sábado, 4 de outubro de 2014

[Analisando jogos] Aquaria e a música do mar


Sempre achei paisagens marítimas muito bonitas, imagens de seres brilhantes no fundo do mar sempre me atraíram de certo modo. O desejo de um universo fantasioso dentro da água é algo que nunca vi em um jogo, até conhecer Aquaria, jogo indie desenvolvido pela Bit Blot e lançado em 2007 para PC.
A experiência do jogo é daquelas imersivas, há uma única voz e uma muita boa por sinal, a de Naija, protagonista do jogo. Toda a percepção de mundo é passada através dessa voz, todo o medo e esperança de Naija são muito bem representados pela atriz Jenna Sharpe e a sua voz cristalina.
Se liga na voz da mina!

História

Naija acorda sozinha em um recife sem grande parte de suas memórias, ela lembra de coisas que não sabe explicar mas, sobre ela Naija não sabe nada. Ela anseia por saber, por ter alguém ao seu lado, ela quer se livrar de sua solidão e um dia, ao ver uma aparição que lhe mostra uma visão estranha ela decide explorar o mundo subaquático de Aquaria para assim descobrir qual a verdade de seu mundo e de si mesma.
Naija é uma personagem profunda, é a única que fala então ela tem que ser, através de seus olhos e suas palavras compreendemos o mundo junto a ela. Tudo que Naija sente ela conta, não elogiei Jenna Sharpe por nada realmente acredito que através de sua voz Naija passou de uma nadadora verde para uma personagem cheia de medos e incertezas e até felicidades. É muito fácil gostar dela porque de certo modo Naija é como um reflexo do jogador, a posição que Naija tem em relação ao seu mundo é praticamente igual a posição que o jogador irá tomar, os dois são igualmente ignorantes.

O único relacionamento claro de Naija é com Li, um humano que ela encontra ao longo da história, porém só é mostrado que os dois nutrem um grande carinho um pelo outro, Li nunca fala, só sabemos o que Naija diz dele. A presença humana nos mares de Aquaria é quase inexistente, este oceano do jogo é realmente misterioso.

Ambientação e Gameplay

Além da belíssima voz de Naija o cenário e a música são fatores igualmente importantes para a imersão. Os cenários vão de recifes e praias até as profundezas mais malignas do mar, realmente fascinante e em conjunto com a música o ambiente se torna extremamente agradável apesar de, Aquaria sem em sua maioria ser um mundo em ruínas, Naija não estava sozinha por nada, toda a vida inteligente foi aniquila, e ela não era pouca, haviam diversas civilizações distintas que habitavam Aquaria, mas todas se foram, tendo isso em consideração vale ressaltar outro dos melhores cenários do jogo, as cidades destruídas e corrompidas.

A desgraça da família real.
 A trilha sonora é quase o fator mais importante de todos, como se espera de um jogo indie ela é nada mais que impecável, possui muitos ritmos desde músicas calmas e que transpiram harmonia a rocks pesados nas áreas mais complicadas.
A música não é de importância unicamente metafísica, dentro do contexto do jogo ela também é importante. Existe algo chamado "the verse" o verso, essa força está presente em tudo, basicamente, na essência de todas as coisas existe a música, é isso que significa. 
Naija canta e essas canções transformam ela e as vezes até o mundo ao seu redor. O gameplay é baseado nessa mecânica e pra fazer praticamente qualquer coisa é preciso cantar, decorar as músicas certas e aplicá-las através do círculo de notas musicais.

O gameplay em si pode ser definido em poucas palavras, explorar, trocar de forma e usar os "tiros" relativos a cada forma de Naija para derrotar os inimigos, explorar mais, trocar de forma e usar um tiro diferente, isso se repete muito mas não se torna maçante pois, Aquaria é um jogo artístico, se você não tem uma sensibilidade artística para jogos, odeia Shadow of the Colossus e coisas do tipo então irá avaliar Aquaria só pelo gameplay bruto e vai dizer que o jogo é uma merda. O fato é que você precisa ser fã da orquestra e não só de um instrumento para curtir jogos como esse, a combinação de tudo mencionado até agora faz o jogo não se tornar chato, deixa ele, como já foi dito, imersivo.
Os recursos do jogo são o mouse e as teclas WASD, é possível jogar unicamente com o mouse mas recomendo que se use o teclado para se mover e o mouse para escolher as notas e proferir as canções, isso facilita muito um jogo que por desconhecimento pode se tornar muito difícil.Há também uma ferramenta de craft para fazer consumíveis, uma muito importante que se for posta em desuso dificultará muito a sua experiência com um jogo que nem é tão complicado assim.
Mapinha pequeno.
O jogo é lindo, uma pérola, não achei algo parecido até hoje, e isso de certo modo é bom pois como eu já disse, um bom indie é um indie criativo, um bom indie é único do seu jeito.