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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

A trama do drama da vida de Stieg Larsson após sua morte

Novo livro da série Millennium, That which does not kill (em tradução livre, "Aquilo que não mata"), chega ao Brasil em outubro pela Companhia das Letras e como nosso querido Stieg Larsson morreu, outra pessoa assumiu seu "cargo".


Sinceramente? Acho isso um tremendo desrespeito com os fãs, pelo simples fato de colocarem outro criador num mundo que não é dele. É como se lançassem um disco do Michael Jackson cantado pelo Bruno Mars; não faz sentido. Sem contar o currículo de David Lagercrantz, o novo autor, que não é lá essas coisas - tudo bem que Stieg Larsson era só um jornalista e ativista antes de escrever, porém colocarem alguém com apenas biografias como livros, é deveras decepcionante. Não, não conheço o cara suficientemente para dizer que será ruim, apenas viro meu nariz para uma atitude deste tipo, mesmo que Agatha Christie renascesse e disse: "você vem e eu vou lá escrever pra você Stieg".
Na foto acima, David Lagercrantz, novo autor da séire Millennium
O que sempre me fascinou, antes dos enredos mirabolantes, foi a escrita do autor, coisa a qual ninguém consegue copiar. Muito menos a engenhosidade e resolução para os mistérios. Se o último disco do Michael Jackson já causou polêmica por ter sido um tributo de remendos, imagina não haver uma voz se quer dele?

“Eu também não gostaria de ver um Millennium 4 como um livro. Mas estou convencido de que o roteiro daria um ótimo filme de Hollywood sob a direção de David Fincher”-  diz o jornalista Kurdo Baksi, amigo de Stieg Larsson, referente ao fato de existir um manuscrito com 200 páginas do que seria o quarto livro da série.

Em meio a tudo isso, uma senhora Larsson deve estar aos prantos. A família de Stieg, que detém os direitos sobre sua obra, tem explorado ao máximo o que sobrou do coitado. E o pior? É saber, de acordo com a própria viúva, que sua relação com a dita família, que está com todas suas coisas em mãos, não era muito boa.
Após sua morte, só restou Eva Gabrielsson que viveu ao lado do amado 32 anos, o conhecendo melhor que ninguém. Resultado? Ela não pode nem dar palpite pelo simples fato, numa falha da justiça Sueca, de nunca ter sido casada legalmente com Stieg. No melhor termo brasileiro, eles foram amigados por 32 anos.

“Há algo de desagradável em tentar ganhar mais dinheiro com a trilogia Millennium. Acho que este é um passo um tanto quanto ganancioso. Afinal, Millennium por si só já é um negócio multimilionário.” - declarou Eva.

E aí, num ato da editora, família ou o que seja, entram filmes, livros, mais filmes e assim por diante. Esperamos que não pensem se quer em ler os manuscritos deixados pelo finado, pois se não mais exploração virá. Quem diria que a ficção se tornaria realidade; quase uma novela, dessa vez sem seu criador para dar vírgula, ponto e um final feliz.

Se Stieg Larsson queria escrever ao menos dez livros, garanto que não imaginava que seria assim.

Recomendação de leitura: “Os livros de Stieg Larsson são a tragédia da minha vida" (entrevista com Eva Gabrielsson)

El Psy Congroo.

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