sábado, 28 de março de 2015

O que é SoulsLike?

Demon's Souls foi um jogo muito importante. Além de colocar a sua desenvolvedora em evidência, ele praticamente criou um sub-gênero do RPG. A From Software usou conceitos velhos e novos, organizados de forma a criar algo novo.

Depois de seis anos qual é o resultado da empreitada iniciada por Demon's Souls? Um enorme sucesso, conquistando o fascínio de jogadores e desenvolvedores.


Desenvolvedores? Mas é claro, o que acontece quando um conceito é estabelecido? Várias pessoas tentam adaptá-lo às suas visões, e é assim que nasceu Lords of the Fallen, a maior "cópia" de Dark Souls até então, que na verdade só é um jogo engatinhando enquanto tenta construir seu caminho nesse sub-gênero.

O que é SoulsLike?

Este é o melhor termo pra definir os jogos inspirados em Demon's Souls e Dark Souls. Primeiramente, um SoulsLike tem que ter um nível de dificuldade acima da média, parte da experiência com esse tipo de jogo é botar pressão em cima de você fazendo-lhe lembrar a todo momento que o seu único companheiro fiel é a morte. A tentativa e erro são necessárias para que você entenda como jogar, o maior desafio destes jogos é entender como eles funcionam, porém mesmo passando desta etapa nunca subestime o soulslike, ele não vai exitar em matá-lo a cada deslize que você fizer.

Nos jogos modernos morrer não é nada, você não perde vidas pois este já é um sistema bem velho, você não tem medo porque o checkpoint está ali do lado. Mas aqui a história é outra, ao morrer você não perde tudo que possui, porém perde todo o "xp" que acumulou ao matar inimigos, além de voltar a uma safehouse posicionada geralmente muito distante de onde você morreu. Todos os inimigos respawnam, então ficar se matando pra levar alguém com você não da certo, você tem que realmente saber como se passa pelas fases, caso contrário você vai cair em um loop de mortes e se estressar sem necessidade ao tentar passar pelo jogo da forma errada.

A ambientação do jogo também é um fator importante. Até agora o tema mais recorrente dos SoulsLike tem sido a corrupção, mas não de instituições e sim do mundo e do próprio ser. A corrupção faz você perder sua alma, sua mente, suas memórias. E o pior de tudo, todos estão sujeitos a ela, você se encontra enfrentando um apocalipse. Isso cria um cenário extremamente sombrio, onde você vê beleza na morte e escassez na vida. Os cenários não tem um suspense igual a de um jogo de terror, porém você vai sentir medo. Eles são vastos e cheios de perigos, você não sabe se na próxima porta vai encontrar um monstro gigante, ou uma armadilha, ou talvez os dois juntos. Você será forçado a se aventurar nestes cenários sinistros até conseguir achar um checkpoint, que também é outra característica distinta pois, os checkpoints funcionam de uma forma diferente aqui, o jogo está a todo momento registrando tudo que você fez nele, se você pegou um item e acabou a luz está tudo bem, seu item já foi registrado. Porém, salvar o seu progresso funciona de uma maneira bem diferente, você precisa encontrar as safehouses espalhadas pelo mapa ou portais que levam a uma safehouse universal. Ao marcar presença em uma destas você ganha segurança ou passagem para algum lugar seguro, só então se tornará possível upar e relaxar. Não é como se toda hora você pudesse perder os seus recursos, um dos objetivos é chegar em um destes locais para assim fazer sua jornada valer a pena. Isso cria um dilema, vale a pena ir adiante e correr o risco de perder meu xp, ou seria melhor eu ficar sempre voltando para a área segura para upar? Isso depende da sua habilidade com o jogo, a escolha certa geralmente é voltar, mas a ousadia também possui recompensas, talvez você consiga voltar com o dobro de recursos.

Este é o conceito básico, mas vale lembrar que ao morrer você tem uma chance de recuperar o que perdeu, se você não conseguir desenvolver uma tática ou ganhar mais habilidade para chegar onde morreu e voltar em segurança, então diga adeus ao seu precioso xp.

A morte é um tema presente neste tipo de jogo, não sendo só uma ferramenta de gameplay. Não sei como ela é em Lords of the Fallen, mas em Dark Souls ela é explicada. Pra cada vez que você morre, é como se tivesse acontecido na história do jogo. Ele te diz o seguinte: você é um tipo de morto-vivo, pra cada vez que você morre teoricamente você se torna mais corrompido. Porém, se você zerou o jogo, você é um undead com uma força de vontade inigualável para superar os obstáculos usando a morte como seus degraus. Aquilo que não mata fortalece, quando você é incapaz de morrer tudo vira aprendizado.

