terça-feira, 24 de março de 2015

(Mini-Post) A Rainha do Castelo de Ar

Enfim, terminei de ler a trilogia Millennium novamente. E claro, como qualquer fã, bate aquela tristeza, ainda mais ao saber que o autor queria fazer mais de 7 livros. Devo dizer que é uma trilogia que recomendo para qualquer pessoa. Bastante violenta e realista, ela aborda a Suécia e os problemas sociais que afligem uma sociedade como aquela (bem diferente da nossa). Em torno disso, temos uma ficção policial bastante coerente e amarrada, que tem seus fatos muito bem montados e de extrema importância.
Lisbeth Salander é a heroína definitiva da literatura policial, porém ela não é heroica; apenas humana. Aliás, todas as personagens são assim, com suas qualidades e defeitos.
No primeiro livro somos introduzidos na vida de Mikael Blomqvist, um jornalista investigativo acusado de difamação contra Hans-Erik Wennerstrom, um importante magnata da indústria sueca. Em suma, armaram para Blomqvist.
Em contra parte, conhecemos Lisbeth Salander: uma engenhosa hacker com problemas sociais. Paralelamente, as duas história vão se desenvolvendo até conectarem-se. Stieg forma um livro minimalista em Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, que segue-se como seu estilo: sempre prioriza as ações munidas do psicológico das personagens e suas vidas cotidianas, ao mesmo tempo, a trama principal se desenvolve, e as vezes, o vilão se mostra e nem ao menos percebemos. Toda a atmosfera noir é incrível e faz dessa trilogia um clássico da literatura.

Já no segundo livro, o foco não mais é Mikael Blomqvist. Lisbeth pega toda a atenção para si e os fatos mundanos, mencionados lá no começo do primeiro livro, são agora usados e interligados de forma excepcional. O enredo cresce de forma descomunal, indo desde policiais, assassinatos à espiões russos. E por mais absurda que a história seja, as personagens criveis de Stieg são realistas e estão inseridas nesse contexto policial, ao qual elas mesmas tiram sarro. No terceiro livro, quase todos duvidam das afirmações paranoicas de Mikael.
A ação também ganha um maior contorno. Larsson tem uma mão boa para descrever o que sucede-se. É tão eletrizante, ou mais, quanto um filme. Só que diferente do filme, podemos entender e até sentir, os sentimentos, anseios, pensamentos e desejos, que resultam em toda aquela balburdia.

Por fim, o último livro continua diretamente o segundo (o primeiro não tem uma ligação tão direta com o próximo) e forma um enredo maior ainda. É quase um 007 (olha a ironia aí), porém da realidade. No terceiro livro, Lisbeth continua sendo o centro das atenções, mas Mikael toma o seu papel de heroína e aciona seu modo Super-Blomqvist, Sinceramente, posso dizer que Sherlock Holmes fica no chinelo, já que é deveras fantasioso. Aqui a engenhosidade das personagens não é fruto de uma só pessoa, sim do todo trabalhando em conjunto e descobrindo como montar o quebra-cabeça, que é a resolução dos mistérios.

O final é emblemático e fecha totalmente as pontas. De um lado, não mais há Mikael. Do outro, não mais há Lisbeth. Ambos estão juntos na difícil jornada que é a vida, ou não - quem sabe? Mas as portas de Salander estão abertas. Stieg, só com esse três livros, marcou de vez seu nome na literatura como um todo.

El Psy Congroo.
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