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O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Analisando Animes] Mouryou no Hako: A Garota na Caixa

"Texto originalmente postado no blog Otaku Louco, em 2011"



Ano: 2008 

Gênero: Mistério,suspense,horror,
        drama, ação

Dirigido por: Ryosuke Nakamura

Escrito por: Sadayuki Murai

Estúdio: Madhouse

Baseado: Na obra de Natsuhiko Kyogoku

Episódios: 13

Onde Achar: AnimaKai e anbient



Estarei Analisando (criticando) o anime  Mouryou no Hako. Um anime certamante confuso, estranho e polêmico, mas que não deixa de ser bom.
Em uma de minhas andanças pelo o cyberespaço, pude encontar em um fórum qualquer ele sendo comentado. Aliás, minhas buscas por animes de terror resultaram nele, que certamente tem suspense mas  não é "terror". Comentários o vangloriavam e, eu estava muito receoso. Passei pela sinopse de diversos outros animes, mas nenhum me interessou e eu ficava frustado pela falta de algo estupendo, à ponto de na mesma hora me fazer pegar todos os episódios, baixar e ver em maratona.
Minha receosidade caiu por terra, como uma criança cai ao tropeçar na pedra do gramado. - Produção da Madhouse, design das "garotas" da CLAMP e contando ainda com abertura e ending da banda The Nightmare - WOW! Confesso que me surpreendi só nisso. A maioria dos animes que eu "passei batido", se quer me perguntava: "Será que é bom?". Pois quando eu me pergunto, eu tenho que conferir para saber; e nesse, eu me perguntei.

A história se incia com a relação sendo formada e intensificada entre Kanako e Yoriko. Ambas estudantes, acabam por ter uma relação tão íntima que chega ao ponto da Yoriko dizer que Kanako é a "Reencarnação dela". Ao incio isso parece bem clichê, mas conforme vai sendo mostrado, tudo se torna algo tenebroso e estranho.
Além disso, Yoriko que aparenta ser uma garota "dócil", tem diversos problemas dentro de casa: a mãe é uma mulher protetora que começa estranhar quando a filha começa a sair na noitada. Bem, conforme vai avançado, vai sendo apresentado que esta mãe tem uma personalidade mais profunda do que é inicialmente apresentado, se mostrando de um certo modo "religiosa".

Acompanhar esta história parece ser relativamente doce e leve. Tudo vai desenvolve-se no seu mais perfeito ritmo, com ótimos diálogos.
Até que se dá o pontapé necessário para tomar consistência e dinâmica:
Yoriko e Kanako estão esperando por um trem - Kanako está chorando e Yoriko assistindo sua "deusa" no seu momento mais tocante e humano. É quando que nesse Moe de palavras e gestos, Kanako cai nos trilhos do trem e é atropelada!
Isso não é spoiler nenhum, já que é o verdadeiro pontapé inicial do anime. Quando você está se acostumando com o ritmo e o tipo de história que aparenta ser, de repente as coisas mudam de ângulo e a visão fica mais ampla. Aliás, mais embaçada; pois o ritmo muda (fica mais eletrizante!), mas muitos mistérios ficam na sudurna e, você quase nunca sabe o que te espera.
Para ser sincero, quando não se tem muitas expectativas em relação ao que vai ver, a perdição é boa. A todo momento você é surpreendido em Mouryou no Hako. Com direito a grandes comparações (se os fãs me permitem), como Sherlock Holmes! Mas arrisco em dizer que é mais realista, por conseguir mostrar tantos pontos de vista de uma investigação, não se prendendo ao gênio da história.
Questionamentos e mais questionamentos. Kanako foi empurrada? Foi um acidente? Pode ter ligação com os outros casos de assassinatos? - Esses problemas acabam por serem resolvidos bem rápidos e ao me ver, são bem previsíveis. Mas o "encanto" do anime não está aí, mas sim na continuidade e respostas aos questionamentos. O modo como tudo vai sendo mostrado e jogado na tua cara é ótimo! Por mais que você já tenha deduzido tal coisa, é sempre prazeroso ver como ela vai acontecer e sua continuidade.

