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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

A Invenção de Méliès

"Texto originalmente publicado no blog Otaku Louco no ano de 2012"


Era um pleno domingo e me vi forçado a ter que fazer companhia para ir assistir o deprimente Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, filme do ator Adam Sandler. Nem preciso dizer que a minha percepção e protestos para não ir assistir o filme estavam certos: É apenas Adam Sandler fazendo papel dele mesmo com uma história bastante fraca.
Decepcionado com a sessão, na hora da saída todos tomaram o rumo certo; mas eu não. Abandonei os que me acompanhavam e sorrateiramente adentrei à sessão de Hugo Cabret.
Anteriormente havia assistido alguns trailers e me perguntava se o filme era "merecido". Achei à primeira vista o tema um tanto quanto bobo. Mas foi bom assim; a melhor surpresa é aquela que não se espera.

Hugo Cabret é um garoto que vive na estação central de trens em Paris. Sobrevivendo à base de que ninguém saiba de sua existência, ele conserta os relógios do lugar.
O desenrolar se dá quando o severo dono da loja de brinquedos, o pega roubando suas peças para consertar uma enigmática máquina.
Bem simples e diferente, o plano de fundo é esse. Com certeza chama a atenção de poucos, dando a imagem de um filme para a "criançada" - Observação minha ao ter que mudar de lugar pelas brincadeiras de diversas crianças na sessão.
Na verdade isso foi só o marketing atrás de um público, pois garanto que a grande maioria das crianças mal entenderam o sentimentalismo e homenagens empregadas no filme.

O roteiro está estupendo! Fluindo muito bem, imprevisivelmente. Realmente me senti de volta aos 10 anos de idade, com os olhos brilhando vendo o longa.
O protagonista é bem trabalhado, mas o destaque se dá nas outras personagens, que são emocionalmente exploradas e muito bem desenvolvidas. Nós acabamos entrando na "pele" de Hugo, sendo os observadores, assim como ele.
Isso sem contar a incrível homenagem ao cinema, que não se serve de estereótipos, pois tudo é empregado na trama constituindo ela. É um grande pilar.
Além de incitar a imaginação, ele incita o amor pela a sétima arte.

Bom, e o que dizer da direção? Scorsese é genialístico em concepção. Mesmo a história se passando nos anos 30, temos a impressão de fantasia. Como uma aventura de A Bússola de Ouro ou O Expresso Polar - Só que é simplesmente a história de um garoto vivendo em uma estação.

Tudo ocorre muito bem, mas percebi a falta de "detalhismo". Um grande exemplo seria O Espião Que Sabia Demais - O filme é bem lento e detalhista nisso. Logicamente algo assim não funcionaria para Hugo Cabret, mas o enriqueceria se usado dosadamente mais.

Personagem mais interessante: eu poderia colocar o Hugo; Isabelle ou qualquer outro, pois todas as personagens são ótimas e tem um papel na trama. Só que como fã do cinema e no mínimo uma homenagem, eu escolho - Georges Méliès.

Personagem Menos Interessante: o inspetor da estação. Achei ele raso demais, sendo que daria um ótimo personagem. O foco não é nele, mas poderia lhe desenvolver. O encurtamento (da história de um livro para um filme de 2 horas) lhe prejudicou fortemente. Infelizmente sua relação com a florista é mal desenvolvida.


Melhor momento do filme: há muitos, mas eu destaco dois: o estranho sonho de Hugo, totalmente chocante e estupendo, alguns segundos se tornam incríveis.
E as cenas em que são exploradas as memórias e vida de Georges Méliès.


Trailer


Para os mais desatentos, Hugo Cabret é mais um filme infantil/família. Só que se engana: só os "crescidos" irão conseguir entender seu sentimento e simbologia. Ele incita, diverte e faz o telespectador participar.
Sua estética é de um filme de fantasia, o que só enriquece a trama.
Me vi mais que satisfeito ao sair da sala de cinema (com certo medo que me pegassem), com meu amor pelo o cinema aumentado e refletido.
Por fim, o título do filme é apenas uma ironia, pois Hugo Cabret não inventou nada; apenas consertou.

El Psy Congroo.

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