segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Primeiras Impressões: segunda temporada de Broadchurch

Depois da estupenda primeira temporada, fiquei me perguntado o que haveria de haver numa segunda temporada de Broadchurch? Basicamente, tudo que havia para ser contado sobre a trama, inclusive resolução do assassinato, já resultara num derradeiro fim. Ledo engano meu; essa cidade tem muito mais para contar.

Com essa percepção de curiosidade, fui assistir o primeiro episódio buscando a experiência que tive na primeira temporada. Nos primeiros minutos, que envolvem apenas o dia-a-dia das personagens já conhecidas, julguei que essa segunda season seria bem vazia, talvez para corresponder a demanda visto tamanho sucesso. A verdade é que eu estava errado, a trama de Broadchurch realmente foi planejada para mais de uma temporada - aqui (sem tentar dar spoilers) voltamos ao antigo caso do detetive Alec Hardy: Sandbrook. Detetive esse, aliás, bem acabado por sinal, seja sentimental ou fisicamente.

Outra coisa que me pegou de surpresa foi a continuidade do drama crivel, mostrando ainda mais todas as consequências. Num livro, o mistério acaba na resolução do assassinato, na vida real tudo é diferente: adicione à isto um assassino egoísta e filha da puta. Os segredos, ao invés de esgotarem, só aumentam, como uma bola de neve - desde o padre pegador ao marido infiel que sente falta do filho.
A química entre Alec Hardy e Ellie Miller consegue se sobressair, ainda mais quando ambos estão passando por dificuldades. Ellie sofre como ninguém a perda do marido e do filho. Ainda sim, mesmo guardando rancor, resolve estar de novo com o antigo amigo.

A inteligência do roteiro está em deixar diversas pontas soltas imperceptiveis na primeira season, que agora são usadas, surpreendendo qualquer um, pois muitos fatos foram tratados como irrelevantes, mas não são meramente uma saída de emergência.
As atuações seguem impecáveis, e devo destacar a ótima direção. Que fotografia linda! Quase não parece uma série de tv. Essa direção é um dos argumentos que uso para prever que a versão americana de Broadchurch, Gracepoint, será uma bosta. Lá, é tudo muito chapado, sem sentimento - digamos, bem no modo automático. Aqui, cada cena tem uma personalidade e sentido, desde as flores no inicio ao celular tocando sem parar.
O clima de mistério volta à tona, sem esquecer a antiga Broadchurch com suas pecuinhas e fofocas.

A primeira temporada foi a surpresa; a segunda pode ser a confirmação da qualidade. Desde já, confio nesses roteiristas e diretores, quase tanto confio em David Benioff e D. B. Weiss (Game of Thrones). Tennant prova que não existe essa de ser lembrado ou não como determinado personagem (chupa Eccleston!): existe apenas boa atuação ou má atuação. E aqui, ele consegue nos imersar em novas histórias, dessa vez, sem nenhum conforto possível. A ação eletrizante será presente do inicio ao fim.
A cidade igreja se prova com toda a certeza, nem um pouco santa.

El Psy Congroo.
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