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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

Flash e a corrida contra o tempo

Review: Justice League - The Flashpoint Paradox (Ponto de Ignição)


Não sou muito fã dos quadrinhos da DC, conhecendo muito mais os da Marvel, mas nada que me leve a ser o dito fanboy. Apenas não tive uma infância com os quadrinhos do Super, Mulher Maravilha, Batman e cia - preferia ficar lendo as piadas infames do senhor Aranha. Porém, uma coisa que me marcou foram as animações da Warner.
Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites são provavelmente as melhores animações de super-heróis. Muitos dos roteiros vencem de lavada filmes grandes de hollywood, como a tão famosa trilogia Batman ou até mesmo o mais recente Superman.
Confesso que fiquei com um pé atrás quanto a animação Flashpoint Paradox. Nas hq’s, essa saga é apenas uma desculpa esfarrapada para dar um reboot no universo inteiro e claro, vender mais quadrinhos. Porém, Flashpoint Paradox sabe do que necessita e esquece toda essa baboseira de reboot e por fim, opta felizmente mais pela qualidade do que a venda de bonequinhos.

Universos paralelos sempre me atraíram, vide episódios deste tipo no desenho da Liga, que geralmente eram meus preferidos. O novo longa dos Super Amigos segue essa linha e reinventa mais uma vez como explorar seus personagens em universos paralelos, sem parecer galhofa ou esquecer que o filme ainda se trata sobre heróis, que mesmo sendo diferentes, usam psicologicamente a cueca em cima da calça.
E mais, adorei esta animação também pelo fato de se focar num dos personagens pouco valorizados dentro do universo DC. Mesmo tendo seu espaço, sempre pôde mais – e aqui ele é tudo isso. Flash, o ser mais rápido mundo, consegue sustentar as pontas como protagonista, mesmo com a personalidade plastificada.


Na história, depois de mais um dia na rotina da Liga combatendo vilões, Barry Allen, vulgo Flash, acorda num mundo diferente. Um mundo onde A Liga da Justiça não existe, ninguém nunca ouviu falar do Superman, Cyborgue faz parte do governo, Batman é Thomas Wayne (pai do Bruce) e uma guerra entre Atlantis e Temiscira está prestes a começar, com Aquaman (que aqui está um brutamontes) liderando de um lado e Diana, Mulher Maravilha, do outro.

O ponto principal que faz o longa ser bom, é que ele não prima em criar expectativas e muito menos em ser megalomaníaco. Prefere ser todo redondinho, com ótimo ritmo. Nada é jogado à torto e à direita, tudo ao seu tempo, crescendo gradualmente. Claro que tem diferenças entre a animação e a hq, mas todas plausíveis.
Barry Allen é tratado com respeito, principalmente em sua origem. Mesmo que seja mais um herói com algum parente morto, seus dramas são fortes e o pontapé inicial, ainda que previsível, ocasiona um plot twist sincero, sem demasiada inteligência, mas esplêndido. É como dizem, a verdadeira qualidade não é no que é feito, mas sim em como é feito.
Flashpoint também é interessante pois é essencialmente para fãs. Nada de voltar e explicar origens, muito menos ficar contextualizando o que já aconteceu. Ele segue em frente sem dó nem piedade, já que sua função é desconstruir a boa e velha realidade. Sem a necessidade de se explicar, o filme usa do efeito borboleta para dar sentido à trama, sendo interessante. Um ato muda a personalidade e vida de todos. Vemos como Diana no “nosso mundo” é amável e segue a moral, enquanto no novo mundo é vingativa e segue a moral de outro povo, mas dessa vez uma moral narcisista, se mostrando ao fim nada mais que uma moça com o coração pertido. Aquaman luta pela esposa morta e Thomas Wayne só aceita o desafio de acabar com a guerra para que o filho Bruce novamente viva. Apesar de não dizer claramente, Flashpoint Paradox é sobre o amor e a humanização dos heróis, que apesar de todos os dias salvarem o mundo, são defeituosos.
A nova realidade alternativa da também poderes aos roteiristas - fazia tempo que não via uma animação sobre super-heróis tão sanguinolenta. Talvez seja a que mais tenha gore da DC. Sem cortes, nem amenização. É tudo direto e seco, como uma pancada forte que consequentemente ocasiona dor. Diana enforca; Batman joga vilões de prédios para se estatelarem no chão; Flash é queimado vivo e Superman não controla os poderes e dizima todos os inimigos, sem um choro de angústia ou piedade.
Esse é um ponto positivo para a trama, que fala sobre o novo mundo – um mundo que não é uma margarina Delicia toda escorregadia. Em resumo: os mundos paralelos criados nas animações DC são em sua maioria o nosso. Simples assim, é o que aconteceria caso os super-heróis fossem reais.

Corra Flash, Corra!

Um dos pontos negativos do filme é seu traço. Não há harmonia. As personagens são uma caricatura estranha dos heróis ou apenas mal desenhados mesmo. Mesmo assim, em partes é recompensado pelas ótimas cenas de luta, muito bem orquestradas.
Os furos do roteiro são bem visíveis até para quem não é fanático pela DC (vulgo eu). Personagens são esquecidas, como Lois Lane ou os Rebeldes – mas tudo isso consegue ser amenizado pelo fim do mundo.
Flash por incrível que pareça consegue correr demais – e por Flash quero dizer o enredo. Mesmo com um bom ritmo, o filme fica com um ar de que tem tempo contado, não dando tanto enfoque quanto deveria, nas cenas como um todo e personagens. Algumas meramente são objetos de desenvolvimento para outros (como cyborgue) ou só estão ali para dar um oi. Não há uma concentração exata – alguns são mais desenvolvidos. Mas, as ideias iniciadas aqui são tão interessantes que já valem o filme todo.

Conclusão

Enquanto a Marvel está anos luz na frente da DC nos cinemas, nas animações acontece exatamente o contrário. Flashpoint Paradox é um ótimo filme, que poderia se valorizar um pouquinho mais. Como adaptação não é lá essas coisas, mas como filme – funciona muito bem. As ideias são tão bem arrojadas que sobrepõe com certeza as da hq. Flash finalmente tem um espaço maior e melhor, mostrando que há ainda muito a se fazer e explorar dentro das animações Warner. Liga da Justiça Sem Limites criou e cultivou um caminho que agora é seguido por todos os heróis. Sem medo de parecer babaca por usar a cueca em cima da roupa, Flashpoint é uma das melhores animações do universo DC. Fazia tempo que heróis e violência não andavam lado a lado.

El Psy Congroo.

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