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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

Let me In, a solidão de uma criança.


Fuçando no Netflix me deparo com um título interessante, ao ler a sinopse percebo que é uma história de horror com crianças! Aí sim a coisa fica legal. O filme é a adaptação americana de um livro sueco, Låt den rätte komma in, ou em português, Deixe-me Entrar.

Não sou pedófilo, mas acredito que a pureza e a inocência de uma criança são umas das melhores maneiras pra representar o quão profunda é a natureza humana. Uma criança não sabe de nada, ela age de acordo com o pouco que sabe e o que seus instintos lhe dizem.


Owen é um garoto de 12 anos, magro, baixo e fraco. Ele sofre bulliyng por ser introvertido e molenga, seus pais estão se separando e sua relação com eles é cada vez mais e mais distante. Em suas reflexões solitárias no parque de seu prédio, Owen encontra uma menina descalça. Ela se torna seu único apoio e ele fica cada vez mais interessado na menina estranha. Ela não usa sapatos, diz não sentir frio e só aparece a noite. Apesar de todas as estranhezas ele ainda quer ficar perto dela, afinal, é como se ela fosse sua única relação humana.

Owen é muito sozinho, apesar de sua família estar viva é como se ele não tivesse ninguém, por isso ele da tanta importância a Abby, sua nova amiga. Quando a pessoa não tem nada, quando consegue algo se apega ao máximo, e Abby foi bastante gentil com ele e deu espaço para isso, além de que ela é interpretada pela atriz Chloe Moretz que hoje em dia já está gostosa crescida, Owen safadão.



Mas o verdadeiro açúcar da história está no fato de que Abby não é humana, no começo pensei que o filme todo se trataria de o que ela é mas, logo no começo já nos revelam que ela é uma vampira, Owen vê ela se mudar junto de um homem de meia-idade para o apartamento ao lado do seu, e então começa a encontrar ela periodicamente. Ela diz "Não podemos ser amigos" mas ele não liga, ele só quer ter alguém. A relação dos dois vai se desenvolvendo até chegar na questão em que Owen descobre que Abby não é normal.



Vendo totalmente por cima é possível relacionar até com Crepúsculo, entretanto, a profundidade humana presente em Let me In é tamanha que comparar a Crepúsculo é motivo de riso, Abby não é simplesmente uma vampira, uma fadinha para brilhar na floresta - vampirismo é uma sina, um doença. Ela tem a aparência de 12 anos mas sua idade é indeterminada, o estranho disso é ver que apesar de seus anos a mais Abby não é lá tão diferente de uma criança. Será que o trauma, o que ela passou ao ser transformada, a fez não crescer mentalmente? Será que ela é uma velha no corpo de criança, e se aproxima de Thomas com intenções pedófilas? Será que da mesmo pra considerar como pedofilia?


E como se espera dos humanos, eles são imprevisíveis, Owen descobre o que Abby é mas não a repudia, ela é "tudo que ele tem" e pra ela é a mesma coisa. Owen é uma maldita criança e incrivelmente Abby não parece tão diferente também, as emoções desses dois são bem construídas mas, creio que ela poderia ser melhor, os atores não são ruins mas o Owen americano muitas vezes é irritante pela sua falta de expressão, na versão europeia a personagem é melhor representada.


Comparação entre as duas versões.

Os eslavos tem uma capacidade tremenda pra contar histórias tendo planos de fundo fantasiosos. A imagem que temos do sobrenatural, bruxas e vampiros vem quase tudo deles. A menina Abby no original é o menino Eli! Sim! Não entendi quando vi, o que aconteceu é, Eli foi castrado há muito tempo e transformado com 12 anos e tendo umas feições um tanto quanto femininas, ele se passa por mulher facilmente. Na verdade acredito que não sendo nem mais humano, Eli provavelmente descarta a relevância do gênero e se veste como garota pois é mais fácil as pessoas baixarem a guarda. No filme americano Abby diz algumas vezes "Eu não sou uma garota Owen" e você interpreta isso como "Não sou humana", enquanto que na versão Europeia o sentido é literal. Além do que falam sobre Eli ter sido castrado, é certeza que vários detalhes interessantes do livro passaram por fora do filme.

Eli sendo homem muda algo? Nada, é um romance vampírico homossexual com crianças. Apesar de vermos Eli como menina ao descobrir isso nossa visão do mesmo mudaria muito, mas para o protagonista da história isso é irrelevante. Não dizemos que as crianças são puras por motivo nenhum, ela considera uma pessoa importante e nada vai fazer ela pensar o contrário.



Percebe-se pela escolha da atriz Lina Leandersson para a versão Europeia que eles tem uma importância maior com o livro, Lina não é um projeto de boneca que nem Chloe, é impossível imaginar que Chloe é um homem extremamente afeminado ou algo do tipo.

Os dois filmes tem um ritmo bem lento mas se o tema lhe interessa vale a pena. A versão europeia é um pouco melhor, tem mais detalhes do sentimento dos personagens, por exemplo mostra cenas na qual a menina vampira chora por ter que matar pra comer, entretanto os dois filmes tem praticamente a mesma essência, mesmo eu recomendando a versão europeia vale a pena assistir a americana também.

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