As personagens são em sua maioria muito bem trabalhadas. Exceções para Kiba e Yuzuki, que são desenvolvidas superficialmente e que só perto de seu final ganham "algo a mais". Mas nada que prejudique a trama.

O design está realmente lindo; a CLAMP não decepciona e mostra "seus talentos" na obra. A animação está também muito boa, e de um certo modo original. Parece que o diretor tem alguma personalidade e gosta de deixar sua marca.

Uma trama tão bem desenolvida e a pergunta é: como produtores/roteiristas fizeram isso? - Não me surpreendi ao saber que era baseado em um livro. Para ser mais exato na obra de Natsuhiko Kyogoku.
Como muitos devem ter notado, exclui diversos pontos para não dar spoilers. Mas o principal, é o que é dito no título:  "A garota na caixa" - Esse é o ponto principal do anime, que mesmo que seja mostrado desde o ínicio, esse sim seria um grande spoiler.


Personagem mais interessante: O escritor Tatsumi Sekiguchi (pensaram que eu colocaria a Kanako né?). Ele basicamente desempenha o papel do telespectador, inteligente mas questionador. Curioso, pecador e humano. Ele é a porta de transporte para saber as respostas dos questionamentos. Aquele que se diz desinteressado, mas está gritando para saber mais. Ele é todo bem trabalhado, como um pensador. 
Um grande momento seu que me marcou, foi quando pegaram ele tentando abrir a caixa no hospital. Ali ele mostra a ansiedade por dentro e que é mais do que um personagem; ele é um ser humano.


Personagem menos interessante: Kanako Yuzuki. Filosofa, literária e estranha, ela irrita. Apenas uma pedra no caminho em todo o anime, servindo apenas para desenvolver Yoriko. Para muitos pode parecer interessante, mas acredite, por fim ela acaba sendo mais uma personagem qualquer, que poderia ser maior.

Melhor momento do Anime: O diálogo entre os "detetives". Para alguns pode ter sido monótono, mas é muito bem trabalhado. Nunca vi um diálogo ser tão bem feito, a ponto de te excitar mais ainda com o que está por vir. A cena dura em torno de 3 episódios, mas nada sonolento. A atmosfera é muito envolvente e, mostra que não é só quando se pega o bandido que é a grande revelação: ali, naquela salinha com alguns marmanjos, você dá diversos pulos da cadeira com o que está vindo na sua cara. Além de ficar o tempo todo questionando e criando deduções.
Me senti praticamente como se estivesse dentro do livro, tanto do próprio autor quanto dos respectivos personagens. As informações dadas são bem usadas, despertando mais o seu interesse (parei o anime para ver mais sobre tal coisa dita) e sendo de grande valor na trama.

Opening: Muito bem feita. Com ótimas cenas e uma música tocante. The Nightmare fez com louvor o seu trabalho nesse anime.




Ending: Música também muito boa. É interessante, mas poderia ser melhor com mais imagens e cenas. Mas a música consegue, por íncrivel que pareça, cobrir esses buracos.


Sem medo de ser julgado confuso, Mouryou no Hako usa e abusa do elemento surpresa. Com um design e animação de invejar, ele pega a história que já é boa e da uma atmosfera para ela. Traz sentimento e mistério com um toque de terror. As personagens são todas bem trabalhadas, com direito a conflitos psicológicos.
Ele é aquele tipo de anime que muita gente volta, volta e volta de novo cada cena para entender. Mas isso de um jeito bom, pois quando entendida a visão apresentada é altamente ampla e de uma graciosidade imensa.
Se você conseguir entendê-lo, perceberá que é todo redondinho. Mas mesmo que não entenda, ele consegue levar o telespectador e os fatos fazem do mesmo jeito muito sentido, trazendo muita surpresa.
Talvez peque um pouco no ínicio, que eu sinceramente não gostei tanto, mas no final tudo é recompensado, pois há mais do que um apanhado; há uma ligação.
Mouryou no Hako deveria ser um daqueles animes obrigatórios para os otakus, mas não sei porque, ele não é. Consegue rivalizar em termos de mistério com o aclamado Death Note e ganha.
Fazia tempo que não me surpreendia, em todos os apectos, com um anime.

El Psy Congroo.

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