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Steven Universo: reflexões sobre o papel educacional de um desenho

Vivemos em um mundo de conflito, onde olhamos primeiro as diferenças e depois as semelhanças. Por essas e outras eu fico feliz de ter assistido quando criança desenhos que falavam sobre alguém excluído por ser diferente. E por causa disso acredito que Steven Universo, entre outros desenhos atuais, são mais do que recomendáveis para crianças e para qualquer um, pois eles possuem uma mensagem que pode potencialmente melhorar o caráter de alguém.

[Dissertações]Do Amor ao Ódio - Square Enix Parte 1:Final Fantasy X


A Square Enix é detentora de algumas das marcas mais importantes para a industria dos jogos e para a história dos JRPGs! Dentre elas o grandioso Final Fantasy, Dragon Quest, Kingdom Hearts, o épico Chrono Trigger, e entre muitas outras.
Não estou querendo lhe mostrar neste post um estudo sobre a história da empresa, mas sim a opinião de um fã decepcionado. 
Não sou tão velho pra dizer que peguei a Square no começo da carreira, joguei sim muitos jogos da empresa e ela passou a fazer parte da minha vida como gamer a partir do Playstation 2, console em que ela emplacou sucessos controversos como Final Fantasy X/XII e Kingdom Hearts. Nessa época conheci jogos tão profundos e divertidos, onde a fantasia nunca morre e um mundo novo e cada vez mais fantástico que o anterior.


"Persiga o inalcançável" Final Fantasy sempre me disse isso. 


Expansões de Final Fantasy X
O X foi um divisor de águas, muitos gostaram enquanto outros diziam que não era mais Final Fantasy. O fato é que foi um grande sucesso, ótimo jogo e o primeiro Final Fantasy que eu zerei.
O jogo era consistente, imersivo, bem trabalhado e desenvolvido contando com mais de mil pessoas em sua equipe de produção. Foi o primeiro jogo a ter todas as falas presentes dubladas, até o NPC mais inútil tinha seu dublador. Também foi um dos jogos mais profundos que eu já tive o prazer de jogar.

A conclusão do jogo era incerta e dava a brecha que eles precisavam pra mudar um pouco os JRPGS. Não era a intenção inicial, mas ouvindo as reclamações dos fãs eles cogitaram a ideia de fazer a continuação de um FF, coisa nunca antes vista. A maioria dos JRPGs são como livros fechados, eles não se relacionam a nenhum jogo e são independentes de tudo, entretanto, a Square Enix viu uma oportunidade para inovar e vender ainda mais; o sucesso do FF X não foi pouco afinal de contas. Porém, um problema veio a seguir: o tipo de postura que a Square iria tomar nos próximos anos, começou com a decisão de fazer uma continuação a pedido dos fãs, e aí iniciou-se essa bola de neve mercenária que vai crescendo até hoje
.

Final Fantasy X-2


X-2 seria o desfecho da história inacabada do X mas é muito inferior ao seu antecessor. É uma sequência preguiçosa, reusa todos os cenários do anterior com a adição de alguns novos que não são lá tão cativantes. O gráfico é um pouco melhorado, mas nada tão distante assim. O gameplay não é igual, ele é bem diferente até. Inovação é algo que mantém qualquer coisa viva e é assim que Final Fantasy conseguiu desenvolver seus mais de trinta títulos, porém, nessa corrida por inovação, a Square acabou se distanciando daquilo que fez os seus jogos serem amados por milhões.
Contemplem o grandioso trio de vilões de FF X-2!
O gameplay é mais rápido e descontraído devido ao fato de que "as pesquisas indicam que os gamers não tem mais tanto tempo pra ficar em frente ao video-game como antes", por consequência disso a narrativa é fragmentada para não te prender ao video-game, não é preciso lutar tanto assim e a dificuldade foi extremamente reduzida e agora, devido a tendências japonesas, as personagens tem roupinhas bonitinhas que representam as classes!
Ta bom, ser rápido é uma coisa, agora fazer um Final Fantasy que preza um dinamismo ridículo, se foca em fan-service e sacrifica a imersão é outra. É possível zerar o X-2 sem pegar nem metade da história do mundo. Existem capítulos e hipoteticamente em cada capítulo existem umas três main quests e várias side quests. O ruim disso é que as main quests não te mostram nem metade do que o mundo de FF X se tornou e as side-quests são muito difíceis ou chatas de encontrar. Para uma proposta dinâmica, eles escondem demais o doce. Fazer o jogador revisitar cenários milhares de vezes pra achar uma mínima quest causa sabe o quê? Frustração.

