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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

A Invenção de Méliès

"Texto originalmente publicado no blog Otaku Louco no ano de 2012"


Era um pleno domingo e me vi forçado a ter que fazer companhia para ir assistir o deprimente Cada Um Tem a Gêmea Que Merece, filme do ator Adam Sandler. Nem preciso dizer que a minha percepção e protestos para não ir assistir o filme estavam certos: É apenas Adam Sandler fazendo papel dele mesmo com uma história bastante fraca.
Decepcionado com a sessão, na hora da saída todos tomaram o rumo certo; mas eu não. Abandonei os que me acompanhavam e sorrateiramente adentrei à sessão de Hugo Cabret.
Anteriormente havia assistido alguns trailers e me perguntava se o filme era "merecido". Achei à primeira vista o tema um tanto quanto bobo. Mas foi bom assim; a melhor surpresa é aquela que não se espera.

Hugo Cabret é um garoto que vive na estação central de trens em Paris. Sobrevivendo à base de que ninguém saiba de sua existência, ele conserta os relógios do lugar.
O desenrolar se dá quando o severo dono da loja de brinquedos, o pega roubando suas peças para consertar uma enigmática máquina.
Bem simples e diferente, o plano de fundo é esse. Com certeza chama a atenção de poucos, dando a imagem de um filme para a "criançada" - Observação minha ao ter que mudar de lugar pelas brincadeiras de diversas crianças na sessão.
Na verdade isso foi só o marketing atrás de um público, pois garanto que a grande maioria das crianças mal entenderam o sentimentalismo e homenagens empregadas no filme.

O roteiro está estupendo! Fluindo muito bem, imprevisivelmente. Realmente me senti de volta aos 10 anos de idade, com os olhos brilhando vendo o longa.
O protagonista é bem trabalhado, mas o destaque se dá nas outras personagens, que são emocionalmente exploradas e muito bem desenvolvidas. Nós acabamos entrando na "pele" de Hugo, sendo os observadores, assim como ele.
Isso sem contar a incrível homenagem ao cinema, que não se serve de estereótipos, pois tudo é empregado na trama constituindo ela. É um grande pilar.
Além de incitar a imaginação, ele incita o amor pela a sétima arte.

Bom, e o que dizer da direção? Scorsese é genialístico em concepção. Mesmo a história se passando nos anos 30, temos a impressão de fantasia. Como uma aventura de A Bússola de Ouro ou O Expresso Polar - Só que é simplesmente a história de um garoto vivendo em uma estação.

Tudo ocorre muito bem, mas percebi a falta de "detalhismo". Um grande exemplo seria O Espião Que Sabia Demais - O filme é bem lento e detalhista nisso. Logicamente algo assim não funcionaria para Hugo Cabret, mas o enriqueceria se usado dosadamente mais.

Personagem mais interessante: eu poderia colocar o Hugo; Isabelle ou qualquer outro, pois todas as personagens são ótimas e tem um papel na trama. Só que como fã do cinema e no mínimo uma homenagem, eu escolho - Georges Méliès.

Personagem Menos Interessante: o inspetor da estação. Achei ele raso demais, sendo que daria um ótimo personagem. O foco não é nele, mas poderia lhe desenvolver. O encurtamento (da história de um livro para um filme de 2 horas) lhe prejudicou fortemente. Infelizmente sua relação com a florista é mal desenvolvida.


Melhor momento do filme: há muitos, mas eu destaco dois: o estranho sonho de Hugo, totalmente chocante e estupendo, alguns segundos se tornam incríveis.
E as cenas em que são exploradas as memórias e vida de Georges Méliès.


Trailer


Para os mais desatentos, Hugo Cabret é mais um filme infantil/família. Só que se engana: só os "crescidos" irão conseguir entender seu sentimento e simbologia. Ele incita, diverte e faz o telespectador participar.
Sua estética é de um filme de fantasia, o que só enriquece a trama.
Me vi mais que satisfeito ao sair da sala de cinema (com certo medo que me pegassem), com meu amor pelo o cinema aumentado e refletido.
Por fim, o título do filme é apenas uma ironia, pois Hugo Cabret não inventou nada; apenas consertou.

El Psy Congroo.

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