domingo, 22 de março de 2015

Por que não fui nos protestos

Uma reflexão sobre a alienação
Na semana passada, dependendo do dia em que você estiver lendo este texto, muitas pessoas foram às ruas de São Paulo, o que somou uma quantidade incrível: cerca de um milhão e meio. Aí eu pergunto, quantos desses um milhão e meio realmente estavam protestando ou tinham plena consciência do porque estavam ali?
Houve um imenso contraste entre os protestos de domingo e os protestos de junho, aqueles lá em 2013. Não estou dizendo que é necessário violência para algo ser considerado válido, apenas que não houve debate ou nada do tipo neste - foi uma caminhada fácil e tranquila. Um senhor passeio - família dando volta com o cachorro, vovô e vovó achando que estavam no forró, uns cara querendo pegar mina e etc. Tava mais pra um rolêzinho na paulista do que qualquer outra coisa.

Mas vejamos, vamos com calma. Protestos são manifestações e, antes de tudo, de qualquer banalização, demonstram o poder do povo e sua mensagem a ser passada - aqui, o que acabou por prevalecer, foi o descontentamento com o governo. Esse descontentamento, quando massivo, tem uma força enorme de pressão - o que vimos nos pronunciamentos dos ministros e da presidenta. O que qualquer político teme é a reação popular.

Inicialmente, quando circulava esporadicamente na internet a informação de que haveria protestos no dia 15 de março, resolvi primeiramente analisar a situação. A chamada às ruas em 2013, por mais que outros temas surgissem, tinha um fio condutor: o passe livre. Coisa a qual rendeu alguns frutos, mesmo que não do jeito que queríamos e na verdade, bem longe do esperado.
Já esta passeata, não tinha nada que conduzisse o povo. De um lado tínhamos uma maioria em voz, que na hora não se mostrou tão grande assim, pedindo impeachment. Do outro, uns malucos com memória de peixe, pedindo Intervenção Militar (favor não confundir com Ditadura, eles ficam putos). E no meio, um pessoal com um pouco mais de consciência que estava ali por reformas políticas, não por impeachment ou ditadura, mas por algo concreto e benéfico. Porém, esse pessoal era envolto por pessoas muito diferentes, hora que queriam melhor educação, hora que queriam a cabeça da presidenta numa estaca. Logo, não se poderia saber quem estava em cima do muro ou quem realmente tinha uma visão pensada do ato de estar protestando.


"video do Cauê Moura, que dispensa apresentações. Muito informativo, recomendo que assistam"

Então, eu decidi não participar das manifestações. Não havia uma ideologia certa que me agradasse e resolvi primeiro analisar qual seria a caminhada desse povo todo: uma guerra total uns contra os outros ou uma passividade de alienação?
Em partes fiquei surpreso com o que vi: muitos estavam realmente ali com ardor para enfrentar os problemas e protestar e, ainda sim, tudo ficou na passividade. 
"Faixa de protesto que demonstra a pura alienação. Fiquei estupefato junto do meu professor de fiosofia quando falaram sobre isso na faculdade"
Gostei da organização que houve, mas não do conteúdo disso - foi um conteúdo banal, apenas de insatisfação. Porém, se analisarmos isso apenas como o inicio de outras tantas manifestações que estão por vir, o que eu duvido já que brasileiro não manifesta em carnaval ou domingo, serve como a explosão do todo em busca de melhorias.

Os protestos de domingo foram os maiores no Brasil desde 2013, mas o perfil e as políticas dos participantes foram muito diferentes. As manifestações da Copa das Confederações dois anos atrás tiveram suas origens em campanhas para assegurar transporte público gratuito, e se espalharam rapidamente especialmente entre jovens, com ajuda de redes sociais, após a violência policial inflamar a opinião pública. A mais recente onda de protestos, entretanto, é de um grupo mais velho, mais branco e mais rico, reunidos após uma grande cobertura antecipada da grande mídia“ - disse o jornal britânico The Guardian (via pragmatismo político)

Não vou dizer para você ir se manifestar e o caralho a quatro. Vou dizer para você tomar uma atitude. E uma atitude nem sempre quer dizer sair às ruas - uma atitude, e aliás, a melhor por enquanto, pode ser se informar. Respirar, ter calma e ler diversas visões sobre o assunto, tendo perspectiva de futuro, o que tem faltado para a maioria. Por exemplo: quais as vantagens de tirar a presidenta do poder? quais as desvantagens? - Pese tudo isso numa balança mental neutra e decida.

O melhor caminho para os protestos são a calma e objetivos. Apesar da grande pressão exercida quando um milhão e meio de pessoas aparece na Globo gritando contra o governo, isso ainda é muito pouco. Pouco pois não determina mudanças, apenas pressão ao qual os governantes vão fazer um novo malabarismo para assentar a massa.
O mais sadio e sólido a se fazer é buscar soluções em comum para então podermos alcança-las e logo ir atrás de outras. Por exemplo: ir às ruas contra a obrigatoriedade do voto. Parece pouco, mas numa eleição isso muda tudo! - quando o voto é obrigatório e você ensina de forma precária a maior parte da população, estes votarão sem consciência. Quando você tira essa obrigatoriedade, a votação se restringe a quem quer e nisso, só quem tiver consciência ou pelo menos uma ideia vaga, votará.
Veja, como algo pequeno pode mudar toda uma nação nas próximas eleições. 
Então, começando por objetivos deste tipo, aos poucos vamos caminhando para coisas maiores, sempre com a consciência em mãos.

Por último, como quase todo post, vou citar mais uma vez Aristóteles. O filósofo considerava a democracia algo ruim, pois era quando a maioria pobre trabalhava em prol de uma minoria rica. Para ele, todas as formas de governo podem ser boas, porém na mesma intensidade podem tornar-se ruins.
A alienação está presente nesses protestos, precisamos lutar contra isso. Não com armas ou com as mãos, sim com o conhecimento, a calma e o amor. Não esqueçamos, estamos todos na mesma nave, vamos olhar para o horizonte com perspectiva. 
Caminhando e cantando, caminhando e cantando...



El Psy Congroo.
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