Vrau?VRAU O CARALHO.

O jogo é feito pra ser um JRPG pequeno, mas precisava ser assim tão diferente do X? 
Além disso, a história é incoerente pra não dizer idiota, não tem profundidade nenhuma e chega a ser boba. O jogo não te causa uma ânsia por mais, ele não te prende a um enredo misterioso que cativa a sua curiosidade. O que realmente cativa um fã do X é ver o estado do mundo depois das mil tretas e o verdadeiro final, que tem o objetivo de terminar a história inacabada de FFX.

Porém, é possível descartar tudo que foi feito em FF X-2, pegar esse final legal e botar ele como extra do X sem que ele perca seu sentido. Quase tudo o que acontece no  X-2 não importa, e apesar de ser canônico, parece que não é. Nas outras expansões quase todas as informações inseridas no novo jogo foram desconsideradas.

Se você só quer a conclusão para a história do X,pule este jogo e vá no youtube assistir o true end.

Não precisavam fazer um novo jogo pra mostrar só isso.

Com o final que o X teve, ia ser complicado criar um novo enredo, sendo tão complicado que saiu algo aleatório e irrelevante. O enredo desse treco é tão ridículo que se baseia na reencarnação de almas gêmeas, é sério, virou novela das seis agora e a Yuna atriz da globo.

Yuna é a cara do FF X, mexer com ela é mais do que arriscado, foi burrice. A mudança chocou tanto os fãs que muitos deles até hoje a chamam de vadia. Eu não sou contra essa alteração pois acredito que a Yuna deveria continuar a satisfazer o fetiche de certo tarados por mulheres meigas e mais santinhas, porra nenhuma, Yuna é caracterizada como uma mulher forte apesar de tudo, muito mais que vários homens e nunca precisou rebolar pra mostrar seus valores.

A decisão tomada foi de transforma-la numa popstar com direito a dançarinas do tchã. Na verdade esse jogo todo é um show de pop, os desenvolvedores forçaram pra caralho. Tem música e dança em tudo que é lugar dessa porra. Enquanto o FF X era feito pra você entrar na melancolia do mundo, o X-2 quer que você dance Beyonce.

"Lady Yuna!!!!" mano, para de repetir isso, por favor.

 O clima pop deste jogo foi tão forçado que nenhum de seus sucessores tentou seguir a mesma linha de jogo, eles retornaram ao ambiente comum a um FF. 

Final Fantasy X-2.5 ~Eien no Daishou~



Se você desconsidera tudo que veio depois do X, acredita que o X-2 é horrível, conheça coisa pior.

Eien no Daishou é um livro escrito por Kazuhige Nojima, que alías é o mesmo roteirista do treco que foi X-2. Além disso, ele tem uma carreira de longa data com a Square, ele estava na empresa desde Final Fantasy VII e inclusive ajudou a escrever seu roteiro, saiu dela em 2003 e criou sua própria empresa, mas ainda escreve para a Square como freelancer.
Não sei o que se passa na mente do Nojima, pois ele é um dos escritores mais renomados da industria dos games. Escreveu o roteiro de FF X e do VII, e depois fez esses fiascos mencionados no texto.
Eien no Daishou simplesmente diz assim pra você:
Yuna e Tidus sofrem um naufrágio, Tidus morre e Yuna o ressuscita. Não faço a mínima ideia de como mas ela da uma de Jesus e traz ele de volta. Só que Tidus está diferente, Yuna começa a se afastar dele por essa mudança inesperada. Aparições de mortos começam a se tornar presentes pelo mundo todo e o Fairplane, o mundo de descanso das almas, começa a ficar cada vez mais instável.

E mais uma vez os fãs se perguntam: que porra é essa? Não tem coerência nenhuma e eles ainda tem a cara de pau de botar um "to be continue" como se fossem fazer algo decente em seguida.

O que é isso? Que história é essa? Os caras conseguem dar 99999 de dano e morrem num naufrágio? Um simples naufrágio?