Agora se você desistiu de Dark Souls por que achou muito difícil, quer dizer que você morreu tanto que se corrompeu ao máximo e perdeu a vontade de continuar. A última parte não é oficial, é só uma visão que eu tenho sobre o jogo.
A corrupção.

Pontos positivos:
  • -Ambientação excepcional: o ser humano é um filho da puta e gosta de ver o mundo queimar, então o que é melhor que um mundo em ruínas? Além do que, a direção artística geralmente é ótima, um simples quadro na parede pode ter um significado muito mais profundo do que você imagina. Assim como os inimigos muitas vezes são mais do que simples adversários que você tem que matar. Existem conceitos por trás de quase tudo dentro do jogo, até sua espadinha inicial pode ter uma história.



  • -Profundidade no gameplay: o jogo é difícil, mas as vezes ele pode estar sendo muito mais, pois você o está jogando de forma errada. Existe muitas formas de se zerar Dark Souls, da pra zerar até matando os bosses na base da escudada, tudo depende de como você constrói seu personagem. A build é sim complexa, mas não tão exagerada quanto MMOs da vida. Você pode ajustar seu estilo de jogo baseado em uma arma que gosta ou em uma magia que você acha legal. É possível persistir em uma arma ruim, até se adaptar a ela e torná-la boa para o seu estilo de jogo. Existe gente que zera o jogo no level 1 com as armas iniciais. Me diz aí que jogos dão este tipo de liberdade hoje em dia? Sei que devem existir, mas eles são minoria.



  • -Level design: eu sou um grande fã do Castlevania de exploração e quando vi Dark Souls me impressionei demais. Existem muitos RPGs com mapas gigantescos para você explorar e NPCs para interagir, aqui a coisa lembra muito mais um jogo de aventura. Após ter zerado o jogo várias vezes eu voltava a jogar, passava pelos mesmos cenários e achava coisas que eu não vi ali antes, passagens que eu nunca peguei, itens que eu nunca vi e até NPCs que eu nem sabia que existiam. Os curiosos são recompensados aqui. E eu digo de novo, quantos jogos hoje em dia te oferecem esse tipo de liberdade? Você explora o jogo como você quiser, está na sua mão.



  • -Interação Online: essa é uma das coisas que mantem o primeiro Dark Souls vivo até hoje. Apesar de não ser uma característica exclusiva do gênero, ela casa muito bem com ele. O sistema utilizado foi criado em Demon's Souls e posteriormente foi adotado por vários jogos. É possível jogar com um amigo ou um estranho para superar o cenário, porém é possível que um estranho ou um amigo entre no seu jogo e te mate enquanto você explora o mundo. Esse conceito brilha na série Souls, porém não vejo razão pra não o usarem em outros SoulsLike. Dying Light é um tipo de jogo totalmente diferente e adotou essa mecânica ao permitir que você entre no mundo de outros jogadores no controle de um zumbi com o objetivo de matá-lo. O conceito não é exclusivo, mas nasce em um soulslike.


Pontos negativos:

Só consigo ver um: a dificuldade. Ao pisar em um SoulsLike pela primeira vez, você vai morrer, morrer e morrer. Entender o jogo é difícil, mas após isso é possível desfrutar de um gameplay profundo como nenhum que você já viu. Mas pedir para que todos tenham os mesmo gostos é um absurdo. Se você não quer jogar porque o jogo só faz "matar o jogador" então ta bom. Afinal passar desta etapa separa as pessoas que gostam ou não do jogo.


Você ainda não entendeu o ponto deste texto? Lords of the Fallen é só começo. Graças aos jogos indie já é possível achar jogos que podem ser caracterizados como SoulsLike. É um sub-gênero que quando adquire um fã não o perde mais. Dentre estes, o que mais me chamou atenção foi Salt&Sancturay, justamente por ser um jogo 2D que consegue fazer você se sentir jogando Dark Souls. É um tipo de jogo que não é fácil de fazer, porém se você o fizer com maestria conseguirá a atenção de milhares, talvez milhões. No futuro espero ver um catálogo razoável de SoulsLike a disposição de quem curte tomar no cu por algumas horas a fio. Afinal, jogar um jogo da série Souls e se fuder é quase a mesma coisa.


O termo usado para definir o sub-gênero foi criado pelo youtuber Vaati Vydia, o melhor youtuber de Dark Souls que conheço. Ele tem uma voz de bardo e consegue recriar os acontecimentos do jogo de forma excepcional, fazendo com que você entenda a história.

Canal dele aqui.

Sim, este texto foi espelhado mais na série Souls do que tudo. Mas o futuro é incerto e logo teremos mais e mais jogos para usar de referência.
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