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Destaques

Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Acompanhando] Doctor Who: Death in Heaven (Season Finale Parte 2)

Atenção: este post tem spoilers. Se você não assistiu Doctor Who, provavelmente não vai entendê-lo, ou se está assistindo, pode não gostar de saber de determinadas informações. Pois bem, estão avisados.


 

Animado, o Doutor olha fixamente para Clara e diz: "eu encontei Gallifrey!". A moça fica estupefata e sorri, diante do homem que estragou sua vida. Ao contar-lhe o que viu, ele se lembra do vazio e da raiva que sentiu frente à real verdade: Gallifrey sumiu  no tempo e talvez nunca possa ser encontrada. Ambos se encaram felizes e terminam a relação com um falso abraço; um jeito de esconderem o rosto um do outro. É ali, naquele abraço, que está contida toda a raiva de Clara pela morte de Danny e a tristeza do Timelord por basicamente tudo ter sido em vão. A versão mais velha do Senhor do Tempo, enfim, talvez seja a mais fraca.
Alguns acham Moffat um gênio, mas eu o considero apenas um bom marketeiro. É fácil jogar pontas soltas e ir resolvendo-as como se fizessem parte de um plano maior. Ok, vamos comprar a ideia de plot twist. Então chega a reviravolta e... Surpresa! Tudo isso serviu para nada!
Achei estupido o modo como Master foi tratado. Ele nunca foi um louco qualquer, ao contrário, mesmo em seus momentos mais psicóticos, o timelord tinha um plano. Nunca ele jogaria tudo pro alto assim, ainda mais sabendo tanto sobre o Doutor, seu passado e talvez, até o seu futuro. O que acaba ficando em toda essa ladainha de "sou ou não um bom homem", é apenas uma história infantil que busca ser profunda e não consegue. Até mesmo sua profundidade é ilusória.
Os melhores momentos do enredo são em torno de Danny, o soldado que por fim se sacrificou por enorme capricho de sua amada. Sempre foi assim, Clara pagou por todo esse capricho e o Doutor se mostrou mais fraco do que nunca. Ele não relutou, não salvou, não fez nada! Apenas aguentou e assistiu de camarote os acontecimentos. Seus companheiros foram quem trataram de salvá-lo.
Missy soa deturpada enquanto Master e todo o enredo é cheio de buracos, ainda mais por mexer outra vez com a timeline de Doctor Who. Gallifrey não poderia ser encontrada, como Master escapou? Não interessa, nunca ficaremos sabendo. Ou será que apenas somos burros? Se for assim, sou um grande estúpido, simplesmente não entendo e não vou ficar engessando a história com teorias.
Toda a ideia da Season Finale é incrivel, mas sua execução péssima. A parte um me surpreendeu bastante e me fez ficar intrigado, pena isso tudo ser substituido por filosofias, falações, conceitos, lutas e etc, totalmente infantis, que tentam usar como visual uma roupagem adulta. Sucede-se, portanto, aquele sentimento do quão desnecessário foi isso tudo. Missy não completou seu plano e o Doutor não salvou ninguém. O mundo não acabou e Clara terminou, outra vez, bem. Apenas Danny, quem sinceramente eu achava que poderia dar um novo gás para a série, foi descartado. Ah claro, não esqueçamos da moça da gravata borboleta, que é tão significante que nem deveria existir.

O episódio em si é bem fechado e deve agradar os fãs mais clássicos ou fazê-los odiar; não tem meio termo. Eu, por exemplo, odiei. Adorei a atriz que fez o Master, mas achei algumas atitudes na história totalmente descabiveis. Esperava mais do grande vilão do Doutor. Clara ainda continua a mesma coisa na minha concepção: uma companion desnecessária e sem sal, sendo lhe atribuida enorme significado. É como se o Moffat precisasse de uma super heróina e a todo custo enfiasse isso goela a baixo.
A relação dela com Danny nunca foi lá essas coisas, a não ser que tenha desenvolvido-se nos espaços de tempo. O plot em torno dos Cybermans foi interessante, mas os fez tornarem-se burros sendo manipulados e não cooperando (cadê os robos que queriam dominar o mundo?).
A entrada da UNIT também me interessou, pena que não teve tanta atenção, foi só mais um objeto para levar ao fim da temporada.
Ao todo, Death in Heaven acaba sendo bem fraco, mas de acordo com o que a oitava temporada nos apresentou. Tirando algumas pontas soltas de Missy, não teve ligação nenhuma com todo o resto. Acho genial as armas que os roteiristas tem, mas o modo que tudo sucede-se é bem abaixo da qualidade habitual.

Os efeitos estão incriveis. Tudo muito bonito e de enorme coerência. A fotografia, principalmente dos Cyberman, combina com o tema fúnebre da "saída" de Clara (ela volta no Especial de Natal hue) e morte de Danny. Ao todo, a série buscou ser mais adulta, tentando inserir consequências nos personagens, mas resolve tudo de forma infantil ao buscar inovação. O Doutor foi o assassino, não o salvador. Mesmo assim ninguém liga, muito menos ele - pelo menos é o que aparenta.
Moffat parece tropeçar nas próprias armadilhas. Suas artimanhas funcionaram bem nas outras duas temporadas e a season finale de Trenzalore, para mim, é uma das melhores. But, ele se autocopia e ao mesmo tempo tenta inovar de um  modo estranho, pois acaba deturpando personagens, soando tudo drasticamente incoerente. Adorei Missy e seus trejeitos, mas não as ações que lhe foram atribuidas. Nem de perto esse final conseguiu superar o do Tennant  e, como sempre, ficou devendo muitas explicações.

Se Clara chamar a si mesma de Doutor outra vez (ou seja, no especial de natal), juro que vou ter um colapso. Apesar que, ela como Doutor ficou mais interessante que o próprio Capaldi. Então vamos lá, assistir Clara Who e a história de uma menina mimada e controladora que roubou a Tardis de um timelord velhaco.
As melhores ideias de Death in Heaven são desperdiçadas ou não conseguem desenvolver-se direito. Por que não colocar esse enredo no meio da temporada e o ir desenvolvendo aos poucos, com mais força e coragem? Tudo é corrido, de forma que se assemelha muito ao primeiro episódio, Deep Breath. Achei que aquilo seria o erro de apenas um capítulo, mas infelizmente perdurou até o final.


Conclusão

Lembro-me de começar a assistir Doctor Who com certa estranheza. As coisas não faziam muito sentido, e a história era muito fraca. - É assim que me sinto agora, só que a série leva uma bagagem maior e embaralha-se na própria linha do tempo.
Death in Heaven não foi de todo ruim, teve partes muito boas, mas pouco aproveitadas. Tudo soa infantil, em meio a tentativas falhas de ser profundo. O visual acaba sobressaindo-se e as personagens desenvolvem-se precariamente. Missy ou Master, facilmente é descartada, dando lugar a um Doutor fraco sem muito o que fazer.
Ao fim, resta não mais "A Série", apenas mais uma em meio a tantas, que acabou tornando-se simples, enquanto tenta lidar com um enredo complexo demais para si mesma.

Capaldi poderia ser um dos melhores Doutores. Em toda sua mentira, termina sozinho, talvez confuso ou impactado pelo o que aconteceu: não importa. O Natal vem aí e a esperança de uma renovação surge.
Finalmente: adeus Clara.

El Psy Congroo.

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