Esse livro conseguiu ser mais odiado que a outra sequência. Apesar de tudo o X-2 não foi um fracasso, em 2011 ele tinha vendido mais de cinco milhões de cópias em todo o mundo, enquanto Daishou foi tão odiado que nunca será publicado fora do Japão.

É preciso entender algo, se até os japas odiaram com força, então a coisa tava feia de verdade, porque geralmente eles recebem bem esses títulos que a maioria do mundo não gosta. Nem preciso falar que o X-2 vendeu mais no Japão né, o jogo foi feito visando totalmente as tendências japonesas.


Além disso, nenhum evento de grande porte acontecido em X-2 tem importância nesse livro.

"É canon? ÉÉÉEÉ. Iremos usar pra algo? Nããããão."

Final Fantasy X -Will-

E adivinhem quem é o responsável por mais uma expansão que todos amaram? Kazuhige Nojima.
Dessa vez a coisa é pelo menos mais interessante que Daishou, se trata de um audio-drama presente na HD remaster de FF X/X-2 lançada para PS3 e Xbox360.

A ideia é ser algo como um extra, algo novo pra quem comprasse o relançamento. Will é até bem mais interessante, porque diferente dos seus antecessores, que tentavam inovar e fazer estilos malucos de história, Will é fiel ao original. É possível entender Will sem sequer ter jogado FF X-2 ou lido Daishou, lembrando que esses dois são canônicos e tem relação sim com Will, mas parece que a Square esqueceu disso.
Finalmente uma ideia criada para uma expansão que realmente é LEGAL apareceu em Will e é Chuami, a filha de Auron. Ela é boa pois se trata de algo que faltou no X, não sabemos nada do passado de Auron e essa ideia pode ser explorada sem construir enormes incoerências como foi nos outros dois. Até o modo como retrataram o mundo pós FFX tem um tom mais sério, sem o pop exagerado do X-2. Vemos os personagens do jogo original como são no jogo, e não a Yuna popstar. Mas nem tudo é maravilhoso.


O conflito da história é o mesmo do Daishou, os mortos estão fazendo aparições no mundo físico, o fairplane está instável e do nada Yuna diz "Sin(last boss) está voltando". Ela simplesmente termina com Tidus, um pivete amigo de Chuami diz que está apaixonado por Yuna e que tem que ir com ela, os dois somem e tudo acaba sem conclusão.
Will na verdade não é ruim, seria na realidade a expansão mais promissora vista até então, dando brecha a um Final Fantasy X-3 ou até um meio de substituir e apagar o que foi o X-2.

Will é uma criação da Square para, como disseram eles mesmos, atiçar a imaginação dos fãs em relação ao que aconteceu após o final da história, ou seja, eles criaram algo interessante, que destrói duas das conclusões mais importantes da história que foi o relacionamento de Yuna e Tidus e a derrota de Sin, revivem o monstrão simplesmente por reviver e no final dizem: "só queríamos mostrar um vislumbre e deixar vocês pensarem no que acontece depois" afinal, em uma declaração publica eles afirmaram que não pretendem fazer um FF X-3.


Quanto respeito por aqueles que passaram mais de 70 horas jogando essa porra toda, pra no final te contarem "ah, não tem conclusão definitiva de verdade não, a conclusão é a sua imaginação".
Como isso me deixou com raiva, tive certeza neste momento que a Square nunca mais vai ser a mesma. Desde o X-2, a postura da empresa para com seus fãs é de mercenarismo e fan-service, ela tenta se recuperar a cada retaliação massiva que sofre por parte da crítica e dos fãs, mas ainda continua errando feio.

Não sou um odiador extremo nem torço pelo fim da empresa, mas depois de tudo isso nunca mais terei fé de que minhas expectativas e a de muitos fãs sejam atendidas. Como você faz isso com a pessoa que compra o relançamento? Reviver coisas boas do passado não é bom quando termina em um futuro incerto.


Ofereceram um bônus que deixa a pessoa mais irritada do que feliz, a recepção de Will não foi muito boa e torço pra que eles não mexam mais com Final Fantasy X. Já está essa bagunça toda, se forem mexer o consertem, o que duvido muito.
Escute Will aqui  e infelizmente não achei uma versão com legendas em português

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