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Destaques

O terror como punchline humorística em Get Out

O cinema tem como principal função apenas entreter, assim como qualquer outra forma de arte. Você pode dar "n" motivos para uma obra ser boa, mas se ela não entretêm, ela não serve para nada. Tendo isso em mente, eu sinto falta de um cinema um pouco mais descompromissado; eu sinto falta de contos e crônicas sinceras, coisas que só vemos em produções independentes que em sua maioria se quer chegam por essas bandas. Portanto, ver um filme como Corra fazendo sucesso tanto entre o público de nicho e o público geral, acabando por ser exibido com certa relevância, chega a emocionar. Não que isso automaticamente torne o longa bom, mas é que a sua proposta é tão simples e ao mesmo tempo tão cheia de nuances e propósitos, que é difícil não torcer para que dê certo. Corra deu certo e não só isso, é um respiro no gênero tanto de terror quanto de comédia. Ele não é inovador, mas a sua exótica combinação de gêneros culmina em uma história bem executada, sem a necessidade de ser megaloma…

[Acompanhando] Doctor Who: Dark Water (Season Finale Parte 1)


Acredito que era meio óbvio que Missy era Master, mas acho que ninguém queria acreditar, principalmente pelas pistas que Moffat deixou para seguirmos no caminho contrário.
O episódio começa com a morte de Danny; fato inusitado que claro, não acontecerá a toa. Clara, que durante a temporada inteira mentiu e mal desenvolveu uma relação coerente com o professor, de repente se vê totalmente desamparada, como se o mundo fosse acabar. Sua atitude, porém, não difere do que foi em todos os momentos em que a personagem teve espaço: egoísta. Uma pessoa normal, bêbada de amor, provavelmente se mataria em busca do amado no lugar para o qual ele foi destinado. Ela não, arrisca a humanidade, a Tardis e o Doutor - menos sua vida. Ela precisa ter Danny, mesmo que em nenhum momento valorizasse a presença dele, preferindo fugir às escondidas com Capaldi. Ele é tão importante para a moça, que ela nem ao menos se importa em discutir ou lhe informar que não suporta uma vida comum ao seu lado. Sua morte e a tentativa de salvá-lo, nada mais é que outra atitude caprichosa da mimada "garota impossível".

A trama de Dark Water é interessante e acima de tudo inteligente, parecendo meio desconexa da identidade que a temporada criou. É como se a todo tempo estivesse sendo preparada e paralelamente, alguns episódios para tapar buraco. As aparições de Missy durante a temporada não acrescentaram em nada, apenas foram uma tentativa porca de dar sentido e ligação à enredos fracos.
Ainda precisamos de muitas explicações, que espero eu, surjam na parte 2.
Como Master voltou? Aquela bola consegue pegar todas as "almas" do universo? Desde quando? Então está acima do tempo e espaço, já que pelo que foi dito, criou a consciência do ser humano de um lugar pós-vida? Como os Cybermans se uniram ao Master?  Etc, etc e etc. Bom, por agora, vamos apenas nos atentar ao que aconteceu em Dark Water com a esperança de que a maioria dessas questões não fique de lado, como mais uma das várias crateras que Moffat deixa na história (é provável que a parte da esfera nem seja explicada. Sonhar não custa nada né).

Capaldi é um Doutor mediócre pois não está com a companhia certa. Hartnell (o primeiro doctor), se tornou um dos mais queridos não exatamente pelo personagem em si, sim pela companhia. Se não fossem por Ian e Barbara, a série provavelmente teria declinado. É o que acontece por aqui. Tennant e Smith eram doutores que se sustentavam sozinhos, mas Capaldi não, necessita de alguém como suporte - de todo, isso não é ruim. Apenas quando erroneamente usado.
A trama envolta de Danny fica cada vez mais adulta e profunda, se tornando bastante interessante. Percebemos todos os seus medos e preocupações com Clara; bem ali, na morte de um garoto.

Os efeitos e fotografia estão incríveis, como se todo o orçamento tivesse sido guardado para este momento. O plot é interessante e deve ser marcante dentro da história de DW, mas desvalida toda uma temporada. Pegue esse dois episódios, lance como filme e pronto - claro, supondo que não seja feito uma merda gigante na parte dois.
O pós-vida é plausível e bem arquitetado. A ironização com a realidade se torna o grande charme do episódio. Imagine, se todos os conceitos humanos sobre a morte estivessem errados?
Não achei tão impactante assim a descoberta de Master como Missy. O que me agradou mais foi toda a história de Danny, seu sofrimento e descoberta no pós-vida. O soldado merece lugar de destaque na temporada e é um gigante contraponto frente a mimada Clara; basta o inicio, que para mim foi ridiculo - além de demonstrar o egoísmo da personagem, me fez ver o quão fraco está sendo construído este Doutor. Tantas pessoas importantes morreram nos braços do Timelord e de repente, para uma menininha qualquer que mal consegue ser madura para tomar decisões, ele decide ir ao inferno.

E o que dizer do beijaço de Missy? Isso é tão estranho por se tratar de Master.... Mas se analisarmos sob a perspectiva dos Timelords, um povo que pode se regenerar tanto para homem quanto para mulher, a questão de gênero se torna curiosa. Isso não seria abordado numa série tão eclética em termos de público, mas homossexualismo para os Timelords deveria ser algo normal ou indiferente, visto que seu amor poderia se regenerar para um sexo totalmente diferente.
Talvez isso anime a galera que anseia a volta de Jack no especial de natal hue.
Pois bem, em algum momento River deve voltar e a Season Finale parece dar um novo gás para a temporada seguinte, desta vez sem a doutora Oswald. Quem será a nova (ou novo) companion do Doutor? Dedos cruzados e expectativa controlada: a parte dois vem aí. Veremos se a despedida de Tennant conseguirá ser superada.

Conclusão

A chegada até essa season finale foi deprimente, com mais erros que acertos, sendo totalmente jogada de lado agora. Me senti estúpido acompanhando algo que não divertiu e tratou tanto os fãs como o próprio Doutor como idiotas. Porém, devo admitir: Dark Water é um ótimo episódio, ainda mais como gancho para a parte dois, que há de ser épica. A ideia de trazer Master de volta a vida pode ser genial ou na mesma proporção, catastrófica.
Por enquanto, tudo tem sido orquestrado com grande esmero, finalmente sendo coerente. Só me decepcionei com o papel que o Doutor tem desempenhado, sendo muitas vezes tolo de modo ridículo. A produção melhorou muito e o mistério vem sendo cultivado, formando um enredo impecável.

Não considero Moffat um gênio. Ele fez coisas boas em Doctor Who, mas também muitas merdas. Se for para classificá-lo como genial, só se for no marketing. A série tem uma marketing e desculpas incríveis de gente preguiçosa. Formar realmente um enredo em fim de temporada é tratar o telespectador como burro, para tentar consertar tudo com um bom final - outro plot twist que pode fazer os mais desatentos esquecerem o que aconteceu até aqui. Não desvalido Dark Water, mas gostaria de uma temporada inteira na mesma qualidade; pena que isso não aconteceu.

El Psy Congroo.  

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