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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

(Mini-Post) A Rainha do Castelo de Ar

Enfim, terminei de ler a trilogia Millennium novamente. E claro, como qualquer fã, bate aquela tristeza, ainda mais ao saber que o autor queria fazer mais de 7 livros. Devo dizer que é uma trilogia que recomendo para qualquer pessoa. Bastante violenta e realista, ela aborda a Suécia e os problemas sociais que afligem uma sociedade como aquela (bem diferente da nossa). Em torno disso, temos uma ficção policial bastante coerente e amarrada, que tem seus fatos muito bem montados e de extrema importância.
Lisbeth Salander é a heroína definitiva da literatura policial, porém ela não é heroica; apenas humana. Aliás, todas as personagens são assim, com suas qualidades e defeitos.
No primeiro livro somos introduzidos na vida de Mikael Blomqvist, um jornalista investigativo acusado de difamação contra Hans-Erik Wennerstrom, um importante magnata da indústria sueca. Em suma, armaram para Blomqvist.
Em contra parte, conhecemos Lisbeth Salander: uma engenhosa hacker com problemas sociais. Paralelamente, as duas história vão se desenvolvendo até conectarem-se. Stieg forma um livro minimalista em Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, que segue-se como seu estilo: sempre prioriza as ações munidas do psicológico das personagens e suas vidas cotidianas, ao mesmo tempo, a trama principal se desenvolve, e as vezes, o vilão se mostra e nem ao menos percebemos. Toda a atmosfera noir é incrível e faz dessa trilogia um clássico da literatura.

Já no segundo livro, o foco não mais é Mikael Blomqvist. Lisbeth pega toda a atenção para si e os fatos mundanos, mencionados lá no começo do primeiro livro, são agora usados e interligados de forma excepcional. O enredo cresce de forma descomunal, indo desde policiais, assassinatos à espiões russos. E por mais absurda que a história seja, as personagens criveis de Stieg são realistas e estão inseridas nesse contexto policial, ao qual elas mesmas tiram sarro. No terceiro livro, quase todos duvidam das afirmações paranoicas de Mikael.
A ação também ganha um maior contorno. Larsson tem uma mão boa para descrever o que sucede-se. É tão eletrizante, ou mais, quanto um filme. Só que diferente do filme, podemos entender e até sentir, os sentimentos, anseios, pensamentos e desejos, que resultam em toda aquela balburdia.

Por fim, o último livro continua diretamente o segundo (o primeiro não tem uma ligação tão direta com o próximo) e forma um enredo maior ainda. É quase um 007 (olha a ironia aí), porém da realidade. No terceiro livro, Lisbeth continua sendo o centro das atenções, mas Mikael toma o seu papel de heroína e aciona seu modo Super-Blomqvist, Sinceramente, posso dizer que Sherlock Holmes fica no chinelo, já que é deveras fantasioso. Aqui a engenhosidade das personagens não é fruto de uma só pessoa, sim do todo trabalhando em conjunto e descobrindo como montar o quebra-cabeça, que é a resolução dos mistérios.

O final é emblemático e fecha totalmente as pontas. De um lado, não mais há Mikael. Do outro, não mais há Lisbeth. Ambos estão juntos na difícil jornada que é a vida, ou não - quem sabe? Mas as portas de Salander estão abertas. Stieg, só com esse três livros, marcou de vez seu nome na literatura como um todo.

El Psy Congroo.

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