domingo, 26 de outubro de 2014

[Analisando Animes] Um gato fantasiado de leão

"Texto originalmente postado no blog Otaku Louco, em 2011. Edição do post para o blog Divisão 42, em 2012"



Ano: 2011

Gênero: Ação, drama, mistério, sobrenatural

Dirigido por: Kunihiko Ikuhara

Escrito por: Kunihiko Ikuhara, Takayo Ikami

Estúdio: Brain's Base

Baseado: Original

Episódios: 24
            
Onde Achar: Punch e anbient


O ano de 2011 foi levado de diversas surpresas no mundo da animação. Foi um ano muito próspero, que trouxe séries boas de diversos tipos e genêros. Entre elas – Mawaru Penguindrum.
Como um lobo solitário, ela estreou sozinha. Nenhum hype, nenhuma expectativa, nada! Apenas mais uma série nesse grandioso mundo animístico. Era só uma estranha proposta, que provavelmente não agradaria a maioria dos otakus.
Mas de repente, pessoas histéricas comentam no twitter o maravilhoso anime. Blogs fazem posts tratando de falar sobre esse anime “Bicho-Papão”, que surge do nada e dá um susto danado com o que oferece. O que têm em Mawaru de tão especial? Não é nenhum Guilty Crown com um ótimo orçamento e muito menos um Fate/Zero. Mas, por que ele agrada tanto?

Inicialmente quando decidi conferir a série (muito antes de surgir o “hype”), confesso que não gostei. Temática besta, sem história e pacato. Dropei em torno do 3 episódio. Mas aí, surge o dito hype, com diversos Caps locks e exclamações.
Me fazendo as perguntas acima, eu cheguei naquele ponto, “Será que fica bom?”. Então tratei de continuar a vê-lo. Pretendendo ir até o episódio 5, apenas para dizer que não havia se quer dado chance, eu continuei. Me vi preso e animado em uma trama altamente confusa, mas que me fazia retornar toda semana para vê-la.
Ponto; o diretor conseguiu fazer o seu trabalho.

Com algo simples, Penguindrum começa mostrando a pacata vida de uma feliz família: Kanba, Shouma e Himari. Todos felizes pela a saída da irmã, a ultima dita, do hospital. Mas parece que o imprevisível acontece:
Himari, a doce irmã, não resiste e perde consciência na visita de comemoração de sua saída do hospital, no aquário. Assim, com uma doença incurável, ela morre.
Choro, drama, choro, drama, choro, drama, drama, choro, felicidade! Himari de repente revive! Ao ser colocado um chápeu qualquer, comprado em uma loja, Himari é revivida por uma ser mística, que domina o seu corpo e, aparentemente leva os irmãos para uma realidade paralela. É a partir deste acontecimento que tudo se inicia. O “espírito” parece não querer somente reviver a garota; ele quer algo em troca. Assim começa a pedir favores, como achar um misterioso artefato chamado penguindrum.

Posso dizer que o anime é estranho. Mas um estranho que inicia-se bom, se perdendo no meio do caminho.
Penguindrum começa apresentado uma história diferente, mas boa. Aos poucos ele vai soltando as amarras e mostrando as garras. Pena elas serem afiadas demais, ao ponto de machucarem a sí mesmo.
Em Mawaru tudo começa monótono, vai bem, fica ótimo, fica péssimo, muda tudo e volta para o ciclo. Seu erro está aí, em mudar. Um roteiro que parece a primeira vista muito bem pensado, torna-se algo desastroso.
Pensar no bem da série é uma coisa.Mas pensar ao ponto de mudar drasticamente apenas para agradar é um erro. Pode até não ter feito isso, mas aparenta.
O anime tem ótimas armas, que se tornam bombas prontas para explodir. Ele tenta fazer mais do que pode, sendo que tuas asas não são do tamanho para isto.
Muito interpretativo, ele foca-se nisso esquecendo de informar o telespectador. Pecado cruel, que nenhum anime deve fazer. O telespectador é prioridade, mesmo que tudo seja conforme o que a pessoa que estiver assistindo quiser ver, temos que estabelecer paradigmas. Isso não é uma consulta psiquiátrica, é um anime. Há limites e, o roteirista se prendeu em sua própria mente, falta disposição e expressão para fazer o principal: mostar suas idéias.

