinamento, só que no youtube?
Analisando tudo isso, indo desde os tempos mais remotos em que a fofoca era assunto principal nas cidades e visto que, vivemos numa era da selva de pedra; por algum motivo, os seres humanos tem buscado cada vez mais interação com o meio exterior, mas sem sair da sua zona de conforto - a tendência é que cada vez mais gente fique conectada e cada vez mais gente sirva de modelo ou catalisador para as emoções.

O menino que acompanha 24 horas a vida do seu artista preferido, não se diferencia da mulher que religiosamente senta ao sofá para assistir o Big Brother. O único porém, é que na atualidade não necessitamos mais de cameras ou uma produção maquiada para ver a vida do outro - queremos fidelidade e não sabemos até onde isso pode nos levar.

El Psy Congroo.

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