terça-feira, 6 de janeiro de 2015

5 Dias de Livro (#2): MORRE CACHORRO DO DEMÔNIO


Minha literatura infanto-juvenil foi marcada por muito Harry Potter, Percy Jackson, Crônicas de Nárnia e Ana Maria Machado. Essa época foi incrível e o que me fascina, é que hoje posso revivê-la, com uma nova visão - essa é a graça dos livros.
Mas, em determinado momento, eu queria algo mais. Não sabia o que, mas queria outro tipo de literatura, que fosse digamos mais adulta. Essa época de transição na minha vida como leitor teve uma mudança - eu sai de Harry Potter para Anne Frank e Agatha Christie (que eu odiava, tanto que li uns dois livros. Só fui ler mais pouco tempo atrás, já habituado com outro grande escritor).

Portanto, separo três livros que demonstram essa mudança: , O Xangô de Baker Street, O Mundo Perdido e o Cão dos Baskerville. Bom, qualquer amante da literatura policial já deve ter notado a semelhança entre os três né?

O primeiro, O Xangô de Baker Street, é um livro policial e de comédia. Uma sátira muito inteligente sobre Sherlock Holmes, escrita por ninguém menos que Jô Soares. Ganhei de presente (ou roubei, não lembro) do meu padrasto. Ironicamente, a primeira aventura que li do melhor detetive do mundo (Poirot chorou agora) foi uma sátira não escrita por Sir Arthur Conan Doyle e que se passa no Brasil.
Aqui, é muito interessante a caracterização de Sherlock, a ambientação no século XIX e claro, as grandes sacadas cômicas.


O segundo, O Mundo Perdido, é um livro de ficção cientifica escrito por Sir Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes), narrando uma aventura na amazônia onde são encontrados animais pré-históricos. O livro foge da narrativa policial do autor, já que este considerava os livros policiais de segunda mão e muitas vezes não se orgulhava do que fazia. Em alguns momentos da carreira de Doyle, o vemos tentando recorrer a outro tipo de literatura, que ele considerava digna - O Mundo Perdido faz parte disso e posso dizer, com maestria.

E o terceiro e principal, O Cão dos Baskerville, é um dos melhores livros que já li em minha vida!
Foi o primeiro que li do real Sherlock Holmes (não o caricato do Jô Soares), e me surpreendeu muito, me causando grande interesse pela literatura policial. Na trama, Sherlock e o Dr Watson investigam a morte de Sir Charles Baskerville, um milionário inglês que reza a lenda local, foi morto por um cão demoníaco que assombra sua família há gerações. O interessante deste livro, é que 90% da investigação fica a cargo do Dr Watson, sendo que Sherlock desaparece por quase toda a história!
Foi aqui que eu vi o que era um livro de mistério de verdade, antes eu só entrara em contato com coisas bem fajutinhas e simples, tipo Escola do Terror. Tudo é muito bem arquitetado e coerente, transformando Holmes talvez no melhor detetive da literatura (fico dividido com Assassinato no Expresso Oriente). Apesar de ser um livro pequeno, o conteúdo dele é enorme, e sua simplicidade é o grande atrativo, por levar uma história tão macabra e inteligente, de forma fluida. Qualquer um pode ler este livro, até mesmo uma criança.
"E não. Essa não é a versão que tenho (ainda). A minha é tão antiga que nem fotinho achei."

Marcou-me muito, pois a visão que eu tinha de Sherlock era daquele tiozão canastrão que para uma perseguição por causa de uma diarréia.
Ao chegar ao final fiquei muito nervoso, pois uma página anterior às grandes revelações da trama, tinha anotações da pessoa que anteriormente o leu e conseguiu deduzir o enredo espetacularmente - algo incrível, mas que me jorrou spoilers (coisas de comprar livro em sebo...).
Daí pra frente desisti de ler qualquer coisa com detetives, mas né, pelo visto falhei nessa escolha. hue

O Cão dos Baskerville é um livro policial leve em sua escrita e genial em sua construção. Tudo é minuciosamente elaborado, de forma que é quase impossível o leitor não se surpreender. Nunca fiquei tão puto com um final hue
Bom, isso até eu ler O Caso dos Dez Negrinhos. Mas isso, já é outra história...

El Psy Congroo.

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