Com um plot bom, ele se fecha em sí e se confunde todo. Mudanças para surpreender o telespectador é o mais usado.
Tudo bem, concordo com isso. Mudanças e surpresas são boas, toda história tem que ter. Mas há a diferença entre usá-la e saber usá-la. Tem que ter todo um trabalho por trás até que chegue este momento; não se pode de repente decidir que alguém virou do mal e pronto.
“Somos humanos, erramos e pecamos” – comigo não cola. Me sentiria pouco valorizado se de repente no final de Harry Potter, Voldemort se revelasse Dumbleadore. – Mas é aí que entra as “desculpas”.
Mawaru tem várias delas, muitas acabam não funcionando. Tem erros que desculpas só pioram.
Em vez de dar o sentimento de continuidade nos episódios, ele se desdobra e dá a impressão que aquela primeira premissa não estava funcionando. Simplesmente joga tudo no lixo, pega as melhores partes e recicla para algo novo que funcione.

Personagens como a Momoka, ganham importância e desenvolvimento, mas param na metade. Novamente são jogados fora e muitas vezes esquecidos. Vide Ringo, que começou desempenhando papel de grande importância e por fim se desdobrou e desapareceu praticamente.

A animação está razoável. Eu diria ruinzinho. Mas como se pega um livro de época e se lê pensando e analisando de acordo com a época que foi feito, Mawaru é do mesmo jeito.
Com um orçamento abaixo do normal, o diretor cumpre mais que o seu papel, reciclando e usando com genialidade o que se precisa. Faz mais do que pode, com o que tem, dando uma surra em gigantes que tem o que é preciso, mas não conseguem se sobressair. Mesmo com toda a confusão, ele te prende e amarra. Só ao fim você se pergunta, “por que vi aquilo?”
Eu sei e digo: O diretor tem o dom e sabe o que o telespectador quer. Sabe como usar os enquadramentos, cenas com mais dinâmica e dar uma atmosfera para tudo. Ação na hora da ação, drama na hora drama. Sem sono, nem bocejos.
No fim, faz um apanhado e recicla.

Personagem mais interessante: Takakura Kanba. Mostra-se “rebelde” desde o começo e acaba assim. Tem um grande desenvolvimento e um dos melhores personagens. Pena ele ser esquecido, revivido e no fim, acaba sendo apressado. Mas consegue ser grande e até vamos dizer, “bem feito”.
Eu sou uma pessoa que consegue ver a transparência das coisas e, em penguindrum os persnagens são muito parecidos. Chegando ao ponto de irritar.
Kanba se assemelha aos outros, busca o diferencial e consegue. Pena, como já dito, ser apressado.

Personagem menos interessante: Keiju Tabuki. Completamente dispensável, faz papel de alvo amoroso, mas poderia ser facilmente substituível. Mais um esquecido, revivido e ridiculamente mudado de personalidade. Quiseram dar importância para todos, mesmo que isso significasse acabar com a personalidade e acabar com o personagem, que aliás nunca foi bom.
Serve para desenvolver Ringo e só. Sem mais nem menos, se volta contra todos e confunde tudo. Confusão completamente dispensável na trama, que nem enriquece e nem apodrece.

Melhor momento do anime: A stalkeação inicial de Ringo. É o impulsionador (mais ainda que a doce Himari) de tudo. Consegue trazer a comédia, ação e suspense em uma mesma cena
É um dos grandes momentos em que o diretor mostra todo o seu poder, conseguindo transformar uma noite de uma stalker em algo mais que interessante.
Tudo está ali e, foi aquilo que agradou os fãs inicialmente. Pena se perder no caminho e esquecer.

Opening 1: Muito boa. Com ótimas cenas e harmonia com a música. Música esta que até hoje impregna a minha cabeça.




Opening 2: Também muito boa. Mesmo deixando evidente demais o reciclamento, conseguiu se sair bem. Eu sinceramente acabei considerando como, “Opening 1.5″.


Endings: Como são muitas, analiso como um só. Todas são muito boas e acabei adorando essa “diversificada”, sempre mostrando ótimas cenas com ótimas músicas.



Conclusão

Estranho, confuso e interpretativo. Mawaru Penguindrum certamente é um anime bom, mas jamais uma obra de arte. Tenta seguir vôo, mas com asas pequenas demais. Mudanças radicais são interessantes, sendo mal aplicadas irritam e fazem mais que confundir. As personagens que poderiam crescer e serem maiores, se perdem no meio de tudo e são esquecidas no bosque. Quando achadas, estão diferentes. Algumas enriquecem o enredo, mas a grande maioria acabam virando um desenvolvimento encerrado na metade.
Telespectador não é burro. Me senti em partes ofendido.
Animes são histórias, precisam de mais que cenas: Precisam de explicações. Interpretação é bom, mas como já dito, é necessário estabelecer paradigmas.
Olho e aplaudo de pé o que o estúdio e diretor conseguiram fazer com o que lhes foi dado, mas ainda há muito o que se aprender. Talvez parar um pouco e refletir seja necessário.

El Psy Congroo.
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