terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Há uma luz que nunca se apaga: The Smiths, Morrissey S2 Marr

“Os anos [de carreira] solo foram mais significativos para o público do que os anos com o The Smiths, mas a imprensa na Inglaterra só fala de mim em relação à era do Smiths. Isto me cansa”.
“Nós não somos amigos, não nos vemos mais. Por que diabos nós estaríamos em um palco juntos?””
“Os Smiths nunca, nunca vão voltar!”
“Prefiro comer meus próprios testiculos à me reunir aos Smiths”
Provavelmente a banda mais influente e importante dos anos 80, que se iniciou tão rápida assim como acabou. E o pior, acabou em desprezo e ódio. O que aconteceu aos Smiths para tanta raiva? – Ninguém sabe, talvez algum dia essa história seja contada, mas a única certeza é que a banda não sobreviveu à um dos vários clichês do rock – a batalha de egos. Mais especificamente entre Johnny Marr e Morrissey. Teremos algum dia uma reunião dos Smiths? – é quase certeza que não. E é de preferivel que não aconteça  mesmo. O que todos os fãs querem é que o senhor Morrissey se entenda com o senhor Marr. Só isso.
E o topetudo linguarudo pergunta: por quê só falam sobre os Smiths quando eu tenho toda uma carreira? – eu te digo: por que a música dos Smiths é melhor que a sua.
Mas antes de tomar o lugar do topetudo que fala demais e levar minhas criticas à Johnny Marr, Morrissey, Andy Rourke e Mike Joyce, vamos conhecer melhor a banda como um todo. Desde o seu primórdio, desenvolvimento, imagem pública, conflitos internos e finalmente o fim.

Primórdio: “Faça você mesmo”- Punk e Pós-Punk

bollocks-sex-pistols (1)
O punk nasceu nos anos 70, já advindo com muitas bandas. Mas o “boom” só aconteceu quando os anarquistas do Sex Pistols e os divertidos Ramones ganharam fama, levando a música simples e agressiva à um novo patamar. O punk estava evoluindo, mais do que um estilo qualquer adolescente – o punk era um movimento. O mundo passava por drásticas mudanças, como a nova liberdade perante a sociedade, expressão de idéias e conceitos tanto quanto antiquados mudando. Os jovens queriam falar – os jovens queriam gritar!
O que nasceu dessa idéias, que “iluminaram” muitos jovens, foi o pós-punk: a mistura das bandas antigas de rock com o novo punk, que aos poucos foi decaindo. Os jovens não queriam apenas criticar a rainha, ou o presidente. Queriam falar também de seus sentimentos,paixões, dramas – enfim, todos somos humanos.
É interessante notar essa evolução, pois o rock já havia mostrado as caras de várias formas, mas nunca tão sincero e limpo. As estrelas que ganhavam fama tinham que ser mais que elas mesmas. Mas agora não. Todos estavam ansiosos apenas pela pessoa que cantava, por seus sentimentos e angustias – uma forma de identificação. De saber que alguém mais passava pelas mesmas coisas.
Eu gosto sempre de falar e sempre irei repetir em qualquer matéria que envolva o pós-punk: a banda Joy Division.
Que melhor exemplo eu poderia usar do que o pai do indie rock? – o Joy Division envolve tudo o que eu expliquei. No ano de 1976, um grupo de jovens se encontram em um show pequeno dos Sex Pistols. Dali, sairia o Warsaw e tantas joy-divisionoutras bandas (o que me faz questionar: no show havia em torno de 50 pessoas, mais tarde quando esse show começou a ficar lendário, MILHÕES de pessoas disseram ter ido. Quem garante a veracidade da maioria das bandas? Bom, a do Joy Division, acredito eu, pode ser garantida).
Com o tempo, o Warsaw que era puramente punk, foi mudando sua sonoridade e junto dele o nome – pós-punk surgia.
Apesar de ter se originado no final dos anos 70, o pós-punk só veio atingir popularidade nos anos 80. Uma década dividida entre as inovações tecnológicas; dance music, e movimento feroz de uma nova cultura. O mundo parecia já saber o que esperar, depois de ter passado pelo hippie e anarquia. Mas o cult era muito mais, sobrevivendo até hoje, por ser baseado no underground. E venhamos e convenhamos – o underground não precisa da “audiência” para ter vida.

Antes da banda:

Johnny Marr

Johnny-MarrJohn Martin Maher é descendente de irlandeses. Não há muito sobre ele antes dos Smiths, mas é dito que participava de algumas bandas, desde já ganhando notável admiração de Morrissey. Tinha aspirações para ser jogador de futebol (LOL), chegando a fazer teste para o Manchester City.

Andy Rourke

andy_rourkeCompanheiro desde a infância de Marr, ganhou seu primeiro violão aos 7 anos. Com 11 conheceu Johnny Marr, com quem aos poucos foi compartilhando paixão mútua pela música. Quando Johnny formou sua primeira banda, este convidou Rourke para tocar, mas não na guitarra, sim no baixo. Andy se apaixonou pelo instrumento e à partir daí nunca mais largou.
Com 15 anos abandonou a escola, passando por diversas bandas e empregos.

Mike Joyce

victimAssim como Morrissey e Marr, Joyce é filho de imigrantes irlandeses. Desde muito cedo mostrou aptidão para música, tocando flauta na infância. Tocava anteriormante em bandas punks, como The Hoax e Victim.

Morrissey

MorrisseySteven Patrick Morrissey encontrou seu refúgio nos filmes e música, aclamando estrelas pops e bandas de rock.
Escrevia sobre bandas, em especial o New York Dolls (sendo o presidente do fã-clube britânico). Quando o punk rock estorou nos anos 70, ele decidiu por tentar entrar numa banda, cantando no The Nosebleeds, incentivado por Billy Duffy. Mas por fim, não deu muito certo.

Morrissey S2 Marr

Morrissey S2 Marr
Em 1982 as duas lendas se conhecem. Morrissey, desempregado, lendo e escrevendo bastante e, Marr, a procura de uma banda. Ao inicio, ambos queriam apenas fazer música e vender para outros artistas, mas percebendo o potencial, decidiram por formar uma banda, recrutando Mike Joyce e Andy Rourke.
As composições, de acordo com eles mesmos, sempre foram 50 a 50, com Johnny fazendo principalmente a melodia e Morrissey as letras. É interessante notar que ambos são vegetarianos e tem a “essência” bastante parecida.
Numa entrevista, onde Morrissey alega que NUNCA foi gay (gays chorando em 3..2…1…), ele falou um pouco sobre a “relação” que havia entre ele e Johnny Marr (e se já deram uns pegas no camarim, rs.): “houve um amor sim, e ele era mútuo e recíproco, mas nunca foi físico. Houve um monte de gente depois dos Smiths que adoraria criar uma história dramática de cunho homossexual. Nunca houve uma. Freqüentemente se diz que Johnny me resgatou, mas ele também estava a deriva na vida em seu próprio barquinho salva-vidas”. Ou seja, basicamente havia uma relação bem mais aprofundada do que imaginávamos (ou pelo menos eu).
De qualquer modo, no ano de 1982, ambos se quer tinham ideia do que estava por vir. Os dois melancólicos, cada um de seu modo, decidem expor seus sentimentos para o mundo, seja por guitarra ou voz. Os Smiths estavam formados, com um som bem diferente do convencional. Sobreviveriam? Seriam só mais uma banda? – Hand in Glove ainda deixou dúvidas, mas This Charming Man explodiu de vez a mente das pessoas. As portas estavam abertas; o barco zarpando e os Smiths dentro dele.
El Psy Congroo.
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